{"id":335484,"date":"2017-06-08T01:06:58","date_gmt":"2017-06-07T23:06:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/uma-teologia-intrinsecamente-feminina\/"},"modified":"2024-05-16T15:31:26","modified_gmt":"2024-05-16T13:31:26","slug":"uma-teologia-intrinsecamente-feminina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/uma-teologia-intrinsecamente-feminina\/","title":{"rendered":"Uma teologia \u201cintrinsecamente feminina\u201d"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_153150\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-153150\" class=\"wp-image-153150\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Anne-MariePellettier-e1496855233262.jpg\" alt=\"Anne-MariePellettier\" width=\"300\" height=\"191\" \/><p id=\"caption-attachment-153150\" class=\"wp-caption-text\">Anne-Marie Pelletier<\/p><\/div>  <strong>Treze te\u00f3logas de nove pa\u00edses<\/strong> (Brasil, Canad\u00e1, Filipinas, Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia, Qu\u00eania, S\u00edria, EUA), deram vida ao segundo Semin\u00e1rio internacional para iniciar a elaborar uma \u201c<em>teologia intrinsecamente feminina<\/em>\u201d. Foi realizado na <strong>Universidade Urbaniana<\/strong> em resposta ao reiterado convite do papa Francisco, que v\u00e1rias vezes ressaltou a necessidade de uma \u201c<em>profunda teologia da mulher<\/em>\u201d, para n\u00e3o deixar este campo desprovido da perspectiva feminina.  Depois do tema <strong>\u201cHeart\u201d<\/strong> do ano passado, o da segunda edi\u00e7\u00e3o foi <strong>\u201cTears\u201d<\/strong>. \u201cCora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cL\u00e1grimas\u201d: se trata de realidades puramente femininas? As l\u00e1grimas s\u00e3o um dom feito a todos, homens e mulheres; e Jesus pessoalmente chora pela morte de um amigo querido como L\u00e1zaro.  As palestras colocam em luz o modo feminino \u00ablonge do dolorismo estereotipado\u00bb de enfrentar \u00aba infelicidade, o desespero, e de introduzir no inferno o b\u00e1lsamo da compaix\u00e3o ou, melhor, da consola\u00e7\u00e3o\u00bb,<strong> afirmou Anne-Marie Pelletier.<\/strong>  Das suas palavras vem em relevo a figura de <strong>Zabel Essayan<\/strong>, mulher arm\u00eania do fim do s\u00e9culo XIX diplomada na Sorbonne, famosa nos ambientes liter\u00e1rios da capital turca no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Vai \u00e0 Cil\u00edcia como membro de uma comiss\u00e3o da Cruz Vermelha, encarregada pelo patriarca arm\u00eanio de indagar sobre as atrocidades perpetradas; al\u00e9m de organizar uma forma de assist\u00eancia aos in\u00fameros \u00f3rf\u00e3os que vagam, junto com poucas mulheres e idosos, entre as ru\u00ednas de Adana. Zabel, embora com os olhos anuviados pelas l\u00e1grimas, \u201cv\u00ea\u201d lucidamente a infelicidade sem fundo, e atrav\u00e9s dos olhares dos sobreviventes, enlouquecidos pelo horror, consegue restituir a hist\u00f3ria dos mortos, que os assassinos torturadores pretendem fazer desaparecer no nada do esquecimento. <em>\u00abO que pod\u00edamos doar diante daquela mis\u00e9ria vasta como o oceano?\u00bb<\/em>, se pergunta Zabel. Em Adana n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a consola\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 para a compaix\u00e3o. Na hist\u00f3ria, na vida do mundo existe tamb\u00e9m o inconsol\u00e1vel.  Mas da palestra da te\u00f3loga francesa tamb\u00e9m vem em relevo uma figura mais pr\u00f3xima a n\u00f3s no tempo:<strong> Etty Hillesum <\/strong>(Holanda, 02\/01\/1914 \u2013 Pol\u00f4nia, 30\/11\/1943)<strong>.<\/strong> Ela tamb\u00e9m quer percorrer at\u00e9 o fim o tr\u00e1gico caminho do seu povo, n\u00e3o por desejo de sacrif\u00edcio ou por altru\u00edsmo, mas pela consci\u00eancia da hist\u00f3ria em que se est\u00e1 inseridos e da qual \u00e9 preciso recolher os desafios. Etty se sente impotente, mas continua a acreditar que a vida, apesar de tudo, \u00e9 boa, \u00e9 bela e \u00e9 preciso se colocar \u00e0 sua escuta, sem nunca se deixar arrastar pela evid\u00eancia do mal. Nela, sobressai a preocupa\u00e7\u00e3o pelo outro, a ser ajudado com gestos de compaix\u00e3o e solidariedade. Inclusive quando o outro \u00e9 at\u00e9 mesmo Deus.<em> \u00abSe Deus cessa de me ajudar, caber\u00e1 a mim ajudar Deus. Ele mesmo pede para ser consolado\u00bb<\/em>. S\u00e3o suas express\u00f5es de extrema aud\u00e1cia.  <strong>Maria Clara Lucchetti Bingemer<\/strong>, grande personalidade da cultura brasileira, com for\u00e7a e efic\u00e1cia nos imerge na extraordin\u00e1ria beleza do deserto de Atacama, no Chile, onde astr\u00f4nomos e arque\u00f3logos indagam os mist\u00e9rios da natureza e os tra\u00e7os da hist\u00f3ria. Mas por onde tamb\u00e9m circulam as <em>Mujeres de Calama<\/em>, mulheres que buscam sem tr\u00e9guas os restos dos corpos dos seus entes queridos torturados e mortos durante a ditatura militar que governou o pa\u00eds a partir de 1973 por bem 16 anos. O deserto, \u00fanico no mundo pelas suas particulares condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, os conservou e, gra\u00e7as a estas mulheres incans\u00e1veis, os est\u00e1 restituindo aos afetos e \u00e0 hist\u00f3ria.  Tamb\u00e9m <strong>a Argentina<\/strong>, que conta trinta e seis mil pessoas oficialmente desaparecidas, v\u00ea as mulheres protagonistas. S\u00e3o elas a desempenhar um papel fundamental para a desestabiliza\u00e7\u00e3o da desapiedada ditadura militar. <em>\u201cLas locas\u201d, <\/em>as loucas, as denominavam num primeiro momento, desde quando, a partir de 1977, toda quinta-feira \u00e0 tarde caminhavam em c\u00edrculos na frente da <em>Casa Rosada<\/em> para chorar os pr\u00f3prios filhos mortos. Com o passar dos anos se tornaram as <em>\u201c<\/em><strong><em>Madres de la Plaza de Mayo<\/em><\/strong><em>\u201d<\/em>. Indom\u00e1veis, deram vida a s\u00edmbolos eficazes, como o len\u00e7o branco na cabe\u00e7a, e a uma luta \u201cpac\u00edfica\u201d, mas sem tr\u00e9guas. A elas, se uniram outras mulheres, m\u00e3es espirituais, freiras, algumas das quais pagaram com a vida a luta contra a ditadura. Vem ao meu pensamento as mulheres que desceram \u00e0 pra\u00e7a na Venezuela&#8230;  \u00abQual o segredo da extraordin\u00e1ria fecundidade de<a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Chiara Lubich<\/a> que fez nascer uma Obra t\u00e3o vasta e universal em poucas d\u00e9cadas? Como p\u00f4de conquistar um lugar, com pouco mais que vinte anos de idade, na Igreja pr\u00e9-conciliar italiana, e resistir com uma proposta de vida evang\u00e9lica que despertava suspeitas em muitos, pois envolvia pessoas de todos os estados de vida, leigos e religiosos, homens e mulheres? O segredo reside naquele que Chiara Lubich, se referindo ao grito de Jesus, relatado por Mateus e Marcos, chama \u201c<a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/spiritualita-dellunita\/gesu-abbandonato\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Jesus crucificado e abandonado<\/em><\/a>\u201d\u00bb. Assim <strong>Florence Gillet <\/strong>inicia a sua palestra sobre \u201c<strong>Jesus Abandonado no pensamento e na experi\u00eancia de Chiara Lubich<\/strong>\u201d.  <strong>Ao seu discurso, se segue a tocante experi\u00eancia no Iraque<\/strong>, nos anos da guerra, de <em>Mirvet Kell<\/em><em>i<\/em>, s\u00edria, que, justamente na uni\u00e3o com Jesus Abandonado, encontrou a for\u00e7a para permanecer com amor ao lado dos iraquianos. Nos encontros de grupo foram ressaltadas, eu diria com admira\u00e7\u00e3o, a novidade, a for\u00e7a, o impacto deste ponto fundamental da espiritualidade da unidade.  <em>Maria Rita Cerimele<\/em>  Fonte <a href=\"https:\/\/www.cittanuova.it\/verso-teologia-intrinsecamente-femminile\/\">Citt\u00e0 Nuova<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Universidade Urbaniana de Roma, treze te\u00f3logas do mundo inteiro se confrontaram sobre o tema &#8220;Tears&#8221;. Um percurso voltado a n\u00e3o deixar esta disciplina desprovida de uma perspectiva feminina.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-335484","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/335484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=335484"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/335484\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=335484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=335484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=335484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}