{"id":344582,"date":"2012-02-28T06:00:32","date_gmt":"2012-02-28T05:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/inovacao-mercado-e-sociedade\/"},"modified":"2024-06-06T12:17:22","modified_gmt":"2024-06-06T10:17:22","slug":"inovacao-mercado-e-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/inovacao-mercado-e-sociedade\/","title":{"rendered":"Inova\u00e7\u00e3o, mercado e sociedade"},"content":{"rendered":"<p><em>Prof. Luigino Bruni, em seu artigo publicado na revista Nuova Umanit\u00e0, o senhor descreve de maneira singular a pessoa do empres\u00e1rio. Poderia explicar-nos como as figuras do investidor, do manager, do especulador, terminaram por confundir-se com a do \u201cempres\u00e1rio-inovador\u201d?<\/em>  <img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-56971\" style=\"margin-left: 10px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/20120228-01.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"160\" \/>Muito depende da revolu\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as que investiu a economia (pr\u00e1xis e teoria) nos \u00faltimos 20 anos (&#8230;) por efeito da globaliza\u00e7\u00e3o. O ocidente desacelerou seu crescimento, mas n\u00e3o quis reduzir os consumos. A finan\u00e7a criativa prometeu, ent\u00e3o, uma fase de crescimento dos consumos sem crescimento de renda, com novos instrumentos t\u00e9cnicos. Com isso muitos empres\u00e1rios transformaram-se em especuladores, pensando em ter lucros especulando, deixando os seus tradicionais setores e a sua voca\u00e7\u00e3o. Uma segunda raz\u00e3o foi a uniformiza\u00e7\u00e3o das culturas empresariais, que seguiram o rastro do forte poder da cultura anglo-sax\u00e3. A tradi\u00e7\u00e3o europeia, e italiana, de gest\u00e3o das empresas era caracterizada por uma grande aten\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o comunit\u00e1ria e social, devido \u00e0 presen\u00e7a de um paradigma cat\u00f3lico-comunit\u00e1rio. Juntamente com a primeira causa, a revolu\u00e7\u00e3o financeira, isto fez com que os managers assumissem uma fun\u00e7\u00e3o cada vez mais central nas grandes empresas, em detrimento dos empres\u00e1rios tradicionais. Atualmente existe uma enorme exig\u00eancia de lan\u00e7ar um modo novo de ser empres\u00e1rio &#8211; se queremos sair da crise &#8211; e reduzir o peso dos especuladores.  <em>Partindo da <strong>Teoria do desenvolvimento econ\u00f4mico de Schumpter<\/strong>, o senhor descreve o mercado como um \u201crevezamento virtuoso\u201d entre inova\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o (&#8230;), por\u00e9m, para o inovador o lucro est\u00e1 essencialmente circunscrito no tempo que passa entre a inova\u00e7\u00e3o e a imita\u00e7\u00e3o. Como evitar que tal \u201crevezamento virtuoso\u201d termine por causar um dano rec\u00edproco entre empresas?<\/em>  <img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-56975\" style=\"margin-right: 10px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/20120228-02.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"200\" \/>Neste aspecto a pol\u00edtica tem uma fun\u00e7\u00e3o importante, e tamb\u00e9m as institui\u00e7\u00f5es, que devem fazer com que este revezamento seja virtuoso e n\u00e3o vicioso, com a normatiza\u00e7\u00e3o oportuna e a garantia da concorr\u00eancia e do funcionamento correto dos mercados. Mas uma fun\u00e7\u00e3o igualmente importante \u00e9 a da sociedade civil; com a pr\u00f3pria op\u00e7\u00e3o de compra os cidad\u00e3os-consumidores devem premiar as empresas que tem comportamentos eticamente corretos, e \u201cpunir\u201d (mudando a escolha da empresa) aquelas que t\u00eam atitudes predat\u00f3rias e agressivas. O mercado funciona e produz frutos quando est\u00e1 em constante rela\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es e com a sociedade civil.  <em>Enfim, o senhor delineia as caracter\u00edsticas da \u201cconcorr\u00eancia civil\u201d, na qual a competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 jogada na f\u00f3rmula: <\/em><strong>Empresa A contra Empresa B para conseguir o cliente C<\/strong><em>, mas sim na f\u00f3rmula: <\/em><strong>Empresa A pr\u00f3 cliente C e Empresa B pr\u00f3 cliente C<\/strong><em>. Pode explicar os efeitos positivos que este modo diferente de ver a concorr\u00eancia produz? E poderia nos dar exemplos de \u201cconcorr\u00eancia civil\u201d?<\/em>  <img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-56977\" style=\"margin-left: 10px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/20120228-03.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"150\" \/>Primeiramente contribui para que se estabele\u00e7a um clima afetivo diferente nos interc\u00e2mbios de mercado. A nossa leitura e vis\u00e3o do mundo \u00e9 muito importante para os comportamentos que assumimos. Se vemos o mercado como uma luta a ser vencida, quando vivemos momentos de interc\u00e2mbio, no mercado ou no trabalho, a nossa tend\u00eancia \u00e9 aproximar-nos dessas esferas com uma atitude mental e espiritual que influencia muito os resultados que vamos obter e a felicidade (ou infelicidade) que sentimos. Se, ao contr\u00e1rio, vemos o mercado como um grande network de rela\u00e7\u00f5es cooperativas, favorecemos a cria\u00e7\u00e3o de bens relacionais, inclusive nos momentos \u201cecon\u00f4micos\u201d da nossa vida, e a felicidade individual e coletiva aumenta. Al\u00e9m disso, fazer uma leitura do mercado como coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais consonante com a vis\u00e3o dos grandes cl\u00e1ssicos da hist\u00f3ria do pensamento econ\u00f4mico (Smith, Mill, Einaudi, e hoje Sen ou Hirschman) e mais pr\u00f3ximo a quanto milh\u00f5es de pessoas experimentam todo dia trabalhando ou negociando, e n\u00e3o apenas na economia social. E como exemplos de \u201cconcorr\u00eancia civil\u201d eu citaria o microcr\u00e9dito, a coopera\u00e7\u00e3o social, a economia de comunh\u00e3o, o com\u00e9rcio \u00e9quo e solid\u00e1rio. S\u00e3o exemplos dessa concorr\u00eancia civil, ao menos como fen\u00f4menos macrosc\u00f3picos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com o professor Luigino Bruni, docente na Universidade Biccoca de Mil\u00e3o e no Instituto Internacional Sophia, coordenador mundial do projeto \u201cEconomia de Comunh\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-344582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=344582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344582\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=344582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=344582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=344582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}