{"id":344976,"date":"2012-06-14T17:30:25","date_gmt":"2012-06-14T15:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-eucaristia-e-o-novo-testamento\/"},"modified":"2024-06-06T12:18:39","modified_gmt":"2024-06-06T10:18:39","slug":"a-eucaristia-e-o-novo-testamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-eucaristia-e-o-novo-testamento\/","title":{"rendered":"A Eucaristia e o Novo Testamento"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/08-TBS-CChL-19761004-portoghese11.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Download pdf<\/a>  <\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"mceTemp\">\n<dl>\n<dt><a href=\"http:\/\/vimeo.com\/43621637\"><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-65719\" style=\"border: 0px currentColor;margin-right: 10px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Chiara_Lubich_Eucaristia_b.jpg\" alt=\"\" width=\"182\" height=\"155\" \/><\/a><\/dt>\n<dd>V\u00eddeos em italiano<\/dd>\n<\/dl>\n<p><strong>Jesus Eucaristia,<\/strong>quanta presun\u00e7\u00e3o, quanta aud\u00e1cia falar de Ti que, nas igrejas do mundo inteiro, conheces as secretas confid\u00eancias, os problemas mais rec\u00f4nditos, os suspiros de milh\u00f5es de homens, as l\u00e1grimas felizes de profundas convers\u00f5es, tudo conhecido somente por Ti, cora\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es, cora\u00e7\u00e3o da Igreja! N\u00e3o ousar\u00edamos falar de Ti, pelo receio de faltar com a venera\u00e7\u00e3o devida a t\u00e3o profundo e vertiginoso amor, se justamente o nosso amor, que quer vencer todo temor, n\u00e3o desejasse ir um pouco al\u00e9m do v\u00e9u da branca h\u00f3stia, do vinho do c\u00e1lice dourado.  <\/div>\n<p> Perdoa a nossa ousadia! Mas o amor deseja conhecer melhor para poder amar ainda mais, a fim de que n\u00e3o terminemos a nossa caminhada nesta terra sem ter descoberto, ao menos um pouco, quem \u00e9s tu. Al\u00e9m disso, n\u00f3s devemos falar da Eucaristia, porque somos crist\u00e3os; e na Igreja, nossa m\u00e3e, vivemos e difundimos o Ideal da unidade. <\/p>\n<div class=\"mceTemp\">  Ora, nenhum mist\u00e9rio da f\u00e9 tem tanta rela\u00e7\u00e3o com a unidade quanto a Eucaristia. A Eucaristia mostra a unidade e desvela todo o seu conte\u00fado: de fato, \u00e9 por meio dela que se completa a consuma\u00e7\u00e3o da unidade dos homens com Deus e dos homens entre si, da unidade de todo o cosmo com o seu Criador.  Deus se fez homem, e eis Jesus aqui na terra! Tudo ele podia fazer. Mas, tendo passado da Trindade \u00e0 vida terrena, estava na l\u00f3gica do amor que Ele n\u00e3o se limitasse em ficar aqui neste mundo \u2014 embora com uma vida divinamente extraordin\u00e1ria \u2014 somente durante 33 anos, mas encontrasse um modo de permanecer atrav\u00e9s dos s\u00e9culos e sobretudo de estar presente em todos os pontos da terra, no momento culminante do seu amor: sacrif\u00edcio e gl\u00f3ria, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. E aqui permaneceu. Ent\u00e3o, a sua fantasia divina inventou a Eucaristia.  \u00c9 o seu amor que chega ao extremo.  Diria Teresinha de Lisieux: &#8220;\u00d3 Jesus, deixa-me dizer, no excesso da minha gratid\u00e3o, deixa-me dizer que o teu amor chega at\u00e9 \u00e0 loucura&#8230;\u201d  <strong>Institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia<\/strong>  Mas vejamos como o fato aconteceu. Falam a respeito dele Mateus, Marcos, Lucas e Paulo.  Lucas diz: &#8220;Quando chegou a hora, ele se p\u00f4s \u00e0 mesa com seus ap\u00f3stolos e disse-lhes: &#8216;Desejei ardentemente comer esta p\u00e1scoa convosco antes de sofrer; pois eu vos digo que j\u00e1 n\u00e3o mais a comerei at\u00e9 que ela se cumpra no Reino de Deus&#8230;&#8217;  E tomou um p\u00e3o, deu gra\u00e7as, partiu e distribuiu-o a eles, dizendo: &#8216;Isto \u00e9 o meu corpo que \u00e9 dado por v\u00f3s. Fazei isto em minha mem\u00f3ria&#8217;.  E, depois de comer, fez o mesmo com o c\u00e1lice, dizendo: &#8216;Este c\u00e1lice \u00e9 a Nova Alian\u00e7a em meu sangue que \u00e9 derramado por v\u00f3s!\u201d (Lc 22, 14-20).  Se n\u00e3o fosse Deus, n\u00e3o sei como Jesus poderia expor, em t\u00e3o poucas e solenes palavras, realidades t\u00e3o novas, t\u00e3o imprevis\u00edveis, t\u00e3o abissais, que nos extasiam, porque diante delas, o ser humano, se as compreendesse um pouco, n\u00e3o resistiria.  Jesus, ali tu \u00e9s o \u00fanico a saber de tudo, a ter consci\u00eancia de que o teu gesto conclui s\u00e9culos de espera; \u00e9s o \u00fanico a contemplar as infinitas consequ\u00eancias daquilo que est\u00e1s realizando para compor aquele plano divino desde sempre previsto pela Trindade, a Igreja. Tendo o seu in\u00edcio aqui na terra, penetra nos abismos futuros do Reino. Se tu \u2014 repito \u2014 n\u00e3o fosses Deus, como poderias falar e agir assim?  Mas algo transparece daquilo que o teu cora\u00e7\u00e3o, naquele momento, sentia: &#8220;Desejei ardentemente&#8221;, e h\u00e1 uma imensa felicidade, &#8220;antes da minha paix\u00e3o&#8221;, e h\u00e1 o abra\u00e7o do j\u00fabilo com a cruz, a alian\u00e7a de um com a outra, porque o que estavas para fazer era o teu testamento, e um testamento vale somente depois da morte. Tu nos deixavas como heran\u00e7a incomensur\u00e1vel a tua pr\u00f3pria pessoa.  Diz Pedro Juli\u00e3o Eymard: &#8220;Tamb\u00e9m Jesus Cristo quer ter o seu memorial, (&#8230;) a sua obra-prima, que o torne imortal nos cora\u00e7\u00f5es dos seus, que recorde incessantemente o seu amor pelo homem. O pr\u00f3prio Jesus ser\u00e1 o seu inventor e art\u00edfice; consagra-lo-\u00e1 como o seu testamento e a sua morte ser\u00e1 a vida e a gl\u00f3ria desse memorial&#8230; \u00c9 a divina Eucaristia.  Depois Jesus &#8220;deu gra\u00e7as&#8221;.  Eucaristia significa &#8220;agradecimento&#8221;, e o agradecimento por excel\u00eancia foi aquele dirigido ao Pai por ter seguido e salvado a humanidade, com as mais extraordin\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es.  E tendo tomado o p\u00e3o e o c\u00e1lice, disse: &#8220;Isto \u00e9 o meu corpo que \u00e9 dado por v\u00f3s. Fazei isto em minha mem\u00f3ria (&#8230;) Este c\u00e1lice \u00e9 a Nova Alian\u00e7a em meu sangue que \u00e9 derramado por v\u00f3s&#8221;.  Eis a Eucaristia.  \u00c9 o milagre.  A Eucaristia \u00e9 \u2014 segundo Tom\u00e1s de Aquino \u2014 o maior dos milagres de Jesus Cristo. De fato, como diz Pedro Juli\u00e3o Eymard, &#8220;supera a todos pelo seu objeto e a todos domina pela sua dura\u00e7\u00e3o. E a encarna\u00e7\u00e3o permanente, o sacrif\u00edcio perp\u00e9tuo de Jesus; \u00e9 a sar\u00e7a ardente queimando sempre sobre o altar; \u00e9 o man\u00e1, verdadeiro p\u00e3o da vida que desce cada dia do c\u00e9u\u201d.  Segundo In\u00e1cio de Antioquia, &#8220;s\u00e3o mist\u00e9rios enormes que Deus opera no sil\u00eancio&#8221;.  E o Conc\u00edlio Vaticano II afirma que &#8220;a Sant\u00edssima Eucaristia cont\u00e9m todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o pr\u00f3prio Cristo, nossa P\u00e1scoa e p\u00e3o vivo, o qual, atrav\u00e9s de sua carne vivificada pelo Esp\u00edrito Santo e vivificante, d\u00e1 vida aos homens\u201d.  <strong>Do Antigo ao Novo Testamento<\/strong>  Jesus celebra a sua P\u00e1scoa como um banquete. Em todas as casas, a hora da ceia \u00e9 a hora da maior intimidade, da fraternidade, muitas vezes da amizade e da festa. O banquete presidido por Jesus \u00e9 celebrado como a P\u00e1scoa dos Judeus e, enquanto tal, encerra em s\u00edntese toda a hist\u00f3ria do povo de Israel.  A \u00faltima ceia de Jesus \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de todas as promessas de Deus.  Os &#8220;elementos&#8221; da nova ceia s\u00e3o ricos do significado adquirido no Antigo Testamento. O p\u00e3o, como dom de Deus, elemento indispens\u00e1vel \u00e0 vida, era s\u00edmbolo de comunh\u00e3o, lembran\u00e7a do man\u00e1; o vinho, chamado no G\u00eanesis &#8220;sangue da uvas, e oferecido\u201d nos sacrif\u00edcios, era s\u00edmbolo da alegria dos tempos messi\u00e2nicos; o c\u00e1lice, sinal de participa\u00e7\u00e3o na alegria e de aceita\u00e7\u00e3o das afli\u00e7\u00f5es, era recorda\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a de Mois\u00e9s E p\u00e3o e vinho eram prometidos pela Sabedoria aos seus disc\u00edpulos.  Como o pai de fam\u00edlia, Jesus, nos seus gestos e na &#8220;ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o&#8221;, repete o rito judaico. Mas neste banquete h\u00e1 uma vertiginosa diferen\u00e7a e novidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa hebraica. A ceia de Jesus \u00e9 celebrada no contexto da sua paix\u00e3o e morte e ele, na Eucaristia, antecipa simb\u00f3lica e realmente o seu sacrif\u00edcio de reden\u00e7\u00e3o, do qual ele \u00e9 o sacerdote e a v\u00edtima.  O Papa Paulo VI assim se exprimia na Quinta-feira santa de 1966:&#8221;&#8230;N\u00e3o podemos esquecer que a Ceia (&#8230;) era um rito comemorativo; era o banquete pascal que devia, todos os anos, repetir-se para transmitir \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras a lembran\u00e7a indel\u00e9vel da liberta\u00e7\u00e3o do povo hebraico da escravid\u00e3o do Egito (&#8230;) Jesus, naquela noite, substitui o Antigo pelo Novo Testamento [&#8230;]; \u00e0 antiga P\u00e1scoa hist\u00f3rica e figurativa ele une e faz suceder a sua P\u00e1scoa, hist\u00f3rica tamb\u00e9m esta, definitiva igualmente, mas tamb\u00e9m ela figurativa em rela\u00e7\u00e3o a um outro definitivo acontecimento: a parusia final&#8230;&#8221;.  De fato, as palavras de Jesus &#8220;Desde agora n\u00e3o beberei deste fruto da videira at\u00e9 aquele dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino do meu Pai&#8221;15 (que foram traduzidas pelo conhecido exegeta Benoit como um &#8220;encontro marcado no Para\u00edso&#8221;16) d\u00e3o \u00e0 Eucaristia o car\u00e1ter de um banquete que ter\u00e1 a sua plena realiza\u00e7\u00e3o depois da nossa ressurrei\u00e7\u00e3o.  Para Atan\u00e1sio, j\u00e1 a partir desta terra podemos participar da Comunh\u00e3o com Cristo ressuscitado. A respeito da P\u00e1scoa do Novo Testamento, ele escreve: &#8220;&#8230;n\u00f3s participamos, meus diletos, n\u00e3o de uma festa temporal, mas daquela eterna e celeste; e n\u00f3s n\u00e3o a mostramos com figuras, mas a realizamos verdadeiramente\u201d. De fato, n\u00e3o comemos as carnes de um cordeiro, mas &#8220;comemos o Verbo do Pai&#8230;&#8221;.  Para Atan\u00e1sio, comer o p\u00e3o e beber o vinho que se tornaram corpo e sangue de Cristo \u00e9 celebrar a P\u00e1scoa, isto \u00e9, reviv\u00ea-la: de fato, a Eucaristia \u00e9 sacramento de comunh\u00e3o com o Cristo pascal, com o Cristo morto e ressuscitado que passou (pascha = passagem) e que entrou numa nova fase da sua exist\u00eancia, fase gloriosa \u00e0 direita do Pai. Entrar em comunh\u00e3o, portanto, com Jesus na Eucaristia, significa participar, j\u00e1 nesta terra, da sua vida gloriosa, da sua comunh\u00e3o com o Pai.  <strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O P\u00e3o da vida<\/strong>  S\u00e3o Jo\u00e3o tem um modo pr\u00f3prio de falar de Jesus Eucaristia.  No cap\u00edtulo VI do seu Evangelho, ele narra que Jesus, no dia seguinte \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, no grande discurso que fez em Cafarnaum, entre outras coisas diz: &#8220;Trabalhai, n\u00e3o pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que perdura at\u00e9 a vida eterna, alimento que o Filho do Homem vos dar\u00e1&#8221;. Pouco depois, o pr\u00f3prio Jesus se apresenta como o verdadeiro p\u00e3o descido do c\u00e9u, que deve ser aceito mediante a f\u00e9: &#8220;Eu sou o p\u00e3o da vida. Quem vem a mim, nunca mais ter\u00e1 fome e o que cr\u00ea em mim nunca mais ter\u00e1 sede&#8221;.  E explica como poder\u00e1 ser p\u00e3o de vida: &#8220;&#8230;o p\u00e3o que eu darei \u00e9 a minha carne para a vida do mundo\u201d.  Jesus j\u00e1 se v\u00ea como p\u00e3o. \u00c9 portanto esse o motivo supremo da sua vida aqui na terra: ser p\u00e3o para ser consumido. E ser consumido para comunicar-nos a sua vida.  &#8220;Este p\u00e3o \u00e9 o que desceu do c\u00e9u para que n\u00e3o pere\u00e7a quem dele comer. Eu sou o p\u00e3o vivo descido do c\u00e9u. Quem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente\u201d.  Como \u00e9 limitada a nossa vis\u00e3o da realidade em compara\u00e7\u00e3o com a de Jesus.  Ele, o infinito que vem da eternidade, protegeu milagres e gra\u00e7as; edificou a sua Igreja  e se encaminha para a eternidade, onde a vida n\u00e3o se acaba.  N\u00f3s, quando muito, restringimos o nosso olhar ao dia de hoje, talvez para o amanh\u00e3 desta nossa breve exist\u00eancia, e \u00e0s vezes nos angustiamos por motivos banais. Somos cegos. Sim, cegos! E n\u00e3o raro, tamb\u00e9m n\u00f3s crist\u00e3os. Vivemos talvez a nossa f\u00e9, mas sem plena consci\u00eancia. Compreendemos Jesus quando ele diz algo que consola ou orienta, mas n\u00e3o vemos Jesus completo: &#8220;No princ\u00edpio era o Verbo&#8221;; depois a cria\u00e7\u00e3o; depois a encarna\u00e7\u00e3o; depois como que uma segunda encarna\u00e7\u00e3o, por meio do Esp\u00edrito Santo na Eucaristia, que nos serve de vi\u00e1tico na vida, nesta &#8220;viagem&#8221; rumo \u00e0 outra vida; depois, o Reino com ele, divinizado pela sua pessoa que est\u00e1 no seu corpo e no seu sangue transformados em Eucaristia.  Vendo assim a realidade, tudo adquire o seu devido valor, tudo \u00e9 projetado no futuro onde chegaremos, se procurarmos viver desde j\u00e1 \u2013 assim como \u00e9 poss\u00edvel \u2013 a cidade celeste, num compromisso de amor para com Deus e para com a humanidade, amor semelhante \u00e0quele de Jesus, que passou pelo mundo fazendo o bem.  Que aventura a vida com esta perspectiva!  E os fariseus discutiam. Jesus responde e explica e reafirma, at\u00e9 que finalmente diz: &#8220;Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, tamb\u00e9m aquele que me come viver\u00e1 por mim\u201d.  &#8220;Permanece em mim e eu nele&#8221;: eis a unidade consumada entre Jesus e a pessoa humana que se alimenta dele, p\u00e3o. Assim \u00e9 transmitida aos homens a plenitude de vida que existe em Jesus e que lhe vem do Pai. E com isso se realiza a iman\u00eancia do homem em Jesus.  Escreve Alberto Magno: &#8220;Cristo abra\u00e7ou-nos com demasiado amor, porque nos uniu tanto a si ao ponto de estar ele mesmo em n\u00f3s e de penetrar ele mesmo nas nossas entranhas&#8230;  O amor divino produz um \u00eaxtase. Com raz\u00e3o \u00e9 chamado \u00eaxtase o amor divino, uma vez que projeta Deus em n\u00f3s e n\u00f3s em Deus. &#8216;Ekstasis&#8217; \u00e9 uma palavra grega que significa &#8216;translada\u00e7\u00e3o&#8217;. De fato, Jesus diz: &#8216;Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele&#8217;. Diz: &#8216;Permanece em mim&#8217;, ou seja: \u00e9 conduzido para fora de si; e: &#8216;permane\u00e7o nele&#8217;, isto \u00e9: sou conduzido para fora de mim&#8230;  Pode realizar isto a sua caridade, que penetra em n\u00f3s (&#8230;) e nos atrai a si&#8230; e n\u00e3o s\u00f3 nos atrai a si mas nos traz para dentro dele e ele mesmo penetra em n\u00f3s at\u00e9 o nosso \u00e2mago\u201d.  Neste estupendo cap\u00edtulo do Evangelho de Jo\u00e3o, Jesus afirma: &#8220;&#8230;o p\u00e3o que eu darei \u00e9 a minha carne para a vida do mundo\u201d. E ainda: &#8220;Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no \u00faltimo dia\u201d.  &#8220;&#8230;Para a vida do mundo&#8221;: a Eucaristia, portanto, serve j\u00e1 neste mundo para dar a vida. Mas o que \u00e9 a vida? Jesus o disse: &#8220;Eu sou a vida\u201d. Este p\u00e3o nos nutre dele, j\u00e1 aqui nesta terra. &#8220;E eu o ressuscitarei no \u00faltimo dia.&#8221; A Eucaristia d\u00e1 tamb\u00e9m a vida para o outro mundo. Mas o que \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o? Jesus tamb\u00e9m o disse: &#8220;Eu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o&#8221;.  \u00c9 ele que inicia em n\u00f3s a sua vida imortal, aquela vida que n\u00e3o sofre interrup\u00e7\u00e3o com a morte. Mesmo se o corpo \u00e9 corrupt\u00edvel, a vida, Cristo, permanece na alma e no corpo, como princ\u00edpio de imortalidade.  A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 um grande mist\u00e9rio para todos os homens que raciocinam com crit\u00e9rios humanos.  Mas existe um modo de viver no qual o mist\u00e9rio se torna menos incompreens\u00edvel.  Vivendo o Evangelho sob o prisma da unidade, experimentamos, por exemplo, que, vivendo o mandamento novo de Jesus, o amor rec\u00edproco leva a uma unidade fraterna entre os homens que supera o pr\u00f3prio amor humano, natural. Este resultado, esta conquista se efetua quando se faz a vontade de Deus. De fato, Jesus sabia que se n\u00f3s correspond\u00eassemos aos seus imensos dons, j\u00e1 n\u00e3o ser\u00edamos &#8220;servos&#8221; ou &#8220;amigos&#8221; seus, mas &#8220;irm\u00e3os&#8221; seus e irm\u00e3os entre n\u00f3s, porque nutridos da sua pr\u00f3pria vida.  Para frisar que esta fam\u00edlia \u00e9 de natureza diversa, o evangelista Jo\u00e3o usa uma imagem sugestiva: a da videira com seus ramos. A mesma linfa &#8211; poder\u00edamos dizer o mesmo sangue &#8211; a mesma vida, isto \u00e9, o mesmo amor (que \u00e9 o amor com o qual o Pai ama o Filho) \u00e9 comunicado a n\u00f3s e circula entre Jesus e n\u00f3s. Tornamo-nos, portanto, consangu\u00edneos, concorp\u00f3reos com Cristo. E \u00e9 no sentido mais verdadeiro e sobrenaturalmente mais profundo que Jesus chama os seus disc\u00edpulos de &#8220;irm\u00e3os&#8221;, depois da sua ressurrei\u00e7\u00e3o. E o autor da ep\u00edstola aos Hebreus confirma que Jesus ressuscitado &#8220;&#8230;n\u00e3o se envergonha de os chamar irm\u00e3os\u201d.  Ora, uma vez constru\u00edda esta fam\u00edlia do Reino dos C\u00e9us, como poder\u00edamos imaginar uma morte que interrompesse a obra de um Deus, com todas as consequ\u00eancias dolorosas que isto comporta? N\u00e3o: Deus n\u00e3o podia colocar-nos diante de uma absurda separa\u00e7\u00e3o. Ele devia nos dar uma resposta. E no-la deu, revelando-nos a verdade da ressurrei\u00e7\u00e3o da carne. Ela, praticamente, n\u00e3o \u00e9 mais um mist\u00e9rio obscuro da f\u00e9, mas uma consequ\u00eancia l\u00f3gica da vida crist\u00e3. Ela \u00e9 portadora da alegria imensa de saber que nos reencontraremos todos com aquele Jesus que nos uniu desse modo.  <strong>A Eucaristia nos Atos dos Ap\u00f3stolos<\/strong>  A revela\u00e7\u00e3o fala sobre a Eucaristia, tamb\u00e9m nos Atos dos Ap\u00f3stolos.  A Igreja primitiva \u00e9 muito fiel a Jesus na atua\u00e7\u00e3o de suas palavras: &#8220;fazei isto em minha mem\u00f3ria&#8221;.  De fato, diz-se a respeito da primeira comunidade de Jerusal\u00e9m: &#8220;Eles se mostravam ass\u00edduos ao ensinamento dos ap\u00f3stolos, \u00e0 comunh\u00e3o fraterna, \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es\u201d.  E narrando o apostolado de Paulo: &#8220;No primeiro dia da semana, est\u00e1vamos reunidos para partir o p\u00e3o; Paulo, que devia partir no dia seguinte, entretinha-se com eles. Prolongou o seu discurso at\u00e9 o meio da noite depois (&#8230;) partiu o p\u00e3o e comeu; discorreu por muito tempo ainda, at\u00e9 \u00e0 aurora. Ent\u00e3o partiu\u201d  <strong>A Eucaristia nas cartas de Paulo<\/strong>  Tamb\u00e9m na sua primeira carta aos Cor\u00edntios, Paulo mostra a sua f\u00e9 segura e ardente no corpo e no sangue de Cristo, escrevendo: &#8220;O c\u00e1lice de gra\u00e7a que aben\u00e7oamos, n\u00e3o \u00e9 comunh\u00e3o como sangue de Cristo? O p\u00e3o que partimos, n\u00e3o \u00e9 comunh\u00e3o como corpo de Cristo?\u201d. E continua descrevendo o efeito que este p\u00e3o misterioso opera em quem o recebe: \u201cJ\u00e1 que h\u00e1 um \u00fanico p\u00e3o, n\u00f3s, embora muitos, somos um s\u00f3 corpo, visto que todos participamos desse \u00fanico p\u00e3o\u201d.  Um s\u00f3 corpo!  Eis como comenta Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo: &#8220;N\u00f3s somos aquele mesmo corpo. Afinal, o que \u00e9 o p\u00e3o? \u00c9 o corpo de Cristo. E o que acontece com aqueles que comungam? Tornam-se corpo de Cristo; n\u00e3o muitos corpos, mas um s\u00f3 corpo. De fato, assim como o p\u00e3o, feito de muitos gr\u00e3os, \u00e9 de tal modo unido que os gr\u00e3os desaparecem&#8230; do mesmo modo n\u00f3s somos estreitamente ligados entre n\u00f3s e com Cristo\u201d.  Jesus, tu tens um grande des\u00edgnio sobre n\u00f3s e o est\u00e1s cumprindo atrav\u00e9s dos s\u00e9culos: fazer-nos uma s\u00f3 coisa contigo a fim de que estejamos onde tu est\u00e1s. Para ti que desceste da Trindade \u00e0 terra, era vontade do Pai que para l\u00e1 voltasses. N\u00e3o quiseste, por\u00e9m, voltar sozinho, mas conosco. Eis, portanto, o longo trajeto: da Trindade \u00e0 Trindade, passando por mist\u00e9rios de vida e de morte, de dor e de gl\u00f3ria.  Felizmente, a Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m uma &#8220;a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as&#8221;. Somente com ela podemos ser-te gratos de modo conveniente.  <strong> Chiara Lubich<\/strong>  <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto se realiza o Congresso Eucar\u00edstico Internacional na Irlanda, propomos um dos quatro discursos feitos por Chiara Lubich. 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