{"id":345292,"date":"2012-10-23T04:00:46","date_gmt":"2012-10-23T02:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-mente-inquieta\/"},"modified":"2024-06-06T12:19:39","modified_gmt":"2024-06-06T10:19:39","slug":"a-mente-inquieta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-mente-inquieta\/","title":{"rendered":"A mente inquieta"},"content":{"rendered":"<p><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-72694 alignleft\" style=\"margin-right: 10px;border: 0px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/20121022-021.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"214\" \/>Eu era um marido pouco presente em casa, meu trabalho exigia aus\u00eancias prolongadas.<strong> Algum tempo depois que tivemos filhos minha esposa deixou o trabalho<\/strong>. Tudo parecia estar mais tranquilo e f\u00e1cil de ser administrado, mas foi justamente ent\u00e3o que comecei a notar nela algumas mudan\u00e7as: dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, impassibilidade, a piora da nossa vida afetiva com o seu afastamento de mim. At\u00e9 que passei a pensar que o nosso destino fosse como o de muitos casais que n\u00e3o tem mais nada a dizer um ao outro.<\/p>\n<p><strong>Eu me culpava pela minha aus\u00eancia, procurava falar com ela, mas escap\u00e1vamos um do outro<\/strong>, havia uma total incomunicabilidade. N\u00e3o pod\u00edamos contar com os amigos ou familiares. Passado um ano eu estava convencido que o melhor era nos separarmos. At\u00e9 que um dia ela me disse: \u00abprecisamos conversar\u00bb. Ela come\u00e7ou uma conversa sem sentido. Havia acontecido uma discuss\u00e3o banal com a m\u00e3e de um colega de nosso filho, um fato insignificante, mas para ela era devastador. Sentia-se amea\u00e7ada, numa situa\u00e7\u00e3o sem sa\u00edda. Fiquei abismado: \u00abVoc\u00ea est\u00e1 interpretando mal os fatos, as coisas que voc\u00ea pensa n\u00e3o s\u00e3o reais\u00bb. A sua rea\u00e7\u00e3o foi muito negativa, dizia que eu n\u00e3o queria compreender o que ela estava passando. Procurei convenc\u00ea-la a ir ao m\u00e9dico, mas respondia que n\u00e3o era louca. Algum tempo depois procuramos um psiquiatra. O objetivo das consultas era convenc\u00ea-la que aquelas fantasias eram consequ\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es eletroqu\u00edmicas do c\u00e9rebro, que poderiam ser resolvidas com rem\u00e9dios. Ap\u00f3s muita insist\u00eancia ela come\u00e7ou a tom\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>Eu estava diante de uma doen\u00e7a sobre a qual n\u00e3o sabia nada.<\/strong> Ela era diferente da pessoa com quem eu tinha casado, nossos filhos sofriam e o t\u00fanel parecia sem sa\u00edda. Fomos tamb\u00e9m a um psicoterapeuta, sem deixar os rem\u00e9dios, e as duas terapias, anal\u00edtica a farmacol\u00f3gica, procediam paralelamente. Foi uma sequencia de desilus\u00f5es. Al\u00e9m do mais ela come\u00e7ou a engordar, procurou v\u00e1rios centros para dietas, cheios de aproveitadores, sem nenhum resultado. Com espanto e indigna\u00e7\u00e3o descobri um inacredit\u00e1vel mundo de charlat\u00f5es que se aproveitam dessas situa\u00e7\u00f5es. <strong>Decidi estudar o tratado de psiquiatria<\/strong>, que meu filho usava na universidade, para entender melhor a situa\u00e7\u00e3o. Ela ficava satisfeita por ver-me preocupado em ajud\u00e1-la, desejava curar-se, mesmo se considerava os seus del\u00edrios como reais. Enfim encontramos uma psiquiatra muito competente, comprometida no campo social. Ela esta convencida que o melhor m\u00e9todo era a socializa\u00e7\u00e3o, por isso minha esposa conheceu outras pessoas que viviam problem\u00e1ticas semelhantes e isso a ajudou. Alternavam-se per\u00edodos em que a doen\u00e7a ficava relativamente atenuada e outros mais graves, ent\u00e3o ela mudava de aspecto, chorava, estava sempre de cama, n\u00e3o cuidava da casa.<\/p>\n<p><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-72699\" style=\"margin-left: 10px;border: 0px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/20121022-03.jpg\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"183\" \/>Aquele para mim era um tempo de muito empenho no trabalho, h\u00e1 pouco havia assumido a fun\u00e7\u00e3o de diretor. V\u00e1rias vezes tive a tenta\u00e7\u00e3o de ir embora, possivelmente levando comigo os filhos. Sentia o peso de uma situa\u00e7\u00e3o sem sa\u00edda.<strong> O que me fez ficar foi o amor por ela, e principalmente por nossos filhos.<\/strong> Depois seu estado agravou-se e pela primeira vez ela precisou ficar um m\u00eas internada. Fiz ent\u00e3o uma mudan\u00e7a no meu trabalho e de dirigente passei a consultor, para ter maior flexibilidade de tempo. Uma escolha dolorida do ponto de vista profissional, mas descobri que interiormente possuia uma positividade que eu havia subestimado, vi que era capaz de enfrentar a situa\u00e7\u00e3o num relacionamento quase de cumplicidade com os filhos, procurava fazer com que minha esposa se sentisse a pessoa mais importante da minha vida. Um apoio importante recebi dos meus amigos do Movimento dos Focolares.<\/p>\n<p>Uma noite ela tentou o suic\u00eddio. Ap\u00f3s a nova interna\u00e7\u00e3o passou a ser acompanhada por uma m\u00e9dica que assumiu com dedica\u00e7\u00e3o o seu caso. Desde ent\u00e3o, pela capacidade da psiquiatra em ajustar a terapia, as coisas melhoraram. Pouco a pouco encontramos um equil\u00edbrio, ela recuperou a capacidade de fazer as coisas em casa, passou a sair, comigo ou com outras pessoas, para enfrentar aquele mundo que considerava hostil e do qual tinha medo. E visto que os momentos de del\u00edrio retornam procuramos manter a sua mente sempre ocupada.<\/p>\n<p><strong>Este seu sofrimento fez-me amadurecer. Sempre fui, e continuo a ser, um n\u00e3o crente<\/strong>, mas aprendi a distinguir o plano \u00e9tico do metaf\u00edsico. O plano \u00e9tico \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com o outro, prescinde de qualquer credo, toca a humanidade, e pode nos permitir viver serenamente. Ao inv\u00e9s, antes da doen\u00e7a, eu dava prioridade ao plano metaf\u00edsico, o das ideias e convic\u00e7\u00f5es, terminando por criticar as pessoas que n\u00e3o pensavam como eu. Agora, tendo separado os dois planos, estou livre para estabelecer relacionamentos com todos. Isso \u00e9 importante tamb\u00e9m na liga\u00e7\u00e3o com minha esposa. Quanto ao futuro, estou consciente de que deverei gerir essa situa\u00e7\u00e3o a vida inteira, espero as reca\u00eddas, mas agora sei como enfrent\u00e1-las.<\/p>\n<p>Aos cuidados de Pietro Riccio (Retirado de <em>Citt\u00e0 Nuova<\/em>, n. 19 \u2013 2012)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando inesperadamente a doen\u00e7a mental bate \u00e0 porta. Narrado por um marido.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-345292","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=345292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345292\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=345292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=345292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=345292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}