{"id":346126,"date":"2013-09-28T03:00:42","date_gmt":"2013-09-28T01:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/olhares-diferentes-em-contato-com-o-handicap\/"},"modified":"2024-06-06T12:22:18","modified_gmt":"2024-06-06T10:22:18","slug":"olhares-diferentes-em-contato-com-o-handicap","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/olhares-diferentes-em-contato-com-o-handicap\/","title":{"rendered":"\u201cOlhares diferentes\u201d: em contato com o handicap."},"content":{"rendered":"<p><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-93025\" style=\"margin-right: 10px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/20130928-01.jpg\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"182\" \/><\/p>\n<p><strong>Participei, por acaso, de um simp\u00f3sio sobre <em>handicap<\/em><\/strong>. Naquela ocasi\u00e3o eu encontrei muitos jovens que, embora n\u00e3o tenham <em>handicap<\/em> grav\u00edssimo, n\u00e3o t\u00eam tamb\u00e9m a capacidade de inserir-se normalmente na sociedade. Se n\u00e3o fossem as respectivas fam\u00edlias e as associa\u00e7\u00f5es eles ficariam abandonados \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Eu sou professor e trabalho em um centro de educa\u00e7\u00e3o para adultos: compreendi que a minha escola deve ocupar-se daqueles jovens. Mas, em que modo? Eu tive uma id\u00e9ia: propor-lhes um curso de fotografia, uma minha antiga paix\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O objetivo n\u00e3o era que eles se tornassem fot\u00f3grafos<em>,<\/em><\/strong> mas, oferecer-lhes a possibilidade de registrar alguns momentos da vida. Convoquei os jovens e tamb\u00e9m as fam\u00edlias deles e come\u00e7amos a nossa aventura: quatro jovens participaram do curso e, com eles, quatro adultos dispostos a frequentar o curso com eles. Transcorria o m\u00eas de setembro de 2007.<\/p>\n<p><strong>Primeira aula<\/strong>: como manusear as simples c\u00e2maras fotogr\u00e1ficas digitais deles. Tarefa a ser cumprida: fotografar a pr\u00f3pria casa. M. G. me apresentou depois as suas fotografias: um par de meias coloridas, a barra de um len\u00e7ol bordado, uma ma\u00e7aneta de metal com muitos detalhes ornamentais&#8230; Eu fiquei muito surpreso e ela, timidamente, me explicou que aquelas s\u00e3o as coisas da sua casa&#8230; E que ela mais gosta!<\/p>\n<p>Desta forma eu compreendi que o meu trabalho n\u00e3o \u00e9 ensinar algo que eu penso que eles devem aprender, mas, <strong>descobrir o que eles t\u00eam no pr\u00f3prio \u00edntimo e fazer com que eles possam manifest\u00e1-lo exteriormente!<\/strong> Com o passar do tempo aqueles jovens manifestaram paix\u00f5es e capacidades impens\u00e1veis: saber colher os detalhes; o sentido da composi\u00e7\u00e3o e do enquadramento por parte de uma jovem portadora de defici\u00eancia visual; capacidade de estar parada durante 15-20 minutos antes de fazer uma foto para colher o momento justo&#8230; Tem tamb\u00e9m quem n\u00e3o exprime paix\u00f5es extraordin\u00e1rias ou especiais, mas, a rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda no grupo lhe permite participar de tudo e n\u00e3o sentir-se exclu\u00eddo.<\/p>\n<p>Eu ousei inserir no programa do curso um novo tema: \u201cFotos de casamento\u201d. Mas eu n\u00e3o sabia onde encontrar um casal que seja t\u00e3o louco a ponto de confiar as fotos do casamento a um grupo de jovens \u201cdeficientes\u201d. Mas, a Provid\u00eancia veio ao meu encontro: eu conheci Matteo e Beate que, para o casamento deles, queriam eliminar o que consideravam sup\u00e9rfluo, inclusive as fotografias. E foi assim que eles encontraram o mais bagun\u00e7ado grupo de fot\u00f3grafos que jamais algu\u00e9m havia visto antes. E o resultado foi uma estupenda cobertura fotogr\u00e1fica, com muita originalidade, muito afeto e calor humano.<em><\/em><\/p>\n<p>O contato com aqueles jovens proporciona profundas emo\u00e7\u00f5es e assim, com o passar do tempo, o grupo cresceu. Um fot\u00f3grafo a quem eu pedi um favor em nome dos jovens me agradeceu pelo aprendizado recebido deles e por ter aprendido que a \u201cdiversidade\u201d existe por causa do preconceito e que, depois daquela experi\u00eancia, n\u00e3o conseguia absolutamente ver qualquer diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em seguida, com a ajuda de um artista jovem, surgiu \u201c<em>Olhares diferentes<\/em>\u201d: uma exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica de cem fotografias, belas, especiais, repletas do senso de paix\u00e3o e de pureza que deixou profundas marcas nos numerosos visitantes. No livro que registrou a presen\u00e7a deles, muitos agradeceram por terem colhido, em uma ou outra foto, o amor de Deus.<\/p>\n<p>Nada do que aconteceu nestes \u00faltimos anos nasceu de um projeto preconcebido. Tudo o que aconteceu foi o resultado do verdadeiro amor rec\u00edproco entre todos os participantes, muitos dos quais n\u00e3o professam nenhum credo religioso. Muitas vezes eu me encontrei diante de situa\u00e7\u00f5es que exigiam uma grande compet\u00eancia, fui \u201cobrigado\u201d pelas conting\u00eancias a deixar completamente de lado os conte\u00fados a serem transmitidos e criar espa\u00e7o \u00e0 escuta, \u00e0s brincadeiras, aos gestos de afeto, \u00e0 liberdade de express\u00e3o at\u00e9 mesmo de maneira il\u00f3gica. Em poucas palavras: criar espa\u00e7o para as rela\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p><em>Alberto Roccato<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma paix\u00e3o antiga, fotografia, e o desejo de fazer algo por alguns jovens em situa\u00e7\u00e3o de desvantagem. Alberto Roccato narra, com simplicidade, o caminho percorrido juntos.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-346126","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346126\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}