{"id":346248,"date":"2013-11-13T17:33:02","date_gmt":"2013-11-13T16:33:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/africa-tomados-pelo-misterio\/"},"modified":"2024-06-06T12:22:40","modified_gmt":"2024-06-06T10:22:40","slug":"africa-tomados-pelo-misterio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/africa-tomados-pelo-misterio\/","title":{"rendered":"\u00c1frica: tomados pelo mist\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-95875\" style=\"margin-left: 10px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Copertina-libro-Lucio-dal-Soglio.jpg\" alt=\"\" width=\"184\" height=\"269\" \/>\u00ab<strong>Amei a chuva torrencial e o vento dos tuf\u00f5es<\/strong> que desabam inesperadamente no equador, no m\u00eas de mar\u00e7o, investindo com sua f\u00faria tudo o que encontram. \u00c9 uma f\u00faria que faz justi\u00e7a e que restabelece o equil\u00edbrio naquela por\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00e3o: os galhos de uma \u00e1rvore que cresceram demais se quebram; as palmeiras que ficaram muito altas caem deixando um toco&#8230; como um memorial f\u00fanebre; os ninhos n\u00e3o suficientemente atados voam para o rio, assim como alguns telhados de casas; os trov\u00f5es e os rel\u00e2mpagos, cada vez mais fortes, parecem enraivecidos com algu\u00e9m; com o vento a \u00e1gua entra pelas portas, as janelas, os telhados&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 a natureza que chega, que faz voltar \u00e0s origens as obras das criaturas, que lembra a todos que somos nus e que nada nos pertence&#8230; esta for\u00e7a sempre me pareceu um retorno ben\u00e9fico \u00e0s origens. N\u00e3o me dava medo, ao contr\u00e1rio, trazia-me paz. Era como um encontro renovado com o Criador, que nos tira o que \u00e9 sup\u00e9rfluo para nos recordar que tudo \u00e9 vaidade.<\/p>\n<p><strong>Amei a lama, que na esta\u00e7\u00e3o das chuvas \u00e9 a realidade onipresente que voc\u00ea deve enfrentar,<\/strong> seja que ande a p\u00e9, seja que esteja de carro. Em qualquer coisa que voc\u00ea toca deixa a marca avermelhada da lama que lhe acompanha \u2013 ou lhe assombra, se voc\u00ea n\u00e3o a ama -, os livros, os sapatos, as roupas&#8230; at\u00e9 o p\u00e3o e os cabelos. Mas se voc\u00ea a ama ela o faz sorrir, torna-se como um amigo.<\/p>\n<div id=\"attachment_95860\" style=\"width: 356px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/20131108-01.jpg\"><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-95860\" class=\" wp-image-95860    \" style=\"margin-right: 10px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/20131108-01.jpg\" alt=\"\" width=\"346\" height=\"218\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-95860\" class=\"wp-caption-text\">Da esquerda: Lucio dal Soglio, Georges Mani, Dominic Nyukilim, Teresina Tumuhairwe, Benedict Murac Manjo, Marilen Holzhauser, d. Adolfo Raggio, <br \/>Nicolette Manka Ndingsa<\/p><\/div>\n<p><strong>Amei a poeira.<\/strong> Se algu\u00e9m n\u00e3o experimenta n\u00e3o pode saber o que \u00e9 a poeira na \u00c1frica. A poeira, durante a esta\u00e7\u00e3o seca, est\u00e1 na atmosfera. \u00c9 o deserto que chega com uma amea\u00e7a pr\u00e9-monitora: o harmat\u00e3o, o vento violent\u00edssimo que varre a regi\u00e3o subsaariana entre outubro e mar\u00e7o, obscurecendo o sol, envolvendo pessoas e coisas em um p\u00f3 que irradia calor e um brilho ofuscante. \u00c9 a poeira a das ruas, dos campos secos, que \u00e9 levantada pelo harmat\u00e3o e se confunde com ele, que faz da natureza uma bola de fogo. A tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 revoltar-se, fugir, esconder-se em algum lugar, protestar. Mas protestar contra quem? Esconder-se aonde? Como sempre o \u00fanico protesto poss\u00edvel \u00e9 contra n\u00f3s mesmos: \u00e9 preciso mudar o olhar, amar a poeira. Eu a chamava de poeira \u2018est\u00e9ril\u2019, deixava que entrasse nas narinas e nos br\u00f4nquios. Enfim, n\u00e3o podia fazer mal porque era&#8230; est\u00e9ril. Deixei que secasse os meus l\u00e1bios at\u00e9 rach\u00e1-los e que fizesse sair sangue do nariz. Enfim, era a minha poeira da \u00c1frica!<\/p>\n<p><strong>Amei a umidade e o mofo<\/strong>. O mofo que amolece tudo e faz at\u00e9 soltarem as solas dos sapatos. O odor de mofo gorduroso e sufocante que cai em cima de voc\u00ea quando abre um arm\u00e1rio, que fica na sua camisa, que se respira numa sala de aula ou em uma igreja. O mofo \u00e9 um \u201ccomposto\u201d que engloba todos os odores, \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o permanente da degrada\u00e7\u00e3o das coisas.<\/p>\n<p>Com o tempo aprendi a entender e a amar todas essas coisas. <strong>Amando-as me descobri parte delas e nunca tentei separar-me\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><em>(Lucio Dal Soglio: \u201cTomados pelo mist\u00e9rio,os prim\u00f3rdios dos Focolares na \u00c1frica\u201d, Citt\u00e0 Nuova editrice, Roma, 2013).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que uma cr\u00f4nica dos \u201cprim\u00f3rdios dos Focolares na \u00c1frica\u201d, o novo livro escrito por Lucio Dal Soglio apresenta-se como um apaixonante romance de amor narrado em primeira pessoa. Antecipamos um breve trecho que revela um amor que tornou-se fecundo.<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-346248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346248\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}