{"id":346648,"date":"2014-04-13T03:34:06","date_gmt":"2014-04-13T01:34:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/eu-sou-ruandes\/"},"modified":"2024-06-06T12:23:58","modified_gmt":"2024-06-06T10:23:58","slug":"eu-sou-ruandes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/eu-sou-ruandes\/","title":{"rendered":"Eu sou Ruand\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-104004\" style=\"margin-left: 10px;margin-right: 10px;border: 0px none\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/201404Pina1.jpg\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"402\" \/>\u00abNestes 20 anos o meu povo, na semana da P\u00e1scoa, sempre celebrou o luto pelas v\u00edtimas da guerra, mas a n\u00edvel pessoal, cada um na pr\u00f3pria fam\u00edlia, cada um no seu cemit\u00e9rio privado\u00bb. <strong>Pina <\/strong><strong>\u00e9 <\/strong><a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/focolare-worldwide\/africa\/ruanda\/\">ruandesa<\/a>. H\u00e1 20 anos o seu pa\u00eds contou 800 mil mortos em poucos meses, numa guerra civil absurda.<strong> No dia 6 de abril de 1994,<\/strong> um m\u00edssil atingiu o avi\u00e3o onde viajava o presidente Juv\u00e9nal Habyarimana. Ningu\u00e9m sobreviveu, e a partir de ent\u00e3o come\u00e7ou a guerra que j\u00e1 estava preparada h\u00e1 tempos.<\/p>\n<p>Quando o massacre explodiu, Pina <strong>estava nas Filipinas<\/strong>, para onde tinha ido pela sua voca\u00e7\u00e3o a seguir Deus ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os, animada pela <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/spiritualita-dellunita\/\">espiritualidade da unidade <\/a>que conheceu na adolesc\u00eancia. \u00ab<strong>Tamb\u00e9m a minha fam\u00edlia foi atingida<\/strong> \u2013 conta. Foram mortos 39 familiares meus. Fui tomada pelo des\u00e2nimo. Pouco a pouco encontrei-me vazia daqueles sentimentos que at\u00e9 ent\u00e3o tinham preenchido a minha vida, parecia que nada mais tinha sentido\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Transferiu-se para o Qu\u00eania para poder seguir mais de perto a situa\u00e7\u00e3o,<\/strong> trabalhando na Cruz Vermelha, e para dar assist\u00eancia aos feridos e refugiados de Ruanda: \u00abmas n\u00e3o conseguia olhar no rosto das pessoas da outra etnia que tinham participado nos massacres\u00bb, explica. O sofrimento estava muito vivo. Um dia cruzou-se num corredor com algumas pessoas da outra etnia e n\u00e3o pode evitar o seu olhar. O \u00f3dio era cada vez maior. \u00abPensei na vingan\u00e7a, sentia-me confusa, estava numa encruzilhada: ou me fechava no meu sofrimento, com raiva, ou pedia ajuda a Deus\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Alguns dias depois,<\/strong> no escrit\u00f3rio, identificou pessoas da etnia inimiga que moravam precisamente na sua cidade. \u00abReconheceram-me e sentiram-se inc\u00f4modas, come\u00e7aram a voltar para tr\u00e1s. Elas tamb\u00e9m me consideravam inimiga\u00bb. A for\u00e7a do perd\u00e3o \u00e9 a \u00fanica arma da reconcilia\u00e7\u00e3o social. Pina sabia disso. Tinha aprendido no Evangelho. \u00abCom decis\u00e3o \u2012 conta \u2012 vou ao encontro delas falando na nossa l\u00edngua, sem dizer nada da minha fam\u00edlia, mas interessando-me pelas suas necessidades\u00bb. Naquele momento, alguma coisa se derreteu dentro dela e para Pina surgiu um raio de luz.<\/p>\n<p><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-104005\" style=\"margin-right: 10px;margin-top: 10px;margin-bottom: 10px\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/201404Pina2.jpg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"402\" \/><strong>Depois de um ano, regressou para Ruanda<\/strong>. Quase n\u00e3o reconheceu a irm\u00e3, a \u00fanica sobrevivente da chacina. Descobriu que o homem que tinha tra\u00eddo a sua fam\u00edlia \u2013 uma pessoa muito pr\u00f3xima deles \u2013 estava num c\u00e1rcere. \u00abMesmo sofrendo, e indo contra as pessoas que reclamavam pela pena de morte, para mim era claro que n\u00e3o podia voltar atr\u00e1s na estrada aberta para o perd\u00e3o\u00bb. Envolveu tamb\u00e9m a sua irm\u00e3, que tinha assistido ao massacre. \u00abAssim, fomos juntas at\u00e9 a pris\u00e3o para encontrar esta pessoa, levando-lhe cigarros, sabonete, aquilo que pod\u00edamos, e sobretudo para dizer-lhe que o t\u00ednhamos perdoado. E o fizemos\u00bb. A irm\u00e3, Domitila, pouco tempo depois, adotou 11 crian\u00e7as de todas as etnias, sem distin\u00e7\u00e3o entre filhos naturais e aqueles adotados, ao ponto de receber um reconhecimento nacional.<\/p>\n<p><strong>Este ano, explica ainda Pina,<\/strong> \u00abpor ocasi\u00e3o do 20\u00b0 anivers\u00e1rio do in\u00edcio da guerra, a novidade \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o de transladar para o cemit\u00e9rio nacional os restos mortais de Tutsi e H\u00fatus, juntos, em outras palavras: os Ruandeses\u00bb. S\u00e3o os her\u00f3is da p\u00e1tria. \u00abPara mim isto \u00e9 mais um passo \u2012 comenta Pina. Voltamos a ser como \u00e9ramos antes da guerra\u00bb. A iniciativa chama-se \u201cA flor da reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d para que traga ainda mais frutos de paz na sociedade ruandesa.<\/p>\n<p>Leia mais:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cittanuova.it\/c\/437087\/Il_Rwanda_ricorda_venti_anni_dopo.html\">Ruanda recorda, vinte anos depo<\/a>is, de Liliane Mugombozi, em <em>Citt\u00e0 Nuova online<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cittanuova.it\/c\/437014\/Il_fiore_della_riconciliazione.html\">A flor da reconcilia\u00e7\u00e3o<\/a>, de Aurelio Mol\u00e9, em <em>Citt\u00e0 Nuova online<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na comemora\u00e7\u00e3o dos 20 anos do in\u00edcio do genoc\u00eddio em Ruanda o pa\u00eds redescobre um caminho para reunir o povo: a campanha \u201cEu sou ruand\u00eas\u201d, lan\u00e7ada pelo Governo, e a iniciativa pela translada\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas para o cemit\u00e9rio nacional. A hist\u00f3ria de Pina, sinal de paz.<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-346648","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346648"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346648\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}