{"id":371494,"date":"2025-02-24T05:00:00","date_gmt":"2025-02-24T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/?p=371494"},"modified":"2025-02-20T16:16:44","modified_gmt":"2025-02-20T15:16:44","slug":"proximidade-e-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/proximidade-e-liberdade\/","title":{"rendered":"Proximidade e liberdade"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Margaret, por que voc\u00ea escolheu a proximidade como tema do ano para o Movimento dos Focolares?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Eu me perguntei em que tipo de mundo vivemos. Tenho a impress\u00e3o de que neste momento da hist\u00f3ria existe muita solid\u00e3o e indiferen\u00e7a. H\u00e1 uma escalada da viol\u00eancia e das guerras, e isso causa muito sofrimento no mundo. Al\u00e9m disso, pensei na tecnologia que nos conectou de maneira nunca vista antes, mas que, ao mesmo tempo, nos torna cada vez mais individualistas. Em um mundo como este, creio que a proximidade possa ser um ant\u00eddoto, uma ajuda para superar esses obst\u00e1culos e curar esses \u201cmales\u201d que nos mant\u00eam distantes uns dos outros.     <\/p>\n\n<p><strong><em>Por onde podemos come\u00e7ar?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>H\u00e1 meses eu me fa\u00e7o essa pergunta. Parece-me que precisamos reaprender a nos aproximarmos das pessoas, reaprender a olhar e a tratar todos como irm\u00e3os e irm\u00e3s. Percebi que, antes de tudo, precisava fazer uma an\u00e1lise sobre a minha atitude. As pessoas que encontro todos os dias s\u00e3o, para mim, irm\u00e3os e irm\u00e3s? Ou sou indiferente a elas, ou at\u00e9 mesmo os considero inimigas? Eu me fiz muitas perguntas. Descobri que \u00e0s vezes quero evitar uma pessoa, porque talvez ela v\u00e1 me incomodar, ou me atrapalhar, ou me dizer coisas dif\u00edceis. Por tudo isso, quis dar \u00e0 minha reflex\u00e3o sobre a proximidade, que apresentei em meados de novembro aos respons\u00e1veis do Movimento dos Focolares, o seguinte t\u00edtulo: \u201cQuem \u00e9 voc\u00ea para mim?\u201d       <\/p>\n\n<p><strong><em>Voc\u00ea poderia apresentar as principais ideias que desenvolveu a respeito desse t\u00edtulo?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Com prazer. Menciono quatro pensamentos. A primeira proximidade que a nossa alma experimenta \u00e9 a do contato com Deus. \u00c9 Ele mesmo que se transmite aos outros tamb\u00e9m por nosso interm\u00e9dio. O desejo de amar o outro \u00e9 um movimento que parte da presen\u00e7a de Deus em mim para Deus no outro.    <\/p>\n\n<p>Uma segunda reflex\u00e3o: a proximidade \u00e9 din\u00e2mica. Exige uma abertura total, ou seja, acolher as pessoas sem reservas; entrar na sua maneira de ver as coisas. N\u00e3o somos feitos em s\u00e9rie! Cada um de n\u00f3s \u00e9 \u00fanico, com car\u00e1ter, mentalidade, cultura, vida e hist\u00f3ria diferentes. Reconhecer e respeitar isso exige que saiamos dos nossos esquemas mentais e pessoais.    <\/p>\n\n<p><strong><em>Voc\u00ea falou de um terceiro aspecto&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Sim. O terceiro aspecto que quero sublinhar \u00e9 que a proximidade n\u00e3o coincide necessariamente com o fato de estar perto, de ser semelhante ao outro, como, por exemplo, pertencer ao mesmo horizonte cultural. A par\u00e1bola do Bom Samaritano (Lucas 10,25-37) expressa muito bem isso. Fiquei impressionada com a atitude do Samaritano: o homem que tinha ca\u00eddo nas m\u00e3os dos assaltantes era uma pessoa desconhecida para ele, era at\u00e9 mesmo de outro povo. Vinha de uma cultura e tradi\u00e7\u00e3o bem distantes da sua. Mas o samaritano se fez pr\u00f3ximo. Esse \u00e9 o ponto-chave para mim. Cada um tem a pr\u00f3pria dignidade, independentemente do povo, da cultura da qual prov\u00e9m ou do seu car\u00e1ter. O samaritano n\u00e3o se aproximou somente para ver se essa pessoa estava ferida e depois ir embora ou, se necess\u00e1rio, pedir ajuda. Ele se aproximou e cuidou da pessoa. O quarto aspecto&#8230;          <\/p>\n\n<p><strong><em>&#8230; seria&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>&#8230;deixarmo-nos ferir. Para que a proximidade d\u00ea frutos, ela requer que cada um de n\u00f3s n\u00e3o tenha medo e que se deixe ferir pelo outro. <\/p>\n\n<p>Isso significa: deixarmo-nos questionar, expormo-nos a perguntas para as quais n\u00e3o temos respostas; estarmos dispostos a nos mostrarmos vulner\u00e1veis; talvez apresentando-nos como pessoas fracas e incapazes. O efeito de tal atitude pode ser surpreendente. Imagine que um menino de nove anos me escreveu que, para ele, proximidade significa \u201celevar o cora\u00e7\u00e3o do outro\u201d. N\u00e3o \u00e9 um efeito maravilhoso de proximidade? Elevar o cora\u00e7\u00e3o do outro.    <\/p>\n\n<p><strong><em>O que mudaria no Movimento dos Focolares se viv\u00eassemos bem a proximidade?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Se a vivermos realmente bem, muitas coisas mudar\u00e3o. \u00c9 o que desejo, \u00e9 o que espero, e rezo para que seja assim. Mas tamb\u00e9m quero destacar que muitos no Movimento dos Focolares j\u00e1 vivenciam a proximidade. Existem muitas iniciativas, projetos em prol da paz e para ajudar os pobres. Abrimos at\u00e9 mesmo alguns focolares para prestar assist\u00eancia e acolher imigrantes ou para cuidar da natureza.    <\/p>\n\n<p><strong><em>E o que deveria mudar?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>A qualidade dos relacionamentos entre as pessoas. \u00c0s vezes \u00e9 mais f\u00e1cil tratar bem as pessoas que n\u00e3o fazem parte do Movimento e \u00e9 mais dif\u00edcil entre n\u00f3s que fazemos parte da mesma fam\u00edlia. Corremos o risco de viver entre n\u00f3s relacionamentos de \u201cboas maneiras\u201d: n\u00e3o nos magoamos, mas, eu me pergunto, ser\u00e1 que essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 aut\u00eantica?  <\/p>\n\n<p>Espero que, n\u00e3o s\u00f3 nos projetos, a proximidade se torne um estilo de vida quotidiano; que nos perguntemos v\u00e1rias vezes durante o dia: \u201cEstou vivendo essa proximidade? Como a vivo?\u201d. Uma express\u00e3o importante da proximidade \u00e9 o perd\u00e3o. Ser misericordioso para os outros \u2013 e para n\u00f3s mesmos.   <\/p>\n\n<p><strong><em>Qual \u00e9 a mensagem dessa reflex\u00e3o para a sociedade?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>A proximidade n\u00e3o \u00e9 apenas uma atitude religiosa ou espiritual, mas tamb\u00e9m civil e social. Pode ser vivenciada em qualquer contexto. Na educa\u00e7\u00e3o, por exemplo, ou na medicina, at\u00e9 mesmo na pol\u00edtica, ambiente no qual talvez seja mais dif\u00edcil. Se vivermos bem, poderemos influir de modo positivo nos relacionamentos, onde quer que estejamos.   <\/p>\n\n<p><strong><em>E para a Igreja?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>A Igreja existe porque, com a vinda de Jesus, Deus se tornou pr\u00f3ximo. A Igreja, as Igrejas s\u00e3o chamadas a testemunhar uma proximidade vivida. A Igreja Cat\u00f3lica vivenciou recentemente o S\u00ednodo. Pude participar das duas sess\u00f5es no Vaticano. \u00c9ramos mais de 300 pessoas, cada uma de uma cultura diferente. O que fizemos? Um exerc\u00edcio de sinodalidade, um exerc\u00edcio de escuta, de conhecimento profundo, de acolhimento do pensamento dos outros, dos seus desafios e sofrimentos. S\u00e3o caracter\u00edsticas da proximidade.       <\/p>\n\n<p>O t\u00edtulo do S\u00ednodo era \u201cCaminhar Juntos\u201d. Esse caminho envolvia muitas pessoas no mundo inteiro. O logotipo do S\u00ednodo expressava o desejo de estender a tenda da Igreja para que ningu\u00e9m se sinta exclu\u00eddo. Parece-me que esse \u00e9 o verdadeiro significado da proximidade: que ningu\u00e9m seja exclu\u00eddo; que todos se sintam acolhidos, n\u00e3o importa se frequentam ou n\u00e3o a Igreja, se n\u00e3o se reconhecem nela ou at\u00e9 quem se afastou por v\u00e1rios motivos.   <\/p>\n\n<p><strong><em>Gostaria de abordar por um momento os limites da proximidade. Como viv\u00ea-la bem? <\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Essa \u00e9 uma pergunta importante. Existem limites para a proximidade? Como primeira resposta, eu diria que n\u00e3o deveria haver limites.  <\/p>\n\n<p><strong><em>Por\u00e9m?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>N\u00e3o podemos ter certeza de que a proximidade e a solidariedade representam para os outros a mesma coisa que representam para n\u00f3s. Em um relacionamento, nunca pode faltar o respeito \u00e0 liberdade e \u00e0 consci\u00eancia do outro. Essas duas coisas s\u00e3o essenciais em qualquer relacionamento. Por isso \u00e9 importante que, quando nos aproximamos de uma pessoa, isso seja sempre feito com delicadeza, e n\u00e3o como algo imposto. \u00c9 o outro quem decide o quanto e que tipo de proximidade deseja.    <\/p>\n\n<p><strong><em>Precisamos aprender, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Sem d\u00favida. Cometemos v\u00e1rios erros. Pensando que am\u00e1vamos o outro, n\u00f3s o ferimos. No ardor de comunicar a nossa espiritualidade, constru\u00edmos relacionamentos nos quais o outro nem sempre se sentiu livre. \u00c0s vezes me parece que, com a boa inten\u00e7\u00e3o de amar uma pessoa, n\u00f3s a esmagamos. N\u00e3o tivemos sensibilidade e respeito suficientes pela consci\u00eancia, pela liberdade, pelo tempo do outro. E isso levou a certas formas de paternalismo e at\u00e9 mesmo de abuso.      <\/p>\n\n<p>Estamos enfrentando uma situa\u00e7\u00e3o muito dolorosa, na qual as v\u00edtimas t\u00eam uma import\u00e2ncia \u00fanica, realmente \u00fanica. Sozinhos n\u00e3o conseguimos entender completamente o que aconteceu. S\u00e3o as v\u00edtimas que nos ajudam a entender os erros que cometemos e a tomar as medidas necess\u00e1rias para garantir que essas coisas nunca mais aconte\u00e7am.  <\/p>\n\n<p><strong><em>Uma \u00faltima palavra?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Espero que esse tema possa nos fazer retornar \u00e0 ess\u00eancia do que o pr\u00f3prio Jesus nos deu no Evangelho. Ele nos deu muitos exemplos do que significa viver a proximidade. <\/p>\n\n<p>Um pensamento de Chiara Lubich ressoou fortemente em mim, quando comecei a pensar nesse assunto. Ela diz: <em>\u201cH\u00e1 quem fa\u00e7a as coisas \u2018por amor\u2019. H\u00e1 quem fa\u00e7a as coisas procurando \u2018ser o Amor\u2019. [&#8230;] O amor nos abriga em Deus, e Deus \u00e9 o Amor. Mas o Amor, que \u00e9 Deus, \u00e9 luz, e com a luz vemos se o modo como nos aproximamos e servimos o irm\u00e3o est\u00e1 em conformidade com o Cora\u00e7\u00e3o de Deus, est\u00e1 como o irm\u00e3o gostaria, como ele sonharia se estivesse a seu lado n\u00e3o n\u00f3s, mas Jesus\u201d.<br\/><br\/><br\/><\/em> <\/p>\n\n<p><strong><em>Obrigado de todo cora\u00e7\u00e3o, Margaret, pela sua paix\u00e3o pela proximidade vivida com decis\u00e3o e respeito.<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Peter Forst<\/em><br\/><em>(Publicada na Revista <a href=\"https:\/\/www.neuestadt.com\/de\/zeitschriften\/monatsmagazin-neue-stadt\/zeitschrift-neue-stadt.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Neu Stadt<\/a>)<\/em><br\/><em>Foto: \u00a9 Austin Im-CSC Audiovisivi<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicamos a entrevista feita a Margaret Karram, presidente do Movimento dos Focolares, conduzida por Peter Forst para a revista Cidade Nova, de edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3, sobre o tema que est\u00e1 sendo aprofundado e vivido no Movimento dos Focolares este ano: a proximidade. N\u00e3o se trata apenas de uma atitude religiosa ou espiritual, mas tamb\u00e9m civil e social, em prol da paz e da ajuda aos pobres, para melhorar a qualidade das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, no respeito \u00e0 liberdade e \u00e0 consci\u00eancia do outro. <\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":371461,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[2957,3168],"tags":[3669,3362,3347,3198],"class_list":["post-371494","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-centro-internazionale-3","category-margaret-karram-pt-pt","tag-intervista-pt-pt","tag-margaret-karram-pt-pt","tag-notifiche-pt-pt","tag-ppg-pt-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=371494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371494\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/371461"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=371494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=371494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=371494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}