{"id":379789,"date":"2025-04-15T05:00:00","date_gmt":"2025-04-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/?p=379789"},"modified":"2025-04-14T16:10:01","modified_gmt":"2025-04-14T14:10:01","slug":"igino-giordani-e-a-atualidade-da-sua-mensagem-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/igino-giordani-e-a-atualidade-da-sua-mensagem-de-paz\/","title":{"rendered":"Igino Giordani e a atualidade da sua mensagem de paz"},"content":{"rendered":"\n<p>Guerras, exterm\u00ednios e massacres, fortes polariza\u00e7\u00f5es, onde at\u00e9 mesmo o pacifismo pode se tornar um divisor, essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o atual em que estamos imersos.<\/p>\n\n<p>A figura de Igino Giordani (1894 -1980), um homem de paz por ser uma pessoa justa e coerente, nos da hoje algumas pistas para elevar o olhar e manter a esperan\u00e7a, tentando um di\u00e1logo onde parece imposs\u00edvel, para esfacelar ideologias cristalizadas e absolutismos, para construir uma sociedade inclusiva, para reinventar a paz a partir da unidade.<\/p>\n\n<p>Uma das testemunhas mais v\u00edvidas da cultura de paz no s\u00e9culo XX, seu pacifismo se inspira diretamente no Evangelho: matar outro homem significa assassinar o ser que foi criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Giordani, portanto, anseia pela paz, emprega seu tempo de todas as formas, dialoga com qualquer pessoa em prol da paz, n\u00e3o recua nem mesmo quando se trata de respaldar a ratifica\u00e7\u00e3o do Pacto do Atl\u00e2ntico e de garantir a seguran\u00e7a e a defesa da Europa e da It\u00e1lia&#8230; Podemos dizer que seu pacifismo \u00e9 abrangente, utiliza todos os meios poss\u00edveis. <\/p>\n\n<p>Vamos folhear alguns de seus escritos.<\/p>\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background:linear-gradient(22deg,rgb(201,228,243) 0%,rgb(227,205,247) 100%)\"><strong>&#8220;&#8230; explodiu a Primeira Guerra Mundial. [&#8230;] E na pra\u00e7a irromperam com\u00edcios belicistas, aos quais eu participava para protestar contra a guerra; a tal ponto que, certa vez, uma personalidade que eu estimava, ao ouvir meus gritos, advertiu-me: &#8211; Mas voc\u00ea quer que o matem!&#8230; <br\/><br\/>[&#8230;] Em \u201cMaggio Radioso\u201d de 1915, fui convocado \u00e0 guerra. [&#8230;] <br\/><br\/>A trincheira! Nela, da escola, entrei na vida, nos bra\u00e7os da morte com as salvas de canh\u00e3o. A lama, o frio, a sujeira amorteceram a amarga descoberta: que os soldados eram todos contra o homic\u00eddio chamado guerra, porque o homic\u00eddio era a morte do homem: todos a detestavam&#8230;<br\/>[&#8230;] Est\u00e1vamos em Oslavia, pr\u00f3ximo a algumas ru\u00ednas chamadas Pri-Fabrisu: a lembran\u00e7a da agonia (luta) sofrida naqueles lugares foi compilada mais tarde, durante minha interna\u00e7\u00e3o hospitalar de tr\u00eas anos, em um pequeno poema intitulado<em> As faces dos mortos<\/em>. Lembro-me do \u00faltimo verso que dizia: &#8220;Esta maldi\u00e7\u00e3o da guerra\u201d   <\/strong><a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[2]<\/a><strong>\u00bb.<\/strong><\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n\n<div style=\"height:13px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<p>Giordani foi gravemente ferido e, ao retornar das trincheiras, permaneceu tr\u00eas anos no hospital militar de Mil\u00e3o, com danos irrevers\u00edveis em uma perna. Seu pacifismo era, portanto, fundamentado em uma vida vivida. Comprometido com a vida pol\u00edtica, ele sempre se disp\u00f4s ao di\u00e1logo com todos, mesmo com aqueles cujo pensamento era oposto ao seu, convencido de que o homem deve ser sempre bem acolhido e compreendido. Ele nunca se isolou em posi\u00e7\u00f5es absolutas. \u00c9 assim que narra seu discurso no Parlamento em favor do Pacto Atl\u00e2ntico:    <\/p>\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background:linear-gradient(135deg,rgb(197,216,231) 0%,rgb(223,202,243) 100%)\"><strong>&#8220;Lembro-me de um discurso que fiz em 16 de mar\u00e7o de 1949, na C\u00e2mara, [&#8230;] sobre o Pacto Atl\u00e2ntico, que foi apresentado por muitos apenas sob o aspecto do anticomunismo, ou seja, dos preparativos b\u00e9licos contra a R\u00fassia. [&#8230;] Eu afirmei que toda guerra \u00e9 um fracasso dos crist\u00e3os. Se o mundo fosse crist\u00e3o, n\u00e3o deveria existir guerras&#8230; [&#8230;] A guerra, acrescentei, \u00e9 um homic\u00eddio, um deic\u00eddio (a execu\u00e7\u00e3o de Deus sob a forma de ef\u00edgie, ou seja, no homem que \u00e9 sua imagem) e um suic\u00eddio\u201d  <\/strong><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[3]<\/a><strong>\u00bb.<\/strong><\/p>\n\n<div style=\"height:27px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<p>O discurso de Giordani foi aplaudido tanto pela direita quanto pela esquerda. Paciente tecel\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es, ele destacou o valor positivo de uma escolha da It\u00e1lia que poderia ser interpretada a favor da guerra. Giordani estava firmemente convencido de que para alcan\u00e7ar a paz \u00e9 preciso tentar qualquer caminho, para al\u00e9m dos posicionamentos estrat\u00e9gicos, e esperava que a pol\u00edtica crist\u00e3 fosse capaz de se desvencilhar das polariza\u00e7\u00f5es que estavam ocorrendo, para se erguer como uma for\u00e7a pela paz. <\/p>\n\n<p>Em 1953 ele escreveu:<\/p>\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background:linear-gradient(135deg,rgb(194,221,238) 0%,rgb(220,205,233) 100%)\"><strong>\u00abA guerra \u00e9 um homic\u00eddio em grande escala, revestido de uma esp\u00e9cie de culto sagrado [&#8230;]. Ela \u00e9 para a humanidade como a doen\u00e7a para a sa\u00fade, como o pecado para a alma: \u00e9 destrui\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio, e investe a alma e o corpo, os indiv\u00edduos e a coletividade.<br\/><br\/> [&#8230;] O fim pode ser a justi\u00e7a, a liberdade, a honra, o p\u00e3o: mas os meios produzem tamanha destrui\u00e7\u00e3o de p\u00e3o, de honra, de liberdade e de justi\u00e7a, al\u00e9m de vidas humanas, inclusive de mulheres, crian\u00e7as, idosos e inocentes de todo tipo, que anulam tragicamente o pr\u00f3prio fim que se propunha.<br\/><br\/>Definitivamente, a guerra n\u00e3o serve a outro prop\u00f3sito sen\u00e3o o de destruir vidas e riquezas<\/strong><a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[4]<\/a><strong>\u00bb.<\/strong><\/p>\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<p>Giordani nos lembra, portanto, que a paz \u00e9 o resultado de um projeto: um projeto de fraternidade entre os povos, de solidariedade para com os mais fr\u00e1geis, de respeito rec\u00edproco. \u00c9 assim que, tamb\u00e9m hoje, se constr\u00f3i um mundo mais justo. <\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Elena Merli<\/em><br\/><em>(<a href=\"https:\/\/iginogiordani.info\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Igino Giordani<\/a>)<\/em><\/p>\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Foto \u00a9 Archivio CSC Audiovisivi<\/em><\/p>\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[1] Igino Giordani, <em>L\u2019inutilit\u00e0 della guerra<\/em>, Citt\u00e0 Nuova, Roma, 2003, (terza edizione), p. 57<br\/><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[2]<\/a> Igino Giordani, <em>Memorie di un cristiano ingenuo<\/em>, Citt\u00e0 Nuova, Roma 1994, pp.47-51<br\/><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[3]<\/a> <em>Idem<\/em>, p.111<br\/><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[4]<\/a> Igino Giordani, <em>L\u2019inutilit\u00e0 della guerra<\/em>, Citt\u00e0 Nuova, Roma, 2003, (terza edizione), p. 3<\/p>\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><\/p>\n\n<div style=\"height:175px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abN\u00e3o basta o rearmamento tampouco o desarmamento para eliminar o perigo da guerra: \u00e9 necess\u00e1rio extinguir o esp\u00edrito de agress\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e hegemonia, do qual prov\u00e9m a guerra, \u00e9 imprescind\u00edvel reconstituir uma consci\u00eancia [1]\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":379770,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[2962,3288],"tags":[3522,3347,3392,3198,3528],"class_list":["post-379789","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-3","category-testimonianze-di-vita-pt-pt","tag-igino-giordani-pt-pt","tag-notifiche-pt-pt","tag-paz-pt-pt","tag-ppg-pt-pt","tag-valencia-pt-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=379789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379789\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/379770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=379789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=379789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=379789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}