{"id":401085,"date":"2026-04-14T12:00:00","date_gmt":"2026-04-14T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/?p=401085"},"modified":"2026-04-14T10:06:07","modified_gmt":"2026-04-14T08:06:07","slug":"libano-a-resistencia-da-solidariedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/libano-a-resistencia-da-solidariedade\/","title":{"rendered":"L\u00edbano: a resist\u00eancia da solidariedade"},"content":{"rendered":"\n<p>No turbilh\u00e3o das not\u00edcias r\u00e1pidas sobre a guerra no L\u00edbano, as hist\u00f3rias individuais se perdem e os rostos humanos se apagam por tr\u00e1s de tantos deslocamentos e not\u00edcias sobre bombardeamentos. E a realidade, como revelam os testemunhos, \u00e9 muito mais profunda e dolorosa do que os notici\u00e1rios mostram. Neste \u201ctempo de guerra\u201d, centenas de milhares de libaneses vivem em uma condi\u00e7\u00e3o de deslocamento constante, como se fosse um destino que muda a cada nova onda de viol\u00eancia. Mas, em meio a essa escurid\u00e3o, surgem tamb\u00e9m rostos humanos que buscam restituir o significado \u00e0 vida.   <\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da escala e com a expans\u00e3o dos ataques a\u00e9reos e das ordens de evacua\u00e7\u00e3o, o deslocamento n\u00e3o \u00e9 mais um evento isolado, mas se tornou um estilo de vida. Est\u00e3o sendo evacuadas n\u00e3o somente \u00e1reas isoladas, mas regi\u00f5es inteiras, do sul de Bekaa at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da capital Beirute. Nesse cen\u00e1rio, o n\u00famero de deslocamentos passa dos milh\u00f5es, em uma das maiores ondas de deslocamento interno na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. S\u00e3o muitas as v\u00edtimas civis.   <\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s desses n\u00fameros, se escondem hist\u00f3rias humanas que resumem a trag\u00e9dia. Zeina Chahine conduziu algumas entrevistas para contar as dores das pessoas e, ao mesmo tempo, a grandeza da a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria que se torna encontro, consolo e for\u00e7a coletiva contra a injusti\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>Marwan, um dos refugiados do sul, resume a experi\u00eancia com uma frase dolorosa: \u201cEstamos desaparecendo lentamente\u201d. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma met\u00e1fora, mas a descri\u00e7\u00e3o de uma vida que est\u00e1 sendo consumida gradualmente, em que as pessoas perdem a casa, o trabalho e a estabilidade, sem perder completamente a esperan\u00e7a&#8230; mas ela se desgasta. Marwan acrescenta que at\u00e9 a ideia de retorno mudou: n\u00e3o sonha mais com sua casa, mas simplesmente em voltar, de qualquer forma poss\u00edvel.  <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Nawal conta sobre o momento da fuga for\u00e7ada: um telefonema no meio da noite, poucos minutos para pegar o que \u00e9 poss\u00edvel carregar e a fuga sob os bombardeamentos. \u201cO que devemos levar?\u201d, \u00e9 uma pergunta que resume a impot\u00eancia diante da velocidade do desabamento. Uma pequena mala em vez de uma vida inteira deixada para tr\u00e1s. Ela tamb\u00e9m, como muitos outros, n\u00e3o se deslocou somente uma vez, mas repetidas vezes, at\u00e9 que o retorno \u00e0 \u201ct\u00e1bula rasa\u201d se tornou parte da pr\u00f3pria experi\u00eancia.   <\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as e os jovens tamb\u00e9m pagam pre\u00e7o. Suleiman, 16 anos, n\u00e3o est\u00e1 na escola, est\u00e1 em um ref\u00fagio tempor\u00e1rio, e resume a guerra dizendo: \u201c\u00c9 a minha cruz nesta vida\u201d. Palavras que mostram como a guerra n\u00e3o rouba apenas o presente, mas tamb\u00e9m a inoc\u00eancia da idade.  <\/p>\n\n\n\n<p>Mas ao lado dessa dor tamb\u00e9m vive outra imagem, n\u00e3o menos presente: aquela da solidariedade humana. Entre escolas transformadas em centros de acolhimento e cantos superlotados da cidade, emergem volunt\u00e1rios e iniciativas individuais que buscam preencher o vazio da aus\u00eancia. Pessoas que dormem no ch\u00e3o, com falta de bens essenciais, e tentativas graduais de fornecer colch\u00f5es e cobertores. A necessidade n\u00e3o \u00e9 somente de comida e \u00e1gua, mas tamb\u00e9m de tudo o que preserva a dignidade humana, como produtos de higiene pessoal&#8230; porque tamb\u00e9m nos deslocamentos o ser humano precisa se sentir com dignidade.   <\/p>\n\n\n\n<p>Abir, m\u00e3e e volunt\u00e1ria, v\u00ea a ajuda como um dever humano antes de tudo. Diz que o que mais toca \u00e9 \u201co medo nos olhos das pessoas\u201d, aquela ansiedade constante de um futuro incerto. Mas, ao mesmo tempo, observa tamb\u00e9m o forte impulso \u00e0 solidariedade: \u201cAs pessoas correm para ajudar, sem pedir nada\u201d. Em um contexto em que as institui\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes s\u00e3o limitadas, as iniciativas individuais se tornam a primeira linha de defesa da humanidade.   <\/p>\n\n\n\n<p>Esse encontro entre dor e solidariedade revela uma forte contradi\u00e7\u00e3o: a guerra divide as pessoas, mas, ao mesmo tempo, cria espa\u00e7os inesperados de solidariedade. \u00c9 como se a sociedade, nos momentos de colapso, descobrisse a si mesma por meio de seus indiv\u00edduos. <\/p>\n\n\n\n<p>E, apesar das diferen\u00e7as das opini\u00f5es, o ponto comum permanece sendo o sentimento de desenraizamento e a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra e \u00e0s suas trag\u00e9dias. Com o passar do tempo, tamb\u00e9m a forma da esperan\u00e7a muda: de \u201cse Deus quiser, voltaremos a encontrar nossas casas\u201d para simplesmente \u201cse Deus quiser, voltaremos\u201d. Uma esperan\u00e7a que diminui, mas n\u00e3o se apaga.  <\/p>\n\n\n\n<p>Uma pergunta est\u00e1 na ponta da l\u00edngua de todos: \u201cPara onde iremos amanh\u00e3?\u201d. N\u00e3o \u00e9 uma pergunta sobre um destino preciso, mas sobre o pr\u00f3prio destino. <\/p>\n\n\n\n<p>E, apesar da dor, esses testemunhos revelam uma verdade dupla: a guerra fere profundamente o ser humano, sim, mas n\u00e3o consegue apagar a humanidade. Entre uma tenda e um ref\u00fagio, entre perda e nostalgia, nasce outra forma de resist\u00eancia: a resist\u00eancia da solidariedade. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, enquanto alguns murcham lentamente, outros brotam com o que podem de solidariedade, mantendo a vida poss\u00edvel. Porque a f\u00e9, na fraternidade humana, \u00e9 uma realidade que temos no nosso interior, vivendo e praticando, transmitida pelos nossos pais e av\u00f3s, at\u00e9 se tornar sangue nas nossas veias e parte da nossa civiliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>por Rima Saikali<br>Al Madina Al Jadida<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group has-background is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"background-color:#def2d6\">\n<p><strong>Est\u00e1 ativa a emerg\u00eancia Oriente M\u00e9dio. Cada contribui\u00e7\u00e3o permite confortar muitas fam\u00edlias atingidas pelo flagelo da guerra: muitas perderam a casa, outras procurar ref\u00fagio em estruturas que abrem as portas apesar de ter recursos cada vez mais limitados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para contribuir <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/emergencia-oriente-medio-2\/\">clique aqui <\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Fotos: \u00a9Pexels-Mohamad-Mekawi<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:127px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra no L\u00edbano causou mais de um milh\u00e3o de deslocamentos, transformando a emerg\u00eancia em uma condi\u00e7\u00e3o espalhada e prolongada. Nos testemunhos que trazemos, h\u00e1 relatos de perdas materiais, traumas e uma esperan\u00e7a sempre menor. Todavia, cresce a rede espont\u00e2nea de solidariedade, plantando sempre mais as verdadeiras sementes de humanidade.   <\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":401084,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[3176,3288],"tags":[3347,3198],"class_list":["post-401085","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-social","category-testimonianze-di-vita-pt-pt","tag-notifiche-pt-pt","tag-ppg-pt-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/401085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=401085"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/401085\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":401094,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/401085\/revisions\/401094"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/401084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=401085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=401085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=401085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}