{"id":407869,"date":"2026-10-01T05:01:00","date_gmt":"2026-10-01T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/?p=407869"},"modified":"2026-09-30T13:11:06","modified_gmt":"2026-09-30T11:11:06","slug":"a-experiencia-de-se-sentir-estrangeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-experiencia-de-se-sentir-estrangeiro\/","title":{"rendered":"A experi\u00eancia de se sentir estrangeiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser estrangeiro n\u00e3o \u00e9 apenas uma condi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ou geogr\u00e1fica. \u00c9 tamb\u00e9m uma experi\u00eancia humana que quase todos n\u00f3s, de uma forma ou de outra, j\u00e1 vivemos pelo menos uma vez na vida. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sentimo-nos estranhos sempre que entramos em um contexto cujos c\u00f3digos desconhecemos: um novo pa\u00eds, um local de trabalho desconhecido, uma escola, uma casa de repouso, um grupo social ou at\u00e9 mesmo uma fam\u00edlia que n\u00e3o \u00e9 a nossa. Podemos nos sentir estrangeiros tamb\u00e9m quando as novas gera\u00e7\u00f5es usam linguagens e refer\u00eancias que s\u00e3o incompreens\u00edveis para n\u00f3s, ou quando descobrimos que a sociedade \u00e0 qual pens\u00e1vamos pertencer mudou para uma dire\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reconhecemos mais. Cada um de n\u00f3s sabe o que significa se sentir deslocado: uma experi\u00eancia comum que pode nos ajudar a nos colocar no lugar do outro.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria da humanidade \u00e9, desde sempre, uma hist\u00f3ria de encontros entre culturas. Se, por um lado, as migra\u00e7\u00f5es geraram conflitos e dificuldades, por outro, promoveram interc\u00e2mbios, enriquecimento m\u00fatuo e uma profunda transforma\u00e7\u00e3o das sociedades. O fen\u00f4meno migrat\u00f3rio pode ser encarado n\u00e3o apenas como uma emerg\u00eancia, mas tamb\u00e9m como uma oportunidade de renova\u00e7\u00e3o, que nos convida a sair de nossas zonas de conforto para ir ao encontro do outro.   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O verdadeiro desafio est\u00e1 em viver essa mudan\u00e7a hist\u00f3rica com um olhar capaz de perceber as sementes de esperan\u00e7a que as migra\u00e7\u00f5es trazem consigo, transformando o acolhimento em um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o da fraternidade. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos come\u00e7ar com pequenos gestos. A\u00e7\u00f5es que podem parecer insignificantes, mas que, somadas \u00e0s de muitos outros, formam uma corrente silenciosa e concreta, capaz de se tornar uma esp\u00e9cie de \u201cbarragem contra a barb\u00e1rie\u201d. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim se expressou Chiara Lubich em um de seus \u00faltimos discursos p\u00fablicos, em Londres, em junho de 2004: \u00ab[\u2026] A nossa experi\u00eancia nos diz que, hoje quem tenta transportar as montanhas do \u00f3dio e da viol\u00eancia, tem pela frente uma tarefa gigantesca. Mas o que \u00e9 imposs\u00edvel para milh\u00f5es de homens isolados e divididos, parece que se torna poss\u00edvel a pessoas que fizeram do amor rec\u00edproco, da compreens\u00e3o rec\u00edproca, da unidade, a mola essencial da pr\u00f3pria vida\u00bb. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando vivemos assim, o di\u00e1logo pode se tornar uma verdadeira cultura do encontro, na qual a diversidade de cada um deixa de ser uma barreira e se torna um dom na constru\u00e7\u00e3o do bem comum.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma prova disso \u00e9 o relato de um p\u00e1roco su\u00ed\u00e7o sobre as \u201cli\u00e7\u00f5es\u201d aprendidas vivendo em um centro de acolhimento para migrantes. Por um lado, a tomada de consci\u00eancia de quanto o racismo est\u00e1 latente em cada um de n\u00f3s; por outro, o extraordin\u00e1rio poder transformador que nasce do encontro: \u201cApenas um exemplo: um jovem do Ruanda viveu conosco aqui, em Lucerna, por tr\u00eas anos. Ele n\u00e3o tinha documentos e, quando chegou, estava muito abalado psicologicamente. O in\u00edcio n\u00e3o foi f\u00e1cil. Mas, com o tempo, a sua verdadeira personalidade voltou a brilhar e a nossa comunidade multicultural floresceu em uma vida ainda mais bela. Rimos muito, comemoramos, rezamos e superamos juntos, inclusive as incertezas e os grandes desafios! Tornamo-nos irm\u00e3os. Isso ficou evidente, sobretudo, no dia da despedida involunt\u00e1ria deste nosso irm\u00e3o ruand\u00eas. Quando os quatro policiais vieram busc\u00e1-lo em nossa casa para lev\u00e1-lo \u00e0 for\u00e7a de volta ao seu pa\u00eds, ficaram muito surpresos ao se depararem com dez pessoas de diferentes na\u00e7\u00f5es, que estavam ali para se despedir dele e por encontrarem uma atmosfera serena, apesar da dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o. (\u2026). J\u00e1 se passaram cinco anos e o profundo la\u00e7o familiar que se criou entre n\u00f3s continua vivo, de um continente a outro\u00bb <a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n<div style=\"height:67px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u201cMigrazioni: sfide e opportunit\u00e0\u201d in: Ekklesia \u2013 n.26 (2025\/1)<\/p>\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Foto \u00a9 William Fortunato &#8211; Pexels<\/p>\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>A IDEIA DO M\u00caS,<\/strong> \u00e9 preparada pelo \u201cCentro do Di\u00e1logo com pessoas de convic\u00e7\u00f5es n\u00e3o religiosas\u201d do Movimento dos Focolares. \u00c9 uma iniciativa que nasceu no Uruguai em 2014 para compartilhar com os amigos que n\u00e3o creem em Deus os valores da Palavra de Vida, uma frase da Escritura que os membros do Movimento se comprometem a colocar em pr\u00e1tica. Atualmente, A IDEIA DO M\u00caS \u00e9 traduzida em doze idiomas e distribu\u00edda em mais de 25 pa\u00edses, adaptada em alguns deles segundo as exig\u00eancias culturais.   www.dialogue4unity.focolare.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ideia do M\u00eas &#8211; Outubro 2026<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":407867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_seopress_robots_follow":"","_seopress_robots_imageindex":"","_seopress_robots_snippet":"","_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_robots_breadcrumbs":"","_seopress_robots_freeze_modified_date":"","_seopress_robots_custom_modified_date":"","_seopress_robots_canonical":"","_seopress_social_fb_title":"","_seopress_social_fb_desc":"","_seopress_social_fb_img":"","_seopress_social_fb_img_attachment_id":0,"_seopress_social_fb_img_width":0,"_seopress_social_fb_img_height":0,"_seopress_social_twitter_title":"","_seopress_social_twitter_desc":"","_seopress_social_twitter_img":"","_seopress_social_twitter_img_attachment_id":0,"_seopress_social_twitter_img_width":0,"_seopress_social_twitter_img_height":0,"_seopress_redirections_value":"","_seopress_redirections_enabled":"","_seopress_redirections_enabled_regex":"","_seopress_redirections_logged_status":"","_seopress_redirections_param":"","_seopress_redirections_type":0,"_seopress_analysis_target_kw":"","_seopress_news_disabled":"","_seopress_video_disabled":"","_seopress_video":[],"_seopress_pro_schemas_manual":[],"_seopress_pro_rich_snippets_disable_all":"","_seopress_pro_rich_snippets_disable":[],"_seopress_pro_schemas":[],"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[3435],"tags":[3347,3198],"class_list":["post-407869","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ideia-do-mes","tag-notifiche-pt-pt","tag-ppg-pt-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/407869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=407869"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/407869\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":407871,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/407869\/revisions\/407871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/407867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=407869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=407869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=407869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}