Audiência com Francisco, quarta-feira, 10 de janeiro, e depois três dias de reflexão na Conferência sobre Ecologia Integral no Instituto Universitário Sophia, em Loppiano. Duas etapas fundamentais para o caminho de diálogo entre católicos e marxistas sobre grandes temas, a começar pela paz.

Foto Giulio Meazzini

Mesmo que fossem só indícios, foram tão significativos a ponto de considerar o caminho de Dialop como uma espécie de observatório especial estimado por parte da Igreja Católica. A iniciativa – quer nasceu em 2014 para favorecer o diálogo entre cristãos e marxistas – viveu uma etapa fundamental na audiência privada com o papa Francisco, na quarta-feira, 10 de janeiro. Deveria ter sido uma saudação de uns dez minutos. Já teria sido um resultado precioso. Mas Bergoglio ficou com a delegação (oito católicos e sete marxistas) por 40 minutos.

“Em um mundo dividido por guerras e polarizações”, começou o papa, “não fiquem para trás, não se rendam, não parem de sonhar com um mundo melhor”, porque “foram justamente os grandes sonhos de liberdade e igualdade que produziram reviravoltas e progressos”. E aconselhou “três atitudes”. Primeiro: “ter a coragem de romper os esquemas para se abrir a caminhos novos no diálogo. Cultivemos com o coração aberto o confronto e a escuta, não excluindo ninguém a nível político, social e religioso”. Depois: “a atenção aos fracos. Vê-se a medida de uma civilização em como são tratados os mais vulneráveis. Uma política realmente a serviço do homem não pode deixar-se ditar pela lei da finança e por mecanismos de mercado”. Por fim: “a legalidade. O que dissemos até agora implica o empenho em contrastar a chaga da corrupção, dos abusos de poder e da ilegalidade”. E na saudação final: “Desejo a vocês sabedoria e coragem”.

Foto Paolo Lòriga (2)

Outro indício peculiar foi a presença do cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a cultura e a educação, na abertura da Conferência sobre a Ecologia Integral, que ocorreu no Instituto Universitário Sophia de 11 a 13 de janeiro. O evento foi mais uma etapa do Projeto DialogUE, financiado pela União Europeia, e teve como tema “Por uma transformação social e ecológica”. A fala do cardeal Tolentino se concentrou em “A Ecologia Integral em Papa Francisco”.

Os três dias de conferência no Instituto Sophia, com mais de 40 palestrantes entre acadêmicos e pesquisadores de várias disciplinas permitiram dar luz aos aspectos econômicos e políticos, filosóficos e teológicos, científicos e humanísticos provenientes de diversas visões culturais em um exercício exemplar de diálogo. A releitura do documento do papa Francisco “Laudato si’” permitiu evidenciar, como emergiu na reflexão, “as muito fracas contramedidas à crise climática até agora tomadas e o claro fracasso de importantes esforços político-econômicos voltados a evitar o colapso climático-global”. “É urgente que se faça logo”, foi repetido, mas é indispensável “partir novamente da tomada de consciência de uma desvantagem sobre a visão do homem ainda antes da ecológica”.

Outro indício acerca da importância atribuída à experiência de Dialop está na presença em todos os três dias do secretário geral da Comissão das Conferências episcopais da União Europeia, o sacerdote espanhol Manuel Barrios Prieto, que falou na fase conclusiva dos trabalhos. Grande atenção, portanto, a esse empenho de Dialop em formular uma ética social transversal, fruto do diálogo entre o Pensamento social da Igreja católica e a Crítica social marxista. Uma ética iluminada pela visão da ecologia integral proposta pelo papa Bergoglio.

Há dez anos os dois iniciadores de Dialop Walter Baier, político marxista, atual presidente da Esquerda Europeia, e Franz Kronreif, arquiteto e membro do Movimento dos Focolares, ambos austríacos, não imaginariam os resultados desta etapa de 2024. “O encontro com o papa Francisco”, comenta Baier, “abre um novo capítulo entre a Esquerda na Europa e a Igreja Católica. E o que amadureceu em Sophia assinala um desenvolvimento do diálogo, porque demostrou como é rico saber que conseguimos mobilizar”. Para Kronreif também se abriu uma perspectiva particular: “Com base no caminho que conseguimos percorrer e pela experiência em curso, podemos nos alargar a outros diálogos ou integrar outros assuntos no nosso diálogo para salvaguardar a pessoa, a natureza, a justiça e a paz”.

Paolo Lòriga

Entrevista completa com Walter Baier e Franz Kronreif

Para se aprofundar sobre Dialop:
https://www.focolare.org/2023/04/17/dialop-dialogo-tra-cristiani-e-sinistra-europea-in-cerca-di-un-vero-cambiamento/
https://www.focolare.org/2023/08/04/la-comunicazione-in-tempo-di-guerra-un-dialogo-trasversale-per-unetica-comune/

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