Vida física e natureza

As estações da vida, do indivíduo e da coletividade, revelam a sua função específica se vividas em plenitude. Aderir ao próprio tempo leva a descobrir a mensagem que cada instante contém.

Diz o salmo: «Ensina-nos a contar os nossos dias e teremos um coração sábio» (Sal 90, 12). Tal sabedoria é a mãe que nos ensina a reconhecer aquilo que jamais passa e aquilo que, da eternidade, manifesta-se através do tempo. Cura os medos, dissolve as ansiedades, preenche os vazios, abre o nosso coração ao próximo.

«A doença me curou – escreveu uma mãe – levou-me a uma visão completa da existência que a corrida da vida me tinha tirado. Agora parece-me saber amar a minha família».

As biografias que recordam os que passaram pela terra antes de nós, e permitem que a mensagem de suas vidas nos alcance, são caridade que se perpetua no tempo. É a comunhão dos santos.

Este aspecto salienta o relacionamento do homem não só com a Vida e com a Morte.

Chiara Lubich escreveu, em 1973: «Se hoje eu tivesse que deixar esta terra e me fosse pedida uma palavra, como última que exprimisse o nosso Ideal, eu lhes diria (certa de que seria entendida no sentido mais exato): “Sejam uma família”.

Existe entre vocês quem sofre em virtude de provações espirituais ou morais? Compreendam-no como e mais do que uma mãe! Iluminem-no com a palavra ou com o exemplo. Não lhe deixem faltar, pelo contrário, aumentem ao redor dele o aconchego da família.

Existe entre vocês quem sofre fisicamente? Seja o irmão predileto. Sofram com ele. Procurem entender profundamente as suas dores.  Façam-no participar dos frutos do apostolado de vocês, para que saiba que mais do que os outros foi ele que contribuiu para isso.

Alguém está morrendo? Imaginem estar no lugar dele e façam o que gostariam que fosse feito a vocês, até o último instante.

Existe alguém que se regozija por uma conquista ou por qualquer outra razão? Alegrem-se com ele, para que a sua consolação não seja diminuída e a alma não se feche, mas a alegria seja de todos.

Existe alguém que parte? Não o deixem partir sem lhe terem preenchido o coração de uma única herança: o sentido da família, para que o leve para onde está destinado.

Não anteponham jamais qualquer atividade de qualquer tipo, nem espiritual, nem apostólica, ao espírito de família com aqueles irmãos com quem vocês vivem».