Aotearoa, isto é, Nova Zelândia

É difícil imaginar um lugar mais vivível do que Wellington. Estamos no verão, o sol brilha e a temperatura é ideal. No Saint Mary’s College, dias 2 e 3 de fevereiro, reúne-se a comunidade neozelandesa dos Focolares: mais de 200 pessoas provenientes das duas principais ilhas que formam o país, pertencentes à maioria não indígena e à minoria maori, a população local para quem a Nova Zelândia é “Aotearoa” (a terra da longa nuvem branca). Diferentemente da Austrália, aqui as relações interétnicas são muito menos problemáticas, graças aos esforços conjuntos das autoridades civis, religiosas e culturais. O país apresenta-se como um verdadeiro exemplo de convivência pacífica.

Não podia deixar de ser uma karana, o hino popular maori dançado, a recepcionar os hóspedes da Itália. Cantos corais alternam-se em brados fortes – de desafio e acolhida ao mesmo tempo -, como conhecemos pelos fabulosos All Blacks, o conhecido time de rugby neozelandês.

Uma narrativa histórica, breve mas eficaz, leva a entender melhor o percurso de um povo miscigenado mas unido, que graças e sobretudo devido à presença cristã, soube criar uma real coesão social. “Bem vindos a casa”, canta a banda que junta sonoridades europeias com ritmos locais.

A ainda breve história do “povo nascido do Evangelho”, o de Chiara Lubich, começa com o salmo «Pede-me e te darei em herança todas as nações, até os últimos confins da terra», e de fato, aqui estamos no lado oposto de Trento… Uma história que começa com Evert Tross (holandês) e Terry Gunn (jovem neozelandês), que decidem viver o Evangelho seguindo o exemplo da professora de Trento. Uma história que prossegue com a abertura do focolare – recebido pelo então arcebispo Tom Williams – para chegar posteriormente às principais cidades da nação e grande parte da zona rural.

É uma comunidade que apresenta-se como uma amostra fiel da sociedade, seja pela diversidade de idades seja pela composição “sociológica”, com maoris e não-maoris, ricos e menos ricos, imigrantes recentes e menos recentes. Bill Murray é um elder, um ancião da tribo Ngati Apa. Ele conta: «Depois de conhecer o Movimento dos Focolares eu mudei a minha vida e o meu modo de ser elder. O amor de Jesus agora é parte integrante do meu modo de agir. Cada avaliação ou decisão minhas são sustentadas pelo amor que aprendi de Chiara». O atual arcebispo de Wellington, D. John Dew, afirma: «Na secularização atual o Espírito enviou alguns carismas para tornar sempre novas as mensagens do Evangelho. Aqui na Nova Zelândia os Focolares entenderam o povo e as suas exigências, e sabem operar com fantasia e coragem».

Maria Voce e Giancarlo Faletti dirigem-se às comunidades provenientes de cidades de toda a Nova Zelândia. Aqui também emerge – como já acontecera na Austrália – a forte influência da secularização e da realidade multicultural. Questões existenciais são colocadas por jovens e adolescentes, sobre a existência de Deus, sobre a salvação trazida por Jesus, sobre a liberdade que o homem tem de pecar, sobre a força para mudar a si próprio, sobre o que pode ser feito para quem não tem uma casa ou um trabalho, sobre as graves feridas sobre inocentes provocadas pela loucura… São os filhos das famílias cristãs que se colocam tais questionamentos, o que evidencia uma nova e vasta fronteira de evangelização. Outras perguntam vertem sobre os que não creem, as dificuldades na educação à fé e no testemunhar também com a palavra. As respostas «as procuramos juntos, não são afirmações já feitas», precisa Maria Voce, indicam o amor de Deus como resposta credível e o caminho da partilha, da unidade, como método para conseguir não ruir sob o peso de tais perguntas. Eles procuram dar coragem e convidam todos, também quem não acredita, a unir-se, para dar um testemunho adequado aos tempos e às situações.

«E como fazer com que a humanidade inteira experimente a presença de Jesus no meio?» – retoma Maria Voce respondendo à pergunta de um aderente do Movimento – «Não sabemos quando, mas acontecerá, porque Jesus o quer, porque pediu ao Pai a unidade. Mas pede que o ajudemos a realizar este sonho. A nossa parte é acender pequenos fogos em meio à humanidade, de pessoas unidas no nome de Jesus: numa escola, num hospital, numa banda e até em um campo de críquete. E o fogo se tornará cada vez maior, ainda que muitas vezes não saibamos onde ele já está aceso. O certo é que Deus está trabalhando. E então, cooperemos com Ele, acendendo e mantendo acesos esses pequenos fogos».

Hoje Wellington é o centro do “povo nascido do Evangelho”, e não mais o último confim da Terra.

Do enviado, Michele Zanzucchi

8 Comments

  • Nós ficamos rezando para que a viagem de Maria Voce desse muitos frutos!E vemos que realmente deu muitos frutos! Esta pergunta deste aderente sobre a Unidade e a resposta de Maria Voce, já é um grande fruto!Estamos trabalhando para que a Unidade também se difunda em nosso ambiente!”Deus nos ama imensamente!

  • Bellissimo! mi sembrava di essere presente in quella sala. Le domande e le risposte le ho sentite mie,nostre, adatte alla realtà che stiamo vivendo qui.Bella l’immagine dei piccoli fuochi che poi si riuniscono per fare un “fuoco più grande” e portare nel mondo l’unità. Grazie ad Emmaus, Giancarlo e tutti per questo dono d’amore.

  • Bello poter accompagnare questo viaggio di Emmaus (Maria Voce) e Giancarlo. Conoscere i fratelli e sorelle del “Popolo di Chiara” che sono nell’altra parte del mondo ci allarga il cuore e ci impegna ancora di più per far sì che i “piccoli fuochi dell’amore reciproco” aumentino sempre di più.

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