Rumo a “The Economy of Francisco”

Intervista imprenditore EDC-Koen

Koen Vanreusel, empresário EdC belga: “É preciso uma aliança entre gerações de empresários”

EasyKit-azienda Edc-Belgio“Precisamos dos jovens para abrir novos caminhos, e estamos felizes por ajudá-los com o nosso trabalho e a partilha dos bens e dos conhecimentos”. Koen Vanreusel, quatro filhos, nove netos, administrador delegado da “Easykit”, empresa com 100 dependentes, na Bélgica, conta sobre o seu compromisso em favor de jovens empresários em várias partes do mundo. Uma opção feita desde a adesão aos princípios da Economia de Comunhão (EdC) e que o levará a Assis (Itália), aonde se realizará, de 26 a 28 de março de 2020, o evento “The economy of Francisco”, desejado pelo Papa para os jovens economistas e empresários do mundo inteiro.

Koen, de que maneira os princípios da Economia de Comunhão inspiram o seu trabalho?
A Economia de Comunhão é fruto da “cultura da partilha” que surgiu dentro do Movimento dos Focolares. Uma cultura que encontra as suas raízes no Evangelho, onde está escrito “Dai e vos será dado” (Lc. 6,36-38), que leva à partilha dos bens, materiais e imateriais, e que suscita uma economia nova, precisamente de comunhão. No contexto do trabalho na minha empresa isso significa colocar a pessoa no centro do trabalho e respeitar a sua dignidade: com os nossos empregados procuramos criar uma família, uma comunidade. Temos nove pontos de venda em diversos lugares e estamos sempre atentos para que exista uma boa ligação com os colaboradores. Aderir à EdC significa, para nós, inclusive doar, todos os anos, uma parte dos lucros da empresa e assim contribuir a combater a pobreza no mundo.

Que dificuldades você encontra em viver a Economia de Comunhão no seu trabalho e como as supera?
Somos uma empresa como todas as outras no mercado e temos as mesmas dificuldades que outras empresas encontram. Mas quando temos problemas procuramos criar uma atmosfera na qual possamos conversar, entre os colegas e com a direção. Para mim é muito importante poder compartilhar estas experiências com outros empresários que também procuram viver a EdC, nós nos encontramos num clima de confiança, falamos das dificuldades e procuramos enxergar juntos as oportunidades que existem.

De que maneira você procura envolver os seus dependentes na vivência da “cultura da partilha”?
Os nossos dependentes sabem que dividimos os lucros da empresa com os pobres e fazemos com que sejam visíveis os projetos que apoiamos, de maneira que sejam compartilhados por eles. Além disso, no fim do ano, quando calculamos os lucros, eles também recebem uma parte e podem decidir a qual atividade querem doar, e assim participam, em parte, da destinação dos lucros da empresa. Ao mesmo tempo procuramos ser um exemplo para eles, por exemplo, doando algo a mais no trabalho, fazendo algo de gratuito por um colega ou um fornecedor, e mostrando que isso também dá muita alegria.

Como surgiu a ideia de apoiar empresas de jovens em países da Europa e de outros continentes?
IMG 1158Num dos encontros anuais entre empresários europeus da EdC conhecemos jovens da Sérvia e da Hungria que demonstraram apreciar muito o nosso modelo de negócios, e decidimos compartilhar isso com eles. Nós os apoiamos na abertura de uma empresa em seu país e vivemos com eles este percurso; ficamos felizes em ver que por meio da nossa empresa podemos dividir os nossos conhecimentos e o nosso modelo de trabalho. Depois, por ocasião do encontro internacional da EdC, em Nairóbi, no Quênia, conhecemos um grupo de jovens empresários congoleses decididos a não abandonar o seu país em guerra, mas ficar e ajudar as pessoas em dificuldade iniciando uma empresa. Sentimos o dever de estar ao lado desses jovens, oferecendo-lhes as nossas competências. O nosso desejo é que as novas gerações de empresários possam aderir à Economia de Comunhão.

A aplicação do paradigma da EdC em vasta escala, que efeitos poderia produzir?
Pode contribuir na edificação de uma sociedade mais justa e com menos desequilíbrios, com uma menor distância entre ricos e pobres e uma menor taxa de pobreza. Atuando juntos podemos descobrir que um mundo melhor é possível. Falaremos disso em outubro, em Bruxelas, durante um dia dedicado a este tema.

Claudia Di Lorenzi

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