A dança a serviço da paz na Terra Santa


Continua a colaboração de jovens artistas entre Montecatini (Florença) e Belém. Os próximos programas.

Nos lugares feridos pelos conflitos, movidos na maioria por razões econômicas e militares, os povos em luta são, antes de tudo, vítimas de preconceitos recíprocos. Preconceitos que alimentam as hostilidades entre a população civil, mas que podem ser dissolvidos através do encontro em um “território neutro”, entendido tanto em sentido físico quanto cultural e social. Um território onde a alma se abre ao encontro autêntico para se libertar de ódios e medos e se dispor à reconciliação. É isto que move o projeto “Harmonia entre os povos” promovido pela Associação Cultural Dancelab harmonia (*), que escolheu a dança como lugar de encontro para a paz. Expressão social do Laboratório Acadêmico Dança, com sede em Montecatini Terme (FI), a associação foi fundada por Antonella Lombardo, responsável pela sua direção artística. Nós lhe perguntamos como nasce a ideia da Associação:

Após 20 anos de ensino da dança, percebi que os jovens se aproximavam desta disciplina só para obter um sucesso pessoal. Então, quis fazer com que eles experimentassem que a dança pode dar sentido à vida independentemente de ter sucesso, e que pode contribuir para melhorar a vida dos outros e para lançar sementes de paz. Assim nasceu a ideia dos campi internacionais, primeiro em Montecatini, depois na Terra Santa, em Belém.

Fale-nos deste percurso?
Começamos convidando, na Itália, adolescentes provenientes de diversas partes do mundo que já estudavam dança, para propor a eles uma visão da arte que colhe a sua capacidade de unir pessoas de diferentes camadas sociais, políticas, étnicas e religiosas porque fala uma linguagem universal. Convidando adolescentes palestinos e israelenses estabelecemos contatos com a Custódia da Terra Santa e com a Fundação João Paulo II, que seis anos atrás nos convidaram para irmos a Belém e Jerusalém para dar vida a campi de arte para as crianças dos campos de refugiados dos territórios palestinos.

Como se realiza o campus?
No campus os adolescentes farão um trabalho muito intenso: se começa às 9h00 e se prossegue até as 18h00 para experimentar vários estilos de dança. Existe a possibilidade de conviver juntos em uma casa e, portanto, de preparar o jantar juntos, estar juntos também com os adolescentes italianos e fazer momentos de festa. Trabalha-se numa coreografia intitulada Dançar a Paz que mostra como – por exemplo – adolescentes israelenses e palestinos, que no terreno vivem o conflito, conseguem criar aqui um clima de harmonia nos relacionamentos pessoais e no palco. E isto vale para os artistas de todos os países, que trazem ao campus a sua cultura artística e a sua sensibilidade”.

Como foi a experiência com os jovens em Belém?
“Quando chegamos, percebemos que não tinham nenhum conhecimento da arte, nunca tinham visto sequer os pincéis atômicos. Os quinze dias do campus que fazemos lá, representam para eles – prisioneiros a céu aberto – um espaço de liberdade, um modo para ultrapassar idealmente aquele terrível muro que os separa dos israelenses. Os professores são adolescentes palestinos e israelenses que frequentaram o campus na Itália. A experiência destes seis anos foi de tal modo frutuosa que a Custódia nos pediu para abrir uma escola permanente em Belém, que verá a luz no próximo ano”.

Quando acontecerá o próximo campus italiano e como participar?
Acontecerá em Montecatini, de 27 de agosto a 5 de setembro de 2020 e acolherá adolescentes de várias partes do mundo, entre as quais Jordânia, Egito, Palestina, Israel. É dirigido aos aspirantes a profissionais que compartilham a ideia de que a arte possa ser um instrumento universal de harmonia entre os povos, para que possam favorecer esta mudança de mentalidade lá onde irão agir, nos teatros, nas escolas, nos locais de arte. Podem entrar em contato conosco escrevendo para info@dancelab.it.

Os campi fazem parte de um projeto mais amplo, como etapas do Festival da Harmonia entre os povos, promovido pela Associação…
O Festival chegou este ano à 15ª edição, acontece na Toscana com o patrocínio de todos os municípios do Vale de Niévole e de cidades como Florença, Assis e Palermo, e se articula em uma série de encontros marcados. A inauguração será no dia 14 de março, em Florença, no Salão dos 500 do Palácio Vecchio, no aniversário da morte de Chiara Lubich, pela contribuição que a fundadora dos Focolares deu em levar a harmonia ao mundo, a 20 anos da outorga da cidadania honorária de Florença, e no decorrer das celebrações pelo centenário do seu nascimento.

Quais são os outros encontros marcados?
Durante o ano haverá eventos nas escolas para desenvolver um trabalho sobre o tema do desarmamento. Os nossos votos são de que a voz dos jovens possa chegar até os chefes de Estado dos países envolvidos na fabricação e no comércio das armas, para poder arranhar estas realidades. Uma iniciativa apreciada pelos adolescentes vê protagonista a música como momento de reflexão sobre o tema do encontro. Estão em programa eventos culturais e jantares interculturais em Montecatini e em Palermo.

O Festival, como os campi, são oferecidos com participação gratuita. Uma escolha desafiadora…
Desde o início, eu quis distinguir esta experiência dos comuns estágios de dança que as escolas fazem e são fonte de lucro, para que os adolescentes venham não só para estudar dança, mas porque escolheram viver a paz e ser construtores de pontes de paz.

Claudia Di Lorenzi

(*)https://www.festivalarmonia.org/

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