Mudança climática: última chamada?


EcoOne, iniciativa ecológica do Movimento dos Focolares, organiza o encontro internacional “Novos caminhos rumo à ecologia integral: cinco anos depois da Laudato Si”, em Castelgandolfo (Roma, Itália) de 23 a 25 de outubro de 2020.

A história do nosso planeta é composta por relações entre as suas partes. Concentremo-nos sobre três delas: a atmosfera, os organismos vivos e a humanidade.

Há 2,5 bilhões de anos, não havia oxigênio na atmosfera e a vida humana não teria sido possível. Depois, graças à contribuição de inúmeros e (aparentemente) insignificantes organismos unicelulares, simples e (aparentemente) banais – as cianobactérias – o ar foi enriquecido de oxigênio até assumir a sua composição atual. Este é um exemplo de um efeito positivo dos organismos vivos sobre a atmosfera, ao menos do nosso ponto de vista.

Mais recentemente começou a formar-se o carvão das florestas mortas (cerca de 350 milhões de anos atrás) e o petróleo dos micro-organismos mortos (cerca de 100 milhões de anos atrás). Graças a estes processos os organismos vivos retiraram o gás carbônico da atmosfera.

A partir do século XIX a humanidade queimou de maneira maciça o carvão e o petróleo, repondo o gás carbônico na atmosfera, causando, enfim, o aquecimento global. Neste caso, o efeito do homem sobre a atmosfera é negativo, sempre do nosso ponto de vista.

No dia 11 de setembro de 2020 foi publicado em Science, uma importantíssima revista científica, o seguinte gráfico que mostra que – se não forem reduzidas as emissões de gases com efeito estufa – as calotas de gelo continentais desaparecerão até o ano 2100, e as polares até 2300: o clima voltará ao que era a cerca de 50 milhões de anos. A Terra sobreviverá, mas as consequências na humanidade podem ser graves em termos de eventos meteorológicos extremos, inundações, secas e elevação do nível do mar: não temos muito tempo para enfrentar o desafio de refazer as relações harmoniosas entre a humanidade e as outras partes do nosso planeta.

Mas por que continuamos a queimar combustíveis fósseis?

O motivo foi explicado pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si, de 2015, e sintetizado no dia 3 de maio de 2019 em seu discurso a alguns representantes da indústria mineral: “A precária condição da nossa casa comum é, em grande parte, resultado de um modelo econômico falacioso seguido por longo tempo. É um modelo voraz, orientado ao lucro, míope e embasado na concepção errada de um crescimento econômico ilimitado. Ainda que muitas vezes vejamos os seus efeitos desastrosos no mundo natural e sobre as vidas das pessoas, continuamos resistentes às mudanças”.

EcoOne, iniciativa ecológica do Movimento dos Focolares, organiza o encontro internacional “Novos caminhos rumo à ecologia integral: cinco anos depois da Laudato si”, que acontecerá em Castelgandolfo (Roma), de 23 a 25 de outubro de 2020, e será transmitido nas principais línguas do mundo.

Terão a palavra relatores renomados, que ilustrarão os desafios ambientais contemporâneos que a ciência, a tecnologia, a economia e a sociedade devem enfrentar, com o objetivo de contribuir à mudança desejada pelo Papa Francisco, abrindo um diálogo transdisciplinar, inter-religioso e multicultural sobre o cuidado com a nossa casa comum.

(Maiores informações sobre como conectar-se com o evento serão disponibilizadas em www.ecoone.org)

Luca Fiorani

1 Comment

  • Being a Confirmed Catholic and practising mitigation measures against climate change in Kenya Government….EcoOne is a pragmatic approach to fasttrack the Pipes call on inter..disciplinary actions …to save our only home…..I feel able to contribute..Given opportunity..

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