Por que publicar outra biografia de Giordani?

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Fizemos esta pergunta ao Prof. Alberto Lo Presti e à Dra. Elena Merli do Centro Igino Giordani que editou “Igino Giordani un eroe desarmato” (Città Nuova Ed.).

Há muitas biografias sobre Giordani. Por que publicar outra?
Elena Merli: As biografias previamente escritas têm considerado um período de tempo limitado da vida de Giordani. Após a primeira biografia de 1936, havia a de Tommaso Sorgi, que era amigo e profundo estudioso de Giordani. Ele escreveu uma biografia inspirada e detalhada do primeiro período de Giordani, ou seja, desde seu nascimento até 1948. Outras biografias analisaram a figura de Giordani de uma perspectiva particular: histórica, espiritual, política… Todas elas são valiosas, uma grande riqueza, mas em comparação com as anteriores esta biografia foi capaz de considerar a vida de Giordani a 360 graus. E foi capaz de entrar em aspectos da vida de Giordani que até agora foram pouco explorados: por exemplo, sua vida familiar, sua relação muito profunda com Chiara, o período de luz particular que foi o “Paraíso ’49”. Também a sua vida com a Ordem Terceira Dominicana ainda não havia sido explorada em profundidade, alguns aspectos dos bastidores de sua vida política não haviam emergido, assim como algumas de suas escolhas íntimas, algumas passagens delicadas de sua vida pessoal. Gostaria de destacar em especial a novidade do capítulo dedicado ao que de “Jordania”, ou seja, a sua família. Acredito que muitos vão gostar de conhecer os segredos da vivaz situação familiar de Igino.

A primeira coisa que chama a atenção neste volume é o prestigioso prefácio assinado pelo Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella. Por que ele?
Alberto Lo Presti: É preciso conhecer alguns antecedentes. Em primeiro lugar Sergio Mattarella conhecia Igino Giordani pessoalmente e no prefácio ele conta algo. Depois, lembremos que aquela primeira biografia de 1936 foi escrita por seu próprio pai – Bernardo Mattarella. Portanto, eles tiveram um bom motivo para pedir-lhe que fizesse um prefácio.

Além disso, parece-nos que Sergio Mattarella esteja interpretando o papel do Presidente da República como uma fonte de unidade na Itália e no contexto internacional. Nesta situação de crise da saúde, ele é uma figura de equilíbrio e de alta moralidade.

Giordani foi um testemunho de unidade na política e harmonia entre os povos. As partes do livro dedicadas ao seu compromisso político descrevem a ação de Giordani na guerra e no período pós-guerra, sob as bombas e sob o fascismo, em meio aos escombros da reconstrução e entre as lacerações sociais. Não foram tempos mais calmos ou mais pacíficos do que os nossos. Essa firmeza de Giordani pode ainda hoje servir para entender para onde ir.

Este volume é o resultado de um poderoso trabalho de pesquisa de arquivos. Já sabemos tudo sobre Giordani
Elena Merli: Temos uma quantidade impressionante de material, documentos, correspondência e também gravações de áudio e vídeo de muitas das conversas de Giordani, públicas e confidenciais, transcritas e classificadas. Tudo isso foi muito útil para revelar os detalhes de seus assuntos pessoais.

Quantas descobertas novas e interessantes ainda fazemos, explorando o arquivo! Muitas dessas novas descobertas estão agora dentro do volume. Mencionarei apenas uma: os detalhes dos últimos anos de Giordani, quando ele viveu aqui, nesta estrutura do Centro Internacional do Movimento dos Focolares, onde naquela época – no primeiro andar – tinha a casa de Antonio Petrilli, e para onde Igino transferiu-se em 1974 após a morte de sua esposa Mya. Estes são detalhes inéditos que falam da fidelidade de Igino à vida comunitária e da profundidade de sua humanidade.

A quem se dirige este livro?
Alberto Lo Presti: A todos aqueles que querem resolver o mistério dos mistérios, ou seja, como ter uma vida de doação total a Deus enquanto se imerge no mundo das coisas mais comuns.

Giordani conseguiu e traçou um caminho ao longo do qual devemos nos lançar. Ele sempre perguntou-se como fazê-lo… mas quando conheceu Chiara Lubich, também encontrou as respostas. Chiara foi para Igino a resposta a todas as suas perguntas existenciais. Ele havia estudado a patrística, os teólogos medievais, os teólogos modernos, as grandes figuras espirituais, mas encontrou as respostas em Chiara e na espiritualidade da comunhão.

A este ponto gostaria de contar uma anedota pouco conhecida, uma das muitas apresentadas no livro.

O seu desejo de entregar-se a Deus era tão grande que ele se tornou um terciário dominicano no final dos anos vinte. Mas isso não era suficiente para ele… A regra dos terciários previa pelo menos uma missa por mês, um sermão de um frade pregador e nada mais. Ele queria ser mais inserido na vida religiosa. E assim ele fez uma proposta aos frades: alugar um apartamento, no qual eles poderiam estar juntos: “você com a batina (a batina dos frades) e nós com as nossas calças (os terciários leigos)”. Assim, podemos viver juntos o máximo possível”. Foi-lhe dito que isso não estava nas normas da ordem dominicana e a coisa acabou por ali. Na prática, no final dos anos vinte, Giordani tinha em seu coração algo que mais tarde se tornaria, para ele, através de Chiara, o focolare. Sim, ele estava sonhando com o focolare em 1928, quando estes episódios aconteceram. Incrível, não é?

Por Lorenzo Russo

 

Para adquirir o livro visite a página web da Editrice Città Nuova.

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