Movimento dos Focolares

1994-2014. Em memória de Klaus Hemmerle

Fev 11, 2014

Após 20 anos da morte do bispo alemão, reportamos alguns trechos de uma entrevista concedida, em 1999, por Chiara Lubich ao sacerdote Wilfried Hagemann, sobre o contributo de Hemmerle ao Movimento dos Focolares.

Chiara Lubich e o bispo Klaus Hemmerle. Sínodo dos Leigos, 1987.

«Klaus Hemmerle é uma pessoa atemporal, porque não era ele que vivia, mas era Jesus que vivia nele. Portanto, ainda hoje vejo-o como quando estava entre nós. Vejo-o como um outro Jesus, com todas as qualidades da sua personalidade bem determinadas, desde a sabedoria de um justo à sabedoria de um eleito, do empenho paterno e fraterno, decidido e comprometido por aquela porção do povo de Deus a ele confiada, à liberdade de seguir um carisma do Espírito Santo, e aquela típica, de um artista. Ele era assim».

Diante da pergunta sobre como era o seu relacionamento com o Bispo Hemmerle, Chiara Lubich descreveu-o como «Uma pessoa chamada por Deus a fundar, juntamente com o fundador de uma Obra Sua, um particular desta Obra. Portanto, é um relacionamento único que só conhece quem o experimenta, substanciado pela amizade mais rara, impregnada da caridade de Cristo». Ao ponto de defini-lo “cofundador”: «Ele ajudou-me a realizar no Movimento dos Focolares duas realidades importantíssimas: a ramificação dos  Bispos amigos, animados pela espiritualidade da unidade, e a fundação da Escola Abbà, para traduzir em doutrina a espiritualidade da unidade, que é fruto de um carisma».

«Ele possuía e irradiava muitos dons. Quando se pensa nele, mesmo revestido pela dignidade sacerdotal e episcopal, é mais fácil identificá-lo como um anjo do que como um homem, pela sublime delicadeza de alma, a liberdade de espírito, a inteligência profunda e iluminada, o humor sempre igual, o ardor, sem temor de exagerar. Quando era necessário defender ou proteger alguém, sabia fazê-lo com firmeza. Via-o, e o víamos, como um modelo pelo seu ser completamente desprendido de si mesmo e de tudo o que se referia a ele. Por exemplo, só depois da sua morte, soube dos seus talentos para a música e a pintura.

Era um modelo no seu constante empenho de amor para com cada irmão ou irmã de quem se aproximava, ou por tudo que, para ele, representava a vontade de Deus.

Era um modelo pela sua devoção ardente à Palavra de Deus, ao ponto de vivê-la, por exemplo, durante cinco anos, uma cada mês, em profundidade, para preparar-se à Escola Abbà. Tinha conhecido essa experiência do início do nosso Movimento, antes que o Espírito nos doasse intuições particulares, muito preciosas para o estudo do carisma».

Um grupo de bispos amigos dos Focolares.

Ele gostava de ser bispo?

«Uma vez, confidenciou-me que, humanamente, preferiria continuar a ser teólogo, mas, penso que tornar-se Bispo fê-lo útil à Igreja, assim como o foi para o Movimento dos Focolares, pois acrescentava ao seu sublime conhecimento, a autoridade do magistério eclesiástico, sendo para nós uma grande segurança».

Extraído de “Klaus Hemmerle, innamorato della Parola di Dio”, Wilfried Hagemann, Città Nuova Ed., Roma, 2013, pág. 288-289.

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