Movimento dos Focolares
Encontro anual dos responsáveis regionais do Movimento dos Focolares

Encontro anual dos responsáveis regionais do Movimento dos Focolares

Como de costume, o encontro iniciou com três dias de retiro espiritual, fundamentados sobre a Palavra de Deus – ponto da espiritualidade de Chiara Lubich que caracterizará a vida dos membros do Movimento dos Focolares este ano – e sobre a Nova Evangelização, em vista também do Sínodo dos Bispos, que acontecerá em 2012, de 7 a 28 de outubro. Os temas foram aprofundados à luz da Exortação Apostólica pós-sinodal “Verbum Domini”, de Bento XVI, e sobre as orientações das “Lineamenta” , documento preparatório para o Sínodo 2012. Foram apresentadas algumas meditações de Chiara Lubich, para percorrer, com ela, o caminho de descoberta da Palavra, durante a Segunda Guerra Mundial, e para ver como esta é vivida hoje no Movimento, com seus consequentes efeitos: “muda a mentalidade, faz resplandecer a vida, torna livres, dá alegria, suscita vocações, cria a comunidade”. Toda a programação contava com testemunhos sobre a vida da Palavra, em contextos muito variados, e por vezes adversos, e com momentos de partilha entre os participantes, prática que caracteriza os encontros do Movimento. Os trabalhos foram introduzidos pela atual presidente, Maria Voce, e pelo copresidente, Giancarlo Faletti, com uma exposição sobre as suas atividades no ano passado, que abordou três pontos:

  • O diálogo. Constatou-se um desenvolvimento, uma extensão e uma mudança nesse aspecto: existem pessoas não pertencentes à Igreja Católica, não cristãs, e pessoas de convicções não religiosas, que fazem parte da mesma “família” dos Focolares.
  • As perspectivas e as prioridades: a prioridade das prioridades é a vida, iluminada pela Palavra de Deus.

Nova Evangelização. Chiara Lubich falou sobre este tema em 2002, a um grupo de bispos, partindo das palavras do Papa João Paulo II, nas quais ele menciona os Movimentos como instrumentos especiais para a sua atuação. A evangelização é chamada “nova” porque assim deve ser, no seu ardor, nos seus métodos e nas suas expressões. O primeiro anúncio a ser feito é: “Deus o ama”. Essa nova evangelização deve chegar a formar comunidades cristãs maduras. De todo o Evangelho, salientar a palavra “amor”. Mas isso significa encarnar o mandamento novo de Jesus “de maneira cada vez mais autêntica e radical”. O mundo está presente. Os delegados de cada região geográfica puderam expor a situação na qual vivem os membros do Movimento dos Focolares, nas várias partes do mundo. Uma atenção especial foi dada ao Oriente Médio, com a narrativa da experiência de diálogo vivida com todos os focolarinos daqueles países, e que surgiu justamente da exigência de encontrar, juntos, um direcionamento, para enfrentar os novos desafios daquelas terras tão atribuladas, nas quais o diálogo entre as diferentes culturas às vezes parece ser impedido por muros intransponíveis.Vincenzo Buonomo, docente de Direito Internacional, apresentou um aprofundamento sobre a situação do Oriente Médio e o desenvolvimento do mundo árabe. Em seguida, o continente africano. Os focolarinos que vivem lá apresentaram a história religiosa e sócio-cultural do continente, descrevendo inclusive as etapas da difusão da espiritualidade da unidade na África subsaariana. Jovens e adultos. Característica desse encontro foi a presença dos jovens, que em vários momentos enriqueceram a programação dos delegados dos Focolares: na tarde dedicada ao Genfest (Budapeste, 31 de agosto – 2 de setembro de 2012); para a apresentação de um projeto de formação para os jovens, baseado no You Cat, e com a projeção do documentário “Juntos podemos. Nas pegadas de Carlo e Alberto”, sobre a vida de dois gen para os quais foi iniciado o processo de beatificação, juntos. Na véspera da conclusão, sábado, 8 de outubro, Maria Voce conectou-se, na internet, com milhares de pessoas, para uma saudação. Aos membros do Movimento dos Focolares, conectados no mundo inteiro, ela exprimiu um sonho: “Se cada um de nós, a partir deste momento, começa a viver a Palavra de Deus com a mesma intensidade com a qual viviam as primeiras focolarinas com Chiara, pode-se pensar, realmente, em muitas luzes que se acendem, e que, como raios luminosos, assinalam os caminhos do mundo”. E acrescentou: “Jesus, que disse, ‘eu sou a luz do mundo’, disse também ‘vós sois a luz do mundo’. Identificou-nos, portanto, perfeitamente, totalmente a Ele. Como não esperar de tudo e mais? Como não pensar que essas luzes tem a possibilidade de iluminar todos os ângulos desse porão escuro que é o mundo?”. Os votos são os de “um ano maravilhoso e totalmente luminoso”, como um eco do “testamento” espiritual de Chiara Lubich: “deixe a quem a segue somente o Evangelho”.

Espiritualidade da unidade: amor ao irmão

A aventura das jovens de Trento, reunidas com Chiara, não deixava indiferente a população da cidade, que na época não passava de alguns milhares de habitantes, nem sequer a Igreja tridentina. O comportamento dessas jovens da “casetta” na Praça dos Capuchinhos, sede do primeiro “focolare”, surpreendia grandes e pequenos. No modesto apartamento os pobres eram de casa. Até mesmo o problema social da cidade, destruída pela guerra, era um problema que essas jovens consideravam delas. Achavam até que conseguiriam resolvê-lo, simplesmente acreditando na verdade das palavras do Evangelho. Amando o irmão, um após outro. Chiara escreveu: «Entre todas as Palavras, o nosso carisma sublinhou aquelas que se referiam especificamente ao amor evangélico por cada próximo, e não só pelos pobres, quando lemos no Evangelho que Jesus disse: “Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos (e se entende a todos), que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 25,40). O nosso modo anterior de considerar e amar o próximo mudou completamente. Se de algum modo Cristo estava presente em todos, não podíamos fazer discriminações nem ter preferências. Desmoronaram todos os esquemas mentais que classificavam os homens: compatriota ou estrangeiro, velho ou jovem, bonito ou feio, antipático ou simpático, rico ou pobre. Cristo estava por trás de cada um, Cristo estava em cada um. E cada irmão era realmente “outro Cristo”, se a graça enriquecia a sua alma, ou potencialmente, se a graça nele estivesse ausente. Vivendo assim, percebemos bem cedo que o próximo era para nós o caminho para chegar a Deus. Ou melhor, o irmão era como um arco sob o qual era necessário passar para encontrar Deus. Foi o que experimentamos desde os primeiros dias. Como era grande a união com Deus na oração da noite ou no recolhimento, após tê-lo amado o dia inteiro nos irmãos! Quem nos dava aquela unção, aquela consolação interior tão nova, tão celestial, a não ser Cristo que vivia o “dai e vos será dado” (Lc 6, 38) do seu Evangelho? Nós o tínhamos amado o dia inteiro nos irmãos e agora Ele nos amava. Como nos foi útil este dom interior! Eram as primeiras experiências da vida espiritual, em contato com um Reino que não é desta Terra! Assim, no maravilhoso caminho, que o Espírito nos mostrava, o amor ao irmão foi um novo ponto fundamental da nossa espiritualidade».

Encontro anual dos responsáveis regionais do Movimento dos Focolares

Segunda-feira, você terá o cimento. Histórias de empreendedores

Germán M. Jorge

«O telefone toca; é o nosso principal concorrente na área, proprietário de um estabelecimento que produz cimento. Pergunta se podemos vender a ele uma certa quantidade de cimento porque deixou de ter crédito com os outros fornecedores.   Eles estavam passando por um momento muito difícil financeiramente, devido à dissolução da sociedade familiar, com todas as suas consequências. Eu sabia que a situação era séria e intuía que era chegado o momento que eu tanto esperara: tinha a oportunidade de mudar a história. Esse concorrente jogava duro contra mim no mercado e disse aos colegas que cometeu um ao deixar-me levantar a minha cabeça. Após sua solicitação, a conversa continuou mais ou menos assim: -Não se preocupe; na segunda-feira você terá o cimento. – Mas eu não sei se os cheques serão liberados na segunda-feira; Há dois meses não recebo salário. -Não há problema; Chame-me quando sua conta tiver saldo. -Quanto devo pagar? -Pague quanto eu pago. Você terá de me pagar esse valor. – Mas assim você não vai ganhar nada. -Não faz sentido que eu ganhe nessa venda; você nunca será meu cliente e agora você precisa de ajuda. Ele agradece e a conversa termina aí. Mas a plenitude e a felicidade sentidas naquele momento, posso garantir, valem muito mais do que o cimento vendido. Esse fato causou surpresa em meus funcionários que inicialmente não entenderam e eu tive que explicar a eles que o mais importante não foi o fato em si mesmo, mas o que isso pode gerar dentro e fora da nossa empresa. Naquele mês, atingimos o recorde de vendas bem no meio da crise, nós agora conseguimos vender cerca de 30% a mais em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa forma de se relacionar, colocando-se a serviço dos outros, reforçou a nossa reputação e nos oferece novas oportunidades de negócios todos os dias, quase sem a necessidade de ir procura-los. Eu acredito que, se as empresas descobrissem a lucratividade, mesmo económica, que os princípios da Economia de Comunhão, vividos com radicalidade, geram, não hesitariam em colocá-los em prática». de Germán M. Jorge