2 Out 2011 | Sem categoria
A verdadeira arte de amar vem toda do Evangelho de Cristo. E pô-la em prática é o primeiro e imprescindível passo a dar para se poder desencadear uma revolução pacífica, mas tão incisiva e radical, que muda todas as coisas. Ela abrange não só o âmbito espiritual, mas também o âmbito humano, renovando todas as suas expressões: cultural, filosófica, política, económica, educativa, científica, etc. É o segredo daquela revolução que permitiu aos primeiros cristãos invadir todo o mundo, que se conhecia na altura ISBN: 972-9159-80-0
96 pág •13 x 20 cm • € 7,00
http://focolares.org.pt/editora/371-arte
2 Out 2011 | Sem categoria
Viviam uma frase do Evangelho e a grande novidade, para aqueles tempos, era que Chiara e suas primeiras companheiras, para estimularem-se reciprocamente e crescerem juntas, contavam umas às outras os frutos que a vida da Palavra tinha provocado nelas. Chiara escreveu: «A guerra continuava. Cada vez que a sirene do alarme tocava, a única coisa que podíamos levar conosco aos refúgios era o pequeno livro do Evangelho. O abríamos, e embora aquelas palavras já fossem conhecidas, pelo novo carisma se iluminavam, como se uma luz se acendesse, os corações se inflamavam e nos sentíamos impulsionadas a colocá-las em prática imediatamente. Todas nos atraiam e procurávamos vivê-las, uma por uma. Por exemplo, eu lia: “Ama o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 19,19). O próximo. Onde estava o próximo? Ali, perto de nós, em todas as pessoas atingidas pela guerra, feridas, sem roupas, sem casa, famintas e sedentas. E imediatamente nos dedicávamos a elas, de muitas maneiras. O Evangelho garante: “Pedi e vos será dado” (Mt 7,7). Pedíamos o que os pobres necessitavam e cada vez recebíamos todo tipo de bens! Coisa extraordinária em tempo de guerra. Um dia, e este é um dos primeiros fatos, que sempre contamos, um pobre me pediu um par de sapatos n. 42. Sabendo que Jesus tinha se feito pobre com os pobres, dirigi ao Senhor uma oração. Estava na igreja de Santa Clara, ao lado do hospital que tinha o mesmo nome: “Dá-me um par de sapatos n. 42, para ti, naquele pobre”. Saindo de lá uma jovem me entregou um pacote, o abri e era um par de sapatos n. 42. Lemos no Evangelho: “Dai e vos será dado” (Lc 6,38). Damos, e toda vez que damos retorna. Um dia tinha só uma maçã em casa e a demos a um pobre que pediu. Na mesma manhã um parente trouxe uma dúzia. Demos aquelas também, para outras pessoas que pediam, e à tarde chegou uma mala cheia de maçãs. Assim, sempre assim. São fatos, um depois do outro, que surpreendem e encantam. A nossa alegria é grande e contagiosa. Jesus tinha prometido e cumpria a promessa. Ele não é uma realidade só do passado, mas do presente. E a constatação de que o Evangelho é verdadeiro colocava assas no caminho que estávamos iniciando. E a quem ficava curioso diante da nossa felicidade em tempos tão tristes, contávamos o que estava acontecendo, e eles percebiam que o que estavam vendo não eram só algumas jovens ou um movimento que nascia, mas encontravam Jesus vivo».
1 Out 2011 | Palavra de Vida, Sem categoria
“Segue-me.” Jesus já havia havia chamado André, Pedro, Tiago e João, às margens do lago. O mesmo convite Ele dirigiria depois, com outras palavras, a Paulo, a caminho de Damasco. Mas Jesus não se limitou àqueles chamados; no decorrer dos séculos, Ele continuou a chamar para si homens e mulheres de todos os povos e nações. E chama ainda hoje: Ele passa pela nossa vida, encontra-nos em diferentes lugares, de diferentes modos, e faz-nos ouvir novamente o seu convite a segui-lo. Jesus chama-nos a estar com Ele, porque deseja estabelecer um relacionamento pessoal; ao mesmo tempo, convida-nos a colaborar com Ele no grande projeto de uma nova humanidade. Ele não se importa com as nossas fraquezas, os nossos pecados, as nossas misérias. Ele nos ama e nos escolhe do jeito que somos. É o seu amor que nos vai transformar e dar forças para responder-lhe e a coragem para segui-lo, como aconteceu com Mateus. E, para cada um de nós, Ele tem um particular amor, projeto de vida e chamado. É algo que percebemos no coração por meio de uma inspiração do Espírito Santo, ou mediante determinadas circunstâncias, ou por um conselho ou orientação de alguém que nos quer bem… Embora se manifeste nos modos mais diferentes, a mesma palavra continua ecoando:
“Segue-me!” Lembro-me de quando também eu percebi esse chamado de Deus. Foi numa manhã gelada de inverno, em Trento, Itália. Minha mãe pediu à minha irmã caçula que fosse comprar leite, a dois quilômetros de casa. Mas fazia frio demais e ela não teve coragem. Também minha outra irmã recusou-se a ir. Então eu me adiantei: “Mamãe, eu vou!” Dizendo isso, peguei a garrafa e saí. A meio caminho, acontece um fato especial: tenho a impressão de o Céu se abrir e Deus me convidar a segui-lo. “Entregue-se inteiramente a mim”, é o que percebo no coração. Era o chamado explícito, ao qual quis responder imediatamente. Falei sobre isso com o meu confessor, que permitiu a minha doação a Deus para sempre. Era o dia 7 de dezembro de 1943. Nunca serei capaz de descrever o que se passou no meu coração, naquele dia: Eu tinha desposado Deus! E Dele eu podia esperar tudo.
“Segue-me!” Essa palavra não se refere apenas ao momento em que decidimos a nossa opção de vida. Dia após dia, Jesus continua a dirigi-la a nós. “Segue-me!”, é o que Ele nos parece sugerir diante dos mais simples deveres cotidianos; “Segue-me!”, naquela provação a ser abraçada, naquela tentação a ser superada, naquele serviço a ser executado… Como podemos responder concretamente ao seu apelo? Fazendo o que Deus quer de nós no momento presente, pois cada instante contém sempre uma graça especial. O nosso empenho para este mês, portanto, será entregar-nos à vontade de Deus com decisão; doar-nos ao irmão e à irmã que devemos amar; doar-nos ao trabalho, ao estudo, à oração, ao repouso, à atividade que temos de desempenhar. Será aprender a escutar, no profundo do coração, a voz de Deus que fala também pela voz da consciência, dispostos a sacrificar tudo para atuar aquilo que Ele deseja de nós em cada momento e que essa voz nos revelará. “Faz que te amemos, ó Deus, não só cada dia mais – porque podem ser pouquíssimos os dias que nos restam –; mas faz que te amemos em cada momento presente, com todo o coração, a alma e as forças, naquilo que é a tua vontade”. Este é o melhor sistema para seguir Jesus. Chiara Lubich
29 Set 2011 | Focolare Worldwide
Sábado, 24 de setembro, a Mariápolis Lia, a Mariápolis permanente dos Focolares na Argentina, imersa no pampa, preparou-se para receber mais de mil jovens. O primeiro ônibus com 50 jovens, que fez 12 horas de viagem, veio do Paraná (Argentina). Entre eles estava Juan Carlos, que participou desse evento pela primeira vez; foi convidado por uma amiga da universidade que simplesmente lhe disse: “É uma experiência de vida!”. Desse evento participaram outros jovens de Buenos Aires, Córdoba, Rosario, Bahía Blanca, Neuquén, Chaco, Federal, Tucumán, Salta, Assunção (Paraguai) e Montevidéu (Uruguai). As previsões para o fim de semana eram de bom tempo; a primavera acabara de chegar ao Hemisfério Sul. Almoço ao ar livre e imediatamente após a visita pela Mariápolis, organizada em pequenos grupos. Depois do jantar, jogos e karaoke no anfiteatro até depois da meia-noite. Nos bastidores, trabalharam os 80 jovens que, neste ano, estão vivendo na Mariápolis permanente. Domingo, 25 de setembro. O grande salão estava lotado. Foi o início do Festival dos Jovens 2011. Personagens com máscaras compuseram uma coreografia que não deixou indiferente quem lá estava: cerca de mil jovens. Pouco a pouco, através de diferentes expressões artísticas, revelou-se o lema escolhido para este dia: “A revolução é amar, o sim depende de você”. Poucas palavras, adequadas para não perder o fio condutor, testemunhos que mostravam como o amor – que toma a iniciativa, que não é excludente, que é concreto – revoluciona os ambientes. Como aconteceu com colegas de classe do Felipe; ou Santiago, no bairro onde procura ser útil; ou Cielo e Virginia que procuram usar o dinheiro com critério; ou Carina e seus amigos que ajudam as vítimas do terremoto no Chile. Uma peça de teatro, com cenas por vezes dramáticas e outras que evocam sorrisos, que faz percorrer o caminho de vida de muitos jovens: da indiferença e da irresponsabilidade à prática do amor para com todos.
Num vídeo passaram rapidamente histórias verdadeiras de três jovens que chegaram à meta: Marcos, que morreu em um acidente de trabalho; Juamma, que, com este estilo de vida no coração, doou-se incansavelmente aos mais necessitados e em uma viagem, durante as férias, teve um acidente em um rio. Lucia, que morreu de leucemia. Três homens jovens como todos os outros, com o desejo de viver, com muitos projetos, mas que revolucionaram suas vidas e seus ambientes com amor. Gabriel veio para essa festa, no ano passado, com muitas experiências pesadas na mochila. Esse dia para ele foi o caminho de volta. Ele retornou à sua cidade natal, Mendoza, disposto a recompor a relação com seus pais e a começar de novo. O mês de janeiro passado veio para a Mariápolis para passar um ano e hoje doou toda a experiência do caminho tortuoso percorrido e os desafios do presente, que partilhou com jovens de diferentes culturas e origens. Passaram-se mais de duas horas, mas parecem apenas alguns segundos. O parque estava cheio de grupos: os jovens tocavam violão, dançavam, brincavam com uma bola ou simplesmente conversavam. Todos aguardavam o momento para entrar no labirinto. “Tuweln”, em mapuche (língua indígena do Sul da Argentina e do Chile), significa “iniciar alguma coisa”. Foi isso que se quis exprimir com um labirinto original. Passava-se de uma sala para outra, e com fotos, frases, vídeo, percorria-se um caminho que levou a uma conclusão: “O desafio está em você”. Certamente alguma coisa ‘começou a nascer’ dentro de cada um. A palavra final ficou com Chiara Lubich que, num vídeo, falou sobre a Revolução do Amor que todos podem gerar em torno de si e da rede, interligada por todos, é a resposta a este convite: nós não estamos sozinhos, mas confiamos na força da unidade. E, depois de vivenciá-la, é difícil ir embora. O encontro prosseguiu com músicas de ritmos animados e todos cantavam e participavam. Sobre uma parede, os jovens deixavam suas impressões. Entre tantas, lê-se: “Vale a pena dar tudo pela unidade”.