28 Abr 2011 | Sem categoria

Rafael Tronquini
As suas recordações de João Paulo II nos últimos anos de sofrimento. Que testemunho o Papa deu a você naquele período?
Eu lembro especialmente do último ano. Muitas notícias nos meios de comunicação, muitas imagens do Papa que não conseguira falar direito. Mas era muito intenso o amor dele, por mim e por todos os jovens do mundo. João Paulo II foi o primeiro Papa que conheci. Em 2005 eu tinha 21 anos e o Papa, com a sua sabedoria, era como um avô para mim. E um grande companheiro de viagem! Dizia muitas coisas maravilhosas. Nos grupos de jovens da paróquia falava-se muito dele, como exemplo de uma pessoa que, nas situações de dor, continuava a amar.
Quis aderir ao seu convite, durante a JMJ de 2002 em Toronto, no Canadá, e participei da JMJ de Colônia, em 2007. Para mim foi experimentar a unidade da Igreja. Tenho uma gratidão eterna a João Paulo II, pela proposta dirigida a todos nós, jovens, para vivermos juntos aquele encontro inesquecível, e diante do seu túmulo agradeci a Deus pelo dom da sua vida. Após a JMJ entendi muitas coisas, mas principalmente decidi seguir Jesus nas alegrias e nos sofrimentos de cada dia.
O Papa procurava encontrar Deus/Jesus no seu sofrimento. O que você diria desta idéia?
Ela me recorda o caminho de Cristo, que morreu na cruz e depois ressuscitou. Se a cada dia amamos como Jesus podemos fazer esta experiência de ressurreição. Quando cheguei em casa, no Brasil, depois da JMJ na Alemanha, soube que minha avó estava muito doente. O que fazer? O que dizer? Naquele momento eu me lembrei de João Paulo II, de como ele viveu a sua experiência de sofrimento. Minha avó morreu depois de poucos dias. Para mim era uma situação nova, perder no mesmo ano João Paulo II e minha avó, duas pessoas que eu amava muito, embora de formas muito diferentes. Penso que quando se tratam de enfermidades não devemos procurar respostas sem amar. É preciso amar e encontrar Deus nos doentes, oferecer tudo a Jesus, morto na cruz por amor.
No dia que o Papa morreu minha irmã me telefonou, no trabalho, chorando. Não entendia o que ela estava dizendo, mas intuí que era uma notícia ruim. Depois ficou claro: João Paulo II faleceu. Eu também comecei a chorar, mas agradecendo a Deus pelo impulso que o Papa tinha dado à minha vida.
Vocês também têm o ideal de “Jesus abandonado”. O que isso significa para vocês?
Sim, eu vivo a espiritualidade do Movimento dos Focolares e Jesus abandonado é o nosso único tesouro. Para mim significa escolher Jesus na dor do seu abandono, no seu nada, no seu grito: “Por que me abandonaste?”. Escolher aquele momento no qual, fazendo-se nada, amou a humanidade com toda a sua alma. Então, depois do estudo, ou quando estou cansado por um dia de trabalho, recordo que devo preferir o cansaço, porque é um semblante de Jesus abandonado. Também na luta para vencer as tentações, para ser um cristão íntegro, ou nos erros que cometo, “são” Jesus abandonado. Então, nas orações da noite, sempre ofereço a Ele todos os meus sofrimentos, porque ele tomou sobre si tudo, os nossos limites, os nossos fracassos. E Ele é a unidade.
(De Corinna Muehlstedt, para a Rádio Bavarese – 18 de março de 2011)
27 Abr 2011 | Sem categoria
Já é iminente a beatificação do papa João Paulo II e, junto com toda a Igreja, nos sentimos invadidos por uma alegria imensa e por uma profunda gratidão. Alegria e gratidão pela dádiva que ela nos concede ao reconhecer a santidade deste grande papa, expressa na sua vida dedicada e consumida, até o último instante, por Deus e pelos homens. Continua a surpreender a extraordinária riqueza do seu magistério, assim como a gratidão que o seu testemunho de amor suscita em qualquer latitude, tanto em pessoas cristãs como nos fiéis de outras religiões e em pessoas que não possuem uma fé religiosa. Ele mesmo, por ocasião do 25° aniversário do seu pontificado, nos revelou a fonte de onde tudo jorrava: o segredo íntimo do relacionamento que – como sucessor de Pedro – o ligava a Jesus: «Há vinte e cinco anos experimentei de modo particular a misericórdia divina. (…) Cristo disse também a mim, como outrora dissera a Pedro (…): “Tu me amas mais do que estes” . Todos os dias se realiza, dentro do meu coração o mesmo diálogo entre Jesus e Pedro. No espírito, fixo o olhar benevolente de Cristo ressuscitado. Ele, apesar de estar consciente da minha fragilidade humana, encoraja-me a responder com confiança como Pedro: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”»[i]. Hoje, este evento da Igreja nos faz penetrar na dimensão daquele “mais”, vivido por João Paulo II dia após dia, com heroísmo. Junto com todos os outros Movimentos experimentamos o amor especial de João Paulo II ao reconhecer o papel deles na Igreja, como expressão da sua dimensão mariana. Já em 1987, falando à cúria romana, evidenciou a importância dessa dimensão: «A Igreja vive desse autêntico “perfil mariano”, dessa “dimensão mariana” (…) Maria, a Imaculada, precede todos e, obviamente, o próprio Pedro e os apóstolos (…). O vínculo entre os dois perfis da Igreja, aquele mariano e aquele petrino, é estreito, profundo e complementar, mesmo sendo o primeiro anterior tanto no projeto de Deus como no tempo; para não dizer que é mais alto e mais eminente, mais rico de indicações pessoais e comunitárias (…)[ii]». Abrindo totalmente as portas para a novidade suscitada pelo Espírito Santo, no histórico encontro dos Movimentos eclesiais e novas comunidades na vigília de Pentecostes de 1998, na Praça de São Pedro, João Paulo II reconheceu que os dois perfis «são como que co-essenciais à constituição da Igreja e concorrem, (…) para a sua vida, a sua renovação e a santificação do Povo de Deus.»[iii].
Chiara Lubich estava ligada a este grande papa não só pelos importantes eventos públicos, mas também por uma amizade pessoal e profunda: as audiências privadas, muitas vezes concedidas durante a refeição do almoço, a presença dele em muitas manifestações públicas do Movimento, as cartas pessoais e os telefonemas por ocasião de certas festividades, como «marcos na história do nosso Movimento», impeliam Chiara a se exprimir assim em 2005, por ocasião da sua morte: «Eu posso testemunhar pessoalmente a sua santidade»[iv]. «Ele vivia de tal maneira o ‘nada de si’ que por vezes nos fazia sentir, saindo das suas audiências, uma intensa união direta e unicamente com Deus. O papa nos levava a Deus, como verdadeiro mediador, que se anula quando atingiu o objetivo»[v]. «Eu fico admirada e com o espírito reconhecido diante de tanto amor e, ao mesmo tempo, grata a Deus por ter podido estar a seu lado e lhe dar uma ajuda, como filhos e “irmã”, tal como me chamou numa sua última carta»[vi]. «A história do Movimento dos Focolares – Chiara escreveu naquela ocasião – é, nestes últimos 27 anos, uma prova do “amor maior” que habitou no coração de João Paulo II. Este seu “amor maior” atraiu o nosso amor, de forma que o papa entrou no mais profundo do coração de cada membro do Movimento. Não é possível dizer, com palavras simplesmente humanas, quem ele foi para nós.»[vii] Como não recordar a visita do Papa, no dia 19 de agosto de 1984, ao Centro do Movimento em Rocca di Papa? Naquela ocasião ele reconheceu explicitamente, na experiência espiritual de Chiara, a presença de um carisma, e afirmou: «Na história da Igreja houve muitos radicalismos do amor. (…) Existe também o vosso radicalismo do amor, de Chiara, dos focolarinos. (…) O amor abre o caminho. Faço votos de que este caminho, graças a vocês, esteja cada vez mais aberto para a Igreja.»[viii] E como não recordar também algumas das suas expressões sobre nós? Durante o seu discurso no Familyfest de Roma, em 3 de maio de 1981, acrescentou, improvisando: «A espiritualidade de vocês é aberta, positiva, otimista, serena, conquistadora… Vocês conquistaram até o papa… Eu disse que desejo que vocês sejam a Igreja. Agora quero dizer que desejo que a Igreja seja vocês»[ix]. E em 1983, no dia 20 de março, durante a Jornada de Humanidade Nova: «Muitas vezes, quando estou triste, penso… “focolarinos”. E encontro uma consolação, uma grande consolação!»[x]. Durante as numerosas viagens, em cada ângulo do mundo onde se fez peregrino, ele aprendeu a reconhecer o nosso “povo focolarino”, como o chamava, recebendo – como disse um dia a Chiara – conforto e amparo. No decorrer do seu longo pontificado, muitas vezes ele nos fez sentir o seu amor especial, a profundidade do seu olhar paterno e quase a sua predileção. Recordamos com gratidão o caloroso afeto que demonstrou a Chiara e a muitos de nós em várias circunstâncias, mas também o seu papel determinante ao reconhecer o carisma especial que Deus doou à Igreja e à humanidade por meio dela. Um aspecto da especial sintonia espiritual entre Chiara e João Paulo II pode ser reconhecido no sentir e viver a Igreja como comunhão, expressão do amor de Deus por todos os homens. Daí a proposta, expressa na carta apostólica Novo millennio ineunte, feita à Igreja do terceiro milênio: viver a espiritualidade de comunhão para levar novamente Jesus ressuscitado ao coração do mundo[xi]. E assim, neste momento em que festejamos com imensa alegria a beatificação de João Paulo II, por ele e por Chiara a uma só voz nos sentimos mais uma vez fortemente interpelados a viver com plenitude a espiritualidade que Deus nos doou.
Maria Voce
[i] João Paulo II – Homilia para o 25º aniversário de pontificado – 16.10.2003; http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/2003/documents/hf_jp-ii_hom_20031016_xxv-pontificate_po.html [ii] Aos cardeais e aos prelados da cúria romana – 22.12.1987 [iii] João Paulo II – Aos Movimentos eclesiais e às novas comunidades – 30.5.1998 http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1998/may/documents/hf_jp-ii_spe_19980530_riflessioni_po.html [iv] Chiara Lubich – Un di più d’amore – Città Nuova 2005/7 pag 10 segg [v] Mariapoli n. 4-5/2005 [vi] Chiara Lubich – Un di più d’amore – cit. [vii] Chiara Lubich – Un di più d’amore – cit. [viii] Discurso de João Paulo II aos membros do Movimento dos Focolares – 19.8.1984 [ix] Discurso de João Paulo II aos casais participantes do Congresso “Sobre a família e o amor” – 3.5.1981 (expressão não citada no discurso publicado) [x] Discurso de João Paulo II aos participantes do Congresso internacional do «Movimento Humanidade Nova» – 20.3.1983 (expressão não citada no discurso publicado) [xi] Cfr Novo millennio ineunte n.43
23 Abr 2011 | Sem categoria
O cristianismo é verdadeiro porque Cristo ressuscitou.
Para que ele não se mexesse colocaram na boca do túmulo uma pedra de moinho, e ao lado da pedra um guarda. Mas o morto saiu. E a história tomou outra direção, e foi desembocar na vida eterna, ao invés de que na morte infinita.
Na boca do sepulcro vazio a Igreja exorta os chefes de Estado, reis e magistrados, a entender, estes, aos quais é difícil entender. Tanto é verdade que repetem ao infinito os mesmos erros: saem de uma ditadura e preparam outra; se recuperam da segunda terra e predispõem a terceira; estão sempre curando as chagas dos povos acrescentando outros lutos.
Na paisagem da ressurreição passeiam suaves figuras de mulheres. Nelas o amor venceu o temor, e quando os apóstolos estão camuflados em clandestinidade, elas saem para buscar o Amor, e descobrem que ressuscitou. Encontram a confirmação do Evangelho, que a religião de Jesus é um total duelo contra a morte e uma vitória sobre ela. De fato, a sua substância é o amor que não tem limites. A beleza termina, a honra tem um final, a justiça se rende às margens do direito, mas o amor não tem barreiras, ultrapassa os abismos do mal, despedaça a morte. E com os sacramentos garante uma ressurreição contínua, do mal que é substância de morte, enquanto os sacramentos são substância de vida, produtos do amor, como a redenção e como a Igreja.
Ao cristão não é consentido o desespero, não se permite abater-se aos pés da morte. Podem desmoronar as suas casas, desintegrarem-se as suas riquezas, ele volta a erguer-se e recomeça a lutar contra o ódio. O cristianismo existe até quando esta fé na ressurreição resiste.
A ressurreição de Cristo, nosso Chefe, que insere-nos nele fazendo-nos partícipes da sua vida, nos obriga a jamais desesperar-nos. Ela nos dá o segredo para reerguer-nos de cada queda, armas para a luta e forças para vencer a morte. O espírito, se inserido em Cristo, prevalece. A nossa é uma religião da vida, a única da qual a morte foi vitoriosamente – e se nós queremos, definitivamente – banida.
Hoje estamos derrubados ao chão, mas ligando-se ao espírito cristão o povo ressurgirá. Entretanto, imitando Maria que tomou o Filho e o sustentou em seus braços, a Igreja carrega no ventre a humanidade crucificada. E a prepara para a ressurreição.
A ressurreição de Cristo deve ser motivo de renascimento da nossa fé, esperança e caridade, vitória das nossas obras sobre as tendências de morte. Renascer, cada um em unidade de afetos, com o próximo; e cada povo em concórdia de obras, com os outros povos.
Santo Agostinho, tendo que sintetizar o processo da nossa ressurreição num discurso pascal, não encontrou nada melhor do que citar o apóstolo do amor, que disse: “passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos”.
Ou seja: amemo-nos entre nós para nos ajudarmos a viver. Assim ressurgiremos.
Extraído de Igino Giordani, Le Feste, SEI, Turim, 1954, pp.116-125.
20 Abr 2011 | Sem categoria
20 Abr 2011 | Focolare Worldwide
“Caríssimos argentinos,
pediram-me para saudar esta esplêndida nação: a Argentina.
Não vou desejar uma ideia minha, mas algo que está pairando no ar da história atual.
Como se sabe, existe outro modo de ver as coisas além do nosso: é aquele de quem guia a história, Deus.
De vez em quando Ele dá sinais que indicam a sua vontade: os sinais dos tempos.
Um deles no presente se chama unidade.
Apesar das guerras que existem no mundo, apesar das calamidades, das desigualdades, muitas coisas dizem que o mundo tende para a unidade.
É o que dizem no mundo civil e político os Estados, como aqueles da Europa ou da África ou da Ásia ou da América, que tendem a se unir ainda que de formas diferentes e por objetivos diferentes.
É o que dizem entidades e organismos mundiais como a ONU.
É o que diz o mundo religioso. Por isso se fala de ecumenismo, de diálogo inter-religioso, intercultural.
E é a unidade que desejo também para esta Nação. Já é uma realidade. Mas pode ser aprofundada.
Como? Vivendo o amor fraterno entre todos, entre as famílias, entre as gerações, entre as cidades, entre as províncias, no respeito de cada identidade, para transformar esta sociedade numa única e grande família.
Se assim se fizer, o Ressuscitado, que a Páscoa celebra, estará em meio a todos, porque foi o que Ele disse.
E Ele vai melhorar cada coisa em cada âmbito da vida humana.
Ele será a sorte da Argentina, a sua grande chance, o seu futuro seguro.
Felicidades para todos, grandes e pequenos!
Os meus votos de coração, sobretudo para aqueles que estão sofrendo por alguma razão”.
Chiara Lubich
(Buenos Aires, 9 de abril de 1998)