Movimento dos Focolares
Religiosas aderentes ao Movimento dos Focolares: 40 anos de história

Religiosas aderentes ao Movimento dos Focolares: 40 anos de história

«Aprofundar o conhecimento e a unidade com os seus respectivos fundadores, no clima da caridade fraterna», foi o percurso indicado por Paulo VI, na audiência pública do dia 14 de abril de 1971, chamando-as de “Religiosas aderentes ao Movimento dos Focolares”.

Desde aquele momento, todos os anos, um nutrido grupo de religiosas, de diversas congregações e membros de institutos seculares de várias nacionalidades, passaram a se reunir, dedicando a própria formação e atualização a uma comunhão sempre mais profunda entre elas, unida ao aprofundamento dos pontos da espiritualidade da unidade.

Durante a aula proferida na entrega do doutorado honoris causa em Teologia da Vida Consagrada (Roma, 2004), Chiara Lubich afirmou: «Presentes no Movimento desde os primeiros tempos, as religiosas, cujas diferentes espiritualidades se harmonizavam e resplandeciam ainda mais na fraternidade comum, deram-nos modo de contemplar as Ordens, as Congregações e as Famílias religiosas, como maravilhosos canteiros do magnífico jardim da Igreja, onde floresceram e florescem todas as virtudes».

O encontro, em Castelgandolfo, terá como tema central a Vontade de Deus. O aprofundamento teológico, espiritual e social será seguido por um rico intercâmbio de experiências de vida dos membros do Movimento, de diversas vocações. Respondendo aos desafios da sociedade atual, uma importante parte do programa será dedicada ao diálogo inter-religioso.

Para conferir ainda maior solenidade à festa, a celebração de Ação de Graças será o momento central do evento, e prosseguirá com depoimentos de testemunhas dos primeiros tempos.

Com um momento artístico especial todos serão convidados a caminhar juntos «rumo à santidade».

Religiosas aderentes ao Movimento dos Focolares: 40 anos de história

Com os jovens, em Toronto

Era visível que os jovens do Movimento estavam surpresos. Uma grande parte dos cerca de 50 jovens, que pela primeira vez tinham um contato com a espiritualidade da unidade, tinha se colocado ordenadamente em fila, para falar com Maria Voce. Dirigiram-se a ela espontaneamente, depois que tinha respondido às suas perguntas, e não por uma norma de boa educação, mas sim pelo desejo de dizer imediatamente algo de pessoal, que esta senhora de cabelos brancos – que tem a idade das suas avós – havia suscitado dentro deles.

«Obrigado por ter me doado o sentido do sofrimento», confidenciou um estudante de origem filipina. «Você explicou de um modo tão simples que posso superar o sofrimento com o amor, que disse a mim mesma : ‘posso fazer isso’», acrescentou Cheryl, cabelos louros e olhos azuis, e uma outra jovem, afro-canadense: «A vida que nos propôs é radical, mas você nos deu muita coragem». Este foi o motivo da surpresa. Alma e Len disseram: «Jamais vimos algo assim, não é realmente próprio da cultura canadense falar do próprio estado de alma».

O auditório do Colégio São José recebeu também uma centena de jovens de Vancouver, na costa do Pacífico, e de Calgary, distante quatro horas, de avião. Mas valeu a pena. O programa foi centralizado na apresentação de Chiara Luce Badano, há pouco proclamada bem-aventurada. O título não deixava saídas: «Heróis de hoje, santos de amanhã. Você aceita?». É uma proposta exigente em qualquer lugar do mundo, mas aqui no Canadá é para sacudir, porque significa ir contra tudo.

No arco de poucas dezenas de anos, a secularização reduziu a prática religiosa de 80 a 10%. Aqui uma mulher pode abortar por qualquer motivo e em qualquer momento da gravidez; em 2005 foi legalizado o matrimônio de casais do mesmo sexo; a religião e os seus símbolos cada vez mais são afastados dos locais públicos; os meios de comunicação mostram-se intolerantes para com a fé e as pessoas que creem; os direitos fundamentais da liberdade religiosa, e até da consciência, são colocados em questão pelos tribunais.

E ainda assim, diante da pergunta se é possível transformar a sociedade, Maria Voce não deu espaço a meias medidas: «Se vocês não mudam o mundo, ninguém o muda» – afirmou. «A sociedade nos leva a pensar: “se eu tivesse mais seria mais feliz”. Mas eu tenho a impressão que os jovens tem muitas coisas, mas não a felicidade, porque não descobrem que o que dá felicidade é o amor».

Suas palavras acenderam o fogo: «Hoje vocês experimentaram o amor evangélico. Agora não se contentem com menos, não voltem atrás. Não corram o risco de fechar a porta para Deus». E continuou: «Ele confia em vocês, hoje vocês experimentaram isso e devem levar aos outros. O futuro do Canadá depende de vocês. E não se sintam sozinhos, porque os jovens dos outros países são o seu suporte. Juntos é possível mudar o mundo».

O desafio tinha sido lançado. E naquela fila foram dizer, a esta mulher que antes não conheciam, que estavam de acordo. Depois um abraço ou dois beijos, e uma foto para não esquecer. E a alegria explodia nestes jovens, na hora da grande foto de grupo com Maria Voce e Giancarlo Faletti.

Do enviado Paolo Lóriga

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Religiosas aderentes ao Movimento dos Focolares: 40 anos de história

Itália. Com o calor de um povo

A fraternidade, a urgência do diálogo, a atenção aos últimos, a premência da legalidade. O terceiro aniversário da partida de Chiara Lubich para o Céu, serviu para que as comunidades do Movimento presentes na Itália enfrentassem temas candentes para o povo italiano, à luz da espiritualidade de comunhão. Em Brescia, por exemplo, decidiu-se recordar a fundadora do Movimento dos Focolares com uma mesa-redonda com o título “Chiara Lubich, uma vida pela unidade. O desafio da fraternidade”. Em Milão, o cardeal Dionigi Tettamanzi presidiu uma Santa Missa na basílica de Santo Ambrósio. E todas as principais cidades da Lombardia recordaram Chiara nesse aniversário. Também Roma homenageou Chiara, indicando os grandes caminhos que o seu carisma abriu para o diálogo. “Chiara Lubich, uma mulher em diálogo. Princípios de diálogo inter-religioso e com o mundo da cultura contemporânea” foi o título de um encontro realizado no prestigioso Palácio da Cancelaria. Tiveram a palavra duas mulheres: uma judia, Lisa Palmieri Billig, do Comitê Judeu Americano, e uma muçulmana, Sharzad Housmand, professora de estudos islâmicos na Universidade Gregoriana. Concertos, missas, apresentação de livros, encontros temáticos. E até um tour para descobrir “A Roma de Chiara”, guiado por Oreste Paliotti. Assim a capital homenageou Chiara, com um programa denso, estendido por toda a cidade. “Esta proposta, de eventos depois de três anos do falecimento de Chiara Lubich – explicam os promotores das diversas iniciativas – quer dar visibilidade à vida da comunidade do Movimento dos Focolares na cidade de Roma, que está presente capilarmente, nos ambientes mais diversos e nos vários setores e bairros da cidade”. E ainda, no centro da Itália foram muitos os eventos organizados no Abruzzo e na Sardenha. Na região do Lazio houve 18 eventos para recordar Chiara, com missas, encontros da comunidade, apresentações de livros e mesas-redondas temáticas, que se espalharam de modo capilar, até nas menores localidades da região, desde Poggio Mirteto e Tuscania até as cidades do litoral romano.

Religiosas aderentes ao Movimento dos Focolares: 40 anos de história

Maria Voce chega em Toronto

No dia 16 de março, uma alegre representação do Movimento dos Focolares acolheu Maria Voce e o copresidente Giancarlo Faletti, no aeroporto internacional de Toronto. A entrega de um elegante buque de flores brancas e amarelas e o tremular da bandeira canadense, com a típica folha de bordo vermelha, coroaram a primeira saudação.  Depois seguiram-se abraços calorosos.

Os diferentes traços somáticos indicavam que também a comunidade do Movimento é uma amostra fiel da multiétnica e multicultural sociedade canadense. Aqui vivem numerosos imigrantes, provenientes de mais de 150 países. Muitos povos, todos acolhidos por uma nação hospitaleira que, em 1976, modificou a lei que limitava o fluxo dos países não europeus.

A imane tragédia do Japão aqui é vivida com uma atenção especial, justamente porque muitos filhos do País do Sol Levante vivem aqui há muitos anos e fazem parte integrante da população. O mesmo acontece quando outros países, representados por seus emigrantes, são tristemente atingidos. Esta acolhida manifesta o autêntico modo de ser do povo canadense, com seus 34 milhões de habitantes, 90% dos quais vive concentrado na faixa que costeia a fronteira com os Estados Unidos – que tem somente 160 quilômetros – ainda que seja o maior país depois da Rússia, com 10 milhões de quilômetros quadrados.

Em relação à convivência e à integração entre povos, raças, culturas e religiões diferentes, o Canadá mostra-se inevitavelmente como um respeitável laboratório, para o qual olham muitos países, hoje investidos por consistentes fluxos migratórios, alimentados por miséria, guerra, regimes opressores.

Com quase cinco milhões de habitantes, pertencentes a mais de cem grupos étnicos, a cosmopolita cidade de Toronto é uma ótima pista de pouso, para um conhecimento inicial do Canadá. No dia seguinte à sua chegada, a presidente Maria Voce a atravessou, antes de dirigir-se para um espetáculo natural fascinante, distante somente 140 km da cidade: as cataratas do Niágara, admiradas num dia quente de sol.

«É uma nação que eu definiria serena, esta é minha primeira impressão – comentou a sucessora de Chiara Lubich, falecida em 14 de março de 2008 –. Os espaços amplos, as paisagens extensas a perder de vista, a natureza fascinante, a cordialidade das pessoas, a convivência das diversidades, fazem deste um país com um sentido enraizado de paz».

Os católicos canadenses são cerca de 13 milhões, pouco mais de 43% da população, mas existe um  processo de secularização em ato, que tende a banir a religião e todos os seus símbolos do espaço público, a produzir intolerância nos meios de comunicação e a tornar não fácil o relacionamento entre Estado e Igreja.

Neste contexto, de uma transformação radical, insere-se a presença do Movimento dos Focolares e do carisma da unidade. Em 1961, exatamente 50 anos atrás, chegaram pela primeira vez a Toronto, Silvana Veronesi, uma das primeiras companheiras de Chiara, e Giò Vernuccio, que conheceram um pequeno grupo de pessoas. Mas foi em 1964 que teve início a comunidade do Movimento, sustentada pela abertura do focolare feminino, em 1967 e, dois anos depois, do focolare masculino.

Esta a história dos primórdios, bem conhecidos pela comunidade canadense, que espera pelo encontro dos próximos dias, com Maria Voce e Giancarlo Faletti.

Do enviado Paolo Lóriga

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