Movimento dos Focolares

“Podia escutar e ver perfeitamente… com o coração”

Set 4, 2006

Mesmo com os graves defeitos auditivos e visuais, esta voluntária dos Focolares descobre como valorizar a sua deficiência à serviço dos outros

     Sou portadora de deficiências auditivas e visuais, conseqüência de uma doença que minha mãe contraiu durante a gravidez. Quando comecei a crescer percebi que era diferente dos outros. Sentia-me marginalizada e sofria muito. Eu queria participar, ajudar, mas muitas vezes as pessoas me deixavam de lado, dizendo que eu não era capaz, que nunca conseguiria. Comecei a me dedicar muito aos estudos, acreditando ser aceita desse modo. Mas ainda faltava alguma coisa, e muitas vezes, chorando, me perguntei: “Por que aconteceu tudo isso? Por que Deus desejou isso para mim?”. Aos 25 anos fui convidada a um encontro, promovido por um sacerdote, para pessoas como eu, com deficiências auditivas. Ele tinha nas mãos uma página do Evangelho, e com dificuldade procurava explicá-la, porque não conhecia a linguagem dos sinais. Então, eu me ofereci para ajudá-lo e ilustrei as palavras de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Quando o encontro terminou eu refleti sobre aquelas palavras. Eu devia começar a amar como Jesus, a perdoar como Jesus. Conheci algumas pessoas do Movimento dos Focolares e comecei a participar dos encontros com outros jovens, tentando colocar em prática o Evangelho. A pergunta que muitas vezes eu tinha feito – por que, meu Deus? – encontrou finalmente a resposta: “Para melhor amar a Deus serei um instrumento do Seu amor no mundo”. Entendi o quanto era importante ver e escutar com o coração. Na escola Agora sou professora e desde que iniciei este trabalho senti a exigência de realizar de um modo novo esta minha atividade. Trabalhava em uma escola para pessoas com deficiência auditiva, onde colaborava na introdução de um método direcionado à cultura da pessoa surda, utilizando a linguagem dos sinais com o apoio da língua portuguesa. Paralelamente, procurava adotar um outro método, baseado na “arte de amar”, para que cada aluno se sentisse uma pessoa especial. Uma vez a diretora chamou todos os professores e pediu-me que ilustrasse o meu método. Expliquei como procurava penetrar profundamente na vida dos estudantes até tornar-me uma coisa só com cada um. Os colegas ficaram tão tocados que logo muitos deles desejaram mudar o próprio método. No catecismo Anos atrás participei de uma Missa na qual vários jovens surdos recebiam o sacramento da Eucaristia. Percebi que não entendiam bem o que estavam fazendo, porque não tinham sido preparados adequadamente. Depois de ter participado de um treinamento para pessoas surdas, em um Instituo na Itália, decidi dedicar-me à catequese dos surdos, na minha paróquia. Os resultados foram imediatos: utilizei a linguagem dos sinais brasileira, focalizando as aulas sobre os textos da Missa dominical. Imediatamente fui convidada a coordenar todas as atividades desse tipo no estado do Paraná (Brasil), que compreende 16 dioceses, e comecei a encontrar periodicamente os catequistas. Sinto-me realizada e feliz porque percebo que a espiritualidade da unidade abriu, para mim, o caminho para contribuir na construção de uma humanidade renovada pelo amor. R. A. (Brasil)

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

Sementes de paz e de esperança para o Cuidado da Criação

Sementes de paz e de esperança para o Cuidado da Criação

No dia 2 de julho de 2025 foi publicada a mensagem do Santo Padre Leão XIV para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que será celebrado dia 1º de setembro. Propomos uma reflexão de Maria De Gregorio, especialista em desenvolvimento sustentável, da Fundação Ecosistemas, especializada em estratégias e ações para reduzir os riscos e os impactos ambientais.