Movimento dos Focolares

maio de 2007

Abr 30, 2007

«Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35)

Jesus está sentado à mesa com seus amigos. É a última ceia antes de partir deste mundo, o momento mais solene para transmitir sua última vontade, um verdadeiro testamento: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”1. Pelos séculos afora, será esta a característica que permitirá identificar os discípulos de Jesus, é nisto que todos os reconhecerão.
Foi assim desde o início. A primeira comunidade dos fiéis, em Jerusalém, gozava da estima e da simpatia de todo o povo justamente pela sua unidade2, a ponto de atrair, cada dia, novas pessoas que a ela se uniam3.

Também anos mais tarde Tertuliano, um dos primeiros escritores cristãos, referia o que se dizia a respeito dos cristãos: “Vede como se amam entre si e como estão prontos a dar a vida uns pelos outros”4. Era a realização das palavras de Jesus:

«Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros»

O amor recíproco é, portanto, “o hábito dos cristãos comuns, que, velhos e jovens, homens ou mulheres, casados ou não, adultos e crianças, doentes ou sadios, podem vestir para gritar, em toda parte e sempre, com a própria vida, Aquele em quem crêem, Aquele a quem querem amar”5.
Na unidade que nasce do amor mútuo entre os discípulos de Jesus de certo modo reflete-se e torna-se visível aquele Deus que Ele revelou como Amor: a Igreja é ícone da Trindade6.
Hoje, mais do que nunca, é esse o caminho para anunciar o Evangelho. Uma sociedade freqüentemente atordoada por um excesso de palavras, mais do que mestres, procura testemunhas, mais do que palavras, quer modelos. Ela tende mais facilmente a participar quando encontra um Evangelho feito vida, capaz de criar relacionamentos novos, marcados pela fraternidade e pelo amor.

«Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros»

Como podemos viver essa Palavra de Vida? Mantendo vivo entre nós o amor mútuo e formando em toda parte “células vivas”.
“Se numa cidade” – escreveu Chiara Lubich –, “nos mais diferentes pontos, se acendesse o fogo que Jesus trouxe à terra, e esse fogo, graças à boa vontade dos habitantes, resistisse ao gelo do mundo, teríamos em breve a cidade acesa de amor de Deus.
O fogo que Jesus trouxe à terra é Ele mesmo, é caridade, aquele amor que não só une a alma a Deus, mas as pessoas entre si. (…)
Duas ou mais almas, fundidas no nome de Cristo, que não só não têm medo nem vergonha de se comunicarem recíproca e explicitamente o seu desejo de amor a Deus, mas que fazem da unidade entre si em Cristo o seu ideal, são uma potência divina no mundo.
E, em cada cidade, essas pessoas podem surgir nas famílias: pai e mãe, filho e pai, nora e sogra; podem se achar nas paróquias, nas associações, nas agremiações humanas, nas escolas, nos escritórios, em toda parte.
Não é necessário que já sejam santas, porque Jesus o teria dito; basta que estejam unidas em nome de Cristo e jamais venham a faltar a essa unidade. Naturalmente, estão destinadas a ficar por pouco tempo duas ou três, porque a caridade é difusiva por si mesma e aumenta em proporções desmedidas.
Cada pequena célula, acesa por Deus num ponto qualquer da Terra, espalhar-se-á necessariamente e a Providência distribuirá essas chamas, essas almas-chamas, onde lhe aprouver, a fim de que o mundo seja restaurado em muitos lugares ao calor do amor de Deus, e recupere a esperança”7.

Aos cuidados de Fabio Ciardi e Gabriella Fallacara

1) Jo 13,34;
2) Cf. At 2,47; 4,32; 5,13;
3) Cf. At 2,47;
4) Cf. Apologético 39,7;
5) Chiara Lubich, O hábito dos cristãos. In Ideal e Luz. São Paulo: Cidade Nova, 2003, p. 126;
6) Cf. Lumen gentium, 2-4;
7) Chiara Lubich, Se numa città se ateasse fogo. In Meditações. São Paulo: Cidade Nova, 1963, p. 63. 

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