Movimento dos Focolares

Kiribati: a onda de solidariedade depois do ciclone Pam

Mar 31, 2015

Na metade de março, algumas ilhas ao sul do oceano Pacífico foram atingidas pela fúria do ciclone Pam (250km/h). Notícias de uma comunidade dos Focolares desta longínqua região do mundo, onde há tempos existe um projeto da AMU.

CyclonePamA estrada que liga a capital e o porto ao resto da ilha de Tarawa, a maior do grande arquipélago das Kiribati, na Oceania, está destruída. As barreiras que defendiam as praias das marés desmoronaram, e muitas habitações tradicionais foram levadas embora. O ciclone Pam, um dos mais violentos registrados no pacífico meridional, atingiu de modo especial as ilhas de Vanuatu, Salomão e Kiribati, com ondas altíssimas, reforçadas por ventos que atingiram 250/300 quilômetros por hora. A Cruz Vermelha local assinala que faltam acampamentos de emergência, comida e água potável para muitos dos 253 mil habitantes, e a população está evacuando as áreas mais atingidas.

«Tivemos notícias da comunidade local do Movimento dos Focolares – escreve Mary Cass, referente do projeto AMU, de Sidney. Todos estão bem e trabalhando na reconstrução e provisionamento de comida e água paras as famílias do povoado de Buota (onde o projeto está sendo atuado), que neste momento encontra-se isolado: a estrada e a ponte de ligação com o restante da ilha de Tarawa foram destruídas. Eles lembram a Palavra de Vida do mês, que convida a “tomar a própria cruz”, e esperam poder encontrar-se logo, para reforçar entre todos o espírito de unidade, neste momento tão difícil». «O tempo está voltando à normalidade – escreve um deles – as ondas voltaram a sorrir. Estamos felizes porque todos estão bem».

Mas, se o espírito e a dignidade dos moradores de Tarawa são admiráveis, a situação, de qualquer forma, é muito grave: a água potável começa a faltar porque, com a inundação, muitos poços e reservatórios foram contaminados pela água do mar, falta também comida, devido à destruição das lavouras e a interrupção dos acessos de comunicação, falta combustível, 180% das casas tradicionais foi destruído…

Além do mais, a República de Kiribati tem um grande problema de fundo: o aumento progressivo do nível do mar está retirando terras da agricultura, com efeitos negativos no trabalho e na qualidade da alimentação. Somente 10% da população tem um trabalho regular, enquanto todos os outros vivem de subempregos. Não podendo deter o avanço do mar, causado pelo superaquecimento global, o governo procura proporcionar aos habitantes uma colocação no exterior ou em outras partes do país. Prevê-se que dentro de alguns decênios todo o arquipélago estará submerso.

Kiribati_03O projeto da AMU (Ação por um Mundo Unido), Ong inspirada nos princípios do Movimento dos Focolares, tem o objetivo de melhorar as condições de vida da comunidade de Buota, um dos povoados mais pobres da ilha de Tarawa, por meio de iniciativas direcionadas às mulheres e às crianças. Está também previsto um apoio para o desenvolvimento de pequenas atividades produtivas.

«A primeira – explica Mary Cass – consiste na produção e venda de gelo, graças a um congelador; a segunda é a venda de objetos de artesanato no aeroporto de Tarawa; com a contribuição da AMU pudemos comprar também uma máquina de costura. Caminha bem a produção de pão, que é vendido nos mercados da vila e na área ao redor. O lucro dessas atividades – além de retribuir o trabalho das mulheres envolvidas – beneficia a nossa creche, “Amor e Unidade”, e permite responder a algumas necessidades alimentares das crianças e suas famílias».

Kiribati_02Como se vive numa terra sem futuro? «A vida da comunidade local dos Focolares em Buota vai adiante: os grupos da Palavra de Vida – eles contam – unem as pessoas que estão nos povoados espalhados em toda a estreita faixa de terra. O bispo de Tarawa, com a ajuda dos sacerdotes, todos os meses traduz o texto da Palavra de Vida na língua local, o gilbertês. As famílias se ajudam, reconstruindo as casas destruídas pelas calamidades naturais, e logo que conseguem ter novamente um teto sobre a cabeça, recomeçam a encontrar-se para compartilhar suas experiências. A comunidade denominou o próprio centro (onde existe uma pequena escola), “Loppiano, Centro de Amor e Unidade” – recordando o nome da primeira Mariápolis permanente dos Focolares – com o desejo de ser um exemplo de amor e de unidade para todos».

Veja também (em língua italiana):

Scheda progetto

AMU Notizie n. 1/2015.

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