Movimento dos Focolares

Coragem

Nov 1, 2026

Ideia do Mês - Novembro de 2026

Sejamos francos: no contexto histórico em que vivemos, e sendo inundados de notícias cada dia mais alarmantes, falar de coragem parece “fora de lugar”. Realmente, tudo nos leva a desanimar. Sentimo-nos encurralados entre duas frentes: uma, a falta de segurança diante de situações que nos oprimem; a outra, a expectativa de sucesso que nos condiciona.

Mas ter coragem não significa não sentir medo, dor ou impotência. Às vezes, significa simplesmente não se deixar dominar e encontrar forças para ir para a frente. E, muitas vezes, essa força nasce exatamente quando não enfrentamos sozinhos o que nos acontece.

Chiara Lubich escreve: «Se existe uma realidade misteriosa na nossa vida, essa é o sofrimento. […] Até alguém que está próximo a nós, e nos quer bem, frequentemente é incapaz de nos ajudar a superá-la; mesmo assim, às vezes nos basta que alguém se disponha a [compartilhar] a dor conosco, embora em silêncio» [1]

A palavra-chave é precisamente esta: “compartilhar”. Pois é preciso coragem também para sair de nós mesmos, aproximar-nos dos outros e não permanecer indiferentes diante do que eles vivem.

Mesmo nos momentos mais sombrios, procuremos encontrar forças para vencer o mal com o bem. Não nos fechemos em nós mesmos, mas permaneçamos abertos aos outros, cuidando deles com pequenos gestos concretos, tanto nas ações cotidianas quanto no compromisso social para construir o bem comum.

Às vezes, a coragem de uma pessoa só é possível graças a outras que, na hora da necessidade, optam por não virar as costas. Isso fica evidente na história contada por Mario Calabresi sobre seu encontro com Alì, um alfaiate muito estimado que trabalha em uma pequena loja em uma cidade do norte da Itália. «Uma vida que surpreende quem quer que deseje afastar-se das simplificações de nosso tempo. Pensem em quantos rótulos poderiam ser aplicados a Alì, reduzindoo a um número, a um entre tantos: ‘refugiado’, ‘imigrante clandestino’, ‘imigrante ilegal que chegou em um barco’, ‘requerente de asilo’…
Porque Alì já foi todas essas coisas (…). Alì conseguiu conquistar uma vida serena e normal, aquela com que seus pais sonhavam, porque encontrou pessoas que, nos momentos mais difíceis, estenderam a mão e não o deixaram afundar. Isso aconteceu quando, na floresta na fronteira com a Bulgária, uma voz lhe disse para mudar de direção para não ser atingido pelos guardas de fronteira; aconteceu quando o amigo Ahmad o puxou para o convés do barco que os levava para a Itália, para evitar que ele sufocasse”.
E continuou quando o prefeito de uma pequena cidade do sul da Itália o acolheu na casa de uma tia idosa, que tinha falecido recentemente, e quando dois professores aposentados de um vilarejo no extremo oposto da Itália, no Norte, abriram as portas de sua casa para que ele não dormisse na estação ou no parque. E quando um grupo de amigos foi seu fiador na imobiliária responsável pelo aluguel da loja” [2]. Calabresi concluye: «Su historia me dice que los demás pueden marcar la diferencia. Esos “demás” somos nosotros».

Talvez a coragem seja também isso: ir para a frente graças à mão que alguém nos estende e, quando chegar a nossa vez, ter a coragem de estendê-la aos outros.

A IDEIA DO MÊS é preparada pelo “Centro do Diálogo com pessoas de convicções não religiosas” do Movimento dos Focolares. É uma iniciativa que nasceu no Uruguai em 2014 com o intuito de compartilhar com os amigos que não creem em Deus os valores da Palavra de Vida, uma frase da Escritura que os membros do Movimento se comprometem a colocar em prática. Atualmente, A IDEIA DO MÊS é traduzida em doze idiomas e distribuída em mais de 25 países, adaptada segundo as exigências culturais dialogue4unity.focolare.org


[1]
LUBICH, Chiara. Um grito de amor. Palavra de Vida, março de 2005.

[2] Mario Calabresi, Ricucire la vita: https://mariocalabresi.com/ricucire-la-vita-2

Foto © Gustavo Fring – Pexels

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