Movimento dos Focolares

Abril 2014

Mar 30, 2014

“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.” (Jo 13,34)

“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

Jesus está para morrer, e suas palavras trazem a marca desse evento próximo. Com efeito, a sua partida iminente exige sobretudo a solução de um problema: de que modo Ele pode permanecer entre os seus para conduzir a Igreja?

Você sabe que Jesus está presente, por exemplo, nas ações sacramentais. Na Eucaristia da Missa Ele se faz presente.

Pois bem, também lá onde se vive o amor mútuo Jesus está presente. De fato, Ele disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome (e isso é possível mediante o amor mútuo) eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20).

Portanto, na comunidade cuja vida profunda é o amor mútuo, Ele pode permanecer eficazmente presente. E por meio da comunidade Ele pode continuar revelando-se ao mundo, pode continuar a sua influência no mundo.

Você não acha isso uma coisa esplêndida? Não lhe vem o desejo de viver logo esse amor junto com os cristãos que são seus próximos?

João, que cita as palavras que estamos aprofundando, vê no amor mútuo o mandamento por excelência da Igreja, cuja vocação é justamente ser comunhão, ser unidade.

“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

Jesus diz, logo em seguida: “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35).

Portanto, se você quiser descobrir o verdadeiro sinal de autenticidade dos discípulos de Cristo, se quiser conhecer o distintivo deles, então deve reconhecê-lo no amor mútuo vivido.

Os cristãos são reconhecidos por esse sinal. E, se ele faltar, o mundo não mais descobrirá Jesus na Igreja.

 “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

O amor mútuo gera a unidade. E a unidade, o que realiza?… “Que todos sejam um – diz ainda Jesus – a fim de que o mundo creia…” (Jo 17,21). A unidade, revelando a presença de Cristo, arrasta o mundo atrás Dele. Diante da unidade, do amor mútuo, o mundo acredita Nele.

“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

No mesmo discurso de despedida Jesus define este mandamento como “seu”.

É seu e, portanto, Ele o estima de modo todo especial.

Você não deve entendê-lo simplesmente como uma norma, uma regra ou um mandamento ao lado dos outros. Com ele Jesus quer revelar a você um modo de viver, quer dizer-lhe como configurar a sua existência. De fato, os primeiros cristãos faziam desse mandamento a base de suas vidas. Pedro dizia: “Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor”. (1Pd 4,8).

Antes de trabalhar, antes de estudar, antes de ir à Missa, antes de qualquer atividade, verifique se o amor mútuo reina entre você e os que vivem com você. Se isso for verdade, sobre essa base, tudo tem valor, enquanto que, sem esse fundamento, nada agrada a Deus.

“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

Jesus lhe diz ainda que esse mandamento é “novo”. “Eu vos dou um novo mandamento”.

O que significa isso? Será que esse mandamento não era conhecido?

Não. “Novo” significa: feito para os “tempos novos”.

Então, de que se trata?

Veja: Jesus morreu por nós. Portanto, nos amou até a medida extrema. Mas que tipo de amor era o seu? Certamente não era como o nosso. O seu amor era, e é, um amor “divino”. Ele disse: “Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo” (Jo 15,9). Ele nos amou, portanto, com o mesmo amor com qual Ele e o Pai se amam.

E com esse mesmo amor nós devemos nos amar mutuamente para realizar o mandamento “novo”.

Na realidade, porém, você como homem, como mulher, não possui um amor dessa natureza. Mas se alegre porque, como cristão, você o recebe. E quem é que o doa? É o Espírito Santo que o infunde no seu coração, nos corações de todos os que têm fé.

Existe, então, uma afinidade entre o Pai, o Filho e nós cristãos, graças ao único amor divino que possuímos. É esse amor que nos insere na Trindade. É esse amor que nos torna filhos de Deus.

É por esse amor que o Céu e a terra estão unidos como que por uma grande corrente. Por esse amor a comunidade cristã se insere na esfera de Deus e a realidade divina vive na terra lá onde existe o amor entre os que creem.

Você não acha que tudo isso é de uma beleza divina e que a vida cristã é extraordinariamente fascinante?

Chiara Lubich

Este comentário à Palavra de Vida foi publicado originalmente em maio de 1980.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

Congresso dedicado ao cardeal Van Thuân

Congresso dedicado ao cardeal Van Thuân

Por ocasião do 50º aniversário da edição do livro “O Caminho da Esperança”: 25 de março de 2026, em Roma, com transmissão streaming em sete línguas.

Emergência Oriente Médio: resultados e histórias de solidariedade

Emergência Oriente Médio: resultados e histórias de solidariedade

As ações realizadas entre 2024 e os primeiros meses de 2026, em Gaza, Líbano e Síria, falam de um empenho concreto em apoio às populações atingidas pela crise. Graças à coleta de fundos lançada para as situações de emergência e à contribuição de muitas pessoas, mais de 3.300 pessoas foram beneficiadas com ajudas humanitárias, assistência sanitária, além de auxílio alimentar e acolhimento.