Movimento dos Focolares

Burundi, para reconstruir a paz

Abr 6, 2016

Este país africano foi martirizado, durante mais de 12 anos, por uma guerra civil, cujas consequências se fazem sentir agora. Testemunho de um jovem burundiense e seu compromisso pessoal pela paz.

20160406-a

Foto: Shutterstock

«A minha vida foi profundamente marcada pela violência. Num contexto tão difícil, o desejo de trabalhar pela reconstrução da minha terra é uma paixão que cresce cada dia dentro de mim. Foi este desejo que me levou até à Itália, para estudar no Instituto Universitário Sophia (IUS), do qual tinha ouvido falar no meu País. A maneira como se enfrentam as dificuldades em Sophia é para mim de grande ajuda para enfrentar os conflitos do Burundi. Compreendi que não devo esperar pela conclusão dos meus estudos para dar a minha contribuição». É assim que este jovem se empenha em trabalhar pela paz. «Tenho a possibilidade de me encontrar com muitos compatriotas meus na Itália e com eles procuro expressar as minhas convicções, em espírito de fraternidade e com os instrumentos que adquiri no estudo e na vida, os quais me permitem dialogar com eles, valorizando o positivo de cada um. Esta minha atitude atraiu a atenção daqueles que têm opiniões diferentes acerca da realidade do Burundi: membros da oposição, membros do partido que está no poder e também pessoas da sociedade civil. Quando é a minha vez de intervir, não falo da minha experiência política, mas procuro exprimir aquilo que sinto dentro de mim, tendo como referência o que diz o Papa quando afirma que “a violência nunca é o caminho para a paz”». «Um dia, pus em evidência precisamente que entre nós havia representantes do governo, da oposição, da sociedade civil, do partido do poder, etc. E naquele dia estava previsto no programa que se concluísse tomando uma cerveja juntos, em sinal de reconciliação e em conformidade com a nossa cultura. Eu acrescentei que aqui, longe dos conflitos, estamos sentados uns ao lado dos outros e, mesmo discutindo apaixonadamente, cumprimentamo-nos tanto à chegada como à partida. Pelo contrário, em Bujumbura as pessoas matam-se… Então, fiz-lhes uma proposta: porque não fazermos chegar a todos este nosso testemunho? Porque não dizermos também aos nossos compatriotas que estão lá que se pode dialogar e discutir sem conflitos e sem se matarem? Nós aqui conseguimos demonstrar que o diálogo é possível, acrescentei». «Depois desta minha intervenção pensei que não seria compreendido ou que me considerariam um sonhador que vive na utopia». Pelo contrário, para sua surpresa, tomaram-no muito a sério. «Encontramo-nos ainda com cerca de vinte especialistas na situação do Burundi. Éramos representantes dos diferentes interesses em causa, e o objetivo era discutir sobre as modalidades de um diálogo inclusivo entre o governo, a oposição, a sociedade civil, os grupos armados, etc., em vista à pacificação do País. Foi uma ocasião importante para a escuta mútua, e também para expressar em conjunto e com serenidade algumas propostas a transmitir ao governo». «Pude constatar que a experiência de Sophia traz frutos que nos ultrapassam – conclui. Mais do que nunca, estou convencido de que podemos iluminar com o Evangelho as diversas situações difíceis que se vivem nos nossos Países. Espero continuar a dar o meu pequeno contributo para a construção da paz, não apenas no Burundi, mas também no mundo».

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

Sementes de paz e de esperança para o Cuidado da Criação

Sementes de paz e de esperança para o Cuidado da Criação

No dia 2 de julho de 2025 foi publicada a mensagem do Santo Padre Leão XIV para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que será celebrado dia 1º de setembro. Propomos uma reflexão de Maria De Gregorio, especialista em desenvolvimento sustentável, da Fundação Ecosistemas, especializada em estratégias e ações para reduzir os riscos e os impactos ambientais.