Tagaytay (Filipinas): “Unidos pela Paz 2015”
https://vimeo.com/131854617
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“Meu nome é Marco e tenho 35 anos. Desde 2008 eu trabalho como suplente, sou professor de religião católica. Infelizmente, por questões burocráticas, sou convocado para trabalhar de maneira muito esporádica: três dias em uma escola, passam-se alguns meses e sou convocado por uma semana em outro lugar. Depois, alguns dias em outro lugar e mais outros dias em um lugar diferente. Normalmente eu dou aulas durante dois meses em um ano. Como funcionário público eu não posso ter dois empregos e devo estar sempre disponível quando me convocam para lecionar; caso contrário – se eu recuso – outra pessoa ocupa o meu lugar. Tendo tempo a disposição, dedico-me a vários trabalhos em casa – moro com meus pais – assumo algumas atividades na paróquia, desde a formação de jovens e adultos de um oratório até a coordenação dos encontros da Palavra de Vida, uma vez por mês; trabalho voluntariamente em uma casa que cuida de idosos e faço parte da Comissão Diocesana para o Ecumenismo e para o Dialogo Inter-religioso. Essas atividades ocupam o meu tempo e me mantêm sempre ativo. Mas, quando me faltam as aulas, inicia um crescente e velado senso de incapacidade, diminuição da auto-estima e parece-me que tudo se torna, gradualmente, sempre mais difícil. Certo dia eu recebi um telefonema: um amigo sabendo da minha situação de trabalho me disse que conhecia um jovem, um estudante que necessitava de aulas particulares de latim e de grego. O meu amigo, confiando na minha propensão ao estudo, tinha certeza de que eu conseguiria muito bem assumir as aulas. De fato, desde que me formei, não abandonei completamente o estudo das línguas antigas. E mais, para compreender melhor também o Antigo Testamento, nos últimos anos eu estudava até mesmo o hebraico bíblico. Todavia, diante daquela proposta, a minha primeira reação foi de recusa. Eu dispunha de dez dias para decidir, em seguida aquele jovem procuraria outro professor particular. Quem tem familiaridade com a arte da tradução e com as línguas antigas, sabe muito bem que uma coisa é traduzir para si mesmo ou divertir-se com a tradução livre; outra coisa é ensinar a um aluno particular que necessita aprender e obter boas notas. Mas eu precisava trabalhar, mesmo se isso significava retomar as regras gramaticais da língua grega e do latim e, em dez dias, saber bem para poder ensiná-las. Por sete dias eu deveria deixar de lado todos os compromissos e passar de oito a dez horas por dia com os livros na mão. Eu devia assumir um grande risco. E assim aconteceu: comecei a estudar como um louco. Depois de alguns dias o meu amigo ofereceu-me um espaço na casa dele, dando-me inclusive as chaves da casa. Outro amigo, sabendo deste meu ‘novo trabalho’, procurou-me porque o seu filho necessitava de aulas particulares e, mais que um professor, necessitava de um preceptor: não só aulas de latim e de grego, mas, também de filosofia, literatura italiana e inglesa. Enfim, em toda a área de humanas. Aquele era um caso desesperado. Tratava-se de um jovem com muitos problemas quanto ao aspecto relacional e, em todas as disciplinas do último ano do ensino médio – no início do ano – recebera sempre um ‘reprovado. Confiando em Deus respondi afirmativamente. Atualmente ele começou a colecionar diversas notas 8,5 – 9 e retomou gosto pelo estudo. Também os relacionamentos pessoais começaram a melhorar. Recentemente eu cumpri um mês inteiro de suplência, continuei com as aulas particulares durante a tarde e retomei todas as atividades de antes”.
Olhando a composição do público, no auditório do Centro Chiara Lubich, em Trento, poderíamos ficar surpresos por uma certa bizarra homogeneidade: 250 jovens, dos 16 aos 30 anos, provenientes de mais de 20 nações, 70 sacerdotes e seminaristas, e cerca 20 adultos que se empenham em viver a espiritualidade dos Focolares no contexto paroquial e diocesano. Qual a ideia de fundo para este encontro do início de agosto, em Trento? O que liga tantas realidades culturais tão diferentes? A primeira resposta encontramos já no título do encontro, “Hoje como ontem”. E a segunda na própria cidade de Trento. Esses jovens, adultos e sacerdotes reúnem-se para refletir sobre o primeiro núcleo gerador do carisma espiritual deles, e para percorrer (inclusive fisicamente) o caminho que, a partir de 1943, inspirou o Movimento dos Focolares. «Começamos o encontro num clima de alegria explosiva – contam Ludovico e Eleonora . O programa deseja ser uma imersão na vida dos primeiros tempos, com o radicalismo da vivência da Palavra».
Na programação alternaram-se assuntos temáticos e passeios aos locais onde os Focolares deram os primeiros passos: Praça dos Capuchinhos, Fiera di Primiero, Tonadico, Gocia d’Oro… «Durante a Missa, na Igreja dos Capuchinhos – escreve Zbyszek – nós declaramos estar prontos, com a graça de Deus, a dar a vida uns pelos outros, começando pelas pequenas coisas do cotidiano. Naquele lugar, onde Deus selou o pacto de unidade entre Chiara e Foco (Igino Giordani), nós quisemos também renovar o amor recíproco, que queremos viver, “hoje como ontem”». Houve ainda a possibilidade de um enriquecimento por meio das palestras de especialistas em comunicação, no diálogo inter-religioso, e em cooperação e desenvolvimento, com a AMU (Ação Mundo Unido). Com a contribuição deles refletimos sobre os desafios da nossa sociedade multiétnica e multirreligiosa. Um amplo espaço foi dado ao aprofundamento do tema da imigração e da acolhida, com a preciosa colaboração do “Projeto Cinformi”, que apresentou o modelo de acolhida aplicado na cidade de Trento, inclusive com oficinas práticas, realizadas em duas visitas aos campos de acolhida. Momentos inesquecíveis de encontro com cerca de cem refugiados à espera de um futuro.
Alguns deles vieram encontrar-nos. Rita contou: «Fiquei muito tocada com Lamin, um jovem muçulmano de Gana, que escreveu uma poesia para sua mãe e quis lê-la para todos. Uma poesia cheia de saudade, mas também de esperança. Os olhos dessas pessoas dizem tudo, não podem ser esquecidos». O encontro concluiu-se com duas metas, uma imediata e outra a longo prazo: o encontro marcado na Jornada Mundial da Juventude, que ano que vem será em Cracóvia (Polônia); e a unidade do mundo como objetivo – segundo a oração de Jesus, “que todos sejam um” – pela qual, estamos convencidos, vale a pena dar a vida. «Saímos com o compromisso de ser “Palavra viva” – escrevem Danilo e Emanuele – e de levar esta “água pura da fonte” às nossas cidades, na vida cotidiana das nossas periferias, doando-nos a cada próximo que passará ao nosso lado».
«Um encontro de coração com coração», foi assim que a definiu uma pessoa que participou pela primeira vez na Mariápolis de Astorga, uma das muitas manifestações dos Focolares que se realizaram em toda a Europa e em muitos outros pontos. O evento, de 2 a 6 de agosto, invadiu pacificamente a cidade com 800 pessoas de várias partes da Espanha e também da França, da Itália, da Alemanha e do Brasil. Na saída da visita aos monumentos e museus típicos, ou no fim da missa que se celebrava na histórica catedral gótica, ou ainda nas noites em que se organizavam concertos de gêneros musicais sempre diferentes, as estradas e as praças da cidade estavam lotadas de pessoas. E os habitantes de Astorga, observando o seu modo típico de se relacionarem inspirado na fraternidade, curiosos respondiam aos cumprimentos. Uma senhora parou uma jovem que passeava pela estrada para agradecer pela presença deste grupo tão alegre na cidade. O programa foi muito apreciado, pelo equilíbrio entre os momentos de reflexão e de espiritualidade e os espaços dedicados para o diálogo, para os testemunhos e para as atividades lúdicas. Um mix que contribuiu para os objetivos da Mariápolis: facilitar o encontro consigo mesmo, com Deus e com os outros. «Não foi um crescimento – observou um dos participantes –, não houve um início a um certo nível e depois uma progressão em intensidade e qualidade. Cada dia foi pleno, completo; cada dia foi de um grande valor». Entre as várias atividades específicas para os adolescentes e as crianças, realizou-se uma caminhada pela cidade, com etapas em algumas ruas e praças onde foram realizadas muitas dinâmicas desportivas e lúdicas. A Mariápolis de Astorga esteve presente também no Facebook, um espaço virtual de encontro tanto para os próprios participantes como para as pessoas que não puderam estar presentes. Foram muitas as contribuições por meio de comentários e fotos, aos quais ainda se pode aceder por meio de cluster. Alguns comentários: «Foi a minha primeira Mariápolis – escreveu Cati. Foram dias de fraternidade, de amor e de unidade. Juntamente com a minha família agradeço a todos aqueles que tornaram este encontro possível»; «Estou em viagem de volta para Toledo – escreveu Paco –, e aproveito para agradecer a todos por estes dias. Posso dizer que foi uma Mariápolis cheia de graças divinas».
Na perspectiva de atuar o espírito da Mariápolis na vida quotidiana, foi proposto o projeto «Todos somos mediterrâneos», para sensibilizar os cidadãos europeus para o drama da imigração que atinge todo o mar Mediterrâneo, desde os seus confins do sul, dos países em guerra ou desfavorecidos economicamente, em busca de melhores condições de vida. Este projeto, em sintonia com o tema da Mariápolis «Estradas que se encontram», materializa-se numa coleta de assinaturas para pedir à União Europeia uma significativa mudança da política migratória. No último dia, na avaliação do programa realizado, os participantes declararam-se unanimemente satisfeitos, especialmente em relação ao acolhimento que cada um experimentou desde o primeiro momento. A cidade de Astorga, pelas suas dimensões humanas e pelo seu clima moderado, reúne muitas características que facilitaram as possibilidades de encontro. Neste sentido, «o Movimento dos Focolares – escrevem os organizadores – agradece particularmente ao Bispado e à Administração municipal pela especial colaboração».
Os bispos católicos cubanos. Recordando as visitas dos predecessores do Papa Francisco “que chegará como missionário da misericórdia”, e traçando uma continuidade espiritual entre as três visitas, a Conferência dos bispos católicos, em uma mensagem, dirige-se “aos filhos da Igreja Católica, aos irmãos de outras confissões religiosas, e a todo o nosso povo”. Menciona-se a recente Carta Pastoral do Papa, em preparação ao Ano da Misericórdia que se abrirá no próximo dia 8 de dezembro. E os bispos exortam todos a prepararem-se à vinda do Papa fazendo “gestos de misericórdia na ação cotidiana, como visitar os doentes, compartilhar o que temos, perdoar e pedir perdão, consolar quem está triste, amar os outros mais e melhor. Esperamos – continuam – que estes dias, e sempre, as nossas casas sejam lugar de paz e de acolhida para todos os que estão buscando misericórdia!”. E convidam a “tomar iniciativas que predisponham os corações dos cubanos a escutar e acolher a mensagem de esperança e misericórdia que o Papa Francisco nos trará”. Um sinal positivo, que certamente não poderá passar despercebido, é a publicação integral desse documento, no dia 17 de julho, no “Granma”, principal jornal cubano e periódico oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. Um gesto semelhante não ocorria há mais de 50 anos. A contribuição do Movimento dos Focolares.
Os membros dos Focolares, nas várias comunidades espalhadas pela Ilha, procuram dar – junto com a Igreja – a sua específica contribuição, orientada especialmente à formação das pessoas aos valores da fraternidade, contra a “cultura do descarte”, privilegiando os mais necessitados, promovendo a unidade na diversidade e propondo o diálogo como método indispensável para uma convivência pacífica, num país multicultural. A mensagem dos bispos católicos aos cubanos conclui-se com a oração à “Virgem da Caridade, Mãe de Cuba, Aquela que invocamos também como Rainha e Mãe de Misericórdia”, a fim de que “tenha cuidados maternos sobre esta visita tão esperada; Ela que acompanhou o nosso povo nas horas boas e más, obtenha do céu uma grande benção para Cuba e os seus filhos, em qualquer lugar se encontrem, seja quais forem seus pensamentos e crenças”. Do enviado, Gustavo Clariá ____________________________ [1] Dennys Castellano Mogena y Sergio L. Fontanella Monterrey, Sin pecado concebidas, La Caridad del Cobre en las artes visuales cubanas. Editorial UH, 2014, La Habana, pag. 66. (tradução do autor)

Federico com seu pai
Agora que sabe escrever cresce a sua autoestima, até publicar um livro, “Aquilo que eu nunca disse” (Edizioni San Paolo), onde pela primeira vez é possível conhecer a visão de um jovem que explica, com observações raras e preciosas, a sua própria síndrome. Assim ele sai do seu isolamento, experimenta finalmente a alegria de compartilhar suas emoções. Conclui os estudos com sucesso até o final do ensino médio. Ainda hoje Federico não diz quase nada. «Garanto a vocês – escreve – que sou quase incapaz de falar verbalmente, eu me exprimo com palavras soltas, só raramente com pequenas frases. Sei escrever, à mão, só letras de forma muito grandes e incertas». É graças ao computador que, pela primeira vez, joga com um amigo, se apresenta aos seus colegas no primeiro ano do ensino médio e, anos depois, participa “ativamente” das reuniões do grupo da crisma. «Aos poucos – ele conta – o meu notebook tornou-se um companheiro inseparável. Com o meu pc e com o suporte de uma pessoa preparada para ajudar-me, posso realmente dizer o que penso em cada situação». Hoje Federico estuda percussão, tem muitos amigos, ajuda pessoas que convivem com o autismo na família dando conselhos para a vida cotidiana, e tem muitos projetos para o futuro. «Agora a minha vida encontrou o seu curso», escreve, «graças aos curadores que ensinaram-me o método, aos meus pais que com entusiasmo lançaram-se nesta aventura. Hoje estou feliz com a minha vida e, em grande parte, o mérito é deles». E não pensa só em si: «Quantos autistas, mentalmente perdidos, poderiam ser outros Federico se recebessem um diagnóstico precoce, se tivessem um bom suporte na idade do desenvolvimento e se fossem muito amados?». E este é o seu sonho, quando adulto: «Irei pelo mundo afora para ver mulheres grávidas e entender se os filhos delas saberão falar, e curar o autismo. Eu brincarei com os seus filhos, para ajudá-los a crescer e a aprender a falar. Quando uma criança precisar de mim eu estarei lá para ajudá-la». Fonte: Città Nuova online