Movimento dos Focolares
União Europeia, Bruxelas: “Viver juntos e aceitar as diversidades”

União Europeia, Bruxelas: “Viver juntos e aceitar as diversidades”

European_Commission_ReligionsA reunião com os líderes religiosos acontecerá no próximo dia 16 de junho no Palácio Berlaymont de Bruxelas (Bélgica), sede da Comissão Europeia. Reuniões de alto nível e debates de caráter operativo acontecem regularmente entre órgãos da UE e igrejas, religiões, organizações filosóficas e não confessionais, como está previsto no artigo 17 do tratado de Lisboa. Os resultados do debate com os líderes religiosos contribuirão na preparação do primeiro Congresso Anual sobre Direitos Fundamentais da União Europeia, que acontecerá em Bruxelas nos dias 1 e 2 de outubro de 2015, com o tema “Tolerância e respeito: prevenir e combater o ódio antissemita e antimuçulmano na Europa”.

Frans Timmermans

Frans Timmermans, primeiro vice-presidente da Comissão

A temática escolhida para o confronto, “Viver juntos e aceitar as diversidades”, salienta – como declarou o primeiro vice-presidente da Comissão, Frans Timmermans – que “nas nossas heterogêneas sociedades europeias, o diálogo é essencial para criar uma comunidade na qual cada um possa sentir-se em casa. Viver juntos significa conseguir aceitar as diferenças, inclusive quando existe um profundo desacordo”. Entre os convidados – cerca de 15 líderes religiosos – pela Igreja Católica participarão o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e presidente da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE), e Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares. Outros participantes serão o reverendo Christopher Hill, presidente da Conference of European Churches (CEC); o metropolita Emmanuel, do Patriarcado Ecumênico; o arcebispo Antje Jackelén, primaz da Igreja Luterana da Suécia; o rabino chefe da Bélgica, Albert Guigui; o imã Khalid Hajji, secretário geral do Conseil Européen des Ouléma Marocains. O desenvolvimento do espírito comunitário por meio do diálogo é um dos objetivos da Comissão, que, no âmbito do programa “Europa para os cidadãos” 2014-2020, destinou 185,5 milhões de euros para financiar projetos destinados à sensibilização a valores como a tolerância e o respeito recíproco, e a criar uma melhor compreensão intercultural e inter-religiosa entre os cidadãos. Respondendo ao convite, a presidente dos Focolares, Maria Voce, destacou como o compromisso prioritário do Movimento por ela representado, e em colaboração com outros Movimentos, seja “construir pontes através de um diálogo respeitoso, em todos os níveis, para contribuir para uma convivência de paz e fraternidade entre pessoas de diferentes credos e das mais diversas proveniências étnicas e sociais”. Comunicado de imprensa

Na estrada, em direção a Compostela

«O sol é forte, mas temos que chegar à próxima aldeia. Hoje percorremos uma parte da estrada com Grey da África do Sul, um jovem apresentador de televisão. É uma surpresa para nós encontrar gente do mundo inteiro no caminho em direção a Compostela: da Coreia, Japão, China, Estados Unidos, BrasilCanadá e, naturalmente, de toda a Europa. Há 30 anos passavam por Roncisvalle apenas 100 pessoas por ano. Hoje são 65 mil. Este caminho parece que responde a uma exigência do homem de hoje. As razões para fazer o percurso são muitas e é interessante partilhá-las. Peter, alemão, 35 anos, gerente de um hotel nos arredores de Mônaco senta-se na nossa mesa. Durante dois anos não conseguiu ter uns dias de férias, e depois a namorada deixou-o. Quer ter um tempo para refletir sobre a própria vida. Paul e Celine do Cánada fazem o caminho para agradecer. Tracy da Austrália segue um sonho: quer ter uma grande história para contar aos filhos e aos netos. Antonella confessa que não sabe chorar, quer conhecer-se melhor e encontrar a própria liberdade. Começamos “El Camino” há 19 dias. Bernard e Jean-Paul, da Bélgica, e Ivo, do Brasil, que no início estava um pouco assustado com a ideia de caminhar 740 km. Parecia demais. Caminhando dá-se conta de que as pernas e os pés estão bem, e há cada dia toma mais coragem. Jean-Paul, médico e casado, aposentado há um mês, para muitas vezes e explica-nos sobre as plantas ao longo do caminho. Faz-nos sentir o perfume da natureza rica de variedade. Ficamos surpresos pela beleza das flores, das igrejas, como em Burgos e em Leon, mas também nas pequenas aldeias. Frequentemente, paramos para olhar o panorama a 360 graus. De manhã fazemos um acordo entre nós, de ajudarmos nos momentos difíceis. O caminho coloca-nos diante dos nossos limites: dor, cansaço, sede, fome … e facilmente pode-se esquecer do próximo. Ivo dá muita vitalidade ao nosso pequeno grupo e outras pessoas ficam contentes de fazer alguns quilômetros conosco. Surgem perguntas, alegrias e também dificuldades. Uma noite um sacerdote conta-nos o significado de Compostela: campo de estrela. Também nós devemos seguir a nossa estrela e ser estrela, luz, uns para os outros. Cada dia tocamos muitos corações, mas também os outros tocam-nos. Procuramos abrir a porta a Deus, porque temos a impressão que Ele esteja presente entre nós, através do amor evangélico. Dividimos o jantar com outros e rezamos juntos. Nicole da Austrália fica feliz por encontrar pessoas que querem recitar a oração do Rosário com ela. Responde em latim, Jean-Paul em francês e nós em italiano. Depois Nicole começa a cantar em tagalo (língua Filipina) e Ivo em português. Ela conta a sua história pessoal: está para entrar numa comunidade religiosa. Uma outra vez, Doriano, agente da polícia aposentado, segue-nos a 10 metros. Diz-nos que rezou junto conosco. É uma experiência nova na sua vida. Algumas religiosas de clausura rezam por nós e por todos os peregrinos, é a vocação delas. Muitas pessoas perguntam porque falamos italiano. Contamos a nossa história, a história de Chiara Lubich e do Movimento dos Focolares. Falamos aos outros do Evangelho, da vocação, do caminho da vida. “El camino” é uma experiência diferente para cada um. Estamos curiosos para saber o que acontecerá quando chegarmos aos pés de Santiago em Compostela. Será uma surpresa, como será também quando nos encontraremos no fim do caminho da vida. Será uma alegria tê-lo percorrido, ter encontrado muitas pessoas que levamos no nosso coração. Despedimo-nos com o ‘buen camino’. Quem sabe quando nos reencontraremos». Bernard, Jean-Paul, Ivo

Instituto Universitário Sophia (Loppiano): Summer School “Mapas do futuro”

Como compreender os sinais do futuro que estão escondidos no hoje? Pode-se viver só no presente, mesmo assim o presente é e deve permanecer o lugar onde constrói-se o futuro. Esta exigência encontrou nos séculos a confirmação de homens e mulheres de todos as culturas. Suas vozes elevaram-se para declarar o cansaço insustentável do presente no momento em que não é mais possível olhar para mais longe. A Summer School, internacional e interdisciplinar, quer ser um lugar para “pensar o futuro”, as suas condições de atuação e a responsabilidade pessoal. Inspirada numa cultura que floresce ao redor do valor da pessoa e das suas relações, o curso proporá algumas pistas de pesquisa para dar sentido e conteúdo ao futuro do qual grande parte da cultura moderna parece estar privado, a partir de algumas questões centrais postas pelas disciplinas econômicas, políticas e por outras ciências sociais, até a compreensão dos passos que nos esperam. Mais informazioni: Summer School 2015 “Mapas do futuro”

“Não” ao jogo de azar

“Não” ao jogo de azar

20150611-03Mil assinaturas recolhidas em poucos dias com o lema “A união faz a força”, e a coleta continua. Mas, do que se trata? Em abril de 2015 o Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI) lançou um projeto para adolescentes e jovens italianos residentes em áreas pobres, com o titulo “Grandes vencedores”. Uma notícia apresentada em grande estilo que causa uma forte impressão. O projeto é financiado por Lottomatica, o principal agente italiano para as loterias e as apostas que, graças ao jogo de azar legalizado, administra uma movimentação de negócios de milhões de Euro. Na verdade,  com custos sociais elevadíssimos,o jogo de azar cria situações de dependência e de desespero, incrementa a usura, reforça a economia ilegal, atingindo especialmente as pessoas das periferias, as mesmas pessoas que serão ajudadas pelo projeto “Grandes vencedores”. A situação é paradoxal, dolorosa, cria uma chaga no tecido social e esta deve ser curada. O Movimento dos Focolares na Itália deu-se conta desta situação, bem como muitas outras associações que, em todo o país, lutam pela transparência, pela legalidade e pela justiça social. Existe uma mobilização via e-mail, telefonemas, debates. A fraternidade universal é construída também desta forma: unindo-nos e solicitando ao CONI a anulação da parceria com a Lottomatica. Os Focolares na Itália, por meio do Movimento Humanidade Nova, lançou uma petição online, para solicitar ao governo e ao parlamento italiano a intervenção deles para que se afirme no país uma autêntica cultura do esporte e um empenho concreto para o crescimento dos jovens: uma aposta na qual se arrisca tudo, consciente da proporção das forças (como Davi e Golias), mas, convictos de que é importante dar um sinal contrário à tendência. Para maiores informações sobre o projeto Stop Progetto Coni Lottomatica “Vincere da Grandi”; visite o site de Humanidade Nova: http://www.umanitanuova.org/it/biblioteca/stampa-online/1584-no-all-accordo-coni-lottomatica.html

Famílias: O contágio da solidariedade

Famílias: O contágio da solidariedade

20150608-03“No ano passado, uma menina de quase dois anos de idade, a quem eu quero muito bem, correu um grave risco de vida. Eu pensei que, porque havia nascido na Itália, recebera prontamente todos os tratamentos médicos e cirurgias, mas, se tivesse nascido em outro país com menos recursos, o que teria acontecido? E qual mérito ela tem para ter este privilégio? E as outras crianças não têm os mesmos direitos?”. Pensando assim Gabriela entrou em ação, organizando uma iniciativa para recolher fundos e para suscitar a sensibilidade em relação à infância desfavorecida, pedindo ao prefeito uma sede na praça principal da sua cidade, Marcignago di Pavia (norte da Itália), propagou a iniciativa também na sua paróquia, na diocese e na imprensa local. “Que resultados eu alcançarei, não tenho ideia – afirma – mas sei o motivo e para quem estou tomando esta iniciativa e isso é suficiente para esperar o máximo!”. Este é um dos muitos testemunhos de pessoas que apoiam e que se empenharam pela campanha #objetivo15mil de AFN onlus, inaugurada no dia 24 de maio, em Roma, na sede de Città dell’Altra Economia. O objetivo – explica Andrea Turati, presidente da Associação – “é dar visibilidade ao que já fazemos por meio de programas que garantem alimento, assistência médica e instrução a 15 mil crianças, beneficiadas por uma centena de projetos em andamento em 50 países e incrementar o nosso empenho, contagiando muitas pessoas com o vírus da solidariedade”. As iniciativas de solidariedade se multiplicaram em muitas cidades italianas e em alguns projetos sociais em andamento no mundo inteiro que, por meio de conexões, apresentaram as próprias atividades: centros com ambulatórios, creches, escolas de ensino fundamental e atividades extraescolares, nas quais são oferecidas às crianças e adolescentes uma adequada alimentação, cursos escolares, aulas de reforço e de orientação profissional, consultas e tratamentos médicos. Esses programas se inserem em ações mais amplas, com a colaboração de parcerias nacionais e internacionais, a favor de famílias e inteiras comunidades, para alcançar a autonomia e o bem-estar global das crianças. “Também nós queremos contribuir com a solidariedade”, nos disse Youn Vera que, graças ao apoio à distância, frequenta a escola fundamental no Colégio Gue Pascal, em Man, Costa do Marfim. “Para ajudar quatro colegas de classe, doentes e necessitados de tratamento, tivemos a idéia de fazer e cuidar de uma horta, com verduras e espinafre.” “A ajuda à distância é uma ação que faz bem, primeiramente a nós mesmos, e não somente a quem a recebe, porque nos faz crescer, nos coloca em contato com pessoas e culturas diferentes, ajuda a redescobrir o valor da sobriedade e cria a comunidade”, afirmou Vincenzo Curatola, presidente do FórumSad, que reúne uma centena de associações em todo o território italiano. Cita-se como exemplo Guido e Azzurra que, junto a outros adolescentes de alguns bairros romanos, explicam como há quase dois anos fundaram uma associação com a qual desenvolvem várias atividades em favor dos outros. “A experiência mais forte, vivemos nas Filipinas, para responder com AFNonlus a emergência logo após o tufão Hayan. Hóspedes dos Focolares, nos inserimos em uma situação que estamos habituados a ver somente pela televisão e que são distantes. Viver tais situações, cotidianamente, transformou o nosso modo de pensar. Além disso, decidimos nos empenhar, a longo prazo, na ajuda à distância a uma menina que usa cadeira de rodas: Princess, com aquele sorriso, nos parece uma estrela brilhante!”. Giusy, que mora nas proximidades de Pisa, nos contou que um pequeno grupo de Famílias Novas, dos Focolares, aos poucos, envolveu toda a sua cidade, a administração municipal e cerca 300 famílias. “A iniciativa começou junto a um colega de trabalho, há 20 anos – nos conta Massimo Grossi, da RCS Corriere della Sera – e envolveu mais de 250 jornalistas e polígrafos. Reunindo muitas pequenas cotas, conseguimos atingir o suficiente para 50 ajudas à distância, para crianças na Ásia e na África: muitas pequenas contribuições reunidas, esta é a nossa iniciativa e a nossa força.”

Dom Romero é Beato

Dom Romero é Beato

esteri-150523085402“Uma celebração como essa só foi vista por ocasião da visita de João Paulo II (1983)”, escreve Filippo Casabianca, de El Salvador, um país de seis milhões de habitantes numa superfície de apenas 21.000 km2, que teve entre seus filhos este bispo, reconhecido amplamente como uma das mais significativas figuras eclesiais do continente americano. A causa havia sido aberta pelo bispo Rivera y Damas, seu sucessor na direção da diocese, no décimo aniversário de sua morte, acontecida em 24 de março de 1980. Foi precisamente naquele ano que chegaram a El Salvador Marita Sartori e Carlo Casabeltrame, para visitar três frades franciscanos que haviam começado a difundir o ideal da unidade. Naquela década trágica, que começou com o assassinato de D. Romero e culminou com o de sete jesuítas, o Movimento dos Focolares difundiu-se com um ímpeto formidável em várias partes do país, num cenário de guerra entre militares e guerrilheiros, até a abertura do focolare feminino, em 1989, apesar do perigo para as focolarinas estrangeiras que faziam parte dele. Desde então o país viveu um processo que o conduziu à assinatura de um tratado de paz, em 1992, e depois iniciou um caminho democrático com certa estabilidade política, porém privo da reconciliação tão desejada, motivo pelo qual hoje evidencia-se uma polarização destrutiva. Acrescenta-se a isso o flagelo da insegurança causada pela proliferação de organizações criminais juvenis (“maras”) e da pobreza de grandes faixas da população. As comunidades dos Focolares estão comprometidas em muitas iniciativas de apoio à famílias carentes, através dos programa de Ação por Famílias Novas e AMU, que permitiram que centenas de jovens prosseguissem os estudos, apoiaram o nascimento de centros educacionais para crianças pobres e ações em um bairro de risco, a fim de criar espaços de integração social. Com a beatificação de D. Romero formou-se uma consciência de oportunidade histórica na população. A sua mensagem foi percebida como um remédio que pode ajudar a revolver as visões contrapostas, curar os corações endurecidos pelo ressentimento e fornecer o algo a mais necessário à iniciativa da reconciliação. “É um desafio – assim define Maribel – que começa seguindo o exemplo de D. Romero, que para mim continua na ajuda aos meus alunos, cultivando a paz e a justiça em seus corações”. E para Amaris “a festa deve dar lugar à reconciliação que consiste em perdoar e pedir perdão, para curar feridas que ainda estão abertas”. Na comunidade dos Focolares o empenho pela unidade e a reconciliação sempre esteve presente, mas agora adquire as vestes de um mandato, à luz do testemunho heroico de D. Romero, “que soube chorar com quem chora – observa Flora Blandon – e alegrar-se com quem tinha um motivo. A beatificação é um reconhecimento pela sua vida enraizada no amor”. Na mensagem ao atual arcebispo de San Salvador, D. Josè Luiz Escobar Alas, o Papa define Romero como “um dos melhores filhos da Igreja”, atribuindo a ele os traços típicos do Bom Pastor, tão amados por ele. “Porque (Deus) concedeu ao bispo mártir a capacidade de ver e escutar o sofrimento do seu povo e modelar o seu coração a fim de que, em seu nome, o orientasse e iluminasse”. O Papa Francisco reconhece, além disso, a sua exemplaridade, e convida a encontrar, na pessoa de Romero, “força e coragem para construir o Reino de Deus e comprometer-se na busca de uma ordem social mais équa e digna”.