Movimento dos Focolares
Lionello Bonfanti, o direito em busca da Justiça

Lionello Bonfanti, o direito em busca da Justiça

20141204-03Eu não conhecia Lionello Bonfanti. Hoje eu não só fiquei admirado com a vida dele; mas, estou profundamente comovido”. Esta é uma das muitas declarações recolhidas na conclusão do Simpósio “Direito em busca da justiça. O método de Lionello Bonfanti”. Foi uma tarde muito intensa de debates, realizada no dia 28 de novembro, em Parma, na sede da União Parmense das Indústrias. O evento foi organizado por Comunhão e Direito, seção do Movimento dos Focolares que tem por objetivo buscar e difundir, no campo do direito, a centralidade da pessoa, a sua plena dignidade, a sua capacidade relacional e a sua abertura à transcendência, como sujeito idôneo a doar ao mundo um semblante que seja mais conforme as aspirações de cada pessoa e dos povos.

Um evento sobre direito e justiça “dirigidos – como explicou a professora Adriana Cosseddu – a uma base comum, na qual a justiça, guardiã das relações, supera a base da prática legal para tornar-se partilha e capacidade de identificar-se com toda situação de dificuldade e de sofrimento. Existe uma valência universal porque é uma possibilidade, oferecida a todos, de reconstruir em uma lógica de gratuidade, uma infinidade de relações, para quase proteger – usando as palavras da filósofa Arendt – a capacidade de estabelecer relações com os outros e, especialmente, de colocar-se no lugar do outro”.

A metodologia da correta relação entre direito e justiça foi traçada exatamente por Lionello Bonfanti, que era juiz: “Realmente – assim expressou-se Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, em uma mensagem endereçada a todos os participantes – da sua vida emerge o fato de que a busca pela justiça vai muito mais além da simples aplicação das normas. A busca de Lionello mira, em primeiro lugar, as relações, ao fato de reconhecer a dignidade de cada pessoa e colocar-se em relação com ela, quer seja o próprio colega, o advogado, o escrivão, a parte ofendida, o imputado, mesmo se de reatos graves. A sua tenacidade na busca de aplicar o direito para alcançar não tanto e nem somente a verdade processual; mas, a justiça, o guiou dentro e fora do tribunal, em direção a metas sempre mais amplas”.

20141204-01E o respeito a cada homem, pelos seus direitos fundamentais, foi o assunto tratado pelo professor Mario Ricca: por meio de fábulas divertidas, em uma contínua provocação direcionada ao público e, de maneira especial, aos profissionais do setor jurídico, o titular de Direito Intercultural da Universidade de Parma evidenciou, entre outras coisas, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos é ainda tomada em pouca consideração e, concretamente, ainda pouco aplicada.

Um evento de caráter formativo, destinado a um público de magistrados, advogados e tabeliães, reconhecido pela Fundação Nacional dos Tabeliães e pelo Conselho da Ordem dos Advogados. Não faltaram testemunhos, para demonstrar que a metodologia utilizada por Lionello, na própria profissão é ainda atual e aplicável: falaram sobre isto a Dra. Maria Giovanna Rigatelli, os magistrados Mario Ciclosi e Gino Trombi, amigos de Lionello.

Houve também um momento insólito, uma performance artística sobre o homenageado, produzida pelo diretor Maffino Maghenzani, por meio das próprias palavras de Lionello, com um jogo de música e imagens, entrou-se intimamente na vida dele, na profissão e na sua escolha de viver para estabelecer relações verdadeiras, profundas e duradouras com cada homem. “Lionello hoje realmente voltou a Parma – assim afirmou Maria Grazia Bonfanti, sua irmã. Este simpósio, nesta sala de tanto prestígio, está à altura da sua vida, do seu trabalho”.

 

 

Lionello Bonfanti, o direito em busca da Justiça

Gen Rosso: os cento e vinte jovens de Monza

GenRosso02Durante a tournée do Gen Rosso no Norte da Itália (Monza e Brianza, de 10 a 15 de novembro), “não caiu somente muita água, por causa das chuvas incessantes, mas, também, muitas graças que os participantes do projeto continuam a testemunhar-nos”, escrevem os dezoito componentes da banda, de volta a casa. Cento e vinte estudantes participaram do projeto e eram provenientes de onze institutos diferentes: “Pela primeira vez conseguimos reunir, em um único evento, alunos de muitas escolas”.

O projeto foi solicitado e organizado pela “Fraternità Capitanio”, uma comunidade formada por pessoas que vivem o dom da fraternidade segundo a particular característica desejada por Bartolomea Capitanio, uma professora que viveu em Lovere (norte da Itália), nos primeiros decênios de 1800. A Fraternidade Capitanio existe em Monza desde 1977 e é uma comunidade que acolhe jovens mulheres em dificuldades e que desejam seguir um programa de reeducação e recuperação da própria dignidade pessoal e tornarem-se construtoras de vida para si e para os outros.

“Com elas nós nos sentimos imediatamente em sintonia e nasceu uma amizade que certamente continuará por muito tempo”, nos escrevem ainda do Gen Rosso. “Na conclusão do evento compreendemos que aqueles adolescentes, moças e rapazes, entenderam e acolheram plenamente os valores intrínsecos do musical Streetlight. Eles falavam de família, de força interior, de nova confiança neles mesmos e ficamos sensibilizados ao vê-los chorar na hora da nossa partida.

GenRosso01Algumas cenas e experiências destes jovens foram transmitidas em uma reportagem de um telejornal: TG3 nazionale.

Eu não imaginava que, em uma semana, seria possível afeiçoar-se tanto às pessoas; ao invés, isso aconteceu”, escreveu Giada. “Cada um deles doa o melhor em cada coisa que faz. Portanto, um grande agradecimento porque, em cada dia, com os slogans do Gen Rosso, eles nos ensinavam sempre algo de novo e nos encorajaram acreditar nos nossos sonhos”. Giada estava no grupo do hip hop combination e disse ainda: “Caso vocês tenham a oportunidade eu aconselho a todos experimentar porque, em minha opinião, é uma das mais belas experiências que se possa viver!”.

“Em dois dias eu aprendi duas coreografias e em seis dias conheci cerca de cento e trinta pessoas que, sem exagero, são estupendas, é a minha segunda família, muito alargada”, escreveu outra jovem. “Vocês do Gen Rosso me edificaram e me fizeram experimentar uma parte do meu sonho, me fizeram compreender o significado das palavras AMIZADE e AMOR. Os ensinamentos de vocês são como o ouro: únicos e preciosos”. Boas lembranças da experiência vivida, mas, também, uma profunda mensagem de crescimento: ficou no coração dos cento e vinte jovens de Monza, lembrando que – como dizem as palavras de uma canção do musical – de agora em diante “amaremos o caminho um do outro”.

 

Sementes de Economia de Comunhão em Taiwan

Sementes de Economia de Comunhão em Taiwan

Holy Love James Liao camp 06 crop rid«Nas águas do Sun Moon Lake refletem-se as verdes montanhas da região centro-oeste de Taiwan, a grande e bela ilha do Mar Chinês que os navegadores portugueses chamaram justamente de Formosa. A sua fama traz aqui, a cada ano, milhões de turistas, até mesmo da China continental. As encostas íngremes são encobertas por uma vegetação exuberante no meio da qual consigo reconhecer touceiras de bambu com quase 15 metros.

James Liao, de uns quarenta anos, magro como muitos dos seus compatriotas, nos espera na entrada de um pequeno cais para nos acomodar na popa da Holy Love, um barco a motor recentemente reconstruído e do qual ele está orgulhoso: é o único de todo o lago que é acessível àqueles que dependem de cadeiras de rodas.

A porta especial dacesso, a rampa, os ganchos específicos para ancorar as cadeiras de roda durante a navegação custaram caro… também por causa disso no começo ninguém entendia este negócio, mas precisava fazer assim, se é verdade que esta iniciativa nasceu para superar todas as discriminações. Dessa forma, já foram 200 as pessoas com necessidades especiais que puderam chegar no nosso acampamento”.

Holy Love camp 02 ridOutra discriminação que James quis combater foi em relação à minoria de aborígenes que mora nestes lugares: os cinco postos de trabalho gerados pelo camping são para eles.

O acampamento encontra-se numa pequena clareira plana nos fundos de um lindo riacho, praticamente inacessível pela estrada. A floresta que a contorna e o canto dos pássaros criam um contraste evidente com o outro lado do lago, ocupado por casas, estradas, lojas e por um enorme arranha-céu, enquanto que os melhores pontos panorâmicos são tomados por vistosos hotéis cinco estrelas. No centro da clareira existe uma casinha de madeira muito simples, que permite alojar uns trinta jovens em dois quartos e, ao lado, uma estrutura externa que serve como cozinha. Em todo o entorno, do lado do monte, foram feitos terraços brancos que abrigam do sol ou da chuva, conforme a situação; num dos cantos foram enfileirados uns caixotes de plástico preto, sobrepostos de modo que aqueles que estão mais no alto, preenchidos com húmus, fiquem na altura das mãos de uma pessoa sentada: tudo estudado para que também as pessoas com necessidades especiais façam a “green therapy”. As plantinhas bem alinhadas que despontam das caixas confirmam que a terapia foi recentemente praticada.

Holy Love green therapy 05 ridNa beira do lago, perto do cais, estão dispostas ordenadamente cerca de vinte canoas muito leves de metal. “É titânio, reciclado há 30 anos das carcaças dos aviões da segunda guerra mundial pelo fundador do acampamento, Padre Richard, um americano de Wisconsin que deixou tudo para se dedicar a nós taiwaneses, começando pelos mais frágeis. Antes de mim, ele era o responsável pelos Special Need Centers (centros para pessoas desfavorecidas) da diocese de Taichung, e tinha pensado neste lugar para dar-lhes a oportunidade de fazer experiências de aprendizagem das quais, caso contrário, seriam excluídos. Eu não o conheci, mas recentemente tive uma grande alegria quando descobri certos documentos antigos, nos quais se falava exatamente de um barco acessível aos deficientes”. A figura do Padre Richard teve um papel importante também na escolha de fé de James, seguida da decisão de deixar um emprego no banco com bom salário, para ir estudar a didática para os desfavorecidos e depois trabalhar para eles.

Cada palavra de James transmite entusiasmo por tudo o que se refere aorespeito pelo ambiente, cuidado com o espírito, acolhida, atenção aos outros. Realmente fascinante! Porém, esta é também uma empresa, portanto pergunto sobre a gestão econômica. “Um grande orgulho para nós é que já estamos no ativo, graças ao arrecadado das excursões e das atividades esportivas que oferecemos também a um público maior (lá na cidade temos outras duas pessoas que trabalham para nós, em contato com as agências de turismo). E assim, ao invés da diocese nos sustentar, como acontecia no passado, agora somos nós que lhe damos parte dos nossos lucros, mais precisamente 30% do que lucramos. Outros 30% vão aos Centers for Social Needs, 30% reinvestimos na empresa e os últimos 10% vão para os trabalhadores, conforme um esquema que adotamos da Economia de Comunhão, da qual queremos seguir os princípios.” E para que as coisas sejam claras, está escrita com letras bem visíveis num cartaz dependurado na entrada do barco, que introduz os passageiros na lógica da Holy Love».

EdC online

Lionello Bonfanti, o direito em busca da Justiça

Movimento Juvenil pela Unidade: um golaço!

20141203-01Um campeonato de futebol no qual dois times são vencedores e, ainda, de lugares diferentes do planeta, às vezes muito distantes um do outro? Onde se pratica a Art Play? Em que lugar os patrocinadores estão dispostos a doar, para todo gol marcado, uma contribuição para financiar bolsas de estudo destinadas a adolescentes nos países pobres? Muitas iniciativas e projetos de solidariedade? Existe um “terceiro tempo”…?

Tudo isto e muito mais aconteceu no Super Soccer World 2014 nos conta Federico Rovea, um dos organizadores do evento. Esta manifestação esportiva foi promovida pelo Movimento Juvenil pela Unidade, do Movimento dos Focolares e houve a participação de cinquenta e seis times de futebol, de várias cidades do mundo”.

Dois times vencem. Uma característica do campeonato é que vencem dois times de cidades gêmeas e que, simbolicamente, jogam ao mesmo tempo à distância, conferindo à competição uma dimensão planetária.

Entre os quatorze acordos de “gemelagem”, estão os adolescentes de Bečej, uma pequena cidade da Sérvia, gêmea de Tlencem na Argélia; os de Loppiano, na Itália, com os adolescentes de Florianópolis, no Brasil; a cidade italiana de Rieti jogou contemporaneamente com Buenos Aires, Argentina.

Este último acordo de “gemelagem”, bem como para todos os outros, não foi somente algo “ideal”. De fato, durante o campeonato, foi possível fazer uma conexão telefônica com a Argentina para partilhar com os jogadores sul-americanos o mesmo espírito de amizade e de fraternidade.

Os adolescentes de Rieti comunicaram – além da vivência daquele dia – também alguns projetos de solidariedade que tiveram início graças ao Super Soccer. Ou seja, a organização de uma atividade esportiva para adolescentes portadores de deficiência física e uma coleta de fundos para pessoas necessitadas, por meio da venda de tortas. Foi muito significativo o envolvimento dos pais, que também participaram do evento, entusiasmados com esta iniciativa.

Art Play. Nos campos esportivos, fazia parte do jogo – além da paixão pelo esporte – o espírito da Art Play e os jogadores observaram as quatro regras fundamentais:
• O respeito aos outros
• A cooperação
• A responsabilidade
• Os relacionamentos

Fundamentos principais do campeonato que contribuíam à pontuação dos times tanto quanto os gols marcados.

Os juízes observavam, portanto, não somente o respeito às normas do futebol, mas, também, o espírito que animava os jogadores, assinalando pontos positivos a quem se distinguia na vivência do mesmo. “Os adolescentes prestaram atenção às quatro normas tanto quanto à importância de marcar gols. Em minha opinião este regulamento deveria ser inserido entre as normas dos campeonatos mundiais”, afirmou um professor de educação física que colaborou na organização do evento.

20141203-02Bolsas de estudo. Outro projeto está coligado ao campeonato, Schoolmates, cuja proposta é a de encontrar um patrocinador que em cada cidade estivesse disposto a doar, para todo gol marcado, uma contribuição econômica para financiar bolsas de estudo destinadas a adolescentes de países pobres. Os 367 gols marcados renderam R$ 7.110,00 equivalente a vinte e duas bolsas de estudo.

O “terceiro tempo”. Uma grande festa entre os organizadores, patrocinadores do evento esportivo e os jogadores, que contribuiu a levar o espírito da competição esportiva também para fora do campo.

Super Soccer World, uma festa mais que um campeonato, caracterizado pela internacionalidade e pela partilha, pela solidariedade e pelo respeito ao outro, valores que os adolescentes tiveram a possibilidade de vivenciar dentro e, especialmente, fora do campo de futebol. O evento já está previsto para o próximo ano!

 

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Turquia: o que Papa Francisco nos deixou

20121202-02«É verdade, o Espírito Santo suscita diferentes carismas na Igreja; aparentemente, parece que isto cria confusão, mas na realidade, sob a sua inspiração, constitui uma incomensurável riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade. Só o Espirito Santo pode suscitar a diversidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade».

Estas palavras do Papa Francisco pronunciadas na Catedral do Espírito Santo de Istambul, a um milhão de fiéis da diversificada Igreja católica, foram uma grande alegria. E ainda mais: confirmaram-nos a convicção que nestas terras a presença do Movimento dos Focolares, mesmo se pequena, tem toda a razão de ser e de continuar o caminho iniciado já há muitos anos. O Focolare chegou a Istambul em 1967 por um pedido explícito do Patriarca Atenágoras.

Mas como foi que vivemos estes dias?

Com muita alegria e emoção! Naturalmente, participamos na preparação, tanto na Igreja católica, como na divulgação do evento, a pedido do Patriarcado. Graças ao relacionamento familiar que temos com o Patriarca Bartolomeu, pudemos dizer-lhe pessoalmente que o acompanharíamos com as nossas orações. E somos testemunhas da sua crescente alegria, do seu amor por Papa Francisco e da sua “paixão” pela unidade!

Duas focolarinas ocuparam-se pela preparação dos aposentos do Santo Padre na Nunciatura e estiveram presentes na sua missa privada, domingo de manhã. Junto com as boas-vindas por parte do Movimento na Turquia, mandamos ao Papa postais e presentes de algumas nossas amigas muçulmanas. Por fim, assistimos a missa na Catedral, onde um focolarino sacerdote concelebrou, e também na liturgia do Fanar.

A mensagem de fraternidade e de busca de unidade em todos os níveis que o Papa Francisco deixa à Turquia, toca exatamente a questão de fundo deste “País-ponte” e da sua população.

Porém, sem dúvida, a sua mensagem é particularmente ecumênica; como também sublinhou a oração ecumênica na Igreja patriarcal de São Giorgio, onde o Papa pediu ao Patriarca e a toda a Igreja de Constantinopla para “abençoar a mim e a Igreja de Roma”. E foi precisamente no cenário do diálogo entre a Igreja católica e a Igreja ortodoxa destes últimos anos, às vezes marcada pelo cansaço e a aparente imobilidade, que se põe a presença do Movimento dos Focolares nestas terras.

20121202-01Podemo-nos considerar beneficiários de um relacionamento privilegiado com o Patriarca e muitos metropolitas, herdado pelo que Chiara Lubich semeou nas suas viagens em Istambul. Os nossos relacionamentos de comunhão simples e sincera, todavia, não se limitam à hierarquia, mas se constroem com muitas irmãs e irmãos da Igreja Ortodoxa.

À luz daquilo que aconteceu nestes dias temos a impressão de entender o sinal inequívoco que os dois líderes religiosos deram: continuar no caminho em direção à unidade sem sucumbir pela sua fadiga e saber colher os desafios, para encontrar juntos as respostas e as soluções urgentes nos nossos dias. O Papa e o Patriarca provaram que realmente superam isto. Tudo o que disseram com as palavras e os gestos, a partir da sua declaração conjunta, o demonstra.

Durante a viagem de regresso, o Papa Francisco reafirmou com força que, neste caminho pela unidade, apenas o caminho “do Espírito Santo é aquele justo, porque Ele é surpresa, é criativo”. Esta outorga libertadora e alegre indica-nos uma estrada clara: ser abertos, atentos aos sinais que o Espírito faz-nos perceber; colocar em jogo a fantasia, as potencialidades pessoais e de grupo; desfrutar todas as oportunidades que nos serão oferecidas no complexo contexto e não privados das dificuldades nas quais vivemos, para permitir que Ele possa agir.

Fonte: Focolare Turquia

 

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“A fraternidade universal: necessidade para a Europa”

Propomos um pensamento de Chiara Lubich sobre a Europa, retirado do seu discurso no primeiro encontro “Juntos pela Europa”, em maio de 2004. Estavam reunidas 10 mil pessoas na cidade alemã de Stuttgart, mais de 100 mil coligadas, em eventos simultâneos, em diversas capitais da Europa. O evento foi promovido por mais de 150 movimentos e comunidades eclesiais, de várias Igrejas, de todo o continente europeu. 

«A fraternidade universal também foi o projeto de pessoas não inspiradas por motivações religiosas, mas movidas pelo desejo de fazer o bem à humanidade. No seu lema «Liberdade, igualdade, fraternidade», a Revolução Francesa sintetiza o grande projeto político da modernidade. Projeto parcialmente ignorado porque, se inúmeros países, ao construírem regimes democráticos, conseguiram realizar de alguma forma a liberdade e a igualdade, o mesmo não ocorreu com relação à fraternidade, que ficou mais na teoria do que na prática.

Porém, quem proclamou a fraternidade universal e nos deu a possibilidade de realizá-la foi Jesus. Revelando-nos a paternidade de Deus, ele derrubou os muros que separam os “iguais” dos “diferentes”, os amigos dos inimigos. E libertou cada homem dos vínculos que o prendiam, das inúmeras formas de subordinação e de escravidão, de todo relacionamento injusto, realizando, assim, uma autêntica revolução existencial, cultural e política. (…)

O instrumento que Jesus nos ofereceu para realizar essa fraternidade universal é o amor: um amor grande, um amor novo, diferente daquele que habitualmente conhecemos. Ele, de fato, trouxe para a Terra o modo de amar do Céu. Esse amor exige que se ame a todos, não só os parentes e os amigos. Ele pede que amemos o simpático e o antipático, o concidadão e o estrangeiro, o europeu e o imigrante, aquele da nossa Igreja e de outra, da nossa religião e de uma religião diferente.

Hoje este amor pede que os países da Europa ocidental amem aqueles da Europa central e oriental – e vice-versa –, e a todos que se abram aos países dos outros continentes. Na visão dos seus fundadores, a Europa é destinada a ser uma família de povos irmãos, não fechada em si mesma, mas aberta a uma missão universal: a Europa constrói a própria unidade em vista da unidade da família humana.

Esse amor exige que amemos também o inimigo e que este seja objeto do nosso perdão, se, por acaso, ele nos fez algum mal. Após as guerras que mancharam de sangue o nosso continente, muitos europeus foram modelos desse amor ao inimigo e de reconciliação.

Portanto, falo de um amor que não faz distinção e leva em consideração todos aqueles que encontramos durante o dia, direta ou indiretamente: aqueles que estão fisicamente ao nosso lado, mas também aqueles de quem falamos ou de quem se fala; aqueles aos quais está destinado o trabalho que nos mantém ocupados no dia a dia, aqueles que são matéria de notícias dos jornais ou da televisão… É assim que Deus Pai ama; Ele manda o Sol e a chuva sobre todos os seus filhos, sobre os bons e sobre os maus, sobre os justos e os injustos (cf. Mt 5,45). (…)

Jesus propõe um amor que não é platônico, sentimental, feito de palavras, é um amor concreto. Exige ações concretas. É possível vivê-lo, se “nos fizermos um” com todos: se nos fizermos doentes com os que estiverem doentes; alegres, com os que estão alegres; preocupados, inseguros, famintos, pobres com os que o são. E, sentindo em nós o que eles experimentam, devemos agir de modo conseqüente.

Quantas novas formas de pobreza a Europa hoje conhece! A título de exemplo, podemos mencionar a marginalização dos deficientes físicos e dos doentes de Aids (SIDA); as mulheres escravas da prostituição, os mendigos, as mães solteiras… Pensemos ainda em quem busca os falsos ídolos do hedonismo, do consumismo, a sede de poder, o materialismo. Jesus, em cada um deles, espera o nosso amor concreto e ativo! Ele considera feito a si o que fazemos de bom ou de mau aos outros. Quando falou sobre o juízo final, Jesus disse que repetirá aos bons e aos maus: «A mim o fizeste» (Cf. Mt 25,40).

Quando esse amor é vivido por várias pessoas, ele se torna recíproco. E é o que Jesus ressalta mais do que tudo: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» (Jo 13,34). É o mandamento que ele disse ser seu e “novo”.

Não só os indivíduos são chamados a viver esse amor recíproco, mas também os grupos, os Movimentos, as cidades, as regiões, os países… Os tempos atuais exigem que os discípulos de Jesus adquiram uma consciência “social” do cristianismo. É mais do que nunca urgente e necessário que se ame a pátria alheia como a própria: a Polônia como a Hungria, o Reino Unido como a Espanha, a República Tcheca como a Eslováquia…

O amor que Jesus trouxe é indispensável para a Europa a fim de que esta seja também a “Europa do espírito” e torne-se, portanto, a “casa comum européia”: uma família de nações».