Movimento dos Focolares
Colômbia: «A Palavra vivida nos faz ser todos “um”»

Colômbia: «A Palavra vivida nos faz ser todos “um”»

20120407_dsc_0094O sul da América Central, uma história rica, antiga, vária, que afunda suas raízes bem antes da chegada dos espanhóis. Os povos que convivem aqui possuem tradições e culturas profundas. «Não são apenas as desigualdades financeiras que precisam ser resolvidas. Parece-me que este continente pode tornar-se uma sociedade harmonizada de povos que doam-se reciprocamente as próprias raízes, as próprias vicissitudes históricas e culturais, para dar ao mundo o testemunho de uma convivência que recupera todo o passado». Palavras que resumem o “mandato” que a presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, deixou aos membros das comunidades da Colômbia, Costa Rica, Equador, Panamá, Peru e Venezuela, reunidos durante a Semana Santa em um Ginásio de Esportes de Bogotá, em três dias de encontro e de festa, com um título sugestivo: «A Palavra vivida nos faz ser todos “um”». Cerca de mil pessoas, com a presença do copresidente, Giancarlo Faletti. Maria Voce acompanhou o encontro por meio de uma conexão direta, da Guatemala. «É preciso seguir este caminho – ela disse – eu confio em cada um de vocês. Jesus entre nós nos ajudará a prosseguir, passo a passo». O povo. A Colômbia foi a nova etapa da desafiadora viagem que Giancarlo Faletti e Maria Voce estão fazendo à América Latina. Também aqui uma programação repleta de compromissos. As pessoas que seguiram a proposta dos Focolares conseguiram entrar na história e na vida desses povos, assumindo o corajoso desafio lançado por Chiara Lubich nos anos 1970: «morrer pela própria gente». Ao chegar do México, Faletti conheceu as várias etapas deste empenho. O primeiro encontro foi com o «Centro Social Unidade», em Los Chircales, um bairro da periferia sul de Bogotá e que hoje conta com um consultório médico e um odontológico, um bazar que recupera e vende roupas a preços acessíveis, uma escola de reforço para as crianças do bairro. A cultura. «O diálogo com a cultura. Caminho da fraternidade», foi o título do simpósio internacional realizado na Universidade Manuela Beltràn, de Bogotá, do qual participaram políticos, acadêmicos, artistas e expoentes de várias Igrejas cristãs, provenientes também da Venezuela, Equador e Peru. Miguel Niño, coordenador dos trabalhos, salientou o diálogo como categoria cultural e dimensão existencial, segundo Chiara Lubich, e como plataforma de pensamento e ação declinável em nível pessoal, multiétnico e intercultural, entre os vários âmbitos do conhecimento. A crescente influência que a Cátedra livre Chiara Lubich – instituída pelo reitor, prof. Lombardi, na universidade católica de Maracaibo, na Venezuela – está operando no âmbito acadêmico, demonstrou o quanto tal diálogo seja uma fronteira rica de futuro. 20120406-giovani-dsc_0263Os jovens. «Boa tarde América Latina! Queremos que esta seja uma antecipação do Genfest!». Eram quase 200 os jovens que lotavam o auditório do Centro Mariápolis de Tocancipà, próximo a Bogotá. Provinham do Equador, Peru, Venezuela, Costa Rica, Panamá e Colômbia, representando todos os seus coetâneos envolvidos no Movimento dos Focolares. Subiam ao palco para narrar as suas experiências: iniciativas, também sociais, que realizam para ajudar a aliviar os sofrimentos, a pobreza e a marginalização de seus povos. Um diálogo profundo, que trazia à tona problemas, expectativas e esperanças, foi o que se estabeleceu com Maria Voce, em conexão na Internet. «Vocês são a palavra de Chiara viva – afirmou Giancarlo Faletti, tomando a palavra – e permitem que ela grite a sua mensagem ainda mais alto. É visível que Deus é o protagonista da vida de vocês, pessoal e comunitária, por isso digo que o Genfest começou hoje!». Uma nova evangelização. Do encontro das comunidades do Movimento dos Focolares da América Central, realizado em Bogotá, participou também D. Octavio Ruiz, secretário do Conselho Pontifício para a promoção da nova evangelização, órgão criado por Bento XVI em 2010, e do qual Maria Voce é consultora. «A característica da nova evangelização – disse – está no frescor que vem da Palavra». Mas – acrescentou – «são necessários homens novos, com corações novos, com uma nova convicção, com força interior e ardor». «Seguindo o carisma de Chiara Lubich vocês podem contribuir para realizar a nova evangelização. Todos vocês são protagonistas».

Colômbia: «A Palavra vivida nos faz ser todos “um”»

Argentina: um diálogo de 360°

Com uma superfície de 2.800.000 km², a República Argentina possui um clima muito variado, do calor tropical ao frio antártico. Entre a Cordilheira dos Andes e as costas do Oceano Atlântico está um imenso planalto fértil: os pampas, o famoso “celeiro do mundo”. A variedade das paisagens faz dela a meta de muitos turistas.

Uma nação aberta ao grande número de imigrantes que fizeram própria esta terra e ajudaram a desenvolvê-la. Os seus 40 milhões de habitantes, concentrados principalmente nas metrópoles, evidenciam a enorme diversidade de origens, com uma prevalência italiana e espanhola.

A história da Argentina conta uma série de conflitos cujas influências chegam até os dias de hoje: a luta entre as províncias e o governo central de Buenos Aires, golpes de estado (a última ditadura foi a mais dura, entre 1976 e 1983, e deixou um saldo de 30 mil desaparecidos), a guerra perdida contra a Inglaterra pelas Ilhas Malvinas-Falkland, em 1982. Trinta por cento de seus habitantes ainda vive abaixo do nível da pobreza.

A maioria da população declara-se católica e há uma presença de cristãos de outras denominações. Em seguida, grupos de muçulmanos e judeus, e uma minoria de fieis de outras religiões, além de pessoas sem uma convicção religiosa.

Da Argentina saíram nomes reconhecidos no mundo inteiro, em todas as expressões do âmbito cultural, nas artes e no esporte.

Quando Chiara Lubich visitou o país, em 1998, teve a oportunidade de realizar vários encontros e assim constatar a riqueza e a diversidade cultural, religiosa, social e política desse povo. Reunindo-se com oito mil membros do Movimento dos Focolares confiou-lhes uma missão: “Aconselho um diálogo de 360º, portanto, amar a todos… E por onde começar para chegar a esse diálogo? Pelo primeiro ponto da arte de amar. Este é o mandato: amar a todos”.

O Movimento dos Focolares chegou à Argentina em 1957, trazido por um sacerdote que havia participado de uma Mariápolis nas montanhas Dolomitas, na Itália. Nasceu inicialmente uma comunidade em Santa Maria de Catamarca (vilarejo aborígene no nordeste argentino), uma terra rica da cultura originária do povo.

No final de 1958, Lia Brunet, Marco Tecilla e Ada Ungaro vieram da Itália à América do Sul, com um itinerário que compreendia Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Em outubro de 1961 e em fevereiro de 1962 abriram-se os primeiros focolares em Buenos Aires, com Lia Brunet e Vittorio Sabbione, a fim de animar as comunidades que cresciam cada dia mais. A espiritualidade da unidade surgiu como um caminho novo para este povo jovem, e a sua difusão aconteceu rapidamente. Multiplicaram-se as Mariápolis e, em 1963, foi inaugurada a editora Ciudad Nueva. Os anos sucessivos foram fundamentais para o Movimento: Chiara Lubich visitou o país por três anos consecutivos (1964, 1965 e 1966). Em 1966 colocou a “primeira pedra” do Centro Mariápolis em José C. Paz, nos arredores de Buenos Aires.

Em 1968 nasceu a Mariápolis permanente em O’Higgins, na província de Buenos Aires (atualmente Mariápolis Lia), como um farol para toda a Argentina e os países circunstantes. Em pouco tempo tornou-se um importante centro de formação para os membros do Movimento e de irradiação para as milhares de pessoas que a visitam nos fins de semana. Desde então mais de 4 mil jovens, do mundo inteiro, passaram períodos na Mariápolis, para retornarem depois, a seus lugares de origem, como testemunhas deste estilo de vida.

Nos anos 1980 teve início a Escola de Estudos Sociais, que aprofunda a Doutrina Social da Igreja e a sua concretização nas realidades políticas e sociais argentinas. Depois a Escola de Formação Ecumênica dos membros dos Focolares, em vista do diálogo entre as várias igrejas cristãs. Muitos deles atualmente participam das comissões diocesanas de ecumenismo.

O diálogo com os diversos Movimentos e realidades eclesiais produz frutos abundantes para a Igreja local.

Com as grandes religiões – judeus, muçulmanos, hindus e outros – estabelece-se um diálogo de conhecimento, amizade e colaboração muito forte. Em 2011 realizou-se, na Mariápolis Lia, o IV Simpósio internacional Judeu-Cristão.

Diversos grupos de pessoas sem uma convicção religiosa aderem ao espírito do Movimento. Com eles são desenvolvidas muitas ações locais.

A proposta de Chiara Lubich, para que se abra um diálogo de 360º, está lançando suas raízes nas diferentes realidades sociais, através das pessoas e das estruturas do Movimento.

O projeto Economia de Comunhão começou a desenvolver-se na Argentina já em 1991. Hoje existe o Polo industrial “Solidaridad”, na Mariápolis de O’Higgins, e 56 empresas e atividades econômicas aderem ao projeto.

No ano de 2001, marcado por uma grave crise política e econômica, nasceu o Movimento Políticos pela Unidade, que promove várias iniciativas de formação, reflexão e ação. Surgiram grupos de diálogo político e a Escola de Formação Política e Social para os jovens, com 12 sedes espalhadas pelo país. Como consequência do compromisso social e formativo foi instituída a cátedra livre em Sociedade Política e Fraternidade, na Universidade Nacional de La Plata. Foi a origem da RUEF (Rede Universitária para o Estudo da Fraternidade).

O Movimento dos Focolares na Argentina conta mais de 7 mil membros comprometidos, 42 mil aderentes, milhares de simpatizantes, uma Mariápolis permanente com 200 habitantes, a editora Ciudad Nueva, três Centros Mariápolis para cursos de formação, focolares nas principais cidade do país e comunidades espalhadas em todo o território, projetos sociais e a participação em diversos setores da atividade política, social, cultural e eclesial.

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México: visita de Giancarlo Faletti

20120329-el-diamante_mg_1136«A Mariápolis se tornará ainda mais uma referência se os jovens do Movimento fizerem ver a amizade que têm com Chiara Luce Badano. Ela falará ao coração de cada um, contará sobre a sua relação com Chiara Lubich, a espiritualidade do carisma da unidade que a levou à santidade nos nossos tempos». Concluiu-se com estes votos, na Mariápolis permanente “El Diamante”, a visita de Giancarlo Faletti, copresidente do Movimento dos Focolares, ao México. A Mariápolis “El Diamante” localiza-se a 50 km de Puebla e a 170 km da Cidade do México. São 50 os seus habitantes, entre os que residem estavelmente e os que transcorrem um período de formação. Para esta ocasião foram organizados vários encontros. Giancarlo Faletti teve um profundo diálogo com cerca de 30 sacerdotes que vivem a espiritualidade da unidade, um intercâmbio de experiências sobre os efeitos do carisma vivido na vida sacerdotal e na edificação da comunhão na Igreja. Diante do desejo de inculturação, expresso por Giancarlo Faletti, não podia faltar a visita ao Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, a chamada “Morenita”. Acolhidos pelo reitor, D. Enrique Glennie, dia 28 de março, os visitantes tiveram o privilégio de entrar numa sala reservada onde pode ser visto de perto o “manto de Juan Diego”, a tela onde foi impressa a imagem de Maria com os traços de uma jovem índia. Em seguida o reitor convidou os presentes a folhear o álbum de honra com as assinaturas de muitas personalidades, de João Paulo II a Madre Teresa de Calcutá. No álbum está também a assinatura de Chiara Lubich: «O meu coração fica aqui com a Morenita», ela escreveu em 1997. Provenientes de todas as regiões do México, 180 jovens reuniram-se com Giancarlo Faletti na Mariápolis “El Diamante”. Foram tocados os assuntos mais candentes para eles: a violência nas cidades, a desagregação social, a tibieza de muitos de seus coetâneos na luta por grandes ideias, a competitividade por um sucesso a qualquer preço, o homossexualismo e o condicionamento da comunicação nas mãos de poucos. «Os desafios modernos – disse Giancarlo – nos dão mais trabalho, exigem o conhecimento de muitos assuntos e constantes aprofundamentos, mas esta é a vida de Jesus em 2012. O fundamental é entender juntos, e em profundidade, o que estamos vivendo, enquanto filhos de Chiara, e por que». Danças, cores e os mais variados indumentos ornaram o evento conclusivo, com mais de 1.200 pessoas, vindas inclusive de Torrión (16 horas de ônibus) para não perder o encontro com Giancarlo Faletti e com a presidente, Maria Voce, em conexão Skype da Guatemala. Era a família do Movimento dos Focolares no México. «Repito-lhes o meu agradecimento – disse Maria Voce no final -. Os meus votos são que a vida de vocês, que testemunha o carisma da unidade, transforme cada vez mais os ambientes onde vivem, para que o Movimento contribua na renovação do México».

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Com a visão de alguém que “não crê”

Tenho 21 anos e frequento o 3° ano de Universidade.  Conheci o Movimento graças aos Jovens por um Mundo Unido que estavam na minha turma do liceu, em Roma. Assim que senti a necessidade de aprofundar a minha espiritualidade e os meus ideais pedi conselho a um meu amigo gen. Eu gostava do Movimento e tinha um forte desejo de amar concretamente, mas tinha medo de não poder me aproximar do Ideal da unidade, pois eu estava longe de uma religião. Não gosto de ser chamado de ateu, porque hoje em dia o ateísmo é lido como posição de feroz contraposição à Igreja e às religiões. Ao invés, eu procuro colocar o respeito no relacionamento com cada pessoa e coisa: por isso prefiro ser definido como quem “não tem um referencial religioso”. Viver cada momento amando é o que me faz sentir um verdadeiro gen, brilhar o mais que posso, para que alguém seja tocado pela minha luz. Viver em meio a muita gente que está sempre pronta a amar, me fez compreender que não é preciso ser heróis para salvar vidas. Amando no momento presente sinto que as pessoas se transformam. Um pequeno gesto de gentileza pode fazer desabrochar um sorriso e pode desencadear uma série de eventos positivos em cadeia – cria uma porção de mundo unido. Um dia, enquanto estava numa excursão nas montanhas, um senhor decidiu se unir ao nosso grupo, apesar de ter os sapatos gastos, porque tinha vertigens e medo de descer com o bondinho. Decidi trocar de sapatos com ele, caminhando com um pé descalço e o outro no sapato gasto. Se uma ação é impelida pelo amor desinteressado e vivido no quotidiano pode não mudar o nosso dia, mas a muitos outros sim. A minha escolha de viver como gen, como jovem que segue este Ideal não é tão simples assim: cada dia vivo procurando fazer a coisa certa. Muitas vezes me sinto em dificuldade para assumir ideias ou conceitos com fundamento religioso que não partilho plenamente ou não consigo compreender, ou simplesmente me é difícil amar sinceramente no momento presente. A todas as pessoas que têm dúvidas de fé ou pensam que não ter um referencial religioso significa estar marcados para sempre eu afirmo que não é assim. Sobretudo nesse ambiente, eu me senti acolhido como numa família, ao máximo… corremos o risco de falar sobre um palco, como eu estou fazendo agora. A. O. – Itália (Depoimento dado por ocasião do evento “Chiara Lubich e as novas gerações” – Castelgandolfo, 11 de março de 2012)