6 Mar 2012 | Focolare Worldwide
«Num momento no qual até as universidades foram atingidas por esta crise cultural, econômica e social, o que impulsionou vocês a iniciarem este projeto, e qual a novidade de Sophia?», perguntou Giorgia, italiana, representante dos estudantes, ao reitor do IUS, o teólogo Piero Coda. Ela dava voz aos numerosos estudantes, jovens interessados em futuras matrículas, presentes em Loppiano ou em conexão via internet, nos quatro cantos do mundo, para o primeiro “IUS Open Day”, dia 1º de março passado. Uma novidade, qual? Conjugar uma rigorosa formação científica com a Sabedoria – daqui o nome Sophia – compreendida como olhar interdisciplinar extraído das raízes da revelação cristã. Esta é a novidade e a missão deste instituto universitário que tem por objetivo formar homens e mulheres capazes de redescobrir o destino da humanidade, como foi evidenciado pelo reitor, Piero Coda, na entrevista transmitida ao vivo. Até hoje são cerca de 150 os estudantes que frequentaram e estão inscritos nos cursos do IUS, dos quais cerca de trinta já foram diplomados. «A experiência de Sophia iniciou anos atrás com as “escolas de verão” – recordou o prof. Coda – e o objetivo era estabelecer uma relação entre disciplinas diferentes à luz do carisma de Chiara Lubich, para superar a fragmentação que percebíamos existir entre elas. Agora o Instituto chegou ao seu quarto ano de vida e propõe um itinerário formativo que deseja superar a “esquizofrenia” que se experimenta entre a formação acadêmica e os desafios sociais, políticos e econômicos do mundo de hoje».
Foram várias as novidades no currículo de formação apresentadas pelos professores Judith Povilus, vice-reitora do IUS, Antonio Maria Baggio, professor de Filosofia Política, Alessandro Clemezia, teólogo e Giuseppe Argiolas, economista. A partir do próximo mês de setembro o mestrado em «Fundamentos e perspectivas de uma cultura da unidade» será articulado em quatro áreas de especialização: estudos políticos, ontologia trinitária, economia e administração e, enfim, «cultura da unidade». Esta última é dirigida a estudantes provenientes de qualquer área, abertos à construção de um mundo novo e que privilegiam a dimensão relacional. Em seguida ouviram-se alguns estudantes de Sophia, provenientes de vários países, dos cinco continentes. Metta, tailandesa de religião budista, às voltas com o estudo em um ambiente de inspiração cristã: «Para mim o estudo aqui é principalmente uma relação de fraternidade e estes relacionamentos são a linguagem que liga todos nós, estudantes e docentes, não obstante a nossa diversidade, uma dimensão que encontro também na minha religião». Marco, italiano, formado em Ciência Motoras, frequenta o primeiro ano do IUS: «No que diz respeito às perspectivas futuras, a minha decisão de frequentar Sophia nasceu do desejo não tanto de aprofundar uma disciplina específica, mas da exigência de receber uma formação que permita-me ampliar o mais possível os meus horizontes culturais e cognitivos, para enfrentar melhor um mundo do trabalho que atualmente não me oferece certezas, e que por isso requer que eu tome a iniciativa».
5 Mar 2012 | Focolare Worldwide
Dois projetos permanentes, na pequena cidade-testemunho do estado de São Paulo.
Bairro do Carmo Há mais de 100 anos, um grupo de quilombolas (ex-escravos) constituía a comunidade chamada Bairro do Carmo, localizada no município de São Roque, SP. Por muitos anos, os habitantes do local viveram no isolamento, totalmente excluídos, imersos em todos os problemas sociais decorrentes. Em 1977, um grupo de pessoas do Movimento dos Focolares conheceu a comunidade e deu início a um lento trabalho de promoção humana. Hoje, os próprios moradores do bairro tornaram-se agentes dessa transformação, testemunhas de que o Evangelho vivido é capaz de desencadear a mais autêntica revolução social. Projeto Unicidade
O projeto Unicidade – o mundo unido, começando pela sua cidade, surgiu com o intuito de realizar uma espécie de ‘missão’ nas cidades do Território da Mariápolis Ginetta. Seguindo as indicações de Chiara na sua meditação “Uma cidade não basta”, foram feitas visitas aos quatro bispos da região. Os membros do Movimento das várias cidades encontraram-se para preparar um plano de ação e estabelecer contato com os respectivos párocos.
Aos poucos emergiram vários tipos de programa com uma grande diversidade de público, especialmente jovens que em outras ocasiões não seria possível encontrar. Com um programa sugerido pelas pessoas do lugar realizaram-se encontros para famílias, jovens, adolescentes, crianças, empresários, políticos, catequistas, advogados, professores, etc. Doze cidades acolheram um focolare temporário, formado por focolarinos, voluntários e gen. Foram visitadas outras 14 cidades, em um total de 26 das 50 que compõem o Território. As pessoas encontradas foram cerca de 3.000. Em 2012 o Projeto Unicidade acontecerá de 28 de abril a 1º de maio.
5 Mar 2012 | Focolare Worldwide
Participei do Congresso Nacional – “Direito e Fraternidade”, promovido pelo Movimento Comunhão e Direito, de 25 a 27 de janeiro de 2008, na Mariápolis Ginetta, Vargem Grande Paulista/SP, do qual participaram vários Magistrados, Promotores, Delegados, advogados e acadêmicos de todo o Brasil e do exterior. Naquela oportunidade, fiquei muito impressionado e tocado com os diversos depoimentos e experiências vividos pelos operadores do direito sobre a Fraternidade. No entanto, a principal herança que levo daquele encontro foi encantar-me com a visão exposta sobre a Fraternidade como categoria jurídica. De fato, foi encorajador constatar que a vivência da Fraternidade como sendo a “Reciprocidade da Solidariedade” tem expressa determinação no direito positivo internacional, mas, sobretudo, no Brasil, notadamente pelo artigo 3º, I, da Carta Magna, verbis: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; Ora, a Fraternidade evoca a existência de um vínculo entre todos os seres humanos. É substancial o número de nações que subscrevem a Declaração Universal dos Direitos do Homem, na qual o Princípio da Fraternidade está estampado logo em seu art. 1º: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. É importante frisar que a advocacia tem um papel vital nessa busca da dignidade da pessoa humana. Potencializado o Princípio da Fraternidade, cada cliente passa a ser visto como um fraterno irmão, cujo problema passa a ser do advogado também. Considerando que “se um membro sofre todo o corpo padece”, poderíamos dizer que “se um irmão sofre toda a humanidade padece”. Assim, receber o cliente com a dignidade que lhe é própria – pela condição de humano e de irmão – é dar-lhe tratamento segundo a regra de ouro: “fazer ao próximo o que gostaríamos que ele fizesse por nós”. Passei a viver a fraternidade também no relacionamento com a parte contrária, com juízes, promotores e servidores da justiça, seja na simples compreenção das razões adversas, seja relevando pequenas ofensas ou um mau atendimento no balcão. No entanto, a principal experiência que vivi, sem dúvida, foi a que experimentei imediatamente após o término do congresso. O ano de 2007, assim como os demais, foi bastante estafante. Precisávamos de umas férias. Tíanhamos uma viagem programada um dia após o término do Congresso. As malas precisavam ser refeitas e a expectativa era grande. Neste dia de véspera, com ansiedade pela viagem e a pressa pelos preparativos, deparei-me com um processo trabalhista, cuja data para recurso apelativo (Recurso Ordinário) terminava justamente naquele único dia. Tratava-se de um processo em que o trabalhador reclamava horas extras e também adicional de periculosidade, já que trabalhava em contato com alta voltagem elétrica. Portanto, sua relação de emprego revestía-se de grande injustiça. Para mim era uma causa perdida, pois as provas eram todas desfavoráveis. A sentença de primeiro grau foi totalmente improcedente. Eu não tinha nenhum argumento forte, capaz de convencer o colegiado. Aliado a isto, só dispunha de poucas horas para elaborar o recurso. Se deixasse de recorrer, estaria com a minha consciência tranquila pela deficiência de provas. Comentei com minha esposa que era uma causa perdida. Pensei em fazer um recurso pró-forma apenas para cumprir minha obrigação profissional. Como se tratava de flagrante de injustiça e sem argumentação plausível nenhuma, me limitei a compilar dados sobre o Princípio da Fraternidade, no recurso que preparei em menos de duas horas. Aleguei que a injustiça a que o trabalhador fora submetido feria a dignidade da pessoa humana, ao passo que a empresa, tendo usurpado a mão de obra sem a justa contrapartida financeira, aviltou o Princípio da Fraternidade. Imprimi, assinei, protocolei e viajei de férias. Em menos de três meses depois, saiu o resultado do recurso. Para minha surpresa, a sentença de primeiro grau foi revertida totalmente. Tanto a sobrejornada como o adicional de periculosidade foram providos. Outra surpresa: embora a empresa tivesse amplas possibilidades de obter êxito em um derradeiro recurso ao Tribunal Superior do Trabalho, ela se limitou a ligar para mim, oportunidade em que acertamos um acordo vantajoso para que o trabalhador recebesse todos seus direitos. Sempre que meus clientes se apresentam vítimas de injustiça, invoco em meus recursos e em sustentação oral o Princípio da Fraternidade e comprovo que é uma categoria jurídica cada vez mais reconhecida e aceita pelos Juízes.
4 Mar 2012 | Focolare Worldwide
“Um coração é pequeno somente para aqueles que não se amam” (provérbio Kirundi).
O Burundi é um pequeno país, situado no coração da África, entre dois países gigantes: o Congo e a Tanzânia. Possui uma paisagem natural de extraordinária beleza e riqueza, e mesmo assim é um dos países mais pobres do planeta. Três etnias: Hutu, Tutsi e Pigmeus, que falam a mesma língua e possuem a mesma cultura. Mas as suas colinas verdejantes escondem o grito de dor de muitas pessoas, que durante longos anos de conflitos e ditadura, souberam o que é a violência e a morte. Somente em 2002 o Burundi saiu de um conflito político e étnico que provocou milhões de desabrigados e mais de 300 mil mortos.
E também aqui, no coração da África, apenas poucos quilômetros ao sul do Equador, chegou o Ideal do Movimento dos Focolares. A sua história teve início em 1968, quando uma família belga mudou-se para Bujumbura, por motivos de trabalho, e com o seu testemunho de vida acendeu uma nova luz sobre a mensagem cristã. Quase contemporaneamente outro núcleo formou-se ao redor de padre Alberton, dos Missionários da África, na paróquia de Mubimbi.

Marilen Holzauser, uma das primeiras focolarinas que foi para a África
O ano de 1979 é uma data importante para a história dos Focolares nesse país: a pedido dos bispos locais abriu-se o focolare em Gitega, mas depois das primeiras perseguições o focolare precisou ser transferido com urgência para Bujumbura. Começou um período muito difícil seja para o Movimento seja para toda a Igreja: total proibição para exercer qualquer atividade, igrejas fechadas durante a semana, impossibilidade de difundir a Palavra de Vida.
Em setembro de 1987, com o golpe de estado e o advento da Terceira República, retornou a liberdade e foi possível sair do anonimato. Pouco a pouco retomaram-se os contatos com pessoas que haviam conhecido o Movimento e, com emoção, descobriu-se que algumas comunidades, em lugares distantes, haviam continuado a reunir-se regularmente, para partilhar as experiências da única Palavra de Vida que havia sido conservada. Vivendo uma só palavra do Evangelho tinham ido adiante, por anos. Atualmente o Movimento conta com mais de 24 mil membros, em mais de 290 grupos espalhados por todo o país. O Ideal da unidade é uma verdadeira esperança para o Burundi. No clima de tensão do pós-guerra os membros do Movimento comprometem-se em contribuir, com toda a Igreja local, no processo de reconciliação.
Existem interessantes realizações no campo econômico e experiências inovadoras na área da saúde e da educação. Em 1999 um grupo de voluntários do Movimento fundou a associação Grupo Associativo de Solidariedade do Burundi, CASOBU (na sigla em francês), com o objetivo de buscar soluções duradouras aos problemas da pobreza, por meio da participação e do sustento recíproco. Surgiu também o Centro social “Chiara Luce Badano”, que se ocupa de crianças órfãs ou em extrema pobreza, em Kinama, um bairro da periferia de Bujumbura, completamente destruído pela guerra.
No coração dos membros do Movimento do Burundi estão gravadas as palavras dirigidas a eles por Chiara Lubich, em 7 de outubro de 1996: “Voltem-se sempre ao nosso ‘Único Bem’; vocês estarão felizes e na paz, mesmo entre as inúmeras dificuldades nas quais se encontram. Jesus esteja sempre presente entre vocês para tocar os corações, reacender a fé no Seu amor, levar a unidade. Eu estou com vocês, neste empenho constante, renovado a todo momento…”.
4 Mar 2012 | Focolare Worldwide
No contexto de um dos países mais pobres do planeta, o Burundi, recentemente saído de um conflito político e étnico que durou 12 anos, com um milhão de desabrigados e mais de 300 mil mortos, em 1999 um grupo de voluntários do Movimento dos Focolares fundou a associação CASOBU (Grupo Associativo de Solidariedade do Burundi), com a finalidade de buscar soluções duradouras para os problemas da pobreza, por meio da participação e do sustento recíproco. O resultado da sua atividade não pode ser medido apenas em termos de infraestrutura e melhoramento das condições socioeconômicas, mas na difusão dos valores da participação, solidariedade e fraternidade.
A CASOBU atuou inicialmente em zonas rurais. Com o tempo criaram-se vários projetos, inclusive com o suporte da AMU, a ONG inspirada no Movimento dos Focolares para a cooperação ao desenvolvimento. Há vários anos a CASOBU passou a atuar com projetos comunitários de microcrédito, que permitiram a algumas centenas de pessoas, quase todas donas de casa, alcançar a autonomia financeira. Em 2008 a ação social concentrou-se na província de Ruyigi. As 6.700 famílias do município de Butezi vivem da agricultura de subsistência. Durante a guerra civil grande parte da população fugiu para os campos de refugiados da Tanzânia, a agora, voltando ao seu país, os problemas que encontram para a própria reinserção são muitos. O projeto prevê diversas linhas de ação:
- campo alimentar e agrícola: após uma primeira distribuição de víveres de emergência, a 800 famílias, procura-se criar autonomia alimentar, com a distribuição de mudas de mandioca, vacas e cabras, destinadas a desalojados e refugiados;
- assistência aos órfãos e às viúvas;
- prevenção da AIDS: em colaboração com as estruturas públicas existentes e o programa de prevenção da malária, responsável pela morte de muitas crianças com menos de cinco anos;
Os membros da CASOBU são pessoas qualificadas e preparadas para exercer o seu trabalho, animadas pelo espírito do Evangelho. Antes de tudo procuram escutar com atenção àqueles que encontram: “Muitas vezes precisamos agir como se fôssemos pais e mães destas pessoas, que antes de tudo têm um fardel de sofrimentos para partilhar com outras”. Ainda no município de Butezi, numa área onde vivem quase 3 mil famílias, somente cerca de cem delas podiam dispor de água limpa, enquanto as outras pegavam a água de fontes não adequadas, ou diretamente de riachos e pântanos, expondo-se a graves doenças. Dessa necessidade nasceu um novo projeto para levar a eles a água potável, o primeiro dos cinco já realizados até hoje.
Os pontos de força desta ação são: o envolvimento da população nos trabalhos e a formação de comitês locais para o cuidado e a conservação das fontes e a manutenção da infraestrutura construída. A população aceita ceder os terrenos necessários e suportar os transtornos e perdas devidas às escavações feitas em seus campos. Trabalhar todos juntos ajuda a renovar os liames sociais. O estilo de vida e o modo de trabalhar dos membros da CASOBU impressionam as pessoas. “Muitas vezes – conta Innocent, de Kayanza – para conseguir um benefício é preciso dar dinheiro, mas aqui notamos uma diferença: eles olhavam nos registros quem já tinha contribuído voluntariamente com o projeto, e faziam a sua inscrição sem nenhum tipo de corrupção”. “Seja que se tratasse de um simples trabalhador, seja que fosse um operário qualificado, todos estávamos no mesmo plano”.
É evidente que nem todos entendem logo, e o paciente trabalho da CASOBU é determinante para tornar o povo consciente de que estes projetos visam o bem comum. Passados três anos do primeiro projeto já existe uma melhora notável na saúde das famílias e especialmente das crianças. O último projeto para o acesso à água potável foi realizado em Kibingo (província de Kayanza) e alcançou 600 famílias e 1.200 alunos da escola infantil. Quem deseja participar das ações da CASOBU em apoio à população burundinesa, inclusive com contribuições esporádicas, pode utilizar a conta corrente bancária da: Associação Ação por um Mundo Unido, no Banco Popular Ético, filial di Roma. Código IBAN: IT16G0501803200000000120434 Código SWIFT/BIC CCRTIT2184D Motivação: “Projetos no Burundi”. O Burundi é um pequeno país da região africana dos Grandes Lagos, e um dos mais pobres do mundo. No Relatório 2011, da UNDP, está classificado no antepenúltimo lugar (185º), segundo o Índice de Desenvolvimento Humano. Os grupos mais vulneráveis da população são os doentes de AIDS, as viúvas, as jovens mães, os órfãos e os portadores de deficiências físicas, sem deixar de considerar os problemas ligados à reconciliação nacional e à reconstituição do tecido social e econômico.
3 Mar 2012 | Focolare Worldwide, Senza categoria
Vaikalpalayam é uma pequena vila, feita de casas humildes e pequenas ruas asfaltadas, mesmo se cheias de buracos. Na entrada está uma pequena construção de alvenaria, alegrada pelos gritos de umas vinte crianças. Essa casa hospeda uma das dez escolas de educação infantil, ou balashanti, abertas pela instituição gandhista Shanti Ashram na região de Coimbatore, próximo à rodovia que leva a Kerala.
Vinte anos atrás, quando começou, a escola tinha um objetivo preciso: iniciar um processo educativo com os dalit (os mais pobres), para dar a eles a possibilidade de ter esperança numa vida mais digna. O que aconteceu foi definido por alguém como uma verdadeira revolução. Nos vilarejos indianos os dalit vivem às margens, não podem pegar água dos mesmos poços dos outros e, até há não muitos decênios, era impensável que entrassem nos mesmos templos. Hoje, em Vaikalpalayam, as crianças dalit e as de castas superiores estudam, comem e rezam juntas, e as mães delas encontram-se lado a lado nas reuniões dos pais das 220 crianças que frequentam as escolas fundadas e conduzidas por esta organização gandhista, fundada há 25 anos pelo Dr. Aram, membro honorário do Parlamento indiano, pacifista e educador de primeiro plano. Nas escolas procura-se dar uma formação que conjugue os elementos básicos da alfabetização com as brincadeiras, os cantos e a aprendizagem de valores religiosos e humanos, além de um reforço na pobre alimentação diária. De fato, as famílias da vila não podem se permitir mais do que uma refeição por dia, com um salário que gira em torno de 60 dólares mensais.
Com o grande desenvolvimento industrial de Coimbatore, nos últimos anos, surgiram novos assentamentos precários, de trabalhadores da construção civil. Muitos deles são muçulmanos. Também nestas zonas o Shanti Ashram abriu algumas escolas, onde as crianças ajudam na integração de suas famílias no tecido social onde se encontram. A ideia de envolver as mães permitiu iniciar encontros onde são transmitidas normas de higiene e de saúde e ensina-se às mulheres como cozinhar alimentos que possam suprir as necessidades nutritivas dos filhos, com os fundos limitados de que dispõem.
Para enfrentar o problema do alcoolismo, que acaba com as míseras finanças familiares, um grupo dessas mães foi integrado ao projeto de microcrédito. E também as crianças são formadas para aprenderem a economizar. Karuna, de quatro anos, no ano passado conseguiu colocar no seu cofrinho 3 mil rúpias, quantia igual a que o pai ganha em um mês de trabalho. Além disso, nos balashanti eles aprendem normas higiênicas que permitem afastar o risco de doenças típicas da pobreza. O Dr. Aram e sua esposa, Minoti, tinham muito claro que para construir uma paz duradoura era necessário começar pelos menores. Daqui a ideia de fundar jardins de infância, que pudessem formar às crianças para a paz. «Muitas vezes – conta a Sra. Murthy, que acompanhou o projeto por 20 anos – são as crianças que ajudam a romper o mecanismo de violência familiar. Recentemente Divya, uma menina que estuda no balashanti, durante uma briga em família correu para o colo do pai e disse: “Papai, a violência é como o diabo!”».
As professoras ensinam às crianças o respeito para com todas as religiões. Inicia-se a manhã com as orações hindus, muçulmanas e cristãs. Consequentemente elas crescem sem as barreiras e os preconceitos que, por séculos, dividiram grupos e comunidades dessa região da Índia, criando tensões sociais que com frequência desencadearam confrontos violentos e sangrentos. O Movimento dos Focolares trabalha neste projeto desde o final da década de 1990, quando Minoti Aram percebeu a necessidade de garantir suplementos nutricionais e alimentares às crianças das escolas. Naquele momento os projetos de Famílias Novas e dos gandhistas do Shanti Ashram encontraram-se, dando início a uma fraternidade entre os dois movimentos que abriu-se ao diálogo inter-religioso e à formação à paz das novas gerações. Gandhi, de fato, afirmou: «Se desejamos ensinar a paz verdadeira (…) é preciso começar pelas crianças». De Roberto Catalano Fonte: Encarte da revista Città Nuova n.5/2012