Movimento dos Focolares
Bulgária, rumo ao Genfest

Bulgária, rumo ao Genfest

“Saudações da Bulgária! Queremos contar a vocês como está a nossa preparação para o Genfest. Quando soubemos qual seria o título, “Let’s bridge”, nos questionamos como poderíamos construir pontes aqui em Sófia . Lembramos que chegam aqui muitos refugiados, vindos especialmente do mundo árabe. A maior parte deles é de muçulmanos, alguns estão aqui há pouco tempo, outros já há muitos anos. Mas infelizmente muitos não têm nenhum contato fora do próprio grupo. Uma amiga nossa, refugiada do Iraque, que trabalha no comitê para as mulheres refugiadas, disse-nos que eles desejariam conhecer mais a nossa cultura, e conhecer mais também a tradição búlgara da ‘Festa da árvore’. Foi assim que tivemos o nosso momento de encontro, no dia 10 de dezembro. Éramos 30 pessoas, das quais cerca de 20 refugiados, principalmente do Iraque, mas também do Líbano, Líbia e Afeganistão. O programa era apresentar as tradições natalinas dos nossos países, inclusive do lado gastronômico. Começamos com um jogo, para nos conhecermos: uma bola de lã ia se desenrolando enquanto passava de mão em mão e cada um dizia algo de si, seu nome, sua proveniência… o suficiente para romper o gelo e começar a criar um relacionamento entre todos. Depois tivemos momentos de reflexão, uma fábula para as crianças e ilustrações sobre os hábitos dos diversos povos nessa época do ano. Os nossos amigos refugiados sentiram-se acolhidos e amados. Estavam comovidos diante do que tinha sido preparado para eles, e não paravam de agradecer. No final do dia uma jovem cristã escreveu: “Ainda que no Iraque pintem os ovos no Ano Novo e nós, na Bulgária, os pintemos na Páscoa; apesar das outras diferenças nos trajes e nas festas, todos sentimos que existe algo no mundo que age com a mesma força e a mesma luz: o amor. O nosso amor para com o outro: aquela pessoa que conhecemos há anos, com todos os seus defeitos, ou quem encontramos pela primeira vez, e que nem conhecemos ainda, mas em cujos olhos, não obstante tudo, podemos ver Jesus”. O encontro terminou com pratos apetitosos, do mundo inteiro, com muitas histórias, alegria e gratidão. Esperamos ter conseguido fazer com que essas pessoas tão queridas sintam que são bem vindas, e que podem sentir-se em casa”. Os Jovens por Um Mundo Unido da Bulgária

Bulgária, rumo ao Genfest

Instrução. Projetos de apoio a jovens

Em 2011, 250 jovens foram acompanhados na sua trajetória educacional, da escola infantil até cursos superiores de especialização, em 14 países: Bósnia, Croácia, Macedônia, Moldávia, Romênia, Sérvia, Líbano, Filipinas, Brasil, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai. Dar aos jovens a possibilidade de estudar e formar-se profissionalmente é, sem dúvidas, um investimento para o futuro. A experiência da AMU e da EdC demonstra que já no presente vive-se em comunhão de intentos e de bens, e colocam-se em ação dinâmicas de reciprocidade, em quem dá e em quem recebe. Escrevem, por exemplo, de Cebu, nas Filipinas: “Todos os sábados alguns estudantes vão ao nosso centro social, como tutores para os menores. Os que frequentam a universidade ajudam os do ensino médio, e os do ensino médio ajudam quem tem dificuldades no ensino fundamental. No tempo livre eles ajudam também nos programas sociais do centro, fazendo limpeza nas salas, dando de comer ao menores, distribuindo material escolar no início do ano”. E do Brasil: “Tenho 20 anos, três irmãos e o menor tem uma deficiência física. Isso torna a nossa família mais unida e nos ajuda a crescer e enfrentar a vida com simplicidade e abertura às necessidades dos outros. No início desse ano entendi que podia viver o Evangelho com mais radicalismo, seja na universidade seja no meu tempo livre, e que isso teria feito a diferença na minha vida. Mas como colocar em prática essa minha decisão? Tive a ideia de dedicar-me a uma atividade de voluntariado, porque assim teria a ocasião de participar da reciprocidade típica da EdC: eu recebo a bolsa de estudos e “em troca”, dou o meu tempo a outras pessoas em dificuldade. Comecei então a trabalhar numa casa de idosos que tem mais de 50 internos. Faço atividades que possam melhorar a sua qualidade de vida. O meu objetivo é não vê-los como ‘idosos’ em geral, mas conhecer cada um com a sua história de vida, a sua família, e entender o que realmente desejam”. “Frequento o curso de enfermagem na Universidade Federal do Pará. A profissão que escolhi é uma chance para me colocar a serviço dos outros. Algumas vezes encontrei-me em situações com risco de contagio, mas procurei sempre agir em favor de quem precisava. Uma vez fui encarregado de cuidar de uma pessoa que havia cometido crimes, para mim era simplesmente uma pessoa necessitada de tratamento. Esse meu comportamento chamou a atenção dos meus colegas fazendo-os refletir sobre as atitudes que a nossa profissão exige”. “Sou consciente que a EdC tem como objetivo também a ‘formação de homens e mulheres novos’, além da ajuda a pessoas em dificuldade. Por isso procuro ser um sinal de comunhão entre os meus colegas estudantes, fazendo com que os conhecimentos e experiências de cada um circulem entre todos. Não tenho livros meus e procuro deixar o material didático que me é dado em uso em bom estado. Mas outros não tem a possibilidade de comprar nem as apostilas, então partilho com eles esse material. É isso que eu posso fazer para que outros também possam estudar. Sinto que as conquistas que faço com relação ao estudo não pertencem apenas a mim, mas a todos os que colaboram com este projeto”.

Bulgária, rumo ao Genfest

Escola: eu em primeiro lugar?

“Estava estudando para a prova oral de história e não conseguia me concentrar, as páginas eram muitas e eu pensava que ia ser difícil chegar até o fim. Para piorar a situação chegou um sms de alguns amigos que me pediam ajuda para um trabalho de matemática. Reli a mensagem, pensei em todas as páginas e estava quase respondendo que não ia poder ajudá-los. Passados alguns segundos, porém, algo dentro de mim fez-me entender que estava perdendo uma chance de querer bem a amigos que estavam em dificuldade. Instintivamente havia colocado eu mesmo em primeiro lugar, sem pensar no quanto é importante ajudar os outros. Fechei o livro de história e corri para a casa de um deles, onde estavam reunidos. Dei tudo de mim e os ajudei até tarde da noite. Quando cheguei em casa não tinha mais tempo para estudar história. Como é que eu ia fazer a prova? Confiei tudo a Deus, acreditando que teria encontrado uma solução. No dia seguinte alguns colegas pediram à professora para transferir a prova, evidentemente eu não era o único que não tinha estudado. A professora, em geral muito intransigente, decidiu adiá-la. Simples sorte? Não acredito! Ao contrário, acho que o ato de confiança feito na noite anterior foi providencialmente recompensado por Deus!”. (S. G. – Itália)

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Congresso Pan-africano Gen 2

Estiveram presentes mais de 200 jovens, representando 21 países da África subsaariana. “Falamos muitas das línguas que existem em solo africano, mas nos entendemos muito bem!”, escreveram, “porque Chiara ensinou-nos uma língua só: a do amor”. Pela primeira vez alguns representantes das e dos gen africanos puderam encontrar-se e reconhecer-se como parte do sonho de Chiara Lubich, quase uma profecia, que ela expressou vinte anos atrás, justamente nessa Mariápolis: que um dia esta terra teria sido um testemunho vivo da luz do carisma do Movimento dos Focolares: a unidade. A abertura oficial – com a presença dos responsáveis centrais do Movimento gen, Geppina Pisani e Marius Müller, e dos responsáveis pela Mariápolis Piero, Else Castellitto e Joseph Kinini – foi uma verdadeira explosão de alegria e de cores, com a apresentação de cada uma das áreas geográficas. Os grupos subiam ao palco e destacavam de um grande painel, com a forma do continente africano, a parte correspondente à própria nação, e depunham a sua bandeira. O resultado final foi uma foto de Chiara Lubich, sorridente, vestida com roupas africanas, e diante dela todas as bandeiras. Os gen escreveram: “Chiara sorri para nós, parece mesmo que leva todos os nossos povos a Deus!”. No auge de uma crise mundial, que naturalmente não poupou a África, um continente já duramente provado, os gen não recuaram e, com determinação, superaram mil obstáculos para chegar ao Quênia, vindos de lugares distantes até milhares de quilômetros, com viagens de três dias em estradas precárias, como aqueles do Congo, Malawi, Etiópia e Sudão do Sul. “Quando soubemos desse congresso percebemos logo que seria preciso muito dinheirocontam os gen nigerianos -. Mas dessa vez não queríamos pedir ajuda sem antes fazer a nossa parte. Fizemos várias atividades, mesmo se muitos de nós estão na universidade: vendas, trabalhos na lavoura, preparação de um calendário onde contamos as nossas experiências e a vida de Chiara Luce, e que agradou muito. Assim 12 de nós puderam vir”. “O nosso país está atravessando uma gravíssima crise econômica e política – disseram os da Costa do Marfim – mas a nossa presença é a prova da Providência de Deus que nos acompanhou”. No dia 29 de dezembro, uma conexão internet com intercâmbio em tempo real, com a presidente dos Focolares, Maria Voce, um momento de grande alegria para ela e para todos os presentes. “Estou muito contente em vê-los tão numerosos e tão comprometidos com o nosso Ideal, isso é o que me dá mais alegria. A presença de vocês é um sinal de grande esperança, porque as novas gerações são a esperança da Obra, da Igreja, a esperança da humanidade. E vi que não apenas eu sinto assim, porque também o Papa o repete sempre…”. Em meia hora de diálogo os gen exprimiram a sua alegria por esta experiência de unidade e falaram dos propósitos feitos nestes dias. Concluindo esse momento, cantaram uma canção dedicada a Chiara Lubich: “Chiara, luz da África”. Ao responder Maria Voce disse: “Contem ainda mais com esta luz forte que é a presença de Jesus entre vocês, é Ele que os ajudará a testemunhar a unidade, mesmo em meio às dificuldades, sem medo”. Na mensagem que enviaram a ela, na conclusão, escreveram: “Para muitos de nós, que não conheceram Chiara pessoalmente, o nosso encontro com você hoje foi a confirmação de que Chiara está sempre entre nós, está conosco. Sentimos o seu mor pessoal, com o seu encorajamento e a sua confiança. Você nos entende profundamente, está muito próxima de cada gen… Somos conscientes de que a verdadeira batalha começa agora que voltamos aos nossos países, mas aqui tivemos todas as repostas que precisávamos. As suas palavras, “não tenham medo”, nos ajudarão a levar Jesus a todos. Vamos com a alegria da redescoberta do chamado a trabalhar para levar a unidade ao mundo que está ao nosso redor!”. Em todos os jovens existia a consciência de ter vivido um momento histórico, de ter feito uma experiência de vida e de unidade, que supera as divisões entre países há tempos em conflito, as desigualdades e as injustiças sociais e no campo econômico, sentindo-se protagonistas, junto com muitos outros, pelo destino da África, e trabalhando para que ela possa dar a própria contribuição, específica e insubstituível, para um mundo mais unido. [nggallery id=83]

Bulgária, rumo ao Genfest

Coreia – uma pérola para toda a Ásia

Partindo de Brasília, voando para o leste por 22 horas, chega-se à última península de terra firme do continente asiático: a Coreia, “O país da manhã serena”, como é chamado, um dos países ainda hoje dividido entre norte e sul. A Coreia do Sul, com os seus 48 milhões de habitantes, dos quais 12 milhões na capital, Seul, recebeu o Movimento dos Focolares nos anos 1960. Após a abertura do primeiro focolare, em 1969, o Movimento difundiu-se rapidamente em toda a península, penetrando em todas as faixas etárias e contextos sociais. Hoje existem cinco centros em Seul, dois em Daegu e um Centro de Encontros e Formação em Kyeonggido. Propomos breves notas, que podem dar uma ideia da vida atual do Movimento na Coreia. Diálogo inter-religioso. É uma característica típica de um país culturalmente ligado às grandes religiões, como o Budismo e o Confucionismo, com uma ampla presença de cristãos. Assinalamos o último fato significativo: Han Mi-Sook, focolarina, membro da Comissão do Diálogo inter-religioso da Conferência Episcopal coreana (CBCK), acompanhou o venerável Ja Seung, presidente da “Jogye Order” do budismo coreano, e o dr. GunDuk Choi, presidente da associação do confucionismo, ao encontro de outubro passado em Assis (Itália), do qual os mesmos participaram ativamente. Em seguida, o presidente do confucionismo e seu colaborador visitaram Loppiano, a Mariápolis permanente internacional do Movimento, e o Centro do Movimento em Roma. “Faço votos – ele disse – que se realize o sonho de vocês, ‘que todos sejam um’”. Projeto social. Chama-se “Haengbok Maeul” – A vila da felicidade”. Atividade mensal, existente há oito anos, para auxiliar trabalhadores estrangeiros, refugiados da Coreia do Norte (mais de 20 mil) e muitos outros necessitados. O projeto oferece diversos serviços de assistência médica, alimentos e vestuário, cabeleireiros, aulas de coreano, etc. “Num primeiro momento – contam os voluntários empenhados no projeto – as pessoas eram desconfiadas, mas agora que se sentem amadas aos poucos começam a se abrir, e eles mesmos trazem alimentos para serem partilhados”. Política e economia. O Movimento Político pela Unidade (MppU) teve início na Coreia em 2004, por iniciativa de um grupo de parlamentares que, desde 2008, reúne-se regularmente, uma vez por mês, no “Fórum político pela unidade”, um grupo de pesquisa reconhecido pelo Parlamento. A atividade alargou-se em um “Fórum Social”, aberto a jornalistas, advogados, funcionários públicos, médicos, economistas, que acontece a cada dois meses no Parlamento, com a participação média de 30 pessoas. Entre as atividades promovidas pelo MppU recordamos a campanha pela “purificação da linguagem”, em 2010. Uma centena de estudantes de jornalismo, de várias universidades, monitorou a linguagem dos políticos e dos deputados durante as sessões, entrevistas e discursos. A pesquisa estimulou os políticos a estarem mais atentos ao uso da linguagem e concluiu-se com uma premiação. O Movimento Político pela Unidade é também promotor de duas escolas para jovens políticos e estudantes interessados. Os cursos preveem dez aulas e dele participam 58 estudantes. Economia de Comunhão. Nascida em 1991 por uma intuição de Chiara Lubich, a EdC suscitou um grande interesse na Coreia, não apenas nos empresários, mas também em muitos estudiosos, pesquisadores e professores de economia. Atualmente oito empresas aderem à EdC na Coreia. Outras quatro têm grande interesse e desejam tornar-se ativas no projeto. Em 2011, 23 coreanos estiveram presentes no Congresso Internacional, realizado no Brasil, comemorativo dos 20 anos de nascimento do projeto. Um fruto imediato: a tradução em coreano do texto “New Financial Horizons: The Emergence of an Economy of Communion” (“Novos horizontes financeiros: a emergência de uma Economia de Comunhão”, numa tradução livre), de Lorna Gold. Visita de Maria Voce. Em janeiro de 2010, a visita da presidente do Movimento dos Focolares e do copresidente, Giancarlo Faletti, reuniu cerca de 1700 membros, em dois dias de conhecimento recíproco, novas notícias, aprofundamentos sobre a espiritualidade da unidade, e uma festa cheia de alegria. Os visitantes encontraram-se ainda com vários bispos e com alguns políticos que fazem parte do MppU, na sede do Parlamento. Na comunidade coreana foi renovado o augúrio feito por Chiara Lubich, durante a sua visita à Coreia em 1982, pedindo aos membros do Movimento dessa nação que fossem “verdadeiras locomotivas” para toda a Ásia: um desafio que é compromisso assumido todos os dias. [nggallery id=82]

Kyeonggido, Centro Mariápolis “Maria, Mãe de Deus”

A comunidade do Movimento na Coreia continuava a crescer, e sentia a necessidade de ter um lugar onde formar-se na cultura da unidade e da fraternidade, onde poder reunir-se e partilhar as experiências de Evangelho vivido. Assim, além da “Providência” que chegou abundantemente, todos empenharam-se em atividades para angariar recursos, e foi possível adquirir um terreno de 9.799m2, para construir o Centro Mariápolis, de acordo com as necessidades. Os que mais assumiram essas atividades foram os e as gen 4, as crianças que vivem a espiritualidade do Movimento, que encheram os seus cofrinhos, inclusive a custa de sacrifícios e com grande fidelidade. O Centro Mariápolis “Maria, Mãe de Deus”, que está a cerca de uma hora de distância da capital, Seul, foi inaugurado em 1994, com a alegria de todos. Nessa ocasião esteve presente Aldo Fons Stedile, enviado por Chiara Lubich, um dos focolarinos dos primeiros tempos e seu estreito colaborador. A partir de então o Centro funciona em pleno ritmo e serve principalmente para a formação dos membros do Focolare. Anualmente cerca de 7 mil pessoas participam dos vários cursos e encontros, para aprofundar a espiritualidade da unidade. O dia mais animado e participado é o terceiro domingo do mês, quando o Centro é aberto às crianças e adolescentes. São cerca de 200 os que vêm todos os meses, acompanhados pelos pais, e toda a casa se enche de cantos e risos, com a sua típica vivacidade. Simultaneamente é realizado um encontro específico para os pais, e muitas vezes são as próprias crianças que suscitam neles o interesse pela vida de acordo com a espiritualidade da unidade.