7 Set 2008 | Focolare Worldwide
Meu marido e meus filhos são alcoólatras. Até um ano atrás o mais velho, Tom, convivia com uma moça. Todos dois, além de alcoólatras tornaram-se dependentes de drogas. Há um ano meu filho voltou para casa porque não se entendia mais com a mulher com quem vivia, contudo um filho já havia nascido. Pensar neste netinho me causava muita pena, porque a sua situação era extremamente dolorosa. Eu dava a culpa à mãe e um dia, encontrando-a na rua, abertamente a acusei de muitas coisas. Ambas fomos embora fortemente amarguradas. É inútil dizer que voltando para casa me sentia culpada por não ter amado. E todas a justificativas que procurava dar a mim mesma, repetir que no fundo eu tinha razão, que tinha feito aquilo pelo meu neto, nada me dava paz. Algo dentro de mim me impelia a pegar o telefone e pedir desculpas, embora isso fosse muito difícil. Não sabia nem se ela me escutaria. Na verdade, depois, quando lhe pedi desculpas, foi ela que quis se desculpar. Algumas semanas depois desse fato Dorothy foi presa. As coisas iam de mal a pior e eu, preocupada pela situação de meu neto, tinha um grande rancor com relação aos seus pais, que o tinham colocado no mundo naquela situação. Não sendo casados a criança teria sido confiada ao estado. O ressentimento crescia dentro de mim a cada hora, e mesmo assim as palavras de Jesus sobre o perdão não me deixavam em paz. Devia amar Dorothy também, seja o que acontecesse ao meu neto. Depois de muitos esforços finalmente a Palavra abriu uma brecha no meu coração e foi com a alma renovada que fui encontrá-la na prisão. Ela me abraçou, comovida. Creio que sentiu que fui lá para amá-la e aceitá-la assim como é. Foi ela que me falou do menino e perguntou se eu mesma poderia cuidar dele. Assim a custódia legal passou a meu filho e hoje os dois estão sob o meu teto. Pareceu-me o cêntuplo prometido a Jesus a quem busca o seu Reino, fazendo a sua vontade, o fruto por ter me esforçado em amar, até o fim. (J.S. – USA)
9 Abr 2008 | Focolare Worldwide
O formulário para um pedido de cargo de professor que tenho nas mãos me diz que a vida de estudante já terminou. O item onde devo indicar o estado escolhido para trabalhar me inquieta. É melhor ficar na minha cidade, do sul da Itália, ou ir para outro lugar? Estou diante de uma escolha de vida. Muitos colegas meus escolhem o norte, para ter maiores possibilidades de trabalho e para se afastarem daquela realidade que muitas vezes vem à tona na crônica negra: ilegalidade, corrupção, criminalidade. Mas, muitas coisas me ligam à minha cidade! Não apenas a família, afetos, amigos, interesses, mas também a esperança de poder fazer alguma coisa, caminhando contracorrente, apesar dos meus limites. Volta à minha mente a exortação de Chiara aos jovens: “morrer pela própria gente”. Junto com um pouco de inconsciência, a idéia de ficar, arriscando encontrar menores chances de trabalho e “escolas difíceis”, cresce dentro de mim. Falo sobre o assunto em casa, com minha noiva, com os colegas. Anoitece e no dia seguinte devo enviar o formulário. A escolha está feita: eu fico. Na periferia e em zonas carentes existe mais possibilidade de trabalho, já que são lugares não muito almejados. Penso: “O que eu posso fazer nesses bairros, territórios de luta da camorra, onde se atira e se mata? Posso amar! Que Deus me ajude”. E assim indico algumas escolas de “fronteira” e outras de “elite”. Deus me mostrará onde deseja que eu esteja. Depois de alguns meses sou contratado com um cargo anual. Inacreditável, entro no mundo da escola pela porta principal, com o melhor contrato! No dia em que me apresento na escola as aulas são suspensas por causa de atos de vandalismo que ocorreram na noite anterior. Entendo logo que Deus me pegou pela palavra: chegou a hora da prova. O contexto é especial e o mal-estar social se faz sentir. Os dias passam entre momentos sofridos, quando parece que nada funciona e outros nos quais os olhos dos meninos se iluminam, me procuram, porque querem crescer e preparar-se para um futuro melhor. Agarro-me a esta esperança e o meu sofrimento encontra um sentido. Não sei se resistirei, porque às vezes é realmente duro enfrentar as gozações, obter respeito, falar de matemática, num contexto como esse. Mas sei que, momento por momento, posso procurar fazer com que Deus entre nas salas de aula, levá-lo nas repreensões, nas notas, nas conversas, nas disputas, nas explicações, nos silêncios, nas anotações na caderneta. Se Ele quis que eu estivesse aqui existe um porquê. (P.D. – Itália)
14 Fev 2008 | Focolare Worldwide
Trabalho como professor de inglês em uma escola do Cairo. A maioria dos estudantes é muçulmana, de famílias muito ricas. Comecei a dar aulas quando se aproximava o mês do Ramadã e como primeira atividade, nas minhas duas novas classes, propus a composição de uma decoração típica deste período. Os outros professores, também na maioria muçulmanos, ficaram tocados, sabendo que eu era cristão. Com este pequeno gesto logo se criou na turma um excelente clima de amizade, e enquanto decorávamos a sala juntos fomos entendendo que a regra mais importante seria aprender a nos querer o bem uns aos outros. A melhor prova da turma – Na classe havia um menino autista que muitas vezes estava ausente com o pensamento e tinha dificuldades de integração. Já tinha 10 anos mas não conseguia escrever e era preciso sempre repetir muitas vezes os conceitos para ele. Sua mãe vivia angustiada, porque não encontrava uma escola que assumisse a sua situação e não sabia mais o que fazer. Procurei ficar com ele durante os intervalos para brincar, conversar, encorajá-lo a estudar mais em casa. Ele era normalmente muito sério e pouco expressivo mas um dia, entrando na sala de aula, me abraçou dizendo: “gosto muito do senhor, professor!”. Durante a prova do primeiro semestre vi que ele pegava no lápis com segurança e escrevia rápida e corretamente as respostas de cada exercício. Foi a melhor prova da turma! Estudantes, pais e colegas, todos envolvidos na “competição” – Cada um dos alunos, sentindo-se amado pessoalmente e para corresponder a esse amor, se esforçava para aprender as lições, fazendo o melhor possível os deveres de casa e trazendo estudos suplementares, por iniciativa própria. Quando alguém terminava os exercícios primeiro se oferecia para ajudar quem tinha mais dificuldade, criando uma “competição” de amor entre todos. Eu recebia muitas cartas e telefonemas dos pais que me agradeciam pelo modo como estava cuidando de seus filhos e me confiavam inclusive seus problemas pessoais. Muitas vezes outros professores me procuravam nas horas livres para pedir conselhos sobre o meu método pedagógico e dessa forma se abria um diálogo profundo com cada um. No fim do ano uma notícia surpreendente – A escola me premiou como o “professor do ano” pelo “espírito novo que deu nova luz ao ensino”, e que agora muitos dos professores estão interessados em conhecer e imitar. Um passo ulterior foi adotar como regra, para as duas classes, o “dado do amor”. O jogamos todas as manhãs e um dos alunos explica, em inglês, como colocar em prática a regra do dia. Nos testes semanais os estudantes devem escrever as próprias experiências sobre como colocaram em prática as regras do dado. Um dia entrei na sala e encontrei 22 cartas em minha mesa. Eram 22 experiências lindas, que desejaram me comunicar numa iniciativa deles mesmos: ser o primeiro a amar, amar a todos, amar o inimigo… fatos vividos durantes as aulas, nos intervalos, no ônibus de retorno para casa. Imediatamente as levei ao diretor e no final daquela manhã todos os docentes foram convocados para uma reunião extraordinária: “esta escola precisa de novos princípios – nos diz o diretor – e este dado é a resposta justa. A partir do próximo semestre introduziremos a pedagogia do dado em todas as classes”.Todas as manhãs os professores entram na classe com o dado nas mãos e apresentam a todos os alunos a “arte de amar”. O clima da escola está mudando, não somente entre os alunos mas também entre os professores e nas relações entre a direção e o corpo docente. (B. S. – Egito)
25 Jan 2008 | Focolare Worldwide
Responder à exigência de “sabedoria” que emerge do mundo acadêmico e no meio do povo, numa sociedade que está chegando ao limite de uma cultura dominada pela ciência e a tecnologia. Este é o objetivo que inspira a colaboração em vista entre a Liverpool Hope University e o Movimento dos Focolares, particularmente com o Instituto Universitário Sophia, que iniciará suas atividades em Loppiano, Florença, em outubro próximo. O professor Gerald John Pillay, reitor anglicano da Universidade inglesa, a única da Europa com fundação ecumênica, falou sobre o assunto numa entrevista à New City. É uma resposta imediata à proposta lançada por Chiara Lubich na mensagem dirigida à Universidade por ocasião da outorga do doutorado h.c. em Teologia (Divinity). A Universidade inglesa quis reconhecer a contribuição dada por Chiara Lubich “à vida da Igreja, à paz e à harmonia na sociedade, à unificação dos cristãos das diferentes denominações e ao diálogo e à compreensão entre as religiões”. Este reconhecimento foi uma oportunidade para aprofundar o conhecimento recíproco entre a Universidade e o Movimento dos Focolares. Na mensagem lida durante a cerimônia pública em Liverpool, no dia 23 de janeiro, Chiara Lubich se disse “profundamente tocada” pela proximidade dos ideais marcados pela unidade, e fez votos de que fosse iniciada uma colaboração, na qual entrevia uma esperança para o futuro. A Hope University – que conta com mais de 7 mil estudantes de vários países – deseja ser, de fato, “uma comunidade acadêmica” inspirada nos valores cristãos, “um sinal de esperança” aberto a outros credos, empenhado a promover a harmonia religiosa e social, na “vida educativa, religiosa, cultural e econômica”.
A colaboração desejada pelo professor Pillay – que no início de janeiro foi pessoalmente a Rocca di Papa, com uma delegação da Universidade, para entregar a Chiara o doutorado h.c. – é um projeto ainda em fase de definição. Daquele encontro surgiram as primeiras idéias, como o reitor afirmou posteriormente na entrevista à revista New City: “Nos escritos de Chiara, que eu havia aprofundado por ocasião desta outorga, encontrei o sentido da unidade e a centralidade da fé de forma muito estimulante e interior. Quando nos encontramos, em Roma, fiquei muito tocado com a sinergia entre a visão do Focolare e da fundação Hope. Queremos precisar alguns percursos de colaboração, seja entre os docente seja para os estudantes, de modo que possam, com facilidade, ter acesso ao programas da Hope e da Sophia. Existe aqui uma possibilidade realmente fascinante”. Enquanto isso representantes da Hope University estarão presentes na inauguração do Instituto Universitário Sophia, ocasião para precisar este projeto. Um professor de economia do Movimento dos Focolares já foi convidado a falar, no próximo mês de junho no evento Great Hope, uma semana de iniciativas para jovens, futuros líderes, de vários países do mundo, promovido pela Universidade inglesa neste ano no qual Liverpool é a capital européia da cultura. O que é a Liverpool Hope University – É uma instituição acadêmica que oferece um amplo leque de disciplinas. Possui 7 mil estudantes, provenientes da Grã-Bretanha e de outros países. É uma das universidades de fundação mais recente, mas conta com uma tradição de alta formação cultural, de mais de 150 anos. Foi instituída em 2005, a partir da fusão de duas antigas faculdades, uma anglicana e outra católica, às quais uniu-se, em seguida, uma terceira, católica, com a criação, em 1980, de uma federação ecumênica. Foi sobre esta base que se desenvolveu a Liverpool Hope University, encorajada pelos bispos de Liverpool, Derek Worlock (católico) e David Sheppard (anglicano), ambos comprometidos ativamente no diálogo ecumênico: seu lema comum era “melhor juntos”. Viam nesta nova iniciativa cultural um “sinal de esperança”.
18 Jan 2008 | Focolare Worldwide
O Instituto Universitário “Sophia”, que teve origem de uma intuição da fundadora e presidente do Movimento dos Focolares (Obra de Maria), Chiara Lubich, impulsionado por ela própria e por um grupo internacional de docentes, foi criado pela Santa Sé com o Decreto de 7 de Dezembro de 2007. Sede – O Instituto terá a sua sede em Loppiano, primeira Mariápolis permanente do Movimento, na região de Florença. A partir de 2008/2009 poderá oferecer um mestrado em “Fundamentos e perspectivas de uma cultura da unidade”, com a duração de dois anos. Nesta fase inicial espera-se a participação de 50 estudantes por ano. Está previsto para mais tarde o curso de Doutorado correspondente. Oferta – No 1º ano de mestrado serão ministrados cursos comuns a quatro áreas fundamentais: Teologia, Filosofia, Ciências sociais e Racionalidade lógico-científica. No 2º ano os estudantes têm duas opções: área filosófico-teológica ou área político-econômica.
Características – Pretende ser um laboratório acadêmico de formação, estudo e pesquisa, com uma forte componente de relacionalidade, à luz do Evangelho, e uma ocasião inovadora de crescimento humano e cultural, que conjuga estudo e experiência, no seio de uma comunidade de vida e de pensamento, onde a relação entre as pessoas é a base da relação entre as disciplinas. O estudo, a pesquisa e as lições têm como objetivo instaurar um diálogo constante entre docentes e entre estudantes e docentes. Daqui resulta um ensino a várias vozes, a partir dos docentes e da contribuição pessoal e ativa dos estudantes, para uma investigação comum. As lições teóricas constam de exercícios, visitas guiadas, encontros com personalidades, períodos de estágio em vários âmbitos, de modo especial em locais de empenho profissional, cultural e social que são expressão de uma “cultura da unidade”, como por exemplo as empresas de “Economia de Comunhão”. Estão previstos encontros com realidades civis e eclesiásticas, com comunidades de diferentes tradições cristãs, com personalidades de várias religiões e com representantes das múltiplas expressões da cultura contemporânea. Objetivo – O curso pretende conferir uma competência cultural sólida de caráter humanístico e antropológico, valorizando os conhecimentos universitários previamente adquiridos nas várias disciplinas e promovendo a sua integração com competências novas e específicas, de caráter interdisciplinar, intercultural e relacional. O Instituto tem como objetivo formar líderes e acadêmicos preparados para enfrentar a complexidade do mundo hodierno, com uma bagagem de capacidades intelectuais e competências interdisciplinares, interculturais e relacionais. Corpo docente – O Presidente do Instituto é Piero Coda, atualmente professor ordinário de Teologia sistemática na Pontifícia Universidade Lateranense de Roma e presidente da Associação Teológica Italiana; os professores residentes que irão integrar o corpo docente nas áreas do ensino e da pesquisa, são António Maria Baggio, professor associado de Ética social na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Luigino Bruni, professor associado de Economia Política na Universidade de Milão-Brescia, Judith Povilus, ex-docente de Matemática na De Paul University of Chicago e coordenadora do grupo internacional de pesquisas Mathzero, no campo da lógica formal, Sérgio Rondinara, docente de Filosofia da Ciência na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma e de Ética ambiental na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Gerard Rossé, professor de Exegese do Novo Testamento no Instituto Mystici Corporis de Loppiano e na École de la foi de Friburgo (CH). Decreto pontifício – O Decreto de fundação foi assinado pelo cardeal Zenon Grocholewski, Prefeito da Congregação para a Educação Católica que, na carta dirigida a Chiara Lubich, que o acompanha, sublinha a novidade do Instituto “que surge das raízes da Espiritualidade da unidade e das enriquecedoras experiências do Movimento” e manifesta os seus votos para “este importante projeto, bem enraizado na tradição acadêmica mas ao mesmo tempo corajoso e perspectivo”. O cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, também se manifestou acerca deste Instituto acadêmico, por ocasião de um encontro com os sacerdotes diocesanos focolarinos (Centro Mariápolis de Castelgandolfo, 15.01.08), definindo-o como “uma dádiva para a Igreja e para a sociedade do nosso tempo”. Pôs em evidência os “objetivos de comunhão”, de modo especial o caráter marcadamente interdisciplinar, o reflexo sobre a “formação de líderes” e as perspectivas de incidência nos mais variados campos: “político, econômico, científico e filosófico”.
3 Nov 2007 | Focolare Worldwide
12/11/2007
O grupo musical internacional Gen Rosso transcorreu, em Tanger, cinco dias intensos e plenos de imersão em um povo acolhedor e rico da tradição e da cultura islâmica. Etapas com diferentes facetas: na Faculdade de Economia e Comércio com um clube artístico-musical de estudantes; nas ruas do centro histórico o encontro com um grupo originário do Senegal que deseja transmitir, por meio da música, os valores de seus antepassados; no Salão de Atos da Universidade, com o grande concerto para os estudantes, e finalmente, num cenário de “mil e uma noites” o concerto no Palácio do Sultão. Com os jovens da Universidade – Amor, perdão e acolhida do outro para compor juntos uma grande “constelação”, foi a mensagem transmitida no concerto do Salão de Atos. “Impacto instantâneo” entre os 400 estudantes e o Gen Rosso, como notificou a imprensa nacional, surpresa por tanto entusiasmo, com entrevistas ao vivo. Um dos amigos muçulmanos dizia: “Vocês tocaram o coração dos jovens muçulmanos, vocês falam com a mesma linguagem deles”. E um estudante: “Vocês trouxeram os corações de vocês e assim chegaram até os nossos!”.
No “Palais Moulay Hafid”, o Palácio do Sultão, foi grande a sintonia com o público que acolheu a mensagem com muita alegria e participação. O show provoca emoções que suscitam um diálogo espontâneo, desejo de conhecer-se, de aprofundar a amizade que acabou de nascer, mas que traz em si o DNA da fraternidade. Gen Rosso background – Da sua fundação até hoje passaram pelo Gen Rosso mais de 200 artistas e técnicos; esteve em 44 países da Europa, Ásia, América do Norte e do Sul, África e Oriente Médio, com 2.500 shows em 220 turnês; 24 línguas cantadas, 60 manifestações internacionais, 250 workshops e mais de 5 milhões de expectadores. A discografia conta 54 álbuns com 320 canções publicadas. O Gen Rosso tocou em contextos sociais diversificados quanto à realidade racial, religião e cultura, muitas vezes saindo das rotas habituais de suas turnês para projetos de solidariedade, associações humanitárias e penitenciárias.