Movimento dos Focolares
Crescem os «colegas de classe à distância»

Crescem os «colegas de classe à distância»

35 projetos em 29 países: 1847 bolsas de estudo financiadas em cinco anos. Uma rede de reciprocidade em ação, em nível planetário, entre os “schoolmates”: colegas de classe à distância, um projeto do Movimento Juvenil pela Unidade, do Movimento dos Focolares, que, a cada ano, envolve um número maior de escolas. Em 2006 foram distribuídas 455 bolsas de estudo. (http://www.school-mates.org/home_br.html) O que é o projeto Schoolmates – Com o projeto Schoolmates os adolescentes do Movimento Juvenil pela Unidade promovem uma rede de intercâmbio entre escolas: turmas de países diferentes se correspondem para uma troca das riquezas recíprocas e a partilha de culturas, línguas, tradições e iniciativas em vista da construção de um mundo unido. Com um fundo monetário de solidariedade são financiadas bolsas de estudos para adolescentes dos países mais pobres. O compromisso – A classe ou o grupo, que deseja aderir ao Projeto se compromete a viver a Regra de Ouro – “Faça aos outros o que gostaria que fosse feito a você. Não faça aos outros o que não gostaria que fosse feito a você” -, a se corresponder com outras turmas ou grupos e a sustentar as bolsas de estudo. Cada classe pode assumir uma bolsa de estudos anual, com a contribuição de R$ 3,00 por mês, de cada jovem que deseja aderir. Os recursos podem vir de economias pessoais ou de atividades variadas, surgidas a partir da criatividade de cada grupo. Uma delas, que já é um evento comprovado do Movimento Juvenil, na Itália, são as Feiras da Primavera. Em 2007 já estão em ação 30 projetos, em 26 países. Vamos focalizar alguns deles: Enfrentar o fenômeno da evasão escolar na Albânia – A falta de recursos financeiros e de um programa nacional são as causas da crise do sistema escolar albanês nos últimos anos. Entre os sérios problemas estão os baixos salários dos professores, a falta de material didático e de ambientes saudáveis. O projeto quer dar a possibilidade a muitos adolescentes, da classe mais pobre, de freqüentar a escola obrigatória e poder cursar escolas profissionalizantes, para ter maiores perspectivas no futuro, e contribuir, quando adultos, para a vida do próprio país. Veja o projeto: http://www.school-mates.org/progetti/main_albania_ita.html Bandra, a “rainha das periferias” de Mumbai. Apoio aos adolescentes mais marginalizados – Em Mumbai, Índia, 20 milhões de habitantes, a crescente urbanização provocou o surgimento de imensas favelas, onde massas de pessoas atraídas para a cidade pela possibilidade de ter um salário, ainda que mínimo, vivem em condições de indigência extrema. As crianças das favelas trabalham para ganhar algumas coisa, antes de ir para o colégio, e por isso chegam na classe cansados, embora estudando com seriedade e esforço o risco de reprovação é muito alto. Atualmente foram destinadas 16 bolsas de estudo, para ajudá-los a concluir os estudos e ter, no futuro, um trabalho qualificado. Veja o projeto: http://www.school-mates.org/progetti/main_india_bandra_ita.html

Uma vingança de amor

Eu era uma jovem atormentada por experiências muito dolorosas na família e pela falta de afetos estáveis e verdadeiros, quando conheci pessoas que possuíam uma alegria que me parecia ser impossível de se experimentar na vida: uma alegria que elas me doaram. Através delas, descobri Deus e o Seu amor por mim. Foi como vislumbrar uma luz no meio da noite, que com certeza me indicaria um caminho, um caminho de amor, justamente o que eu estava procurando. Sou a mais nova de quatro irmãos e o relacionamento entre os nossos pais sempre foi difícil e cheio de conflitos, marcado por brigas e discussões que freqüentemente resultavam em violência. Além da nossa, o meu pai tinha uma outra família: uma mulher e filhos. Por causa disso, e pelo seu comportamento agressivo em relação à mamãe, meus irmãos e eu o rejeitávamos como pai e, ao invés de amá-lo, o odiávamos cada vez mais. Aos poucos, os meus irmãos saíram de casa, para estudar ou casar. Dos filhos, restei somente eu, a mais jovem, até o dia em que o meu agrediu minha mãe com tanta violência que eu tive que levá-la ao hospital. Depois disso, ela foi morar com a minha irmã, e em casa ficamos somente meu pai e eu. O Evangelho me sustentava, mas dentro de mim pensava que jamais poderia perdoar meu pai. Num dia desta difícil convivência forçada, ele correu atrás de mim para me bater, mas consegui escapar por um fio. Voltei para casa pela janela, após ele ter saído. Foi, então, naqueles momentos de medo e de sofrimento, que decidi viver as palavras de Jesus com radicalismo. Chegou a hora de vingar-me do meu pai, mas a minha seria uma vingança de amor! Arrumei a casa toda, limpei-a, preparei o almoço para ele e saí para trabalhar. Ao voltar para casa, meu pai estava a minha espera. Apesar de tremer, estava decidida a amá-lo, seja qual fosse o seu comportamento. Pediu-me para chamar a mamãe e minha irmã porque queria falar também com elas. Custei a convencê-las, mas, no final, elas vieram. Papai estava abalado: pediu-nos que o perdoássemos por todo o mal que ele havia feito e nos prometeu que não voltaria mais para a outra família. Porém, pediu-nos permissão para manter, com uma quota mensal, os filhos da outra família, que não tinham nenhuma culpa pelos erros cometidos por ele. Mesmo se as nossas condições financeiras não eram prósperas, concordamos com ele imediatamente. Desde então, a situação mudou realmente: a paz voltou à nossa família. R. B. – (Brasil)

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«Nós e os outros»: na escola da solidariedade

Um projeto de solidariedade – No âmbito da campanha humanitária “O coração derrete” lançada pela UNICOOP – uma grande rede de supermercados italianos – teve início o projeto “Nós e os outros”. O projeto visa sensibilizar os estudantes das escolas toscanas para o tema da partilha, envolvendo-os pessoalmente em experiências de solidariedade em áreas de risco. Entre os vários lugares foi escolhida a República dos Camarões, na África, em Fontem, onde o Movimento dos Focolares está presente há mais de 40 anos . Em colaboração com o Movimento dos Focolares das regiões de Florença e de Fontem foram feitos alguns trabalhos em favor da tribo Mundani. A viagem – De 14 a 24 de fevereiro, um grupo de 20 pessoas envolvidas no projeto esteve em Fontem, entre eles, Cláudio Vanni, dirigente da Unicoop, Massimo Toschi, assessor da Região da Toscana, Piero Taiti, diretor de saúde do Hospital de Prato e sete estudantes do Instituto Técnico Dagomari, de Prato, acompanhados por uma professora. Estruturas em desenvolvimento – Suscitou um grande interesse a visita ao novo departamento de doenças infecciosas do hospital de Fontem e o novo campo de vôlei do Colégio. Mas a meta dos jovens visitantes italianos era o vilarejo de Besalì, na região da Tribo Mundani, com mais de oito mil pessoas. Uma viagem aventurosa para chegar até lá: 58 quilômetros de estrada no meio da floresta, muitos rios a serem atravessados passando por pontes improvisadas ou mesmo dentro d’água, já que era a estação da seca. Por fim, o esforço e o cansaço foram esquecidos com a calorosa acolhida do chefe da Tribo, o Fon, dos dignitários do vilarejo e de toda a população em festa. Porque justamente Besalì? Para responder ao pedido de ajudar os jovens com dificuldades econômicas a estudar, foi feita uma proposta à UNICOOP de inserir entre os seus projetos humanitários também a escola para as crianças de Besalì. Anteriormente os dirigentes da UNICOOP já tinham mostrado um grande interesse pela experiência de Fontem, oferecendo a própria colaboração para concluir a instalação da rede elétrica no novo departamento de doenças infecciosas. Agora foi aviada a construção da escola de Besali, para a qual o Fon e alguns dignitários do povo deram o terreno. Os trabalhos, que tiveram que enfrentar muitas dificuldades logísticas, encontram-se agora na sua fase conclusiva.

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China – Europa: «Um novo caminho da seda»

É a hora da China – Europa e China estão se aproximando em um processo cada vez mais acelerado. O objetivo do seminário aberto aos jornalistas é oferecer um lugar de encontro entre esses dois universos. Os trabalhos do seminário serão orientados a partir do conceito de interdependência, o qual pretende tornar conhecidos, de modo especial, os aspectos que favorecem o autêntico encontro entre povos e culturas, e superar a ausência ou dificuldade de informação, estereótipos banais e pré-concepções injustificadas. A iniciativa insere-se no quadro das “Jornadas da Interdependência – pessoas, povos, estados por um mundo mais unido”. Na edição 2006 foram abordadas as relações entre ocidente e mundo islâmico. Diversos serão os pontos em debate: desenvolvimento das orientações legislativas, arte e tradições culturais, religiões, mass media, sociedade civil, direitos humanos, liberdade de opinião, problema ecológico. Sobre esses temas entrarão em debate estudiosos e jornalistas europeus interessados, de várias maneiras, na China, e expoentes chineses, protagonistas e testemunhas da sua civilização milenar. Perguntas pertinentes – De que modo a China atual consegue manter conjugadas a sua plurimilenar tradição e o esforço colossal de inovação? Na China existe um espaço novo para as religiões e a vida espiritual, no traslado do comunismo ao liberalismo? Conhecemos as nossas colônias chinesas? Existem, na Itália, experiências de integração bem sucedidas? Uma sociedade que cresce – “Os sinais que provêm da Grande Muralha – escreve Michele Zanzucchi em reportagem publicada na revista Città Nuova (04/2007) – são evidentes, por vezes contraditórios, mas sempre estimulantes. Um bilhão e trezentos milhões de pessoas, um país unido desde o ano 221 aC, uma nação que é uma potência econômica e social inacreditável, com 55 diferentes etnias. Justamente no momento do máximo desenvolvimento econômico cresce a exigência interna de democracia e respeito pelos direitos humanos. E isso não acontece por meio da política, mas graças à sociedade civil, que cresce impetuosamente. É preciso, talvez, olhar a este mundo com maior atenção, para entender para aonde a China se encaminha”.

“Esperar contra qualquer esperança”

 Chiara M. alguns anos atrás anota em seu diário: “Tateio nesta dolorosa escuridão, solitária e de lágrimas da alma, um grito silencioso que ultrapassa galáxias sem confins, voltadas para o alto num eco sem fim. Mas onde está você? Por que não fala? O que faz enquanto grito a minha dor, a minha fraqueza, a minha solidão? Cerre os dentes, dizia a mim mesma, e acredite, não obstante tudo. Acredite para além do inacreditável, do impossível, perder tudo. Nada, nada deve restar. Ouvia a minha alma chorar. Nada me restou, um nada repleto do tudo, Deus só”. Concluídos os estudos, iniciei a trabalhar no hospital da minha cidade, em Trento, no norte da Itália, como enfermeira profissional. Apreciava tudo: viajar, tocar violão, fotografar, ler, estudar línguas, conhecer povos e culturas diferentes, escalar montanhas ou contemplar o mar, cantar ao redor da fogueira do acampamento, ou mesmo extasiar-me diante dos jogos de luz ocasionados pelo sol nas folhas de um bosque. Além disso havia programado ir a Fontem, nos Camarões, à nossa Cidadela, para enriquecer-me, porque desejava desenvolver a minha bagagem cultural e humana. Só que não tinha feito as contas com o imprevisto. Tive uma reação violenta a um fármaco, inexplicável; cheguei a ser internada com urgência no setor do hospital em que eu trabalhava. A partir daí teve início um calvário feito de exames, internamentos, viagens a várias cidades, hospitais diferentes, tratamentos ou tentativas de tratamentos de todos os tipos, esperanças, expectativas, desilusões, fraqueza, mas sobretudo muita, muitíssima dor, que nem mesmo a morfina fazia passar, jamais conseguiu eliminar. A minha demolição física iniciou devagar e continua constantemente gota a gota no quotidiano. Lembro o momento em que, pela última vez, coloquei o meu violão na capa. Chorava, porque intuía que era mesmo a última vez. As minhas mãos doíam demais e sabia que, cada piora era irreversível. Noutra ocasião, por causa de um gravíssimo erro médico, corri o risco de perder uma perna. Naquela circunstância, com certeza, não teria mesmo agüentado sozinha. A frase de uma amiga de Ideal me ajudou deveras a não me afogar num desespero total. «Você sabe o que é esta dor. Carreguemo-la juntas, mas se você não agüentar, não se preocupe, nós a carregaremos por você». Naquele instante a situação do meu corpo não mudou, porém no íntimo toquei a força da unidade. Houve momentos em que foi tremendo dizer sim a Deus. Sim a perder o trabalho que muito amava, sim a ficar definitivamente nesta cadeira de rodas. Pensando bem, é uma coisa de loucos Lhe dizer sim, constantemente, tenazmente, continuamente. E’ de loucos atirar-se no vazio, confiando unicamente Nele, dando-Lhe carta branca, deixando-O agir. Não obstante, paradoxalmente, cada queda aparente no vazio, na escuridão, torna-se um mergulho na luz, e o meu sócio nunca deixa de me surpreender. Sabe, no ano passado, deu-me até a possibilidade de escrever um livro com o título “Cruel delicadíssimo amor”, onde narro esta experiência. E todos os dias recebo e-mails, cartas de pessoas que se abrem, se confidenciam, que voltam a esperar, graças a este sim radical que eu digo a Ele, ao meu sócio.