Movimento dos Focolares

A fraternidade na cidade

   Ao grande numero de participantes do 1º encontro de “Jovens pela Paz”, todos muitíssimo interessados na nova visão política e empenhados nas várias iniciativas locais, juntaram-se, no evento de conclusão, aproximadamente 150 jovens, a fim de viverem juntos a “prática da fraternidade na cidade”, em uma região perigosa de Zipaquirà (distante 15 minutos de Tocancipà), habitado por ex-guerrilheiros do M-19 (Movimento de 19 de abril) que cessou suas hostilidades em 1988. Alguns membros do M-19 estão atualmente engajados na política. As condições da região são de extrema pobreza e criminalidade crescente. Os jovens empenharam-se para conseguir envolver nos trabalhos toda a comunidade: com a venda de enfeites, resultado de uma campanha de arrecadação realizada anteriormente por eles mesmos; ofereceram serviços de cabeleireiro; exames de acuidade visual; ações ecológicas; prepararam uma festa para muitas crianças; um almoço para 2000 pessoas, tudo realizado num clima de amor e envolvimento por parte de quase todos os habitantes do lugar, inclusive o Prefeito e a Câmara Municipal. No momento da partida, um sentimento comum, colhido através das experiências e das impressões comunicadas: a certeza de que a fraternidade é o único caminho para a paz e a unidade, e que no túnel escuro da dor social no qual vive aquela comunidade, foi plantada uma semente de vida nova.  

Homilia de Sua Santidade Bento XVI durante a S. Missa, na esplanada Marienfeld

 Palavras do Santo Padre no início da celebração Desejaria ter percorrido com o ‘papa móvel’ toda a extensão, para estar o mais perto possível de cada um. Pela dificuldade dos caminhos isto não foi possível, mas saúdo a todos, com todo o coração. O Senhor vê e ama a cada pessoa. Todos juntos nós formamos a Igreja vivente, e agradeçamos ao Senhor esta hora na qual ele nos doa o mistério da sua presença e a possibilidade de estar em comunhão com ele. Sabemos que todos somos imperfeitos, que não podemos ser uma morada apropriada para ele. Por isso começamos a Santa Missa recolhendo-nos e pedindo ao Senhor que remova de nós tudo o que nos separa dele, e nos separa uns dos outros. Que ele nos conceda assim, o dom de celebrar dignamente os Santos Mistérios. ***   Queridos jovens: Diante da sagrada Hóstia, na qual Jesus se fez pão para nós, que interiormente sustenta e nutre nossa vida (cf. Jo 6, 35), começamos, ontem à noite, o caminho interior da adoração. Na Eucaristia a adoração deve chegar a ser união. Com a Celebração eucarística nos encontramos naquela «hora» de Jesus, da qual fala o Evangelho de João. Mediante a Eucaristia, esta «hora» sua se converte em nossa hora, sua presença no meio de nós. Junto com os discípulos Ele celebrou a ceia pascal de Israel, o memorial da ação libertadora de Deus que havia guiado Israel da escravidão à liberdade. Jesus segue os ritos de Israel. Pronuncia sobre o pão a oração de louvor e benção. Contudo, algo novo acontece. Ele dá graças a Deus não somente pelas grandes obras do passado; dá graças pela própria exaltação que se realizará mediante a Cruz e a Ressurreição, dirigindo-se aos discípulos também com palavras que contém o compêndio da Lei e dos Profetas: «Isto é meu Corpo entregue em sacrifício por vós. Este cálice é a Nova Aliança selada com meu Sangue». E assim distribui o pão e o cálice e, ao mesmo tempo, lhes confia a tarefa de voltar a dizer e fazer, sempre em sua memória, aquilo que estava dizendo e fazendo naquele momento. O que está acontecendo? Como Jesus pode repartir seu Corpo e seu Sangue? Fazendo do pão seu Corpo e do vinho seu Sangue, Ele antecipa sua morte, a aceita no mais íntimo e a transforma em uma ação de amor. O que, visto pelo exterior, é violência brutal – a crucificação –, a partir do interior se transforma em um ato de um amor que se entrega totalmente. Esta é a transformação substancial que se realizou no cenáculo, e que estava destinada a suscitar um processo de transformações cujo fim último é a transformação do mundo, até que Deus seja tudo em todos (Cf. 1 Cor 15, 28). Desde sempre todos os homens esperam de algum modo, em seu coração, uma mudança, uma transformação do mundo. Este é, agora, o ato central de transformação, capaz de renovar verdadeiramente o mundo: a violência se transforma em amor e, portanto, a morte em vida. Dado que este ato converte a morte em amor, a morte como tal, a partir do seu interior, já está superada; nela já está presente a ressurreição. A morte ficou, por assim dizer, profundamente ferida, até o ponto que, de agora em diante, não pode ser a última palavra. Esta é, para usar uma imagem hoje muito conhecida por nós, a fusão nuclear ocorrida no mais íntimo do ser, a vitória do amor sobre o ódio, a vitória do amor sobre a morte. Somente esta íntima explosão do bem que vence o mal pode suscitar, depois, a cadeia de transformações que pouco a pouco mudará o mundo. Todas as demais mudanças são superficiais e não salvam. Por isso falamos de redenção: o que era necessário, desde o mais íntimo, aconteceu, e nós podemos entrar neste dinamismo. Jesus pode distribuir seu Corpo, porque se entrega realmente a si mesmo. Esta primeira transformação fundamental da violência em amor, da morte em vida, arrasta consigo as demais transformações. Pão e vinho se convertem em seu Corpo e Sangue. Chegados a este ponto a transformação não pode deter-se, antes, é aqui onde deve começar plenamente. O Corpo e Sangue de Cristo nos são dados para que, por sua vez, nós mesmos sejamos transformados. Nós mesmos devemos chegar a ser Corpo de Cristo, seus consangüíneos. Todos comemos o único pão, e isto significa que entre nós chegamos a ser uma só coisa. A adoração, nós dissemos, deste modo torna-se união. Deus não está mais diante de nós como o Totalmente Outro. Está dentro de nós, e nós estamos Nele. Sua dinâmica nos penetra e partindo de nós quer propagar-se aos outros e estender-se a todo o mundo, para que seu amor seja realmente a medida dominante do mundo. Eu percebo uma alusão muito bela a este novo passo que a Última Ceia nos indica, com a diferente acepção da palavra «adoração» em grego e em latim. A palavra grega é proskynesis. Significa o gesto de submissão, o reconhecimento de Deus como nossa verdadeira medida, cuja norma aceitamos seguir. Significa que a liberdade não quer dizer gozar da vida, considerar-se absolutamente autônomo, mas orientar-se segundo a medida da verdade e do bem, para chegar a ser, desta maneira, nós mesmos, verdadeiros e bons. Este gesto é necessário, ainda que nossa ânsia de liberdade, em um primeiro momento, resista a esta perspectiva. Fazê-la completamente nossa será somente no segundo passo que nos apresenta a Última Ceia. A palavra latina adoração é ad-oratio: contato boca a boca, beijo, abraço e, portanto, em resumo, amor. A submissão se faz união, porque aquele ao qual nos submetemos é Amor. Assim a submissão adquire sentido, porque não nos impõe coisas estranhas, mas nos liberta desde o mais íntimo de nosso ser. Voltamos de novo à Última Ceia. A novidade que ali se verificou, estava na nova profundidade da antiga oração de benção de Israel, que agora se fazia palavra de transformação e nos concedia poder participar da “hora” de Cristo. Jesus não nos deu a tarefa de repetir a Ceia pascal que, além do mais, enquanto comemoração não pode se repetida segundo a própria vontade. Nos deu a tarefa de entrar em sua «hora». Entramos nela mediante a palavra do poder sagrado da consagração, uma transformação que se realiza mediante a oração de louvor, que nos situa em continuidade com Israel e com toda a história da salvação, e ao mesmo tempo nos concede a novidade para a qual aquela oração tendia, por sua íntima natureza. Esta oração, chamada pela Igreja «oração eucarística», torna presente a Eucaristia. É palavra de poder, que transforma os dons da terra de modo totalmente novo, na doação que Deus faz de si mesmo, e que nos compromete neste processo de transformação. Por isto chamamos a este acontecimento Eucaristia, que é a tradução da palavra hebréia beracha, agradecimento, louvor, benção, e desta forma, transformação a partir do Senhor: presença de sua «hora». A hora de Jesus é a hora na qual o amor vence. Em outras palavras: é Deus quem venceu, porque Ele é Amor. A hora de Jesus quer chegar a ser nossa hora e o será, se nós, mediante a celebração da Eucaristia, nos deixamos arrastar por aquele processo de transformações que o Senhor pretende. A Eucaristia deve chegar a ser o centro de nossa vida. Quando a Igreja nos diz que a Eucaristia é parte do domingo, não se trata de positivismo ou ânsia de poder. Na manhã de Páscoa, primeiro as mulheres e em seguida os discípulos, tiveram a graça de ver ao Senhor. Desde então souberam que o primeiro dia da semana, o domingo, seria o dia Dele, de Cristo. O dia do início da criação tornava-se o dia da renovação da criação. Criação e redenção caminham juntas. Por isto é tão importante o domingo. É bonito que hoje, em muitas culturas, o domingo seja um dia livre ou, juntamente com o sábado, constitua o denominado «fim de semana» livre. Mas este tempo livre permanece vazio se Deus não está nele! Queridos amigos! Às vezes, em princípio, pode resultar incômodo ter que programar, no domingo, também a Missa. Mas se vocês se empenharem constatarão, mais tarde, que é exatamente isto o que dá sentido ao tempo livre. Não se deixem dissuadir de participar da Eucaristia dominical e ajudem também os outros a descobri-la. Certamente, para que dela emane a alegria que necessitamos, devemos aprender a compreendê-la cada vez mais profundamente, devemos aprender a amá-la. Assumamos este compromisso: vale a pena! Descubramos a íntima riqueza da liturgia da Igreja e sua verdadeira grandeza: não somos nós que fazemos a festa para nós, ao contrário, é o próprio Deus vivo que prepara uma festa para nós. Com o amor à Eucaristia descobrireis novamente também o sacramento da Reconciliação, no qual a bondade misericordiosa de Deus permite sempre iniciar de novo nossa vida. Quem descobriu a Cristo deve levar outros até Ele. Uma grande alegria não se pode guardar para si mesmo. É necessário transmiti-la. Em numerosas partes do mundo existe hoje um estranho esquecimento de Deus. Parece que tudo pode funcionar do mesmo modo sem Ele. Mas ao mesmo tempo existe também um sentimento de frustração, de insatisfação de tudo e de todos. Dá vontade de exclamar: «não é possível que a vida seja assim!» Realmente não. E deste modo, junto com o esquecimento de Deus, existe como que um «boom» do religioso. Não quero desacreditar tudo o que se situa neste contexto. Pode acontecer também a alegria sincera do descobrimento. Mas, dizendo a verdade, não raramente a religião se converte quase em um produto de consumo. Escolhe-se aquilo que agrada, e alguns sabem também tirar proveito disso. Mas a religião buscada à «medida de cada um», no final não nos ajuda. É cômoda, mas no momento da crise nos abandona à nossa sorte. Ajudem os homens a descobrir a verdadeira estrela que indica o caminho: Jesus Cristo! Busquemos nós mesmos conhecê-lo sempre melhor, para poder, de modo convincente, guiar os outros para Ele. Por isto é tão importante o amor à Sagrada Escritura e, de conseqüência, conhecer a fé da Igreja, que nos mostra o sentido da Escritura. É o Espírito Santo que guia a Igreja em sua fé crescente, e a fez e faz penetrar cada vez mais nas profundidades da verdade (cf. Jo 16,13). O Papa João Paulo II nos deixou uma obra maravilhosa, na qual a fé secular se explica sinteticamente: o «Catecismo da Igreja Católica». Eu mesmo, recentemente, pude apresentar o «Compêndio» de tal Catecismo, que foi elaborado a pedido do falecido Papa. São dois livros fundamentais que queria recomendar a todos vocês. Obviamente, os livros por si só não bastam. Construam comunidades baseadas na fé! Nas últimas décadas nasceram movimentos e comunidades nas quais a força do Evangelho se faz sentir com vivacidade. Busquem a comunhão na fé, como companheiros de caminhada que juntos vão seguindo o itinerário da grande peregrinação que, por primeiro, nos assinalaram os Magos do Oriente. A espontaneidade das novas comunidades é importante, mas da mesma forma é importante conservar a comunhão com o Papa e com os Bispos. São eles os que garantem que não se estão buscando caminhos particulares, mas que se está vivendo naquela grande família de Deus que o Senhor fundou com os doze Apóstolos. Ainda, uma vez mais, devo voltar à Eucaristia. «Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo» diz São Paulo (1 Cor, 10, 17). Com isto ele quer dizer: já que recebemos o mesmo Senhor, e Ele nos acolhe e nos atrai para si, sejamos também uma só coisa entre nós. Isto deve manifestar-se na vida. Deve mostrar-se na capacidade de perdão. Deve manifestar-se na sensibilidade para com as necessidades dos outros, na disponibilidade de compartilhar. Deve manifestar-se no compromisso com o próximo, tanto com o que está perto como com quem está externamente distante, mas que, de qualquer forma, nos diz respeito sempre de perto. Existem hoje formas de voluntariado, modelos de serviço mútuo, dos quais justamente nossa sociedade tem necessidade urgente. Não devemos, por exemplo, abandonar os anciãos em sua solidão; não devemos nos afastar daqueles que sofrem. Se pensamos e vivemos em virtude da comunhão com Cristo, então nossos olhos se abrem. Então não nos acomodaremos mais em viver preocupados somente por nós mesmos, mas veremos onde e como somos necessários. Vivendo e atuando assim logo nos daremos conta que é muito mais belo ser úteis e estar a disposição dos outros do que preocupar-se só das comodidades que nos são oferecidas. Eu sei que vocês, como jovens, aspiram a coisas grandes, que querem se comprometer por um mundo melhor. Demonstrem isso aos homens, demonstrem ao mundo, que espera exatamente este testemunho dos discípulos de Jesus e que, sobretudo mediante o amor de vocês, poderá descobrir a estrela que seguimos. Caminhemos com Cristo e vivamos nossa vida como verdadeiros adoradores de Deus! Amém. [Tradução realizada por Zenit]

Bento XVI: da JMJ, os votos de uma grande primavera de esperança para a Europa e o mundo

   Cidade do Vaticano, 24 de agosto de 2005 “Uma intuição profética” do “inesquecível” antecessor, destinada a marcar uma “grande primavera de esperança” para a Europa e o mundo: assim Bento XVI definiu a Jornada Mundial da Juventude. Durante a audiência geral, quarta-feira, 24 de agosto, o Papa falou da sua experiência na Alemanha, percorrendo as etapas e os momentos mais significativos, diante de 7 mil pessoas, vindas dos quatro continentes, que lotavam a Sala Paulo VI, entre as quais se destacavam uma delegação inter-religiosa de Nagasaki e uma outra composta por religiosos budistas. Do discurso de Bento XVI: «A Providência divina quis que a minha primeira viagem pastoral fora da Itália tivesse como meta o meu próprio país de origem e acontecesse por ocasião do grande encontro dos jovens do mundo, a 20 anos da instituição da Jornada Mundial da Juventude, desejada como intuição profética do meu inesquecível antecessor. Não cesso de dar glória a Deus pelo dom desta peregrinação, da qual conservarei uma grata recordação. O abraço ideal com os jovens participantes da Jornada Mundial da Juventude começou desde a minha chegada ao aeroporto de Colônia/Bonn e foi se tornando cada vez mais cheio de emoção ao percorrer o Reno, do cais de Rodenkirchenerbrucke a Colônia, escoltado por outras cinco embarcações que representavam os cinco continentes. Foi emocionante a parada diante do cais de Poller Rheinwiesen, onde milhares de jovens me esperavam para o primeiro encontro oficial, chamado oportunamente de “festa da acolhida”, que tinha por lema as palavras dos magos “Onde está o Rei dos judeus, que nasceu?” (Mt 2,2s). De fato, os Magos foram os “guias” para os jovens peregrinos até Cristo. Como é significativo que tudo tenha acontecido enquanto nos encaminhamos para a conclusão do Ano Eucarístico, desejado por João Paulo II! O tema do encontro “Viemos para adorá-lo”, convidou todos a seguirem idealmente os Magos e a cumprir, junto com eles, uma viagem interior de conversão ao Emanuel, o Deus conosco, para conhecê-lo, encontrá-lo, adorá-lo e, depois de tê-lo encontrado e adorado, partir levando na alma a sua luz e a sua alegria. Em Colônia, os jovens tiveram várias oportunidades para aprofundar essas temáticas espirituais e se sentiram estimulados pelo Espírito Santo a serem testemunhas de Cristo, que na Eucaristia prometeu permanecer realmente presente entre nós até o fim do mundo. Lembro-me dos vários momentos em que tive a alegria de partilhar com eles, especialmente da vigília de sábado à noite e da celebração de encerramento no domingo. A essas emocionantes manifestações de fé, uniram-se milhões de outros jovens, de todos os pontos da terra, graças às providenciais transmissões de rádio e televisão. Mas aqui, gostaria de evocar um encontro excepcional, o encontro com os seminaristas, jovens chamados a um dos mais radicais seguimentos de Cristo, Mestre e Pastor. Quis que houvesse um momento específico dedicado a eles, também para ressaltar a vocação típica das Jornadas Mundiais da Juventude. Não foram poucas as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada que floresceram, ao longo desses 20 anos, justamente durante as Jornadas Mundiais da Juventude, ocasiões privilegiadas, nas quais o Espírito Santo faz ouvir o seu chamado. Neste contexto rico de esperança das Jornadas de Colônia, coloca-se muito bem o encontro ecumênico com representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais. O papel da Alemanha no diálogo ecumênico é importante, seja pela triste história da divisão, seja pela parte significativa da guinada ao caminho da reconciliação. Desejo que o diálogo, como troca recíproca de dons, contribua, ademais, para ajudar a crescer a “sinfonia” ordenada e harmônica que é a unidade católica. Nesta perspectiva, as Jornadas Mundiais da Juventude constituem um válido laboratório ecumênico. Como não reviver com emoção a visita à Sinagoga de Colônia, sede da mais antiga comunidade judaica da Alemanha? Com os irmãos judeus, fiz memória da Shoà e do 60º aniversário da liberação dos campos de concentração nazistas. Este ano celebramos o 40º aniversário da declaração conciliar Nostra aetate, que inaugurou uma nova etapa de diálogo e de solidariedade entre judeus e cristãos, além da estima pelas outras grandes tradições religiosas. Entre essas tradições, o Islã ocupa um lugar especial, cujos seguidores adoram o único Deus e se dirigem com muita boa vontade ao Patriarca Abraão. Por esta razão, encontrei-me com os representantes de algumas comunidades muçulmanas, às quais manifestei as esperanças e as preocupações do difícil momento histórico que estamos vivendo, desejando que sejam erradicados o fanatismo e a violência e que juntos possamos colaborar na defesa da dignidade da pessoa humana e tutelar os seus direitos fundamentais. Queridos irmãos e irmãs, do coração da “velha” Europa, que no século passado conheceu terríveis conflitos e regimes desumanos, os jovens lançaram novamente à humanidade da nossa época a mensagem de esperança que não desilude, porque alicerçada na Palavra de Deus que se tornou carne em Jesus Cristo, morto e ressuscitado para a nossa salvação. Em Colônia, os jovens encontraram e adoraram o Emanuel no mistério da Eucaristia e compreenderam melhor que a Igreja é a grande família por meio da qual Deus cria um espaço de comunhão e de unidade entre cada continente, cultura e raça, uma “grande comitiva de peregrinos” guiados por Cristo, estrela radiante que ilumina a história. Jesus se torna nosso companheiro de viagem na Eucaristia, e na Eucaristia – disse na homilia da celebração de encerramento, tomando emprestado da física uma imagem bem conhecida – leva à “fissão nuclear” no coração mais recôndito do ser. Só esta íntima explosão do bem que vence o mal pode gerar as transformações necessárias para mudar o mundo. Rezemos então, para que os Jovens de Colônia levem consigo a luz de Cristo, que é verdade e amor e a difundam em todos os lugares. Confio que com a Graça da ajuda do Espírito Santo e a oração à Virgem Maria, poderemos assistir a uma primavera de esperança na Alemanha, na Europa e no mundo inteiro.