25 Nov 2004 | Focolare Worldwide
Desde 1992, eu e minha esposa temos uma empresa de exportação de máquinas e tecnologias para o tratamento da carne, que adere ao Projeto da Economia de Comunhão, e atua nos países da ex-União Soviética. Em agosto de 1997, o sistema bancário e o mercado russo faliram. Tudo parou e fomos gravemente atingidos: de fato, tínhamos mais de dez contratos na Rússia; muitos foram suspensos e os pagamentos congelados. Mas, a nossa firma precisava continuar e garantir os salários aos dependentes, para o sustento de cerca de dez famílias. As nossas reservas estavam para terminar e todas as manhãs eu telefonava para o banco perguntando se tinha chegado algum depósito da Rússia, ou alguma coisa dos nossos devedores. A resposta era sempre a mesma: não. Depois de três meses, ainda não tinha chegado nada. Numa segunda-feira, olhei a conta bancária e vi que tínhamos apenas 300.000 florins. Sabia que, no dia seguinte, teria que pagar uma conta de 400.000 florins e ainda ficavam os salários a serem pagos. Ao meio-dia, cheguei em casa muito preocupado. Junto com minha esposa nos perguntávamos o que fazer: dissolver a empresa ou ir para frente? Sentíamos a responsabilidade não apenas por nós, mas também pelos outros. Sobre uma mesa, tínhamos sempre algum folheto da Palavra de Vida do mês e aquele dizia: “Se tiverdes fé…”. Quando saí para voltar ao escritório, disse a ela: “agora precisamos realmente aumentar a nossa fé!”. Chegando no escritório, fui recebido com a notícia que me haviam procurado do banco, porque tinha chegado um depósito de um milhão e meio! I.B. – Hungria Extraído do livro “Quando Dio interviene, Esperienze da tutto il mondo”, Editora Città Nuova, Roma 2004)
28 Out 2004 | Focolare Worldwide
A primeira das 33 cidadezinhas do Movimento dos Focolares que surgiram nos cinco continentes, completa 40 anos. Situada nas colinas da região Toscana, próxima a Florença, no município de Incisa Val d’Arno, com escolas, empresas, centros artísticos, Loppiano conta hoje com cerca de mil habitantes de 70 nações: da Rússia ao Portugal; da Jordânia, Líbano, Egito ao Burundi, Congo, África do Sul; dos Estados Unidos, México, Terra do Fogo, Japão, China, Coréia, Filipinas, à Austrália e Nova Zelândia. São estudantes e docentes, profissionais, artesãos, agricultores, artistas, famílias, religiosos e sacerdotes, cristãos de diversas Igrejas e fiéis de outras religiões: um protótipo de uma nova sociedade baseada na lei evangélica do amor. Uma cidadezinha que reflete um ideal de unidade e de paz Construir uma cidadezinha que refletisse o próprio pensamento foi geralmente o sonho de quem deu vida a novas correntes filosóficas, ideológicas ou espirituais. Foi assim também para Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, que, em 1962, visitando a abadia beneditina de Einsiedeln (Suíça) – um dos centros de irradiação da civilização cristã européia – intuiu que deste carisma nasceriam, no mundo, cidadezinhas modernas com casas, escolas, fábricas. Anualmente, mais de 40 mil pessoas visitam Loppiano. Juntamente com os habitantes, elas contribuem para compor o desígnio de unidade sobre o qual a cidadezinha se baseia. ‘Maria Theotókos’: a igreja de Loppiano Por ocasião deste aniversário, concluiu-se a construção da Igreja desta cidadezinha, dedicada a Maria Theotókos, a “Mãe de Deus”. A concelebração solene para a dedicação da Igreja será no dia 30 de outubro de 2004, sábado, às 11h. Será presidida pelo Cardeal Ennio Antonelli, Arcebispo de Florença e por Dom Luciano Giovannetti, bispo de Fiesole. O projeto foi realizado com a contribuição da Conferência Episcopal Italiana. Uma obra do Centro Ave, composto por arquitetas e pintoras Realizada pelo Estúdio de projetos Centro Ave, com sede em Loppiano – formado por uma escultora, três arquitetas e três pintoras – a igreja se destaca delicadamente sobre as colinas: um plano amplo, inclinado, nasce do terreno e sobe até o cume da construção. O complexo é coroado pela torre dos sinos, coberta por uma camada triangular dourada, cuja forma transparece uma referência à Trindade. A idéia do projeto e a capela ecumênica No seu interior, no centro do altar, um grande vitral, em multíplices tons de azul, compõe o fundo para o tabernáculo dourado. “Eu desejava exprimir através da forma – explica Ave Cerquetti, escultora e idealizadora do complexo da igreja – a grandeza daquela que, porque Mãe de Deus, grande mais do que se consiga imaginar – como a Igreja tem confirmado nos últimos Concílios – é como um doce plano inclinado que vai da terra ao Céu, até Deus”. No primeiro andar da torre dos sinos, está a capela ecumênica. Não são apenas os cristãos a venerar Maria nesta igreja Chegou da Índia um grande quadro, preciosa obra de um artista hindú, que representa Maria junto do Menino Jesus. Estará presente também, nesta ocasião, o Mestre Pra Maha Thongrattana, monge budista tailandês. A sua estada em Loppiano, em 1992, foi determinante para o início do frutuoso diálogo entre os monges budistas da Tailândia e o Movimento dos Focolares. A nova igreja hospedará os restos mortais de Renata Borlone Renata (1930-1990) – cuja causa de beatificação já está em andamento – foi construtora e co-responsável da cidadezinha de Loppiano por muitos anos. Pólo empresarial “Lionello Bonfanti” No 40º ano de Loppiano também teve início a construção do pólo empresarial. 5.615 acionistas sustentam a sua construção, através da “E. di C. S.p.A.”, sociedade que administra o pólo, constituída em 2001 (www.edicspa.com). No mundo, existem outros pólos nascentes ou já operantes: no Brasil, Argentina, EUA, Portugal, França e Bélgica. Surgiram para dar visibilidade ao projeto da Economia de Comunhão, que inspira a gestão de 800 empresas no mundo, sendo 270 na Itália.
20 Out 2004 | Focolare Worldwide
Nunca foi fácil para a nossa família colocar-se diante das cifras do balanço mensal, e isso até quando entendemos que, também para esses assuntos, estar de acordo é fundamental. Desde então o assunto “dinheiro” adquiriu uma fisionomia mais familiar. Ao lado das saídas para a alimentação, o aluguel, etc., decidimos inserir um valor para colocar à disposição de quem é mais necessitado. Um dia não conseguíamos separar aquela cifra, porque a coluna das saídas estava maior do que a das entradas. Estávamos desapontados. Justamente alguns dias antes tínhamos visto na televisão crianças que morriam de fome. Os nossos dois filhos pequenos, que tinham escutado toda a conversa, apareceram com os porta-moedas e deram tudo o que ele continha. Eram alguns trocados recebidos dos avós, ou economias feitas durante a semana. Quando a avó veio nos visitar as crianças lhe contaram tudo, e ela, um tanto perplexa, exclamou: “Mas como? Vocês ajudam os outros mesmo se não são ricos?”. Quem desbloqueou a situação foi o menor: “Mas vovó, nós comemos três vezes por dia!”. Alguns dias depois ela voltou com um envelope na mão: “Este dinheiro não vai me fazer falta. Vou acrescentar ao de vocês… afinal, eu também como três vezes por dia!”. (L.R. – Itália) Extraído do livro “Quando Dio interviene, Esperienze da tutto il mondo”, Editora Città Nuova, Roma 2004