28 Dez 2016 | Focolare Worldwide, Senza categoria

Rocco Femia, diretor da revista cultural RADICI
«Podemos fazer isso, dizíamos, e não só conseguimos, mas fizemos do modo mais bonito». Quem fala é Rocco Femia, diretor da revista cultural RADICI, na conclusão do concerto “TOULOUSE FOR ITALY” de solidariedade para com as vítimas do abalo sísmico na Itália, organizado pela revista francesa de cultura italiana. E os números lhe dão razão: a Halle aux Grains da bela Toulouse estava superlotada. A coleta destinada aos acidentados italianos superou toda expectativa otimista. Os numerosos patrocinadores cobriram as despesas de organização, de modo a não tocar no que foi angariado no concerto, todo em benefício das vítimas do terremoto. Agora caberá à AMU (Ação por um mundo unido, Ong dos Focolares) canalizar o fruto da solidariedade dos primos de Além Alpes, através do projeto RImPresa, já em andamento e dirigido diretamente às famílias atingidas. «Quero agradecer a todos os participantes que fizeram desta noite um evento inesquecível, com a marca da solidariedade e celebrando majestosamente a grande música. Com a generosa resposta de vocês, vencemos a nossa batalha. As vibrações dos corações foram mais fortes do que a destruição», afirma R. Femia, não sem emoção. A multidão dos presentes não diz palavra, se tornou uma única pessoa com mais de mil corações: «Obrigado pelo apoio e generosidade de vocês», conclui.
Uns cinquenta artistas se apresentaram gratuitamente, confirmando a forte sensibilidade por quem sofreu graves perdas: a orquestra de câmera OCCITANIA com músicas de Bach; o Grupo Incanto de cantos populares italianos e que leva pelo mundo um musical intitulado “ITALIANOS, quando os imigrantes éramos nós”; O Trio DALTIN; Vicente e Rafael PRADAL da Espanha; o violonista virtuoso de flamenco Kiko Ruiz; o Trio de música Jazz NACCARATO; a delicadeza e o virtuosismo do bandolinista Julien Martineau; as canções-poesias do grande Faber, tocadas pela Fabrizio DE ANDRÉ Band; as inesquecíveis músicas dos mais famosos filmes italianos e o gran finale, com aplausos em pé, da soprano Cécile LIMAL que entoou “La vita è bella”… de Roberto Benigni. Tudo alternado pelas vivazes apresentações do trio composto por Rocco Femia, diretor da revista RADICI, e pelos jornalistas televisivos Marina Lorenzo e Patrick Noviello. Depois, o diretor de RADICI, ao agradecer, não esquece realmente ninguém, consciente da contribuição de cada um para o sucesso do evento: da equipe dos técnicos ao diretor artístico, à direção de som, de luz. E ainda, o vice-prefeito Francis Grass, o Cônsul da Itália em Toulouse, Fabrizio Mazza, os patrocinadores, os benfeitores, a mídia… todos juntos “venceram a batalha”. E é isso que experimento enquanto compartilho com os artistas e os técnicos um jantar pós concerto, servido em pé. Sente-se um fio profundo que os une, feito de confiança recíproca, de estima, de talentos partilhados, de solidariedade, de vontade de tornar o mundo mais bonito. E percebo com alegria e espanto que este fio se entreteceu também comigo, com AMU. Por isso não ficarei surpreso se descobrir que vivi apenas o início de um longo e benéfico relacionamento de colaboração. De fato, apresentando “Ação por um mundo unido” durante o concerto, Rocco Femia evidenciou o slogan do projeto RImPresa, como expressão do que para os presentes já parecia convicção: «vibra a esperança, não treme o futuro». Gustavo Clariá
22 Dez 2016 | Focolare Worldwide
São os Gen4, crianças dos Focolares, que, com muita convicção, explicam que o Natal não pode ser apenas uma festa de cores, um conjunto de personagens criados por uma publicidade insidiosa ou uma corrida frenética às compras de presentes: “É preciso pôr de novo Jesus no centro do Natal”, “é a sua festa” – dizem eles. Com paciência e amor, os Gen4 preparam os ‘meninos’ de gesso que depois serão oferecidos aos transeuntes. Em Nova Iorque, uma senhora conta: «Eu estava visitando a cidade com os meus amigos, quando, no meio da multidão, a mesinha de vocês me atraiu a atenção… As palavras: “desalojaram Jesus”, ressoaram agradavelmente dentro de mim! Desejaria transmitir essa mensagem a outros. Foi o Natal mais bonito, que me encheu o coração de calor». Maria Helena Benjamin e Pep Canoves, responsáveis dos Gen4 de todo o mundo, contam como estas crianças, particularmente sensíveis ao amor evangélico, aprendem a concretizar, nas suas ações quotidianas, autênticos gestos concretos de fraternidade; descobrem que o amor, quando é recíproco, torna Jesus presente entre eles. Aprendem a conhecê-lo, criando com Ele uma relação simples e direta. Conseguem envolver os colegas de escola, as famílias, os pais, os seus professores, com a sua desconcertante simplicidade, entrando diretamente no coração de cada um.
Pep Canoves recorda como Chiara Lubich tinha um amor especial por estas crianças, reservando-lhes um lugar privilegiado, fazendo encontros com eles durante os vários congressos internacionais, enviando-lhes mensagens, respondendo às suas perguntas. E tinha-lhes feito o convite de fazer com que Jesus não fosse banido do Natal: «Façam com que Jesus nasça entre vocês, com o amor; assim será sempre Natal! […] Podemos oferecer Jesus, Jesus no meio de nós, no mundo inteiro; levar este nosso amor, esta alegria pelas ruas, nas escolas, aos pequenos e aos grandes… por toda a parte!». Uma iniciativa maravilhosa é a do Calendário do Advento: os Gen4 preenchem os dias que precedem o Natal com muitos atos concretos de amor, aparentemente simples, mas que na sua pequenez são já revolucionários. Os Gen4 estão envolvidos em muitas iniciativas, especialmente em favor dos mais pobres. «Durante o ano – continua Maria Helena Benjamim – recebemos muitas notícias sobre as suas atividades em favor dos mais necessitados. Eles têm uma inata capacidade de acolher as outras crianças que por vezes são marginalizadas, como é o caso da história da Sônia da Romênia, de cinco anos, que fez amizade com outra menina que há pouco veio para a sua turma». «Recebemos notícias de Madagascar e da Indonésia. Também da Síria, nestes dias tão difíceis e em plena guerra, chegam-nos notícias – conta Pep. De Aleppo enviaram-nos fotografias, mostrando que nesta situação de conflito se continua a viver acreditando na paz». Chiara Lubich, respondendo a uma pergunta de um Gen4, confiou-lhes um segredo: «Vocês sabem qual é a verdadeira felicidade? Experimentem: é a da pessoa que ama! Quando amamos somos felizes e, se amamos sempre, somos sempre felizes. O que vocês podem fazer no mundo? Dar a felicidade, ensinar a amar». E verdadeiramente eles ensinam-nos, com a sua pureza e simplicidade, como pôr em prática o amor evangélico, o segredo da felicidade.
19 Dez 2016 | Focolare Worldwide
«Foi pedido a mim que apresentasse um relato sobre o testemunho cristão diante da tradição africana. Não me foi fácil, por dois simples motivos: o primeiro é que sou um Bangwa, o segundo é que não sou só um cristão, mas também sou o Bispo de Mamfe». Quem fala é D. Andrew Fuanya Nkea, no âmbito de um simpósio sobre o diálogo entre religião tradicional africana e cristianismo, por ocasião dos 50 anos de presença do Movimento dos Focolares em Fontem. 51 anos, originário de Widikum (Rep. dos Camarões), estudos de Filosofia e Teologia, sacerdote desde 1992, pároco, secretário da Diocese, professor e formador, enfim Secretário Geral da Catholic University of Cameroon, último cargo antes da nomeação, desejada pelo Santo Padre, em 2013, para Bispo Coadjutor da diocese de Mamfe. Andrew Fuanya é a demonstração tangível de uma possível superação do dualismo entre as duas tradições, sem incorrer no risco de um sincretismo religioso. «Decidi dar um viés mais prático do que teórico ao meu relato», afirma, repercorrendo a história das relações entre a cultura Bangwa (em especial na região sudoeste da Rep. dos Camarões, o distrito de Lebialem) e o cristianismo, marcadas por um encontro, que se tornou uma espécie de divisor das águas entre um “antes” e um “depois”: aquele com o Movimento dos Focolares. O cristianismo, trazido pelos primeiros missionários que chegaram na Rep. dos Camarões na década de 1920, colocou a população diante de uma encruzilhada: «Ou você se tornava cristão evitando todos os aspectos da religião tradicional, ou praticava a religião Bangwa, permanecendo um pagão, bom somente como lenha para arder no inferno». Pouco ou nenhum diálogo entre cristianismo e cultura local: os instrumentos musicais típicos eram banidos das igrejas, assim como as orações tradicionais. Apesar da rigidez e dos métodos inflexíveis dos primeiros missionários, muitas pessoas abraçaram o cristianismo, embora entre dificuldades e uma forte oposição da sua comunidade.
A novidade representada pela primeira visita de Chiara Lubich ao palácio real do Fon de Fontem, em 1966, está sintetizada numa imagem, utilizada pela fundadora dos Focolares, para descrever a primeira centelha, a inspiração do diálogo inter-religioso que se desenvolveria em seguida: «De repente, tive uma forte impressão de Deus como de um enorme sol, que abraça todos, nós e eles, com o Seu amor». Uma era nova começara, impelida pelo vento pós conciliar e pela extraordinária história de amizade entre os primeiros focolarinos que chegaram no local (muitos dos quais médicos, que acorreram para debelar a doença do sono que estava dizimando a população) e o povo Bangwa. Desde então, as relações entre os fiéis das duas religiões são caracterizadas por um profundo e recíproco respeito, que deu novamente dignidade à cultura tradicional, verdadeira matriz identitária inclusive dos cristãos. O bispo explica: existem tradições religiosas locais que os cristãos mantiveram (a oração aos defuntos, para que intercedam pela família, ou o “Cry die”, dedicado a eles); já outras se tornaram estranhas à sua fé (poligamia, sacrifício de animais, feitiçarias). A nova inculturação, conclui o Bispo, segundo o espírito do Vaticano II, não provém de uma imposição ou de uma rígida uniformidade, mas se inspira nos valores do diálogo e da colaboração, em busca das “sementes do Verbo” espalhadas em todas as tradições. «O desafio dos cristãos de Lebialem para os próximos 50 anos será reconhecer que a credibilidade deles dependerá do quanto serão capazes de amar a todos, independentemente da religião a que pertencem». Só assim serão autenticamente cristãos e, ao mesmo tempo, autenticamente africanos. Chiara Favotti
18 Dez 2016 | Focolare Worldwide
A República Democrática do Congo (RDC) atravessa uma fase política muito delicada desde quando, em 14 de novembro passado, o primeiro ministro Augustin Matata Ponyo, demitiu-se, depois do o acordo assinado, em outubro, que prolonga o mandato do presidente Joseph Kabila. Kabila deveria terminar seu mandato dia 19 de dezembro próximo, mas a sua coalizão e parte da oposição decidiram que continuará no cargo até as próximas eleições, previstas para abril de 2018. Neste contexto cáustico, no dia 29 de outubro foi constituído o Movimento Político pela Unidade (MPPU) do Congo, que inspira-se na espiritualidade de Chiara Lubich. «A Igreja, por meio da Conferência Episcopal, está trabalhando para evitar o caos no país – contam Damien Kasereka e Aga Ghislaine Kahambu, responsáveis locais do Movimento dos Focolares -. O lançamento do MPPU neste momento é realmente a resposta a uma necessidade. Estamos felizes por ver os membros do Movimento mais atuantes na política, principalmente os jovens, estão convencidos de que as coisas podem mudar. Apesar de tudo não se perde a esperança». Dia três de dezembro último o MPPU apresentou-se oficialmente, na sala polivalente do Centro Médico Moyi Mwa Ntongo, em Kinshasa. O jornal Le Potentiel dedicou um longo artigo ao evento, intitulado “Amor e fraternidade na sociedade: lançamento de um movimento de conscientização de massa”. «Longe de ser um partido político, o MPPU é uma rede de reflexão e de ação para promover a fraternidade na vida política congolesa. Os seus iniciadores estão convencidos de que a fraternidade universal é o fundamento e o motor essencial para uma mudança em positivo da sociedade, especialmente a congolesa, na qual anti-valores custam a morrer», escreveu o quotidiano. Entre as pessoas presentes havia professores universitários e pesquisadores, parlamentares nacionais e atores políticos, jornalistas, advogados, religiosos, médicos, doutorandos, ativistas sociais e expoentes de outras categorias profissionais. Durante o encontro foi evidenciada a oportunidade e a importância do MPPU na RDC, porque ajuda a “fazer política pela unidade”, o que é tão necessário neste momento difícil.
O deputado federal Dieudonné Upira, um dos iniciadores do MPPU na RDC, afirmou: «Queremos preparar uma juventude que não tenha medo como nós. Certamente não fizemos muito por este país. Talvez não tenhamos sido formados e esta é a causa do nosso medo. Por isso queremos formar os jovens interessados em fazer o bem, capazes de denunciar, anunciar e renunciar. Jovens que, diante da bipolarização do espaço político possam dizer: “devemos trabalhar pela nossa nação”. Uma juventude formada pode influenciar a sociedade com o seu comportamento». E Georgine Madiko, ex-deputada e também uma das iniciadoras: «Começaremos com cursos universitários periódicos, que permitirão formar os jovens por meio de módulos. Procederemos como numa teia de aranha, para, aos poucos, cobrir todo o país e todos os campos. Essa teia de aranha nos servirá como apoio, se não para extirpar, ao menos para atenuar o mal na nossa sociedade e promover o bem». O primeiro grupo será formado por 50-60 pessoas. Na conclusão, Aga Ghislaine Kahambu agradeceu a todos: «A presença de vocês demonstra que desejam que este país mude. Não é preciso uma multidão para mudar a sociedade. Cada indivíduo realiza muitos atos positivos. Agora queremos que esses atos não fiquem mais isolados». Gustavo Clariá
17 Dez 2016 | Focolare Worldwide
16 Dez 2016 | Focolare Worldwide
Sônia é da Eslováquia, tem cinco anos e frequenta a escola materna. Um dia diz à mãe que, na escola, encontrou uma amiga. “E como se chama?”. “Não sei, ela não fala; me aproximei dela porque vi que estava sempre sozinha e que ninguém queria brincar com ela”. A mãe vai pegar Sônia para almoçar. Mas a professora diz: “Deixe-a aqui! Ela nos ajuda com uma menina cigana que antes não falava de jeito nenhum, e agora, graças a ela, começou a falar e colaborar também com os outros”. Quando volta da escola, a mãe lhe pergunta: “A sua amiga já lhe disse alguma coisa?”. “Não, só sorri para mim quando lhe digo que gosto dela”. A mãe fica em silêncio. E a menina: “Sabe, o amor aquece todo mundo”.
Da República dos Camarões escreve Kevin: «Um dia, na escola durante o recreio, pedi a um colega meu se tinha alguma coisa para comer. Eu estava com fome e não tinha nada. Ele negou. No dia seguinte levei um pouco de pão e quando ele veio pedir um pedaço eu também neguei. No outro dia, jogando o dado do amor caiu: “Amar os inimigos“. Eu me lembrei daquele meu colega. Na escola procurava falar com ele, mas não me respondia. Então me sentei na frente de casa e fiquei esperando. Quando ele passou o chamei, fui ao seu encontro e perguntei por que não queria mais falar comigo, ele respondeu: “Você não quis dividir comigo o pão que tinha levado”. Eu lhe disse logo: “Vamos nos reconciliar!” e lhe ofereci a goiaba que tinha comigo e assim recomeçamos a nos falar, ficando amigos de novo». Da Itália, Marco conta: «Um dia, no jardim de infância, as crianças riam de mim porque sou gordo. Eu não gostava de jeito nenhum de ser zombado e algumas vezes chorei. Então fui até a irmã e, em vez de acusá-los falei a ela deste meu sofrimento. Entendi que devia perdoá-los e fiz assim, porque um Gen4 é alguém que, como fez Jesus, perdoa e ama a todos». Carmen mora num bairro de barracos, na periferia da Cidade do México. Frequentemente, à noite, o tio volta para casa embriagado. Carmen tem medo e se esconde. «Mas na noite passada não me escondi – conta –, o esperei e ajudei a entrar. Não tinha medo, porque sei que Nossa Senhora cuida de mim».
E Bartek, da Polônia: «No dia das crianças ganhei de presente da professora um chocolate e um pirulito. Na sala de aula comigo está Asia, uma menina feinha de quem ninguém gosta. Eu me lembrei que, de manhã, jogando o dado caiu: “Amar os inimigos” e dei o pirulito e meio chocolate para Asia. Ela ficou admirada, me agradeceu e depois foi embora. Agora somos grandes amigos». «No centro de Nápoles (Itália), os Meninos Jesus que fazemos e que oferecemos às pessoas se esgotam rapidamente e muitos se aglomeram ao redor da banquinha, até mesmo só para dizer que aderem à iniciativa. Uma professora, que não crê e que estava com muitos problemas, segurou o Menino Jesus nas mãos e, olhando para ele, disse: “Este será o meu Natal!”. Um menino correu até em casa, esvaziou o seu cofrinho, e chegou com todas as moedas para comprar o seu». Organizado pelos Centros Gen4