Movimento dos Focolares
Venezuela: a solidariedade responde à crise

Venezuela: a solidariedade responde à crise

20160912-aAs notícias que chegam da Venezuela não são muito confortantes. Pelo contrário, o país latino-americano parece ter chegado não só ao limite extremo, mas também está dividido. Neste contexto, as comunidades dos Focolares mobilizam-se em favor da reconciliação e da solidariedade partilhando tudo o que possuem. A comunidade de Colinas de Guacamaya (Valência), ao ser interrogada sobre como viver neste momento de uma crise social, política, econômica que está tocando os níveis mais altos, responde redobrando o empenho em por em prática o mandamento novo do Evangelho, o amor recíproco, começando pelos pequenos gestos quotidianos. Escreve uma deles: «Hoje, enquanto comprava no supermercado 12 rolos de papel higiênico, pensei em quem na comunidade, como muitos outros aqui na Venezuela, mesmo tendo dinheiro para comprar, não consegue encontrar o produto em nenhuma parte. Telefonei para uma amiga que ficou feliz em poder pedir para que eu comprasse também para ela. Ao mesmo tempo, pergunta-me se preciso de alguma coisa, e eu pude dizer-lhe que precisava de sabão. “Ah – respondeu-me – posso dar-te e não só, podes levar também um pouco de banana que recebi agora do meu filho”. Mais uma vez, pude tocar que, se o amor circula entre nós, a promessa de Jesus – dai e vos será dado – realiza-se». São gestos simples, mas que chegam ao extremo, numa situação em que por causa do roubo de uma manga, tem gente que chega a matar. Uma outra senhora conta: «Logo pela manhã, encontrei uma pessoa que procurava óleo para cozinhar e dividi com ela o que tinha. Pouco depois, encontrei uma outra pessoa que precisava de uma injeção e fiz também isso com afeto. Mais tarde bate à porta uma mulher: sua filha tem uma gripe muito forte e precisa de um nebulizador que, por sorte, também tenho e muitas pessoas pedem-me emprestado. Passando na frente da casa de uma amiga aproveito para perguntar-lhe se precisa de alguma coisa: “Sim, preciso de sabão em pó”, responde-me. Corro em casa, pego o que tenho e dou a metade para ela. Como meu marido trabalha de noite, sempre vem alguém da comunidade para fazer-me companhia. Recebo este gesto solidário e aproveito para preparar o jantar, porque sei que muitos não têm comida suficiente. Chega a noite, e antes de ir descansar, pensando em como foi o meu dia, sinto uma grande alegria: vivemos um pelo outro e, juntos, ajudamo-nos a viver o Evangelho. Amanhã terei uma nova oportunidade de reconhecer em cada pessoa que me passa ao lado uma presença especial de Deus». Os problemas do país são de tais dimensões que estes relatos quotidianos podem parecer ingênuos ou, de todo modo, insuficientes, como pequenas gotas diante de um oceano. Espera-se o mais breve possível respostas em nível político, econômico e social. A Madre Teresa de Calcutá afirmava que “aquilo que nós fazemos é só uma gota no oceano, mas se não o fizéssemos o oceano teria uma gota a menos”. Parece que esta também seja a convicção da pequena comunidade venezuelana.

Na periferia de Buenos Aires

Na periferia de Buenos Aires

20160910-01Grande festa no dia 14 de agosto em José C. Paz (a uns 50 km de Buenos Aires, Argentina), para celebrar o 10° aniversário da inauguração da sede que hospeda as atividades do projeto social “Juntos por el Barrio” (Juntos pelo Bairro), uma obra social endereçada especialmente às crianças e adolescentes do bairro e às suas famílias. Mas se é verdade que o edifício completa dez anos, não se deve esquecer que as atividades do projeto começaram bem antes e, como frequentemente acontece, suscitadas por obra das pessoas que viviam há tempo naquele bairro. Quando Francisco, o papa argentino, convidou para que se cuidasse das periferias, provavelmente tinha no coração assentamentos como o barrio onde surge este centro social. Trata-se de um aglomerado habitacional formado de maneira confusa circundado por outras construções, constituído por núcleos familiares que chegaram ali em busca de fortuna. Fortuna que infelizmente não encontraram porque não havia nem ali. O desemprego alastrado os tornou ainda mais pobres e vulneráveis a todas as suas consequências: marginalização, alcoolismo, droga, violência, prostituição. Perigos que ameaçavam inclusive os muitas crianças e adolescentes que passavam quase todo o tempo pelas ruas. 20160810-02Desde 1999, alguns habitantes ‘históricos’ do bairro, apoiados pelos Focolares que têm nas proximidades um centro de congressos, se lançaram juntos a fazer algo por aqueles novos que chegavam. Como primeira coisa, procuraram identificar qual era a solicitação mais forte que emergia do barrio. E era: poder dispor de um local de acolhida diurna para crianças e adolescentes para tirá-los das ruas. Assim nasceu o projeto “Juntos por el Barrio”. Numa sala improvisada iniciou-se uma primeira atividade de apoio escolar. Tendo em vista o sucesso da iniciativa (em parte financiada pelo apoio à distância de AFN onlus), as ideias começaram a se multiplicar em outras iniciativas. E com doações provenientes inclusive do exterior, depois foi construído um edifício para se desenvolver estas atividades, que se tornou bem cedo ponto de encontro e de referência para todo o barrio. 20160910-03Portanto, era realmente o caso de festejar, até porque o bairro está, de verdade, mudando de aspecto. No centro “Juntos por el barrio” se realizam atualmente múltiplas atividades, muitas delas dirigidas aos menores, mas também a pessoas de todas as idades: integração alimentar, prevenção sanitária, alfabetização, laboratórios de serigrafia e artesanato, cursos para jardineiros, cabelereiros, costureiros, atividades lúdicas. Deste modo, se dá suporte a mais de 70 famílias, enquanto todas as semanas o centro é frequentado em média por umas 200 pessoas. Os 220 que participaram da celebração de 14 de agosto, entre os quais uma centena de crianças, espirravam alegria por todos os poros. E todos se sentiam protagonistas não só da festa, mas também do próprio resgate, talvez por se sentir ‘parte’ de um processo no qual mais do que dar e receber, vem em luz a reciprocidade.

Ir. Francesca: a coragem da misericórdia

Ir. Francesca: a coragem da misericórdia

SuorFrancesca«Sou originária da província de Nápoles e venho de uma família simples. Meu pai, ministro extraordinário da Eucaristia, era encarregado principalmente pelos doentes e pobres da cidade que, de certo modo, tornaram-se de casa para nós. Tinha 14 anos quando meu pai, aos 40 anos, deixou-nos por causa de um tumor. O sofrimento foi muito forte: então não era verdade que Deus cuidasse de nós, como ele mesmo tinha sempre afirmado. Lancei-me com tenacidade nos estudos, o meu objetivo era ganhar muito dinheiro e construir uma casa só para mim. Aos 20 anos Deus apresentou-se novamente na minha vida: um grupo de amigos convidou-me para um encontro do qual, honestamente, não me lembro de nada. A única coisa que me levou a procurá-los de novo foi a alegria que via no grupo e que eu não tinha. Estudava, tinha boas notas, tinha muitos amigos, mas não me sentia feliz como eles. Queria entender melhor quem era este Deus do qual falavam e o que iria fazer da minha vida, depois de alguns anos. Conheci a minha congregação quase por acaso. Confesso que não tinha uma grande consideração pelas religiosas. Na minha região o convento até agora é visto como uma forma de fuga do mundo: portanto, não poderia ser a minha estrada! Sou uma pessoa alegre, gosto de estar em companhia de outras, estudei e também tive namorados. Mas nesta família religiosa encontrei o amor da minha vida, Deus, a quem não pude dizer não. Aquela era a casa que, desde a adolescência, tanto tinha desejado, mas com um algo a mais: não estava sozinha, tinha outras irmãs que, como eu, amavam Jesus. A minha família religiosa – as Irmãs Franciscanas dos Pobres – entrou em contato com o Movimento dos Focolares no fim dos anos 60. Vivia um momento de grande sofrimento por causa de algumas dificuldades internas da Congregação, e não só. O nosso carisma – ver Jesus nos pobres e curar as suas feridas – em contato com a espiritualidade da unidade assumiu uma nova luz e o Evangelho com a sua mensagem de amor recíproco era a resposta a todo aquele sofrimento. As irmãs criaram um Centro juvenil, para que as adolescentes pudessem entender o que fazer das suas vidas. Depois, voltando às fontes do nosso carisma, entendemos que os pobres não são apenas os doentes: a pobreza está em cada sofrimento que atinge o coração humano. 20160907-02Atualmente, na Itália, ocupamo-nos das pessoas sem residência fixa, de mulheres que decidem sair de uma situação de exploração, dos imigrantes; trabalhamos com a Caritas. Oferecemos a nossa ajuda e assessoria também no âmbito familiar: novas uniões, separações e divórcios; prestamos serviço nas prisões e com os adolescentes, etc. Sou formada em Ciências da educação. Nestes últimos seis anos, trabalhei como educadora em Messina, numa comunidade terapêutica para jovens que estão sob a jurisdição do Tribunal da Infância e da Juventude. Ia ali por eles, para que descobrissem o quanto são importantes para a sociedade. Muitas vezes me diziam: “Quando estás conosco sentimos algo de bom e alegre, talvez isso seja Jesus?”. Recentemente, com o contrato por tempo indeterminado, chegou também um pedido por parte dos meus superiores: uma transferência para as Filipinas para trabalhar nas prisões e com adolescentes que vivem nas ruas. A experiência que fiz nestes anos pode ser útil também ali. Dei o meu sim a Deus e não quero voltar atrás justamente agora. Em setembro partirei por seis meses, para ver se posso dar a minha contribuição naquela terra».

Acampamento de verão em Siracusa

Acampamento de verão em Siracusa

20160906-02“E nós não consideramos férias alternativas! Muitos já frequentam normalmente o acampamento e, portanto, de fato, não é uma experiência fora da normalidade: faz parte da nossa vida!” A afirmação é de Nahomy Onate, de 21 anos, originária de Reggello (Itália), pequena cidade nas proximidades de Loppiano, que participou do acampamento de verão, em Siracusa, organizado pelos jovens dos Focolares. Manchete do jornal local: Os jovens por um Mundo Unido vão ao encontro das periferias de Siracusa”: pelo terceiro ano consecutivo, de fato, os bairros Akradina e Tike e, neste ano, também Grottasanta, foram sedes desta experiência que tem como ponto central a relação e a dignidade da pessoa. Foram 120 jovens, provenientes de 17 regiões italianas que, por dez dias, nessas periferias, realizaram atividades e oficinas de dança, jornalismo, teatro, pintura, entre outras. Participaram também mais de 100 crianças e adolescentes, dos seis aos 13 anos. “Eu havia participado da experiência do ano precedente e, mais ou menos, eu sabia o que iria encontrar. Eu já conhecia a situação difícil daquelas periferias, mas, assim que chegamos lá, fiquei impressionada com a atitude de todos nós: estávamos prontos para viver na completa doação por dez dias. E assim aconteceu.” Nahomy diz que a novidade da terceira edição foi justamente o bairro Grottasanta: outra região pobre e perigosa da cidade.20160906-01 “Ao chegar diante da escola, na qual desenvolveríamos as atividades com as crianças e os jovens, eu fiquei chocada com o panorama que vi: um mar esplêndido era o pano de fundo para os enormes prédios decadentes. Aquele local era o símbolo do nível ao qual chegara a degradação social. E é a educação que, primeiramente, confere dignidade ao homem e aquela escola, naquelas condições, não conseguia oferecer exatamente nada a ninguém”. Mas, assim que o portão se abriu as mães dos alunos, os professores e as crianças nos acolheram com um aplauso e, no olhar deles, todos transmitiam a esperança de mudanças. Isto nos impulsionou a compreender que, não obstante os poucos dias à disposição, deveríamos empenhar nossas forças e investir naquela parte mais frágil da sociedade. E foi o que fizemos, cada um de nós, na pequena própria parte, estabelecendo relações de verdadeira fraternidade com aquelas pessoas. Depois de uma briga muito violenta de dois meninos, eu compreendi o contexto no qual eles vivem cotidianamente: violência, sede de vingança e indiferença, são os “valores” nos quais se fundamenta o crescimento deles. Diante daquela situação, explicamos a eles que não se responde a violência com a violência, mas, existem outros caminhos e outras maneiras, mesmo se, até aquele momento, ninguém os indicara. “Vamos parar de agir como agem os mafiosos – disse um dos meninos – eu não quero mais ver violência e vingança no nosso bairro; agora nós somos outros”. Bastaram poucos dias para que, envolvidos pela atmosfera do amor recíproco, as crianças pronunciassem frases como esta, diante dos seus coetâneos. A semente que nesses últimos três anos de atividades, em poucos dias fora plantada e regada já estava brotando e crescendo. Estávamos deixando algo no coração deles: haviam entendido que eles são o futuro e que sempre existe a possibilidade de ser diferente, ser melhor. Nesses três bairros de Siracusa encontra-se uma das muitas periferias da Itália e não queremos mais ver muitas situações que existem também nas nossas cidades, partes do mundo que estão perdendo os valores, o amor e a coragem. Depois dessa experiência, voltei a casa já com saudades e com certa tristeza: sinto falta de cada uma daquelas crianças. Mas, sinto-me plenamente fortalecida pelo amor, pelo sorriso e pela força de vontade deles. Eles querem revolucionar aquele ambiente”.

O “espírito de Primiero” e a paz entre os povos

O “espírito de Primiero” e a paz entre os povos

Fiera_di_PrimieroAno de 1959. Em Fiera de Primiero se realizava, no lugarejo trentino, a última das primeiras Mariápolis, etimologicamente “cidade de Maria”, um dos encontros marcados típicos do Movimento dos Focolares, nos quais, durante alguns dias, adultos, jovens e crianças, pessoas das mais variadas proveniências, se reúnem com o objetivo de viver uma experiência de fraternidade, à luz dos valores universais do Evangelho. Hoje estes encontros se realizam todos os anos em numerosos países do mundo, propondo, em contextos muito diferentes, a “regra de ouro” que convida a fazer aos outros o que se gostaria que fosse feito a si. No dia 22 de agosto daquele ano, no auge da “guerra fria” que contrapunha o bloco ocidental ao soviético, os participantes da Mariápolis, provenientes de bem 27 nações, decidiram consagrar a Maria eles mesmos e os próprios povos a que pertenciam. A fórmula de consagração foi lida em nove línguas presentes e aquele “povo” compreendeu que a vida de unidade, descoberta e experimentada em Primiero, estava destinada a se difundir no mundo inteiro. Hoje, numa época de “choque de incivilidades”, as relações entre os estados se mostram na máxima desordem e, por isso, é evidente a importância dos propósitos daquele evento de 1959, tanto que o novo Município unificado de Primiero acolheu, nos dias 27 e 28 de agosto, o simpósio “Os Povos na Família humana”, que teve como relatores o jurista Gianni Caso, presidente honorário da Corte de Cassação, e Vincenzo Bonomo, diretor do curso de graduação em Jurisprudência da Pontifícia Universidade Lateranense. Nesta época não se fala de povos, mas, ao máximo, de estados. Os povos são agregações naturais com direito à autodeterminação; os estados chegam até mesmo a negar a existência de povos indígenas, que também existem, para não ter que, eventualmente, reconhecer o seu direito à autodeterminação. Prefere-se falar de “sociedade civil” que tem, no máximo, uma opinião: os povos não têm uma opinião, têm um direito a se autodeterminarem e podem, e frequentemente desejariam, reivindicá-lo. «A paz dos povos é a ordem desejada por Deus», afirmou Chiara Lubich e confiou a Maria os povos, não os estados. Ela os confiou à defesa de Maria porque os povos têm direito à defesa. «Hoje não existe mais guerra fria – afirma Bonomo -, mas existe uma paz fria, que talvez é pior, porque é uma paz, ou presunção de paz, não baseada em valores compartilhados». O que permanece hoje daquele “pacto” de 1959? A enunciação daqueles princípios é hoje extremamente atual para se orientar no difícil panorama geopolítico. Segundo os relatores permanece o método de leitura dos fatos; permanece o importante instrumento da visão de um mundo unido que não abole as diferenças, mas as exalta. Hoje existe uma vontade de redescobrir os valores proféticos estabelecidos naquele distante 1959 e as pessoas presentes no encontro mostraram paixão e convicção. Um dos políticos locais, prefeito dos antigos municípios confluídos no município unificado de Primiero, afirmou que a Mariápolis de Primiero não deve ser, para o vale, um ponto de atração turístico, mas deve finalmente, com os seus valores “mudar a nossa vida”. Existe o desejo de fazer com que cresça o patrimônio de valores deixado por Chiara Lubich e fazer de Primiero um laboratório de fraternidade entre povos. Um percurso que se revelou inclusive na recente não fácil unificação dos quatro municípios, (Fiera de Primiero, Siror, Tonadico e Transacqua), quatro pequenos “povos” que, pelo bem comum, escolheram a comunhão. Aqueles que viveram aquela experiência de mais de 50 anos atrás falam de «sementes plantadas que é preciso continuar a regar». Na discussão se insere uma conexão ideal entre o “Espírito de Assis”, nas relações entre as religiões e o “Espírito de Primiero” nas relações entre os povos. No domingo de manhã, 28 de agosto de 2016, na lotada igreja paroquial de Fiera, se repetiu o ato de consagração com a “fórmula” recitada em 1959 naquela mesma igreja. Um sinal de festa para uma nova, profunda, responsável ideia de paz. de Roberto Di Pietro Fonte: Città Nuova  

Nigéria: uma escola de unidade na Mariápolis

Nigéria: uma escola de unidade na Mariápolis

20160902-04A Mariápolis 2016 da Nigéria – 400 pessoas que, de 2 a 7 de julho, viveram uma intensa comunhão entre jovens, adultos, crianças, sacerdotes, pessoas de diferentes igrejas e outras religiões – aconteceu distante dos refletores. Porque o bem não faz barulho. E também porque, na Nigéria, a mídia tem coisas bem diferentes para mostrar: violência, abusos, sequestros, atentados. Contudo, é preciso reconhecer o outro rosto deste grande país, olhando, por exemplo, à grande estrutura onde a Mariápolis foi realizada, o Brigard National Seminary, de Enugu, que é, no mundo inteiro, o seminário maior da Igreja católica de maiores dimensões. O que demonstra a fé que, neste país, é vivida com grande intensidade. A abertura da Mariápolis coube aos jovens, que invadiram o palco apresentando um medley gospel, cantado e dançado com grande força e ritmo. Divididos depois em dois grupos, surgiram do meio deles casais vestidos com trajes típicos das várias regiões do país, aplaudidos à medida que a plateia se reconhecia em um deles. A coreografia terminou com o hino nacional cantado por todos. Foi uma explosão de alegria que expressou, visivelmente, o convite feito pelo bispo, na homilia, para que o tema da Mariápolis: “Unidade, dádiva, empenho, meta”, fosse vivido, com “energia criativa, típica da juventude”. Um tema muito apreciado, como ele mesmo afirmou, por se tratar de um valor “tão necessário aqui na Nigéria”. O bispo de Enugu, Dom Callistus Chukwuma Valentine Onaga, encorajou todos a viverem a unidade segundo três objetivos: solidariedade, subsidiariedade, bem comum. 20160901-02Este início preparou um terreno fértil para os temas de espiritualidade e sua aplicação na vida concreta. Eficazes os testemunhos, alguns comoventes, transmitidos por pessoas ou casais que buscam viver o Evangelho nas suas aventuras e desventuras cotidianas. Significativos os depoimentos de um membro de uma Igreja pentecostal e de um jovem muçulmano, que contribuíram para a compreensão dos assutos que eram apresentados. As tardes foram dedicadas a uma grande variedade de workshops que colocavam em relevo como a unidade é capaz de melhorar a vida pessoal e da sociedade que nos cerca. Um grupo debateu sobre os tesouros e os desafios da vida familiar, outro sobre como viver a unidade com as dificuldades atuais que vive o país, e assim por diante. Simultaneamente havia oficinas que permitiam adquirir novos conhecimentos: um minicurso para eletricistas, um atelier para cabeleireiras, etc. Iniciativas recebidas pelos participantes como um presente, oferecido para que melhorassem as próprias capacidades, o que recordava a visão de Chiara Lubich em seu projeto da Economia de Comunhão, “Não se trata de pessoas ricas – afirmou a fundadora em Piacenza (Itália), em 1999 – que agem filantropicamente, mas de partilha, quando cada um, com igual dignidade, dá e recebe num contexto de reciprocidade”. Durante a Mariápolis, para selar o propósito de viver pela unidade, todos os participantes desejaram passar pela Porta Santa (a entrada na Capela do Seminário), abraçando a graça especial deste Ano da Misericórdia de Deus, e renovando o compromisso, consciente e solene, de ser misericordiosos uns para com os outros, e com todos. Vídeo com imagens da Mariápolis de Enugu https://vimeo.com/181015319