19 Mar 2016 | Focolare Worldwide, Senza categoria
Nesta Venezuela fraturada e dividida, achamos que devemos viver o Evangelho com radicalidade, cada qual no seu local de trabalho ou de estudo, para construirmos pontes de unidade e de paz. Na câmara municipal, por exemplo, há três pessoas que vivem a espiritualidade da unidade, uma do partido do governo e duas da oposição, que procuram respeitar-se e ajudar-se reciprocamente. Quem fala é Ofélia da comunidade dos Focolares que vive num bairro periférico da cidade de Valência, chamado Colinas de Guacamaya. «Uma amiga pediu-me para acompanha-la ao médico – conta ela –. Começa então um longo processo para obter medicamentos: um idoso à procura da cura para a diabetes, um senhor que pede um comprimido para a dor de cabeça, um rapaz, na farmácia, pedindo o paracetamol… Um só comprimido, mas o dinheiro não chega». Então Ofélia lembra-se de que tem no carro uma bolsa que traz sempre consigo, com medicamentos que lhe são dados pela “Providência de Deus” (como ela diz), podendo assim oferecê-los gratuitamente aos outros. Olhares incrédulos… e gratidão! Betty e Orlando têm quatro filhos. Transferiram-se para o Centro Mariápolis “A Nuvenzinha”, na localidade de Junquito, nas proximidades de Caracas. «Para servir aqueles que se encontram em necessidade – conta Betty – organizamos, com algumas pessoas da comunidade, a pastoral social. Queríamos responder às necessidades de alimentação, vestuário e habitação de algumas famílias da paróquia. Conseguimos, por exemplo, com a ajuda da assembleia municipal, construir uma casa digna para um idoso que vivia na indigência». «A atual crise social, com os altos indícios de insegurança que vivemos no País, abriu-nos ainda mais às necessidades das famílias da nossa comunidade que, inclusive, vivem no medo de perder a própria vida. Soubemos do pai de um rapaz, o qual ficou gravemente ferido, em consequência de disparos de uma arma, e acorremos ao hospital. Internado nos cuidados intensivos, morreu poucos dias depois. Agora continuamos a dar o nosso amor concreto com atenções, cuidados e proteção à mãe e ao filho, que acolhemos em nossa casa».
A pedido do pároco – conta-nos ainda Maria Carolina, da Comunidade de Junquito – fizemos uma viagem a uma zona rural, onde só se chega de jipe. Ali fomos recebidos pela comunidade de La Florida, onde há carência de muitas coisas materiais, e que, até há poucos meses, esteve privada da corrente elétrica. Uma comunidade de pessoas muito sacrificadas, dedicadas à agricultura, que fazem quilômetros a pé, para ir à missa, uma vez por mês. Esta é uma experiência que envolveu a todos e que desencadeou uma grande comunhão de bens: de muitas partes chegam roupas, remédios, brinquedos, calçados, alimentos… Com pequenos caminhões cheios de coisas, sobretudo de esperança, levamos o nosso amor a esta comunidade. Mesmo no meio das suas dificuldades, as pessoas, à nossa chegada, saem de casa, e as crianças correm, e há aplausos… e bem depressa se cria um clima de família!». A comunidade de Puerto Ayacucho, no estado de Amazonas, encontra-se numa zona de fronteira, povoada por comunidades indígenas. Sofrem de graves problemas: a guerrilha sempre presente, a exploração do ouro, um alto índice de mães solteiras. Esta comunidade viveu há pouco uma experiência muito forte, pela morte de Filipe, um rapaz dos Focolares morto há dois meses, pelos disparos duma arma de fogo. É algo que acontece muito frequentemente na Venezuela, mas especialmente nesta região. Ele morreu para salvar a vida de seu irmão que era procurado pelos guerrilheiros. Juan, um seu amigo de coração, conta-nos: «Filipe tinha manifestado o desejo de se inscrever no catecismo, e deixou-nos precisamente no dia anterior… Tínhamos feito muitos programas para o futuro!». A morte de Filipe deixou uma marca nesta comunidade: um novo empenho em viver para construir a paz, para darmos novos horizontes e esperança, especialmente aos jovens.
18 Mar 2016 | Focolare Worldwide
Há meses o fluxo de refugiados não para: vivem num estado de emergência nas ilhas de Lesbos, Cós, em Atenas, em Idomeni. Numerosas são as Associações leigas ou religiosas – ortodoxas, católicas, protestantes – e as ONGs que não deixam de estar presentes para socorrer e aliviar os grandes sofrimentos destas pessoas. A comunidade do Movimento dos Focolares, embora pequena, seja em Atenas seja em Tessalônica, abriu coração e braços, colaborando com várias associações, entre as quais a Cáritas, a Comunidade Papa João XXIII e outras. «Especialmente em Atenas – escrevem – fomos a diversos campos de refugiados que se abrem e se fecham segundo a afluência das chegadas. Envolvemos colegas e amigos na coleta de alimentos e roupas a serem levados nos vários centros de acolhida. De Tessalônica, todas as semanas, diversas pessoas da comunidade dos Focolares, em colaboração com a Cáritas, vão à fronteira com a Macedônia para os socorros e as ajudas urgentes».
«Fui com alguns amigos e colegas de trabalho a um campo aonde todos os dias chegam entre 500 e 1000 pessoas – escreve Mariangela, do focolare de Atenas –. Ajudamos na distribuição das refeições, na repartição e organização das coisas, brincamos com as muitas crianças. Gostaríamos de dizer a eles algumas palavras para compartilhar os seus pesos, mas às vezes a língua é um obstáculo. Não nos resta que comunicar com um sorriso, uma carícia, com gestos concretos. No final, você sente que alguma coisa passa. Tudo parece pouco neste mar de desespero, mas tentamos dar pelo menos uma gota de amor». Maristella Tsamatropoulou, trabalha na Equipe nacional da Cáritas Grega: «A atual emergência dos refugiados não faz senão ampliar o panorama de ajudas que a Cáritas já tinha posto em ação para aliviar a crise socioeconômica grega». Trata-se, explica, «de ajudas humanitárias que veem a distribuição de refeições, de bens de primeira necessidade tanto nas ilhas quanto lá onde as aglomerações exigem… Mas depois, hospedagem em hotéis onde é muito importante também a presença de animadores para crianças, de psicólogos e a oferta da possibilidade de se lavar. Os vários programas estruturados e sustentados pelos financiamentos estrangeiros não poderiam se realizar sem a corrente de solidariedade que vê empenhados muitos voluntários seja em primeira fila seja na retaguarda (aqueles que sensibilizam e recolhem o necessário)».
Na ilha de Siros, numa Confeitaria, os proprietários envolvem os clientes com ações de solidariedade, como coleta de medicamentos, roupas, alimentos e a iniciativa “um café à espera…” em que se pode deixar um café pago para quem não pode. No Natal chegaram 235 destes! Seguindo este exemplo, alguns padeiros lançaram “um pão à espera…”. «Estamos impressionados com a generosidade e solidariedade das pessoas» – escrevem ainda da comunidade dos Focolares – «o povo grego, apesar da grave crise que vive, está recorrendo a todas as suas potencialidades de fraternidade para com os mais pobres, encontrando energias inesperadas e criatividade para erguer e aliviar muitas pessoas. Uma verdadeira lição de humanidade!».
18 Mar 2016 | Focolare Worldwide
Vivem embaixo de barracas e na lama, os milhares de refugiados que esperam atravessar a fronteira grega com a Macedônia. A “miragem” é chegar à Europa. Dolores Poletto é croata, trabalha somente a duas semanas com a Cáritas Macedônia e vive na comunidade do Movimento dos Focolares em Skopje. É ela que conta o que viu, com seus próprios olhos, na fronteira: «Estive no campo de refugiados em Gevgelija (Macedônia), com os colegas da Cáritas. Foi uma visita não formal. Do outro lado da linha de fronteira aparece um mar de gente. Passamos também pela fronteira oficial na Grécia, em Idomeni» Fronteira fechadas. A situação humanitária que os refugiados estão vivendo na Grécia, Macedônia e Sérvia é o resultado do fechamento dos confins ao longo da rota balcânica. Desde quarta-feira, 9 de março, as autoridades da Eslovênia fecharam as fronteiras. Até a Croácia anuncio o fechamento e, logo depois, as autoridades sérvias. Segundo os últimos dados – mas os números são sempre aproximativos – nas fronteiras da Macedônia estão hoje cerca de 14 mil refugiados. Na Grécia são mais e 34 mil. Em Idomeni há uma espécie de funil. Está se repetindo o que, há meses, vive-se em Calais, na fronteira francesa no Canal da Mancha. Os imigrantes chegam depois de terem atravessado a Grécia e o Mar Egeu, em uma barcaça. «Uma multidão de gente – conta Dolores -. Chegam em condições precárias… Estamos na fronteira por onde, anteriormente, entrava-se na Macedônia. As pessoas querem estar o mais perto possível, por isso as barracas foram armadas por detrás da ferrovia». Além da chuva há o frio. «Se o tempo é bom, durante o dia a temperatura pode chegar a 18 graus, mas à noite desce até 2-3 graus». As condições de vida no campo estão se deteriorando a cada dia. Ao frio se acrescentam a escassez de comida e as insustentáveis condições de higiene e saúde». «Muitos entram na fila para receber a comida», conta ainda Dolores. «É difícil descrever o estado psicológico em que se encontram. Muitos dizem terem vindo da Síria. Todos gostariam de ir para a Alemanha, Áustria. A única pergunta que nos faziam: quando se abre a fronteira». Estão dispostos a tudo para alcançar o objetivo, até às custas da vida. «Agora mesmo escutei a notícia – diz Dolores – que três morreram no rio, entre a Macedônia e a Grécia, tentando passar ilegalmente. É uma tristeza». A Cáritas está presente desde o início da crise, com muitas ONGs. «Estão esperando poder passar a fronteira, por isso não querem ir para campos melhores. É difícil ajuda-los», continua Dolores. A polícia vigia constantemente para que ninguém passe, segundo os acordos feitos com a Europa. Diante deste impasse «você se sente impotente para fazer alguma coisa». A experiência tocou profundamente Dolores. «Pode-se estar com eles sobre a cruz, não consigo esquecer aquelas imagens. Lá estão muitos jornalistas. Falei com alguns deles, e, voltando para casa, vi as reportagens que fizeram, na TV. Pensei que se as tivesse visto sem ter visitado aquele lugar, teriam sido uma das muitas notícias que passam todo dia, mas agora, tendo tocado essa realidade com as minhas mãos, a vejo como uma ferida na humanidade». Fonte: SIR
17 Mar 2016 | Focolare Worldwide, Senza categoria
«Comecei por dar uma mão – conta-nos Annette, focolarina alemã – em dezembro de 2014. Nessa altura, o frio já se fazia sentir e havia necessidade urgente de cobertores. Ao procurar saber o que fazer, alguém da RomAmoR ONLUS propôs-me: “Mais do que cobertores, precisaríamos que tu viesses dar-nos uma mão e estar com eles”. Na semana seguinte, estava já na estação Ostiense. Experimentei uma emoção muito forte. Ao aproximar-me destas pessoas, descobri que, paradoxalmente, eram elas que me acolhiam a mim! Dei-me conta de que não se tratava de uma categoria de gente incómoda a evitar, mas que eram pessoas desejosas de relacionamentos, capazes, também elas, de dar calor humano. Passado algum tempo, chegaram os voluntários com uma ceia quente, e então aquela estação transformou-se, de lugar anónimo, frio e cinzento, numa realidade acolhedora». A partir daquela segunda-feira, a vida de Annette mudou. Nas primeiras noites não conseguia dormir, pensando no João, no Stefan, no Mohamed, que não tinham uma cama quente como a sua. Começou a dar a volta ao seu armário, para ver se encontrava mais alguma coisa para levar, apesar de no focolar se procurar viver apenas com o necessário. Mas o mais importante era continuar a ir àquela estação todas as segunda feiras. Uma noite, ao rever o caderno onde se assinalavam os pedidos dos sem-abrigo, viu que alguém precisava de uns sapatos de homem, que obviamente não havia no focolar. Lembrou-se então da experiência de Chiara, durante a guerra, que pedia a Jesus, presente nos pobres, aquilo de que eles precisavam. «Assim fiz também eu (conta ela), e no prazo de duas semanas chegaram-me 10 pares de sapatos!». Aa chegar o outono seguinte, repetiu-se a necessidade de cobertores. Duas das suas amigas de Roma festejavam o seu aniversário em novembro e lembraram-se de pedir como presente “cobertores”. E chegaram bastantes, mas mesmo assim não eram suficientes. Como não podia dar os de casa (já tinham só os que eram mesmo necessários), Annette pediu também isto a Jesus, para Ele se aquecer naqueles pobres. «Em poucos dias – conta ela surpreendida – foram-nos trazidos, de um Centro de estudantes de teologia que se iam embora, 4 grandes sacos com 30 cobertores e uma dezena de colchões de campismo. Sem contar os outros cobertores recolhidos por outros voluntários».
A partilha propaga-se como uma mancha de azeite. O vizinho de uma colega, que tinha perdido a confiança em qualquer acção de solidariedade, ofereceu muitas peças de roupa quente, envolvendo nisto também um amigo. «Mas mais forte do que todas estas intervenções da Providência – confidencia-nos Annette – é a experiência que fazemos. Estas pessoas não têm que comer, não têm um teto, mas pouco a pouco adquirem dignidade, quer porque estão mais bem vestidas e asseadas, quer porque, em conjunto, vivemos relações de fraternidade. Procuro, cada vez mais, acolher verdadeiramente o outro, dispondo-me a ser um pequeno instrumento do amor de Deus. E deles recebo a oportunidade de testemunhar o Evangelho “pela estrada”, na comunhão com pessoas de todo o mundo, com as mais diversas ideias e opiniões. Nesta reciprocidade, a realidade muda, a cidade assume outro rosto e é possível tocar com a mão o amor… mesmo só através de uma ceia quente. No Natal tivemos uma prenda especial: duas amigas da estação vieram festejá-lo connosco no focolar, com grande alegria para todos».
16 Mar 2016 | Focolare Worldwide, Senza categoria
«Esta noite devia ter acontecido aqui, três meses atrás. A loucura dos homens fez-nos mudar de rota». Assim Noufissa Boulif, muçulmana, organizadora do evento, abriu a noite; com efeito, no dia seguinte aos atentados de Paris, dia 13 de novembro de 2015, Bruxelas estava irreconhecível. Alguns dos terroristas envolvidos tinham sua base na cidade e, por motivos de segurança, o concerto foi cancelado e transferido para o dia 20 de fevereiro de 2016. Um encontro entre música e cultura muçulmana e cristã tornou-se uma plataforma de encontro entre muçulmanos, cristãos e também agnósticos que acreditam no diálogo e que, sabendo acolher o outro descobrem nele qualidades e virtudes escondidas. Mas o risco não continuava sendo alto para um evento islâmico-cristão no centro de Bruxelas? Perguntamos a Noufissa. «Se o concerto pode ser realizado foi graças à incrível solidariedade entre muçulmanos e cristãos, e certamente sob a proteção divina. Por fortuna, a programação aconteceu sem incidentes ou tensões». O concerto foi dedicado a todas as crianças que sofrem, colocando o evento «sob o selo da infância e da juventude, mas também sob o selo da diversidade que caracteriza o nosso país». Há mais de 20 anos Noufissa conhece e vive a espiritualidade da unidade, de Chiara Lubich. Desejaria testemunhar a todos que a fraternidade entre muçulmanos e cristãos é possível, entre estas duas culturas, muitas vezes antagônicas. Foi com essa perspectiva que organizou o primeiro concerto islâmico-cristão, em outubro de 2014. https://vimeo.com/114769749 «É um trabalho de longa data», continua ainda Noufissa. «Com meu marido e filhos, estamos engajados no diálogo inter-religioso. Já é parte da minha vida. Para mim, uma muçulmana que usa o véu, não é sempre descontado viver em harmonia com os outros, porque percebo que atraio os olhares curiosos ou as declaradas atitudes de desconfiança. Mas procuro sempre aproximar-me dos outros sem preconceitos, com um sorriso. A Regra de Ouro, presente em todas as grandes religiões, ajuda-me muito: “Nenhum de vocês crê verdadeiramente se não deseja para o irmão o que deseja para si próprio” (Maomé, Hadith 13 de al-Nawawi). São compreensíveis as reações islamofóbicas e a influência, nem sempre construtiva, dos meios de comunicação, mas estou convencida, como muçulmana, que é essencial superar tudo isso. O profeta Maomé afirma, num hadith, que “o sorriso é uma esmola” (uma dádiva gratuita para o outro)». Voltemos ao último dia 20 de fevereiro. Vários corais alternaram-se no palco: crianças, jovens, cristãos e muçulmanos, brancos e negros, de língua neerlandesa ou francesa – também este um desafio para a Bélgica. Rissala, Os Pequenos Coristas, As Vozes dos 4 Horizontes, I.TOUCH’, um grupo de meninas muçulmanas portadoras de deficiência. E, quase no final, os rappers Mc ‘Youns, Antis e Mamz-I, que com suas palavras incisivas convidavam todos a manterem os braços erguidos e continuar a acreditar na vida. A associação “A Luz do Coração” nasceu depois de 25 anos de atuação no diálogo inter-religioso de Noufissa, e de dez anos de serviço de uma sua amiga muçulmana que trabalha com cuidados paliativos. Juntas, elas visitam os doentes em suas casas, indo ao encontro da necessidade de relacionamentos, nesse momento particular da vida. Com essa associação, depois de um ano de trabalho intenso para a preparação de “Fraternidade em coro”, elas já estão trabalhando para um próximo evento islâmico-cristão, chamado “Juntos com Maria”, que se realizará no dia 23 de abril, em Bruxelas, na Catedral de Saint Michel.
14 Mar 2016 | Focolare Worldwide

Cristina Montoya
«O contrário da paz na Colômbia é o conflito armado que dura mais de 50 anos, o segundo mais longo da história atual. É um choque com dimensões múltiplas, que nasceu da desigualdade e da assimetria política, levado ao extremo pela instauração de lógicas de economias ilícitas como o narcotráfico. São mais de 4.500.000 pessoas desalojadas, 220.000 assassinadas e 25.000 os “desaparecidos” registrados oficialmente. Mas não se pode pensar no conflito apenas como aquele que se combate na linha de batalha: esse toca tudo, apropria-se dos processos sociais e culturais, do espaço público, das influências recíprocas, fere a vida das famílias. Quando vives num pais que por três gerações conheceu como protagonista do vínculo social a violência, deves fazer as contas com uma verdadeira mudança antropológica: a lógica da dádiva, da confiança e da gratuidade parecem desaparecer. Não obstante, a guerra não consuma tudo. Existem muitas iniciativas, a criatividade, os grupos que trabalham para reconstruir um tecido social e a fidelidade a Deus que não falta em cada momento histórico. Um jornal jogado num caixote de lixo trouxe a um religioso colombiano a boa notícia de que existiam pessoas que acreditavam seriamente no Evangelho e o viviam. Os seus quase 78 anos encheram-se de vida que imediatamente tornou-se contagiosa. A história de Chiara Lubich e das suas primeiras companheiras, bem como daqueles que como elas viviam em outros lugares do mundo, fez desencadear a esperança. São histórias e rostos como aquele de Rosa, que vive nas periferias de Medellín, entre as regiões mais atingidas. Seu filho foi assassinado por um amigo. A resposta habitual seria a vingança, mas acreditar no amor significa a coragem do perdão. Uma ferida que continua a doer, mas a sua resposta foi viver pelo seu bairro e isto significa buscar a paz. Ou Nubia, que ao amanhecer teve que fugir porque a guerrilha ocupou a sua cidade. Deixou para trás casa e campos: tudo que possuíam. Grávida, com um filho pequeno e um adolescente, ao chegar na nova cidade, perde o marido e o filho maior num canteiro de obras em condições precárias. Um absurdo difícil até mesmo de imaginar. O amor de uma comunidade dos Focolares sustenta-a durante anos, dando-lhe a força para começar uma nova vida. A paz não é um bem em si mesma, para construí-la é preciso garantir a justiça, combater as causas que a obstaculizam, e foi isso que fizeram Gabrielina e Macedonio, doam a própria pobre casa para construir um centro social que depois se tornou um ambulatório, uma sala para acompanhamento escolar e a sede de projetos de renovação urbana de arquitetura. É preciso também criar outros futuros, educar a um outro mundo possível. Da comunhão de bens nasceu uma creche infantil para acolher as crianças mais pobres, que se tornou uma escola de 1º grau com mais de 400 alunos, com uma proposta educativa centralizada no amor e na generosidade para construir uma Colômbia na paz e pluralista. Surgiram muitas iniciativas porque nenhum povo pode entrar em contato com Chiara Lubich e permanecer como antes. O seu carisma que leva a descobrir e a acreditar no Amor produz uma mudança de mentalidade, descobre-se que somos capazes de amar, tornamo-nos sujeitos capazes de construir a paz. Como afirma Rafael Grasa, Presidente do Instituto Internacional pela paz da Catalunha e professor convidado a Medellin, «a paz começa de cada pessoa, continua com os relacionamentos interpessoais e os grupos. A paz é dinâmica. Alcançá-la toca toda a harmonia do ser humano consigo mesmo, com os outros, com a natureza». Mas agora que, até ao fim do mês, é previsto em Havana a assinatura com as FARC (Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia) do sonhado acordo de paz, e é preciso reaprender a vivê-la – como a criação que espera com as dores do parto –, talvez o país espere uma manifestação ainda mais forte dos filhos deste carisma».