1 Mar 2016 | Focolare Worldwide
«Quando a Secretaria comunicou-nos que se tratava da tese de graduação nº 100, pensei que não poderia ter sido de outro modo. Cada graduação marcou um momento importante do nosso percurso, mas que a centésima tese fosse precisamente a de Akie Otomo, impressionou-nos muito!». O comentário é de Judith Povilus, vice-presidente do Instituto Universitário Sophia (IUS), que acompanhou o caminho de Akie Otomo e di Yukie Ohi, duas estudantes do movimento budista Rissho Kosei-kai que concluíram o curso de graduação em Fundamentos e Perspectivas de uma Cultura da Unidade. Yukie Ohi graduou-se no ano passado, enquanto no dia 11 de fevereiro foi a vez de Akie Otomo. O sucesso da sua pesquisa foi aclamado com um aplauso dos mais calorosos, confirmando o entusiasmo da comunidade acadêmica pelo resultado dos seus estudos. O tema das teses, uma comparação entre “A Hoza na Rissho Kosei-kai e a vida de unidade na espiritualidade do Movimento dos Focolares”, amadureceu num clima de escuta reciproca e acolhimento, com a participação ativa das duas professoras que acompanharam a candidata como orientadora e orientadora adjunta, Anna Pelli, professora de Filosofia, e Antonella Deponte, professora de Psicologia. «O foco é muito interessante: tratava-se de individualizar, de que modo em realidades agregativas diferentes, como a Rissho Kosei-kai e o Movimento dos Focolares, haja um ritmo de vida análogo: a comunhão. Isso ocorre pondo em ato duas práticas singulares. Na Rissho Kosei-kai vive-se a Hoza, caraterístico “círculo de compaixão”, constituído por um grupo de pessoas que se encontram para partilhar os problemas pessoais e encontrar ajuda reciproca à luz dos ensinamentos de Buda. Nos Focolares, pratica-se a “comunhão espiritual” guiada pelas Palavras do Evangelho, pelas quais torna-se possível a partilha das experiências vividas, para caminhar juntos em direção a Deus». Conforme o trabalho evoluía, evidenciava-se que o tema poderia ser compreendido somente se posto na linha da experiência profética de diálogo que resultou do encontro entre Nikkyo Niwano e Chiara Lubich, eminentes figuras do século XX. O primeiro, líder budista, foi o fundador da Rissho Kosei-kai, único observador não cristão no Concilio Vaticano II. Chiara Lubich, personalidade do mundo católico, inspirou um movimento mundial de renovação espiritual que atraiu homens e mulheres de crenças e culturas diferentes. Ao longo dos anos, muitas semelhanças os levaram a colaborar concretamente em favor da paz e da compreensão reciproca entre os indivíduos e os povos, chegando ao ponto de partilharem a própria peculiar experiência de fé. Entre outras coisas, a tese documenta a correspondência epistolar trocada entre eles, apresentando alguns trechos que permitiram à estudante japonesa aprofundar de maneira surpreendente alguns pontos fortes da cultura da unidade, que, na sua opinião, abrem amplos espaços de diálogo e de partilha.
«Foi a partir deste fundamento – comenta a prof. Pelli – que tomou forma a intuição da qual Akie foi guiada na sua pesquisa. Ao longo do percurso, pode-se ver o encontro da própria verdade com a verdade do outro: descobrimos que este encontro era algo que, de certo modo, já nos pertencia e que, ao mesmo tempo, abria-se para perspectivas mais vastas. Estou convencida de que esta experiência foi possível graças ao lugar privilegiado que é Sophia. Onde, no quotidiano procura-se fazer com que a vida e o pensamento, a empenho intelectual e a abordagem existencial possam ser traduzidos numa convergência substancial para o bem, com a doação recíproca das próprias diferenças». «Sou muito grata pelo tempo que vivi em Sophia – Akie concluiu com estas palavras a sua apresentação. Não só tive a oportunidade de me aproximar mais do pensamento de Chiara Lubich, que admiro muito, mas também de conhecer mais profundamente a vida e a mensagem de Nikkyo Niwano. Agora vou continuar a minha pesquisa. Gostaria de me comprometer cada vez mais na vida quotidiana para que, com a contribuição de todas as religiões, possamos levar ao mundo a harmonia, a unidade e a paz». Fonte: IUS online
28 Fev 2016 | Focolare Worldwide
Após tracejar alguns desafios do mundo de hoje – a ameaça à paz e a busca da afirmação da própria identidade – Maria Voce oferece algumas reflexões a partir da experiência carismática de diálogo proposta por Chiara Lubich. É o dia 26 de janeiro, no India International Centre de Nova Deli. «Se procurarmos compreender quais são as características específicas que o diálogo do Movimento propõe, a primeira delas nos parece o seu fundamento. Chiara [Lubich] sempre nos ensinou a olhar para Deus como Pai de todos e, consequentemente, a olhar para cada homem e mulher que encontramos como seu filho ou sua filha e, portanto, como nosso irmão ou irmã. Ela mesma revelou esta descoberta, escrevendo às suas companheiras já em 1947: “Dirigir sempre o olhar para o único Pai de tantos filhos. Depois, ver todas as criaturas como filhos do único Pai. Com o pensamento e com o afeto do coração, ultrapassar sempre todos os limites interpostos pela vida simplesmente humana e tender, constantemente e por hábito adquirido, à fraternidade universal num único Pai: Deus[1]”. Lembro-me com que alegria Chiara nos relatou o comentário da nossa caríssima irmã, a prof. Kala Acharya, aqui presente, após o encontro delas na Índia em 2001: “Cada um cresceu fechado dentro dos próprios muros, admirando o próprio jardim, sem saber que do outro lado destes muros altíssimos, existem belíssimos jardins a serem contemplados. Chegou a hora de abater estes muros e descobrir o jardim do outro”. Se este é o fundamento, o método do diálogo que Chiara nos ensina não pode ser senão o amor! É um diálogo entre irmãos, portanto um diálogo entre pessoas, não entre ideologias ou sistemas filosóficos. É um diálogo que deve necessariamente ser apoiado e substanciado pela misericórdia, pela compaixão, pela caridade, assim como está sintetizado na Regra de Ouro [Faz aos outros o que gostarias que os outros fizessem a ti]. O amor e a misericórdia, colocados na base do diálogo, não só nos permitem ver quem está ao nosso lado com uma nova luz, mas nos fazem descobrir a diversidade, seja ela qual for, como um dom. Chiara disse: “Quem me está próximo foi criado como um dom para mim e eu fui criada como um dom para quem me está próximo. Na terra tudo está em relação de amor com tudo: cada coisa com cada coisa. Mas é preciso ser o Amor para encontrar o fio de ouro entre os seres”2. Atualmente, os contatos, em virtude das imensas possibilidades oferecidas pelos meios de comunicação, se multiplicam, mas se tornam breves, efêmeros, desprovidos de significado, enquanto as relações se rompem ou diminuem. Somente quando se insere no relacionamento eu-tu um amor que supera a dimensão puramente natural, os contatos podem se transformar em relações, ou seja, podemos construir redes de verdadeira fraternidade. E deste ponto de vista, a religião é chamada em causa para dar um sentido, uma alma, respostas verdadeiras e satisfatórias à humanidade confusa, traumatizada e desorientada de hoje. Constatamos nestes anos o papel insubstituível das religiões para levarem os seus adeptos a se reconhecerem reciprocamente e se respeitarem, a colaborarem, e a se tornarem protagonistas na construção de um mundo de paz, onde reinem a justiça e o respeito pela pessoa humana. Também Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, viveu e contagiou todos os que nela se inspiram, a viverem esta extraordinária aventura, na qual não é suficiente um amor qualquer, mas é necessário aprender uma arte, como ela mesma a definiu: a “arte de amar”. (…) Se todos vivermos esta “arte”, atuaremos também alguns princípios indispensáveis no diálogo entre as religiões. Menciono alguns: Unidade na diversidade. É preciso que cada religião seja acolhida no pleno respeito a tudo o que ela considera sagrado, segundo a sua tradição. Proselitismo e sincretismo são incompatíveis com a paz. (…) Reciprocidade nos relacionamentos. Na partilha da espiritualidade vivida, cada um se enriquece não só sem o perigo de comprometer a própria fé, mas com a possibilidade de aprofundá-la. (…) Igualdade na dignidade humana comum. É a chave para qualquer relacionamento harmonioso de colaboração na construção de sociedades democráticas fundamentadas na paz. Muitos sabem como o carisma de Chiara Lubich pode ser sintetizado numa única palavra: unidade. É a vocação específica de todo o Movimento, que se empenha em vivê-la este ano com particular intensidade: trabalhar, empenhar-se em todas as frentes para contribuir na construção de um mundo unido, e levar a unidade, a paz e a reciprocidade em todos os ambientes. É o que exige a fidelidade ao nosso Carisma, àquela primeira intuição que Chiara assim expressava desde 1946: “Em nosso coração experimentamos algo muito evidente: a unidade é o que Deus quer de nós. Nós vivemos para ser uma só coisa com Ele, uma só coisa entre nós e com todos. Esta esplêndida vocação nos liga ao Céu e ao mesmo tempo nos imerge na fraternidade universal. Não há nada maior que isto. Para nós, nenhum ideal supera este”3». Nova Deli, 20 de janeiro de 2016 [1]LUBICH, A arte de amar, Cidade Nova, São Paulo 2006, p. 33 2LUBICH, Escritos Espirituais 1, “A atração do tempo moderno”, Cidade Nova, São Paulo 1998, p. 138. 3LUBICH, A unidade e Jesus Abandonado, Cidade Nova, São Paulo 1985, p. 29.
27 Fev 2016 | Focolare Worldwide
“Com o cessar-fogo, uma noite de calma envolve toda a cidade de Aleppo”, escreve Pascal Bedros, focolarinos de Aleppo. “Até o último momento ninguém esperava que, de fato, acontecesse. É um primeiro tijolo para construir a paz com o diálogo. Damos graças a Deus, e aos homens de boa vontade, por esse presente. Um lindo presente para as crianças, que dormiram uma noite tranquila nos braços de seus pais. Neste fim de semana nos reuniremos em Aleppo, depois de um longo tempo em que não foi possível fazê-lo, para um encontro de aprofundamento da espiritualidade da unidade, dos Focolares, que nos manteve vivos nestes longos anos e que ilumina o nosso empenho social”. O cessar-fogo na Síria, o primeiro desde o início de 2011, negociado entre Rússia e Estados Unidos, entrou em vigor à meia-noite do dia 26 de fevereiro. As negociações de paz poderão ser retomadas dia sete de março, se a trégua persistir, como foi anunciado pelo enviado pelo enviado especial da Nações Unidas, Staffan De Mistura. Testemunho da comunidade dos Focolares na Síria (maio 2015):
26 Fev 2016 | Focolare Worldwide
«Sou funcionário público e moro em Catanzaro (Itália). Participando de um encontro de amigos que atuam no campo social, soube que alguns jovens estrangeiros, que vivem num centro de acolhida para refugiados, precisavam de bicicletas para irem ao trabalho. Lembrei que tinha, na garagem, duas mountain bike em bom estado, que eu gostava muito, até porque estavam ligadas a boas recordações das longas excursões feitas nas montanhas, com meu filho. Sem hesitar levantei a mão para oferece-las. Mas precisava superar a dificuldade de fazer com que chegassem ao destino. Pouco tempo depois soube que esses amigos estavam organizando, para o fim de janeiro, um encontro de três dias, numa localidade turística próxima à habitação dos refugiados, e eu também fui convidado a participar. Vocês não podem imaginar a minha grande alegria diante desta notícia. Eu mesmo podia transportar as bicicletas – com tempo e custos zero – e, a mais, podia entregar pessoalmente aos interessados, tendo a oportunidade de conhecê-los. Mas surgiu outra dificuldade: as bici eram grandes e não cabiam no bagageiro do meu carro. Não sabendo como remediar, pedi ao meu vizinho, que vende objetos usados, se podia me ajudar a encontrar uma solução. Mas ele, quando soube que eu queria dar as bicicletas aos refugiados, começou a dizer que era melhor dá-las a alguém que pudesse ganhar alguma coisa com elas, e que não lhe parecia “o caso de ajudar essas pessoas desconhecidas, que vem ao nosso país para ocupar o pouco trabalho que existe e criar tantos problemas e tensões sociais”. Percebendo que eu permanecia firme na minha decisão, disse-me que outro amigo nosso tinham duas bici que serviriam justamente para o meu caso. Fomos juntos, e esse amigo logo se mostrou muito disponível, bastante contente em dar as suas bicicletas. Tudo estava correndo bem. No dia combinado, quatro jovens refugiados foram ao local onde acontecia o nosso encontro para pegar as bicicletas. Logo que as viram, ainda dentro da cobertura do carro, vi que os olhos deles brilhavam. Talvez pensassem que iam encontrar velhas bicicletas enferrujadas, enquanto que aquelas eram novas, bonitas, e funcionavam. Eles ficaram realmente muito felizes. Depois, timidamente e com grande dignidade, agradeceram, dizendo que eram pobres e não tinham nada para retribuir, mas que naquela mesma noite viriam, com seus tambores, para cantar os seus cantos durante a celebração eucarística. Eu tenho certeza que a amizade que nasceu entre nós permanecerá…». (Domenico – Itália)
24 Fev 2016 | Focolare Worldwide
Passados cinco anos de guerra, o anúncio de um possível cessar-fogo na Síria não dá quaisquer esperanças à população, que, dia-a-dia, continua a ver a situação degradar-se cada vez mais. Os carros-bomba continuam a semear a morte entre os civis, os raides aéreos atingem em número crescente as estruturas humanitárias e nos campos de batalha continuam a morrer pessoas. Para não falar das perdas de postos de trabalho, das casas destruídas, bem como das contínuas, e já insuportáveis, interrupções de energia e de água, enquanto a vida, por força das coisas, tem que continuar. Numa cultura onde a família está no centro de tudo, é motivo de sofrimento ver partir os parentes para improváveis destinos no estrangeiro, sem qualquer esperança de voltarem a se encontrar no futuro. E para os que decidem ficar, nada mais resta do que o angustiante dilema de saber se fazem bem ou não em ficar neste país, onde o risco de morrer está sempre iminente e onde não há qualquer perspectiva de futuro. Todavia, é precisamente para aí que Maria Grazia Brusadelli, focolarina italiana, está se preparando para ir. O que a impele – perguntamos – a deixar o porto seguro da Itália e lançar-se ao largo, em busca de um enorme desconhecido?
«É uma urgência que sinto dentro mim. E sinto-o como um segundo chamado de Deus: gastar-me por aqueles que sofrem e que estão em maior perigo. E, deste modo, sinto que respondo pessoalmente à pergunta que no Movimento nos fizemos todos: como poderíamos dar resposta ao apelo do Papa Francisco de “sairmos” para as periferias do mundo. Por isso, disse a Jesus: “envia-me!”. E senti que Ele acolhia esta minha disponibilidade. Falamos entre nós e foi-me proposto para ir reforçar o focolare de Damasco». Esta é, hoje em dia, uma das mais remotas “periferias”. Neste momento, Maria Grazia já está preparando os documentos para a partida. Entretanto, foi a casa dos pais comunicar-lhes a sua escolha e, no trabalho, está passando as responsabilidades a quem irá substituí-la nas suas atuais funções. Ainda estaria a tempo de mudar de ideia, tendo em conta o encarniçamento das hostilidades. Há poucos dias, a notícia de mais uma bomba explodida na estrutura hoteleira onde estão alojados os Médicos sem Fronteiras de Marat al Numan: oito vítimas mortais e uma população de 40.000 pessoas sem serviços de saúde, em plena zona de conflito. E em Aleppo, foi assassinado um jovem voluntário da Caritas. Maria Grazia, que efeito provocam em você estas notícias? Elas fazem com que repense a sua decisão? «Absolutamente, não! É verdade que cada notícia trágica que chega é uma flecha cravada no coração. Mas não tenho medo. Estou consciente dos riscos, mas não temo por mim. Penso antes nos que lá estão, e gostaria de já estar lá com eles, para partilhar os seus sofrimentos e levar-lhes, mesmo só com a minha presença – infelizmente não conheço o árabe – um pouco de esperança. Gostaria de já estar lá, para fazer-lhes sentir a minha solidariedade e a proximidade dos membros do Movimento dos Focolares que, em todo o mundo, rezam diariamente pela paz na Síria. Os sírios, com os quais estamos em contato, estão muito agradecidos por esta comunhão mundial e por tudo o que, naqueles lugares, se faz para aliviar as suas dificuldades. Desejaria já estar lá para lhes levar o afeto e a esperança da Igreja. Antes de partir, terei a graça de um encontro com o Santo Padre… Assim, chegando lá, poderei transmitir-lhes a sua mensagem. Em Damasco estarão à minha espera outras três focolarinas e, em Aleppo, também os focolarinos. De ambas as cidades todos vivem numa estreita comunhão com as pessoas que na Síria abraçaram a espiritualidade da unidade. E é muito intenso o diálogo ecumênico e inter-religioso com todos. Porque Focolares é, em todo o mundo, sinônimo de espírito de família, entre nós e com todos».
16 Fev 2016 | Focolare Worldwide
Milhares de estudantes universitários denunciaram o sistema de corrupção que estava instalado na maior universidade estatal do País, a Universidade Nacional de Assunção (UNA). Tratou-se de uma longa primavera austral que se concluiu com a demissão em cadeia das autoridades académicas e com a negociação que levou à reforma de um estatuto concebido no tempo da ditadura. Os jovens universitários surpreenderam a todos pela sua seriedade e organização. Durante quase um mês, período em que ocuparam o Campus universitário, criaram um verdadeiro “Estado alternativo”: montaram a guarda às portas, controlando bolsas e bagagens para que não entrassem bebidas alcoólicas; criaram comissões que cuidavam da alimentação e dos serviços essenciais; com a ajuda de professores e estudantes dos últimos anos, organizaram um calendário de aulas supletivas; finalmente estabeleceram um calendário de provas para que ninguém perdesse o ano. Além disso, foi notória a inteligência demonstrada em não se deixarem instrumentalizar por ninguém. Tomaram como figura inspiradora o Papa Francisco, o qual se tinha encontrado com milhares destes jovens, quando da sua visita ao Paraguai. O seu apelo a “fazer confusão, mas depois organizá-la” foi acolhido plenamente. Entre os animadores desta revolta pacífica #UNAnotecalles (UNA não te cales) estiveram os jovens dos Focolares. Demos a palavra a Alexandra e Cecília, duas jovens estudantes de Medicina e Engenharia, respectivamente: «Tudo começou com um protesto sentado (sit-in) diante da Reitoria, para demonstrar a nossa indignação pelas recentes denúncias de corrupção. Depois, diariamente realizava-se uma manifestação pacífica, com microfone aberto a estudantes, professores e funcionários. Em seguida realizou-se uma vigília permanente em redor do edifício, conjuntamente com uma greve dos estudantes, exigindo a demissão do Reitor e seus colaboradores. O apoio de muitos cidadãos, com o envio de alimentos e outras coisas, deu-nos força para não ceder na luta, fazendo-nos compreender que esta era uma batalha de todos. Após 40 dias, conseguiu-se a demissão do Reitor e de outros 5 funcionários, bem como a imputação de outros 38, e finalmente as demissões dos decanos de todas as Faculdades. Para nós foi fundamental viver esta etapa em conjunto com os Gen que estudam na UNA, mas também com todos os outros que nos fizeram sentir o seu apoio, das mais variadas maneiras. Certos da promessa de Jesus de que, se estamos unidos no Seu nome, Ele está conosco, procuramos fazer com que isso fosse sempre realidade. Ele foi a luz que nos levou a difundir os valores evangélicos de amor, de verdade e de justiça, ajudando-nos a superar os momentos difíceis, que também não faltaram. Por vezes não é fácil controlar a multidão que parece deixar-se levar pelas emoções. Nestes momentos, quando não tínhamos a certeza do que seria justo fazer, juntávamo-nos para compreender juntos como nos comportarmos e quais as escolhas que devíamos fazer.
Letícia, estudante de Serviço Social, conta-nos: «De início sentia-me um pouco confusa, porque nunca tinha vivido pessoalmente uma experiência semelhante, com tantos jovens gritando slogans, reclamando direitos e ocupando a universidade. Interrogava-me porque é que havia estas injustiças e o que é que eu devia fazer como cristã. Compreendi que devia estar com os estudantes, pondo-me ao seu serviço, procurando perceber as razões de cada um, mesmo daqueles que vivem frustrados. Trabalhar com todos e a todos dar coragem nos momentos de desencorajamento». Uma sua intervenção em que convidava os estudantes a “não terem medo” de eventuais repressões ou de perder o ano “porque aqui joga-se tudo por tudo”, foi difundida nas redes sociais. Para José, estudante de Física, «ir contra a corrente era uma coisa de todos os dias. Mas vivia-se um grande amor concreto entre todos os jovens presentes no Campus. Creio que a revolta que se vivia e se vive é sinônimo de juventude e, para um cristão, significa imitar um dos maiores “rebeldes” da história: Jesus de Nazaré. Era e é o momento de O imitar, não apenas no Campus, mas também nos outros âmbitos da vida, para sermos uma geração fiel aos Seus Ideais».