Movimento dos Focolares
Ilanthalir: tenros raminhos que crescem fortalecidos na Índia

Ilanthalir: tenros raminhos que crescem fortalecidos na Índia

20150120-02No dia 2 de fevereiro o padre Susai Alangaram vai celebrar 25 anos de sacerdócio. Em Tiruchchirappalli, no estado de Tamil Nadu – extremo sul da Índia, banhado pelo Oceano Índico – ele era já sacerdote, havia seis anos, quando iniciou um projeto visando diminuir a pobreza das crianças da paróquia. Já bem antes havia conhecido o Movimento dos Focolares e começara a viver e a testemunhar a unidade com outros amigos sacerdotes, em uma sociedade paralisada pelo problema das castas. Com dois amigos iniciou um projeto de apoio à distância para 50 crianças, com o nome Ilanthalir que, na língua tâmil, significa “tenros raminhos”, para evidenciar o carinhoso cuidado necessário para o crescimento e o desenvolvimento destas crianças. Atualmente as crianças pobres, em vários povoados de cinco distritos de Tamil Nadu, recebem o apoio do projeto, em um território que compreende uma área de 125 km ao sul de Tiruchchirappalli, a 70 km em direção ao norte. Depois do tsunami de 2004 algumas crianças de dois vilarejos do litoral foram beneficiadas e, atualmente, elas já estudam na universidade. 20160120-02O clima no país é muito quente e os vendavais são imprevisíveis: muitas vezes danificam plantações causando pobreza aos habitantes. Neste ano houve enchentes no norte e seca no centro do país. A pobreza é a maior causa do alto índice de analfabetismo e do trabalho infantil, e a primeira preocupação de muitas famílias indigentes é a de ter alguma renda para sustentar-se, e não a de educar os filhos. Ilanthalir busca prover as primeiras necessidades das crianças e garante os estudos até que elas encontrem trabalho e possam, por sua vez, sustentar a própria família. Neste ano, 456 crianças serão beneficiadas diretamente pela adoção a distância, um projeto de Famílias Novas, e outras 300 receberão assistência de Ilanthalir. 20160120-01As crianças pertencem a várias religiões e, por meio do projeto, todas festejam juntas as principais festividades como Diwali (festa das luzes), Pongal (festa da colheita), o Natal, entre outras. O mês de outubro é dedicado ao cuidado com o ambiente e cada centro social organiza atividades como plantação de árvores, limpeza de lugares públicos e assim por diante. O que mais chama a atenção na experiência de Ilanthalir é o impacto da espiritualidade da unidade em um contexto que, de outra maneira, presta-se a favorecer uma cultura de sobrevivência e de isolamento. A Palavra de Vida, dos Focolares – um comentário que sugere como viver frases do Evangelho – é traduzida na língua tâmil e difundida entre as crianças e os pais delas e eles se encontram mensalmente para partilhar como procuram vivê-la e para renovar o compromisso pessoal. Todo ano eles transcorrem juntos um dia da Mariápolis, com cerca 300 pessoas, em Tiruchchirappalli, promovendo uma partilha fraterna entre todos. O fato de que as crianças de Ilanthalir buscam viver desta forma, com os pequenos gestos concretos de amor, faz com que se tornem agentes de unidade nas próprias famílias e ambientes, proporcionando uma nova esperança para muitas pessoas.


https://vimeo.com/155673931

Argentina: um Shabbath especial

Argentina: um Shabbath especial

judios-encendido-velas«Queremos testemunhar uma experiência transformadora que vivemos, de 11 a 13 de dezembro de 2015, com alguns membros da comunidade hebraica Bet-El e os habitantes da Mariápolis permanente dos Focolares, rezando uns pelos outros», escrevem a rabina argentina Silvina Chemen e Carlos Becaría e Nanni Espinosa da Mariápolis Lia. Um Shabbath especial. «Começamos amassando juntos o pão para o ritual – conta Silvina. Depois participamos do momento em que se acendem as velas de Hanuka, e relembramos o histórico pacto celebrado por Chiara Lubich e os hebreus em Buenos Aires, em 1998. Cantando juntos, esperamos o pôr-do-sol para receber as estrelas que anunciavam a chegada do Shabbath e assim, abraçados, entramos no salão que se transformou numa sinagoga para a ocasião. Rezamos juntos as vésperas do Shabbath e no sábado partilhamos a oração da manhã e a leitura da Torah. Foi um momento sagrado. Mariapoli Lia_bPartilha e diálogo. «À tarde, foi igualmente importante para os hebreus – conta Carlos – o momento da participação à celebração da missa, que foi antecipada no horário para responder ao desejo deles de estarem presentes. Na oração dos fiéis, houve uma em especial, pedindo a paz e o diálogo entre nós (Comunidade Bet-El e Focolares) que comoveu a todos. Este sentimento de unidade prolongou-se durante toda a tarde num workshop sobre o diálogo, com a participação de todos os jovens cristãos que frequentam as escolas da Mariápolis. Partilhamos perguntas, dúvidas, espectativas sobre o diálogo e as nossas várias tradições, com liberdade e profundidade. Concluímos elaborando juntos enfeites para a árvore de Natal que continham escritos os nossos desejos». Despedida do Shabbath. «Encontramo-nos outra vez ao ar livre – diz Nanni – para acender as velas uns dos outros até formar um círculo de luz. O som do corno de Shofar, como explica a Bíblia, acompanhava o rito porque era um momento sagrado». Não rezamos somente, mas também partilhamos os talentos artísticos durante «uma tarde cheia de alegria e de harmonia, onde Chiara Lubich esteve novamente presente através de um quadro que Sofia, da comunidade Bet-El, ofereceu como um presente à Mariápolis Lia. Sofia também participou no encontro do ano passado e sentiu-se interpelada pela mensagem e pela figura de Chiara», acrescenta Carlos. Domingo visita à Mariápolis permanente. «Após aprofundar alguns momentos da história e da espiritualidade do Movimento – continua Nanni – visitamos os vários setores da cidadela e concluímos no Auditório Vittorio Sabbione. Uma profundidade nova na leitura do Primeiro Testamento e a presença de Deus entre nós. Agora, nós que ficamos na cidadela não somos mais os mesmos de três dias atrás, e aqueles que voltaram para Buenos Aires partiram com a alegria de ter encontrado outros irmãos. Confirmaram aquilo que vivemos as palavras de uma participante hebreia: “É a terceira vez que venho à Mariápolis Lia. Todas as vezes ia embora com vontade de voltar. Hoje, pelo contrário, sinto que faço parte desta experiência, a Mariápolis Lia faz parte de mim e eu faço parte dela”. Já está marcado um encontro no próximo ano!». Gustavo Clariá

O Evangelho além da Grande Muralha

O Evangelho além da Grande Muralha

20160116-aA apresentação da edição italiana do livro do estudioso chinês, que há anos trabalha com estes temas e está concluindo sua pesquisa de doutorado no IUS, no dia 8 de janeiro passado, não podia passar despercebida, principalmente pelo local onde se realizou, a sede da Rádio Vaticana, em Roma. Um interesse particular tiveram também as contribuições dos convidados, D. Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais; o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e da Rádio Vaticana, padre Frederico Lombardi; o historiador Agostino Giovagnoli e o vaticanista Gianni Valente. Mas o maior relevo dado nos numerosos artigos publicados nos dias sucessivos, na imprensa e na rede, foi ao tema do desenvolvimento do cristianismo na China, e a visão com a qual Chiaretto Yan, no seu livro “O Evangelho além da Grande Muralha. Desafios e perspectivas do cristianismo na China” (Emi 2015), faz uma leitura sobre o desenrolar-se das relações com a Santa Sé, à luz da confiança e da abertura ao diálogo. Uma leitura que encontrou confirmação inclusive no discurso de Pe. Lombardi, que relembrou algumas expressões do Papa Francisco, cheias de significado, em que o Papa salientou publicamente, em várias ocasiões, “o seu desejo de ir à China”. “Existe uma grande liberdade ao dizer que existe uma busca de caminhos de diálogo com as autoridades”, para encontrar soluções às questões ainda abertas, existe “um grande desejo de prosseguir”. 20160116-03Há uma consistente continuidade na perspectiva de ação dos últimos três pontífices, de João Paulo II a Francisco. Dentre os sinais apresentados por D. Celli, um episódio vivido em primeira pessoa demonstra, mais do que muitas afirmações, a profunda atenção e a participação com a qual João Paulo II sempre acompanhou a vida dos cristãos na China. “Ele já estava na cadeira de rodas, e me disse: ‘O senhor acha que conseguirei ir à China?’”. “O diálogo não é fácil – afirmou D. Celli – mas o caminho é ir adiante, absolutamente”. O historiador Agostino Giovanogli evidenciou “a novidade na continuidade” presente na abordagem mais livre de Francisco ao falar da China. “Os chineses percebem a sua determinação no desejo de mudar as relações entre China e Santa Sé – observou. Isso dá segurança e afasta certas incertezas do passado”. Também o jornalista Gianni Valente elencou uma série de recentes aberturas. Oltre_le_grande_muragliaO que a pesquisa de Chiaretto Yan salienta é a passagem de diferentes fases que, ao lado de incidentes de percurso e momentos às vezes dramáticos que reabriram feridas, ao mesmo tempo mostra um progressivo relaxamento das tensões e a percepção de um diálogo que está amadurecendo, possibilitado pelas maiores chances de comunicação direta, após o black out que marcou os anos da perseguição. Nos últimos vinte anos, a exigência mais sentida é a de dar um fim às fraturas entre as diversas comunidades eclesiais, em nome de “uma única Igreja e mais comunidades”. É de 2007 a histórica Carta aos católicos chineses, de Bento XVI, um grande pronunciamento do magistério, que pediu o abandono do conflito interno e externo em favor do diálogo. O total reconhecimento com o qual o Papa Francisco apoiou esse documento nada mais faz do que confirmar a intenção de prosseguir no mesmo caminho. “O desafio para a Igreja – concluiu Chiaretto Yan, respondendo a uma jornalista – é sempre o mesmo: testemunhar a unidade na distinção; neste horizonte, isso pode significar também sustentar a vida de diferentes comunidades eclesiais, dentro da mesma sólida experiência de comunhão”. Fonte: www.iu-sophia.org

“A doença mudou a minha visão do mundo”

“A doença mudou a minha visão do mundo”

20160115-03Eu gosto muito de natação e de carros; assim que eu sarar vou tirar a carteira de habilitação. Tenho uma irmã e gosto muito dela e o meu irmão mais velho é o meu modelo. Eu gosto de quase todos os estilos de música, especialmente tecno. Eu gostaria também de ter um cachorro… Antes eu não gostava de ler, mas, agora que estou internado, tornou-se interessante porque o tempo passa mais rápido.” Certa vez Nikola estava no cinema com a irmã dele e sentiu dor de dente. Não poderia imaginar que fosse o primeiro sintoma de algo grave. Nos dias seguintes o lado esquerdo da face ficou muito inchado e ele quase não conseguia abrir a boca. “Eu sentia muita dor, mas, ao invés de ir ao dentista, fiz uso de pomadas e compressas. Não adiantou nada, só piorou. E assim, fui ao dentista. Ele ficou chocado e imediatamente me encaminhou a um cirurgião e este me internou. Eu estava surpreso, mas, não fiquei muito preocupado. Pensei que depois de dois dias eu voltaria a casa”. Pelos exames, porém, foi constatada uma anomalia no sangue. Nikola foi transferido a outro setor e, depois, a outra clínica. E, enfim, a dura diagnose: leucemia.Eu não sabia nada sobre essa doença – ele nos conta – não imaginava que seria necessário submeter-me à quimioterapia e que o tratamento seria longo. Comecei as primeiras sessões e me parecia ficar louco. Eu tinha pensamentos absurdos. Comecei a duvidar da existência de Deus e a me perguntar a razão de isto ter acontecido justamente comigo. O que eu havia feito de mal, será que Deus me abandonou? Indaguei pela resposta e compreendi que esta doença é uma mensagem de Deus para mim. Eu experimentei a presença Dele de maneira mais forte, estava sempre ao meu lado. Dei-me conta de que Deus queria algo de mim e pensei muito sobre o que poderia ser. Muitas ideias passaram pela minha cabeça, talvez eu deveria doar-me totalmente aos outros? A doença me despertou de uma vida vazia que passava diante de mim, mudou a minha visão do mundo e agora vejo tudo de maneira mais serena. Uma das coisas que fiz foi deixar de fumar e me sinto orgulhoso por isto! Aqui no hospital eu conheci pessoas que estimo muito e tenho dois bons amigos. Durante um dia ensolarado eu abri a janela, vi que passava uma jovem e ela me sorriu com muito amor. Depois eu fiquei sabendo que é uma enfermeira. Com isso eu compreendi que a felicidade está nas pequenas demonstrações de atenção. Um jovem disse-me: ‘tudo o que e meu, é também teu’. Nunca alguém me havia dito uma coisa semelhante. Eu senti uma grande alegria!” “Eu tive sorte porque sou compatível com meus irmãos para o transplante de medula. Isso diminui o tempo do tratamento e a probabilidade de que a doença retorne. Tenho muito reconhecimento por todas as orações e por todas as mensagens que recebo do mundo inteiro, por meio do Facebook. No hospital fazemos companhia uns aos outros e quando nós, jovens, nos encontramos, o tempo passa bem mais rápido. Tenho um irmão muito bondoso que deixou comigo o computador dele! Assim eu posso assistir filmes e acessar a Internet… Passo muito tempo rezando. As condições nas quais vivemos não tornam a vida fácil, mas se habitua a tudo…” 20160115-01 À pergunta sobre o que diria aos coetâneos, Nikola respondeu: “Eu diria: vocês podem até aprender do passado, podem também fazer planos para o futuro; mas, o mais importante é viver o momento presente, foi isto que aprendi. Saibam que a verdadeira felicidade se alcança com pequenas demonstrações de atenção e não se preocupem com o futuro, porque – quando aprenderem a não se preocupar – vocês se sentirão muito melhor. Se vocês tiverem pensamentos negativos, transformem, imediatamente, em positivos. Façam sempre assim e, com o tempo, os pensamentos negativos desaparecerão. Amem quem passa ao lado de vocês e tenham sempre reconhecimento por tudo o que têm.” Fonte: Novi Svet 1-2. / 2015

Índia: Sarvodaya, o sonho do Bala Shanti

Índia: Sarvodaya, o sonho do Bala Shanti

Bala-Shanti-pic2 “Uma sociedade é boa quando o último e o menor têm acesso a uma vida digna”. Esta foi a ideia-força que em 1986 impeliu o Dr. Aram e sua esposa Minoti, com uma comissão de amigos Gandhianos, a dar início ao Shanti Ashram de Coimbatore, no Tamil Nadu. Alfabetização, desenvolvimento da condição da mulher, saúde, política ambiental, luta contra a pobreza, programas de liderança para a juventude e projetos para a infância são as ações promovidas pelo Ashram, do qual faz parte o projeto Bala Shanti, nascido em 1991 para ajudar crianças muito pobres nas aldeias circunstantes. Em 2013, a Senhora Minoti escreveu: “Tagore,o poeta tão amado e vencedor do prêmio Nobel diz: ‘Cada menino e menina é portador da mensagem de que Deus ainda não se desencorajou em relação ao homem’. É neste contexto que vejo o nosso trabalho pelas nossas crianças: poder servir um dos dons mais preciosos de Deus à humanidade” .

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Chiara Lubich com Minor Aram (2002) – © Centro S. Chiara Audiovisivi

Inicialmente o projeto Bala Shanti mirou em oferecer nutrição, educação e serviços sanitários a um pequeno grupo de crianças dos 3 aos 5 anos. Hoje o projeto ajuda milhares de crianças em 17 aldeias, os envolvendo diretamente, por sua vez, na luta contra a pobreza, suscitando neles e nas suas famílias uma participação social ativa. Em 2002, após os contatos iniciados com os Focolares e as duas visitas de Chiara Lubich à Índia, o programa Sustento à Distância de Famílias Novas começa uma colaboração com o projeto Bala Shanti que continua até agora, para o sustento de uma centena de crianças. Um dos programas do Bala Shanti é um parlamento das crianças, nascido em 2006 e composto por ex-alunos do projeto: mais de 800 crianças e jovens dos 6 aos 18 anos que se encontram regularmente para dar voz a temas que os tocam diretamente, como a promoção da higiene, a educação continuativa, a adesão social e o serviço à comunidade. É conhecida a iniciativa mais recente, o Banco das Crianças, nascido das crianças para as crianças. Esta iniciativa foi lançada em maio de 2013 com o objetivo de ensinar às crianças o valor de economizar e o planejamento financeiro para a própria educação, além de doar uma parte das suas economias para ajudar crianças mais pobres do que elas. Em 2015 mais de 1500 crianças, pequenos poupadores, participaram do projeto. Este ano festeja-se o 25˚ aniversário do Bala Shanti, com grande alegria e um balanço decididamente positivo. Info: Progetto Bala Shanti

Evangelho vivido: a força de sorrir mesmo no sofrimento

Evangelho vivido: a força de sorrir mesmo no sofrimento

20160112-aNinguém ia à ‘Mansão dos Carvalhos’ para fazer tratamento; somente para morrer. Eu não sabia disso porque era apenas um jovem de 15 anos feliz, que andava de bicicleta,e, também porque esses lugares horríveis eram escondidos. Mas, eu fiquei curioso: parecia que certos idosos caminhavam no alto das árvores. Mas não: tratava-se um hospital de doenças crônicas cercado por árvores frondosas, e no sétimo andar havia um terraço onde os pacientes caminhavam. Entrei por curiosidade, mas fui impedido por cinco idosos que começaram a gritar. Entre os doentes vi um jovem paralisado por uma doença e, com a desculpa de que ia visitá-lo, eles me deixaram entrar. Encontrei também pessoas com grave desequilíbrio mental, mas, tinham um grande respeito por Gianni. Feliz por receber a visita de um jovem, imediatamente ele me falou sobre a doença, contraída na idade de 24 anos, depois de uma carreira na marinha e também no cinema. Dera adeus às belas jovens e ao muito dinheiro; agora existia a solidão e a morte certa, dentro de poucos meses. Ele me pediu para levar veneno: queria dar fim à sua vida. Voltei a visitá-lo uma semana depois e ele já não falava mais. Eu conseguia entendê-lo pelo movimento de seus lábios. Contaram-me que ele conseguira chegar, na cadeira de rodas, até o sétimo andar para jogar-se lá do alto, mas, depois de uma queda na escadaria, ele não pode mais sair da cama. Diante do seu desespero eu fazia fortes apelos para que acreditasse que Deus o amava, e constatei que esta graça entrou no coração dele quando, improvisamente, os seus olhos começaram a brilhar como as águas do oceano quando refletem o sol. E começou a rir com gosto, enquanto o nosso diálogo continuava somente por meio do movimento das suas sobrancelhas, que eu conseguia decifrar.  Eu lhe fazia perguntas ou propunha alguma coisa e ele me respondia com movimentos das sobrancelhas ou com sorrisos maravilhosos. Eu comecei a levar as pessoas mais estranhas para visitá-lo: uma jovem anárquica, que ele transformou em uma perfeita enfermeira, somente por causa das suas risadas. Uma dessas pessoas compreendeu o motivo da sua própria rebelião: não eram motivos “políticos” e sim um ódio profundo contra a forma do seu próprio corpo, que não aceitava. Imediatamente aquela pessoa decidiu mudar totalmente a sua vida. Eu levava ateus, protestantes, missionários, e a vida de Gianni inexplicavelmente comunicava algo e se estendia no tempo. Depois de uma cirurgia os médicos decidiram não fazer mais os pontos, era inútil, Gianni estava morrendo. Mas, quando notaram que ele retomara as forças e fizera um belo sorriso, continuaram o procedimento. Hoje eu tenho uma bela foto de Gianni com o Papa Paulo VI, que lhe pedia orações. Agora que estão juntos, eles são uma força para nós, a força que, no sofrimento, sabe também sorrir!” (Pe. Marco S. – Itália)