Movimento dos Focolares

Chiara Lubich: uma consciência de solidariedade universal

Abr 29, 2015

Coincidindo com o encontro entre o Secretário Geral da ONU e o Papa, e a realização de uma Jornada sobre ecologia no Vaticano, publicamos alguns trechos de uma carta de Chiara Lubich de 1990, endereçada ao líder budista Nikkyo Niwano.

Chiara Lubich e Nikkyo Niwano«Aqui fala-se muito da construção de uma casa européia comum, mas estamos convencidos de que esta ação tão necessária não será completa se não a considerarmos um detalhe da “aldeia global”, que é a Terra em que vivemos. Este pensamento me foi sugerido pela preocupação expressa na sua carta com as condições precárias do nosso ambiente natural (…).De fato, estão se multiplicando as análises alarmantes de cientistas, políticos, organismos internacionais sobre o nosso ecossistema. Muitos lançam propostas para curar o nosso mundo doente. A ecologia, no fundo, representa um desafio que se pode vencer somente mudando a mentalidade e formando as consciências. (…)Já foi demonstrado por muitos estudos científicos sérios que não faltam recursos técnicos nem econômicos para melhor o ambiente. O que falta é aquele suplemento espiritual, aquele novo amor pelo homem, que nos faz sentir responsáveis uns pelos outros, no esforço comum de administrar os recursos da Terra num modo inteligente, justo, moderado.(…) A distribuição dos bens no mundo, a ajuda às populações mais pobres, a solidariedade do Norte para com o Sul, dos ricos em relação aos pobres é a outra face do problema ecológico. Se os imensos recursos econômicos destinados à indústria bélica e a uma super produção, que requer o incremento de super-consumidores, sem falar no desperdício dos bens nos Países ricos, se esses enormes recursos servissem pelo menos em parte para ajudar o Terceiro Mundo a encontrar um caminho digno de desenvolvimento, como o clima seria mais respirável, quantas florestas seriam poupadas, quantas regiões não conheceriam a desertificação e quantas vidas humanas seriam salvas! (…) Mesmo assim, sem uma nova consciência de solidariedade universal nunca se dará um passo em frente. (…) Se o homem não está em paz com Deus nem sequer a Terra estará em paz. As pessoas que vivem a religião sentem o “sofrimento” da Terra quando o homem não a usa segundo o plano de Deus, mas só por egoísmo, por um desejo insaciável de possuir. Este egoísmo e desejo contaminam o ambiente ainda mais e pior do que qualquer outra poluição, que é só uma sua consequência. (…). Agora, essas consequências desastrosas nos obrigam a encarar a realidade juntos na perspectiva de um mundo unido: se não enfrentarmos este problema todos juntos, ele não se resolverá. (…) Se descobrirmos que toda a criação é um dom de um Padre que nos ama, será muito mais fácil encontrar uma relação harmoniosa com a natureza. E se descobrirmos também que este dom é para todos os membros da família humana, e não só para alguns, estaremos mais atentos e respeitaremos melhor algo que pertence à humanidade inteira, presente e futura». Leia mais

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

O caminho da esperança

O caminho da esperança

Nos 50 anos da composição do livro mais famoso do Card. François-Xavier Nguyễn Văn Thuận, um evento no Palácio do Latrão, em Roma, com transmissão streaming, em sete línguas. Foi apresentada a nova biografia do conhecido testemunha da esperança.

O convite a uma verdadeira guinada

O convite a uma verdadeira guinada

Leão XIV encontra o Movimento dos Focolares e confirma o Carisma da Unidade, que não é fruto de equilíbrios organizacionais ou estratégias humanas, mas sim reflexo da relação entre Cristo e o Pai. Um artigo de Margaret Karram para o «L’Osservatore Romano».

O selo da unidade

O selo da unidade

“A unidade”, afirmou recentemente o Papa Leão XIV na audiência com todos os participantes da Assembleia Geral do Movimento dos Focolares, “é uma semente, simples mas poderosa, que atrai milhares de mulheres e homens, suscita vocações, gera um impulso de evangelização, mas também obras sociais, culturais, artísticas e econômicas, que são fermento de diálogo ecumênico e inter-religioso”. Compartilhamos algumas palavras de Chiara Lubich, proferidas no dia 9 de novembro de 1989 em um “Collegamento”, que nos apresentam a unidade como a rocha sobre a qual repousa nossa vida.