Movimento dos Focolares

Evangelii Gaudium: um comentário de Maria Voce

Dez 19, 2013

A Presidente dos Focolares se detém nos números 98-101 da Exortação Apostólica – “Não à guerra entre nós” – e evidencia o testemunho da comunhão e a alegria vivida nas várias comunidades.

O que o Papa Francisco quer dizer com “Igreja-Comunhão”? Pode-se identificar isto nos quatro parágrafos, com o subtítulo “Não à guerra entre nós”, da Exortação Apostólica. A frase-chave que o explica – afirma Maria Voce – encontra-se no número 99: “Aos cristãos de todas as comunidades do mundo, quero pedir-lhes de modo especial um testemunho de comunhão fraterna, que se torne fascinante e resplandecente”. Este pedido – continua a Presidente dos Focolares no seu comentário – é feito aos cristãos, àqueles que se encontram em todas as comunidades e, portanto, à Igreja”. Um pedido para que os cristãos deem, nas várias comunidades em que se encontram, “um testemunho de amor recíproco, de comunhão fraterna”.

Mas, a quais comunidades o Papa se refere? Na opinião de Maria Voce poder-se-ia pensar logo a grupos particulares, mas percebe-se um olhar mais amplo: “Ou seja – ela comenta – podem ser também cristãos que se encontram em comunidades não-cristãs ou em comunidades nas quais ainda se deve começar o anúncio do Evangelho, ou que se encontram reunidos em um convento, uma associação ou uma família”.

Por que este pedido? “As duas últimas palavras do Papa explicam o motivo: “que se torne (esta comunhão) fascinante e resplandecente”. Está sempre implícito o intenso desejo de evangelização, quer uma “primeira” evangelização, quer uma “nova”: a comunhão fraterna entre os cristãos deve ser capaz de atrair pelo seu simples testemunho”. Uma visão que é oferecida de maneira concreta: “O Papa convida a começar. Comecemos a rezar por uma pessoa que neste momento nos é antipática e que não queremos amar. Convida a dar o primeiro passo, mesmo se pequeno, até mesmo o de lembrar-se daquela pessoa e rezar por ela. Isto ajuda a superar todo obstáculo vivendo a comunhão fraterna… Isso torna possível um ‘alegre retorno’ também para aqueles que se sentem destruídos pelo ódio e pelo rancor, que sofreram por causa de inimizades e traições”. Alegria como característica que, desde o título, permeia a inteira Exortação Apostólica: “Testemunha-se o Evangelho na alegria”, continua Maria Voce.

Quais podem ser os impedimentos para viver desta forma? Maria Voce retoma o parágrafo precedente: o obstáculo é “o mundanismo espiritual, que ‘consiste no ato de buscar, em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal’ (93). Egoísmo, portanto, olhar a si mesmo ao invés de olhar a Deus e aos outros; procurar a segurança nas coisas desta terra, no dinheiro, no poder, na proteção e ajuda de pessoas influentes, ao invés de confiar-se completamente a Deus”. Tal mundanismo “nos seus fundamentos, impede que os cristãos tenham, entre eles, uma comunhão fraterna”.

“O Papa estigmatiza particularmente as contendas e as invejas, os ciúmes que podem surgir entre os cristãos, especialmente se fazem parte de comunidades religiosas ou de comunidades de pessoas que, de uma ou outra forma, estão empenhadas no caminho do testemunho evangélico”. Pelas palavras do Papa a Presidente dos Focolares deduz que não é possível pensar em evangelizar desta maneira: “Não existe nenhuma possibilidade de fecundidade se destas comunidades cristãs não emana um autêntico testemunho de amor fraterno”.

E, concluindo, uma confidência: “Lembrei-me das palavras de Chiara Lubich a um grupo de animadores paroquiais. Em 2005, ela disse: ‘O Senhor nos deu um carisma para o mundo atual, o carisma da unidade. Eu tenho a certeza de que este carisma pode ajudar também as comunidades paroquiais a se renovarem, a tornarem-se aquilo que devem ser: Igreja viva, onde todos encontram Jesus. Portanto, sintamos a responsabilidade de ter recebido este inestimável dom de Deus e tenhamos a coragem de difundir a espiritualidade da unidade, especialmente agora que João Paulo II a lançou para a Igreja inteira como ‘espiritualidade de comunhão’ (NMI, 43)”. Ou seja, também hoje, o convite a “ser conscientes de que somos portadores de um carisma e podemos contribuir a estabelecer vínculos de comunhão fraterna em todas as comunidades onde nos encontramos, tanto dentro do nosso Movimento quanto fora dele”.

Fonte: Città Nuova on line.

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