Movimento dos Focolares

Experimentar a unidade

Jan 1, 2026

Ideia do mês - Janeiro de 2026

O mundo hoje precisa de unidade. Percebemos isso nas divisões dentro das famílias, entre vizinhos, entre igrejas e comunidades, para citar alguns exemplos. A polarização parece prevalecer sobre a compreensão. É uma consequência do individualismo, que predomina e nos leva a fazer tudo por conta própria, a buscar os próprios interesses ou prestígio pessoal, ignorando ou até desprezando os outros, suas exigências, seus direitos.

E, no entanto, é possível experimentar a unidade. É um caminho que começa a partir de pequenas atitudes, com um sim interior: sim ao acolhimento, sim ao perdão, sim a viver para os outros. Não se trata de grandes projetos, mas de pequenos atos de fidelidade que, a longo prazo, transformam uma vida, uma comunidade, um ambiente.

E, quando isso acontece, percebemos que a fraternidade deixa de ser um sonho e se torna uma realidade visível e fonte de esperança para todos.

Martin Buber acredita que a unidade é relacionamento. É o espaço do encontro, o espaço que existe entre o Tu e o Eu, um lugar sagrado no qual as diferenças não desaparecem, mas se reconhecem mutuamente. Para ele, a unidade surge quando duas realidades se permitem tocar, e não quando uma se impõe à outra. Esse “entre” pode ser entendido como um espaço que acolhe a diversidade e, precisamente por isso, torna-se fonte de comunhão. Portanto, para Buber, “Toda verdadeira vida é encontro”. (Ichund Du, 1923)

Com as pessoas que encontramos no nosso dia a dia, com os amigos, os familiares, podemos descobrir a grande oportunidade do relacionamento. Em particular, quando uma situação desafiadora parece nos aprisionar em nossos medos, as pessoas nos “salvam”, ajudando-nos a transcender a nós mesmos. Viver para ser unidos significa caminhar juntos apesar das nossas diferenças, transformando-as em tesouros e não em obstáculos. É um convite a passar da simples convivência ao encontro, no qual o que pertence a cada um, na reciprocidade, se torna novo porque é compartilhado e conectado. A unidade, entendida dessa forma, não é a soma de nós dois, nem é fragilidade: é uma força que gera a esperança de que ainda há um amanhã. A diversidade não é mais falta de unidade, mas enriquecimento mútuo. É sentir que o que acontece no outro também ressoa em mim. “A unidade não consiste na igualdade, mas na harmonia”, lembra-nos Rabindranath Tagore.

Que neste mês possamos vivenciar a alegria, a luz, a vida, a paz e a esperança que provêm da unidade vivida.

Quando estamos unidos, tudo é percebido de forma diferente.

Foto: © JGC-CSC Audiovisivi


A IDEIA DO MÊS é preparada pelo “Centro do Diálogo com pessoas de convicções não religiosas” do Movimento dos Focolares. É uma iniciativa que nasceu no Uruguai em 2014 com o intuito de compartilhar com os amigos que não creem em Deus os valores da Palavra de Vida, uma frase da Escritura que os membros do Movimento se comprometem a colocar em prática. Atualmente, A IDEIA DO MÊS é traduzida em doze idiomas e distribuída em mais de 25 países, adaptada segundo as exigências culturais. dialogue4unity.focolare.org

3 Comments

  1. SUELI MARA CARVALHO

    conheço o Movimento dos Focolares.
    Fiquei um período afastada.
    Em 2025, participei da Mariápolis.
    Hj qdo entrei no grupo pra ver as msgs, deparei com essa.
    Tive interesse em aprofundar.
    Agradeço

    Reply
    • Carlos Mana

      Obrigado pelo seu comentário. Para aprofundar a espiritualidade e a vida da sua comunidade local, pode entrar em contacto com quem organizou a Mariapoli.

      Reply
  2. DOMINGOS SAVIO RAIWI A WADZEREPRUWE

    eu já vive isso uma ajuda ao próximo e reconhecendo Deus e Amando com amor as pessoa.

    Reply

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