Movimento dos Focolares

Família hoje: acolher as dificuldades

Jun 28, 2014

A Rádio Vaticano entrevistou Anna e Alberto Friso, de Famílias Novas, dos Focolares, sobre o Instrumentum Laboris do Sínodo da Igreja católica sobre a família, apresentado nos últimos dias.

A imagem da Igreja que o próximo Sínodo é chamado a mostrar, com suas opções pastorais, é a de “uma mãe preocupada em gerar, acompanhar e sustentar todos os filhos de Deus, ninguém excluído”. Foi o que salientou o arcebispo Bruno Forte, secretário especial do próximo Sínodo extraordinário sobre a família, desejado pelo Papa Francisco, ao apresentar na Sala de Imprensa o Instrumentum Laboris da Assembleia Geral do sínodo do próximo mês de outubro, que será dedicada ao tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”. “A família já se tornou um símbolo das dificuldades, dos sofrimentos da sociedade – comenta Anna Friso, responsável, com seu marido, Alberto, pelo Movimento Famílias Novas, dos Focolares. “Por isso é realmente magnífico saber que a Igreja tem esta atitude de acolhimento e de proximidade”. O documento é o resultado de uma pesquisa originada com um questionário de 39 perguntas, difundido em novembro passado, que obteve uma acolhida positiva e ampla repercussão. “Creio que foi a ideia certa. Partir do povo, do dado concreto de como se vive”, prossegue Anna Friso. “Esta atenção às situações tão complexas e diferentes de tantas famílias em dificuldade – continua Alberto Friso – significa valorizar estes sofrimentos e obter deles uma luz. O sofrimento é um valor, um coeficiente importantíssimo. Se forem entendidas pela Igreja, as famílias encontrarão recursos internos para divisar um caminho de reconciliação”. “Sem dúvida é uma abertura do coração e da alma da Igreja à acolhida”, comenta Alberto Friso. “Não é um modo para iluminar apenas as situações difíceis, mas também todo o contexto geral da família, porque ela nasce justamente do amor de Deus pela humanidade e encontra nesse amor o seu sentido”.

20140628-03

Alberto e Anna Friso

Uma grande parte do documento é dedicada a situações pastorais difíceis, como a convivência, as uniões de fato, as separações, os divórcios e uniões entre pessoas do mesmo sexo. “Devemos entender – comenta Anna Friso – que a verdadeira questão não é tirar o cisco do olho do outro. Mas ajudá-lo a crescer na consciência de que Deus ama imensamente a todos. É um anúncio dirigido a todos, não apenas a quem não está em situações irregulares”. “Não está em discussão a doutrina da Igreja”, esclareceu D. Forte na Sala de Imprensa, mas a sua aplicação, a sua proposta, o acompanhamento da aceitação e da prática. “Na doutrina da Igreja existe uma verdade de beleza, alegria, possibilidade de realização. E no fundo ninguém quer um amor descartável ou considera os filhos uma opção”, comenta Anna Friso. “A Igreja nos fala justamente daquilo que está escrito no nosso coração. É útil, porem, apresentá-lo sobretudo com o testemunho”. “A nossa esperança é que o Sínodo reforce a consciência de todas as famílias, não somente as cristãs”, conclui Alberto Friso. “Creio que seja um ato de amor histórico que a Igreja realiza num momento no qual domina o individualismo, uma grande mensagem de confiança e de esperança, não só para a antropologia cristã”.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

Páscoa: o fundamento da Grande Esperança

Páscoa: o fundamento da Grande Esperança

Esta reflexão sobre as razões e as origens pascais da esperança cristã, que “ousa” falar aos homens de hoje, nos foi oferecida por Declan J. O’Byrne, teólogo e reitor do Instituto Universitário Sophia.

Olhos de Páscoa

Olhos de Páscoa

Klaus Hemmerle (1929-1994), bispo de Aachen (Aquisgrano, Alemanha), foi um teólogo e filósofo, que com o seu timbre particular, deu uma contribuição para o aprofundamento doutrinal do carisma da unidade. Com essas palavras, ele nos introduz no mistério da Páscoa e da Ressurreição de Cristo, convidando-nos a mergulhar plenamente nesse momento e a ter um olhar novo.

A cruz, tesouro de comunhão

A cruz, tesouro de comunhão

A morte de Jesus na cruz nos revela um homem profundamente enraizado em uma relação com o Pai, que é capaz de confiar Nele até o fim. É por essa razão que aquele calvário se torna o tesouro no qual se concentra todo o amor de Deus por nós. As palavras de Igino Giordani nos convidam a dar espaço ao silêncio e à escuta, a fim de trilhar esse caminho de contemplação, redenção e comunhão com Deus e entre os homens.