Movimento dos Focolares

Nostra Aetate: 60 anos de caminho no diálogo interreligioso

Out 18, 2025

No dia 28 de outubro de 2025, celebra-se o 60º aniversário de "Nostra Aetate", a declaração do Concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs. Depois de seis décadas, o documento que inspirou e guiou os passos do diálogo interreligioso nos convida a renovar nosso empenho, continuando a construir relacionamentos de fraternidade verdadeira.

“Que as religiões não sejam usadas como armas ou muros, mas que sejam vividas como pontes e profecia: tornando realidade o sonho do bem comum, acompanhando a vida, sustentando a esperança e tornando-se fermento de unidade em um mundo fragmentado.”

Foram essas as palavras finais pronunciadas pelo Papa Leão XIV no vídeo gravado para as intenções de oração de outubro de 2025, dedicadas especificamente à “colaboração entre as diversas tradições religiosas”. No mês em que se celebra o 60º aniversário do documento Nostra Aetate (em tradução livre No nosso tempo), sobre as relações entre a Igreja e as religiões não-cristãs, o Pontífice, ao exortar e reconhecer-nos “como irmãos e irmãs chamados a viver, orar, trabalhar e sonhar juntos”, delineia à perfeição os pontos centrais dessa declaração, filha do Vaticano II, revelando sua grande importância e atualidade.

O espírito de renovação conciliar abriu caminhos desconhecidos, forneceu novos olhares sobre muitas coisas e, nessas seis décadas, a Nostra Aetate certamente guiou e inspirou os passos para proceder no caminho do diálogo, motivando primeiramente o conhecimento e, depois, o acolhimento entre as várias religiões.

Por essa razão, o Dicastério pelo Diálogo Interreligioso convida para uma Celebração comemorativa para refletir sobre a herança de “Nostra Aetate” no dia 28 de outubro, das 18h30 às 20h30, na Sala Paulo VI (Cidade do Vaticano), na presença do Santo Padre. O evento poderá ser seguido pelos canais do Vatican Media.

A Igreja, como se lê no documento, ““em seu dever de promover a unidade e a caridade entre os homens e os povos, em primeiro lugar examina aqui tudo aquilo que os homens têm em comum e que os impulsiona a viver juntos seu destino comum. Os vários povos constituem, de fato, uma só comunidade”.

E uma revelação aquela de viver como “uma única família humana” que Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, acolheu profundamente. O Movimento, de fato, fundado sobre uma profunda espiritualidade centrada na unidade entre todos os seres humanos, se empenha em várias formas de diálogo, entre eles, também o interreligioso. Há mais de cinco décadas, estabelece, por meio de seu Centro para o Diálogo Interreligioso (CDI) e seus centros presentes nos países, relacionamentos intensos e fraternos de diálogo com milhares de fieis e muitas instituições, associações, movimentos e organizações das mais diversas religiões com a convicção de que a amizade entre pessoas de diferentes crenças seja um potencial vital para a construção da fraternidade universal.

A seguir, compartilhamos um breve vídeo que conta a intuição de Lubich e o percurso levado adiante no caminho do diálogo.

Maria Grazia Berretta
Foto: Una sessione del Concilio Vaticano II

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