Movimento dos Focolares

«Parecia que o mundo estava desabando sobre nós…»

Jun 28, 2000

Mas também na dor que bate na nossa porta, se pode experimentar o amor de Deus. Do Centro América a historia de um casal e do recíproco reaproximar-se, até o enfrentar juntos a prova suprema: a dor e a morte de um filho

  “Somos casados há 20 anos e tivemos cinco filhos. Oito anos atrás, a nossa família encontrava-se em grandes dificuldades. A pobreza nos obrigara a viver de modo precário e a guerra impedia qualquer iniciativa; porém o mais grave era o nosso relacionamento conjugal, que parecia acabado. Não tínhamos nos casado na Igreja e, mesmo se não rejeitávamos a religião, não podíamos nos considerar cristãos. Além disso, acrescentou-se o vício do álcool, que nos impedia qualquer tipo de diálogo. Estávamos nessa situação – conta E. – quando fui convidada para participar da Mariápolis. Como era diferente a vida ali! Senti-me acolhida e amada como eu era e logo brotou em mim o desejo de imitar aquelas pessoas. Voltando para casa, comecei a amar os meus familiares, especialmente o meu marido que, notando a minha alegria, quis participar comigo do encontro seguinte… Aos poucos, nasceu em nós dois o desejo de regularizar a nossa situação com o sacramento do matrimônio e foi grande a festa no dia em que pudemos realizar esse sonho, juntamente com outros dois casais que se encontravam na mesma situação. Quando recebemos Jesus Eucaristia, sentimos que uma graça especial chegava para nós e para a nossa família. Passaram-se anos felizes: enfrentávamos juntos as dificuldades da vida, ao invés de agir como antes. Experimentávamos o amor de Deus mesmo quando o sofrimento batia à nossa porta. Repentinamente, o nosso filho mais velho sentiu-se mal e, depois de uma série de exames cada vez mais aprofundados, foi diagnosticado AIDS. Sentimos uma dor imensa; parecia que o mundo estava desabando sobre nós…! Mas não estávamos sozinhos. O amor das pessoas que compartilhavam conosco essa nova vida nos fazia descobrir nesta tragédia o semblante de Jesus na cruz, que grita o abandono do Pai. Com a ajuda deles, conseguimos encontrar forças para unir o nosso “sim” ao dele. O nosso filho – como que por um milagre – ajudado pelo amor de todos, conseguiu aceitar essa grande provação: viveu os dois anos da doença como uma contínua, conquistada, mas extraordinária subida ao Céu. O meu marido sentia o peso da vida passada e pensava que o nosso filho estivesse pagando o preço por isso. Muitas vezes não conseguia entrar naquele quarto. Mas o amor sempre venceu. Um dia, quando se encontrava a sós com ele, ouviu-o dizer, com um fio de voz: “papai, prometa, não a mim, mas à Deus, que você cuidará muito bem da mamãe e dos meus irmãos“. Foi o testamento do nosso filho: ele pagou para que esta nova vida existisse sempre entre nós. Já na fase terminal, repetia a cada um de nós: “o amor, o amor é a única coisa que vale“. Agora, que ele não está mais fisicamente entre nós, nós o sentimos presente como nunca: esse sofrimento, vivido juntos nos purificou, nos uniu mais a Deus e entre nós e nos abriu a porta para a vida que não morre”. E. L. – América Central

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